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O vampiro morto de fome (Enhypen)

Fandom: Enhypen com muita fome, vampiros, s/n

Criado: 03/09/2026

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UA (Universo Alternativo)FantasiaDramaDor/ConfortoHistória DomésticaSobrevivênciaNoir GóticoAngústia
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O Banquete do Silêncio e da Sede

A mansão no topo da colina não era apenas fria; ela parecia respirar. S/n apertou as alças de sua mochila enquanto a porta de carvalho pesado se fechava atrás dela com um estalo definitivo. O silêncio que se seguiu não era reconfortante. Era o tipo de silêncio que precede uma tempestade, ou pior, o silêncio de predadores esperando o momento certo para atacar.

Ela sabia onde estava se metendo. Ou, pelo menos, achava que sabia. O contrato era simples: morar na propriedade dos Park-Shim-Nishimura e garantir que a casa fosse mantida. O que o contrato não dizia era que os sete herdeiros da linhagem Enhypen estavam passando por um "período de jejum forçado" devido a uma crise no fornecimento de sangue sintético da região.

Ao entrar na sala de estar, a temperatura pareceu cair dez graus. As luzes estavam apagadas, exceto pela luz pálida da lua que atravessava as janelas imensas.

— Você está atrasada — uma voz profunda ecoou de um dos sofás de veludo.

S/n sobressaltou-se. Heeseung estava sentado com a elegância de um rei caído. Sua pele, normalmente pálida, parecia quase translúcida sob o luar. Seus olhos, que deveriam ser escuros, brilhavam com um matiz avermelhado inquietante. Ele não se moveu, mas S/n podia sentir a intensidade do olhar dele fixo em seu pescoço, onde a pulsação batia freneticamente.

— O trem atrasou — respondeu S/n, tentando manter a voz firme. — Eu não sabia que todos estariam acordados.

— É difícil dormir quando o estômago dói tanto que parece estar sendo cortado por lâminas — disse uma segunda voz, vinda das sombras perto da lareira fria.

Era Jay. Ele se inclinou para a frente, revelando olheiras profundas que contrastavam com a beleza afiada de seu rosto. Ele soltou uma risada seca, sem humor.

— O cheiro dela... — sussurrou Jake, surgindo subitamente ao lado de Heeseung. — Heeseung, você está sentindo? É doce demais. Como se tivessem espalhado açúcar e ferro pelo ar.

S/n deu um passo para trás, seu coração martelando contra as costelas. O som, para os sete vampiros famintos na sala, devia soar como um tambor de guerra.

— Por favor — disse S/n, a voz falhando levemente. — Nós temos um acordo. Vocês prometeram que eu estaria segura.

— E você está — Sunghoon apareceu no topo da escadaria, descendo os degraus com uma lentidão torturante. — Mas a fome é uma conselheira terrível, S/n. Não comemos nada decente há semanas. O sintético acabou, e a caça nos arredores está escassa.

Ele parou a poucos centímetros dela. S/n podia sentir o frio que emanava dele, como se ele fosse um bloco de gelo esculpido em forma humana. Sunghoon inclinou a cabeça, as narinas dilatando levemente enquanto ele inalava o perfume da pele dela.

— Você cheira a vida — ele murmurou. — E nós somos apenas... poeira e sede.

— Deixem ela em paz — a voz de Jungwon, o líder, cortou o ar.

Ele entrou na sala vindo da cozinha, seguido por Sunoo e Ni-ki. Jungwon parecia ser o que mais mantinha o controle, mas o aperto de suas mãos nos braços da poltrona denunciava a tensão. Sunoo, geralmente o mais sorridente, estava estranhamente quieto, os lábios apertados e os olhos fixos no chão, como se temesse que, ao olhar para S/n, perdesse o resto de sua sanidade.

Ni-ki, o mais novo, era o que parecia mais instável. Ele circulava o perímetro da sala como um lobo, os olhos nunca saindo da curva do ombro de S/n.

— Jungwon, não podemos continuar assim — disse Ni-ki, a voz rouca. — Eu consigo ouvir o sangue dela correndo. É como o som de um rio. Eu só quero... um gole.

— Ni-ki, sente-se — ordenou Jungwon.

— Eu não quero sentar! — explodiu o mais novo, avançando um passo rápido demais para um humano acompanhar. — Eu estou morrendo de fome!

Em um borrão de movimento, Heeseung se levantou e se colocou entre Ni-ki e S/n. A tensão na sala era tão espessa que poderia ser cortada com uma faca.

— Todos estamos — disse Heeseung, a voz baixa e perigosa. — Mas se a matarmos, perderemos nossa última conexão com a humanidade. E perderemos quem nos fornece acesso ao mundo lá fora.

S/n sentiu uma onda de gratidão por Heeseung, mas a lógica dele era puramente pragmática, o que não a deixava muito mais tranquila. Ela olhou para o grupo, vendo a luta interna em cada um deles. Eles não eram monstros por escolha, mas a natureza deles estava cobrando um preço alto naquela noite.

— Eu trouxe algo — disse S/n rapidamente, abrindo a mochila com mãos trêmulas.

Todos os sete pares de olhos se voltaram para as mãos dela. Ela tirou sete pequenas bolsas térmicas.

— O que é isso? — perguntou Jay, aproximando-se com curiosidade cautelosa.

— Eu consegui passar no centro de distribuição da cidade vizinha antes de vir — explicou ela, entregando a primeira bolsa para Jungwon. — Eles tinham um pequeno estoque de emergência. Não é muito, e não é sangue fresco, mas deve ajudar a passar pela noite.

Sunoo foi o primeiro a pegar uma das bolsas das mãos de Jungwon. Ele a abriu com pressa e bebeu o conteúdo quase instantaneamente. Um pouco de cor voltou às suas bochechas pálidas, e ele soltou um suspiro de alívio que pareceu desinflar a tensão na sala.

— Obrigado — sussurrou Sunoo, olhando para S/n com olhos que finalmente pareciam humanos de novo. — Eu achei que ia perder a cabeça.

Um por um, os outros pegaram suas porções. O clima na sala mudou de predatório para uma melancolia exausta. Eles se espalharam pelos móveis, consumindo o líquido com uma reverência silenciosa.

Jake sentou-se no chão, encostado na parede, e olhou para S/n.

— Você arriscou muito trazendo isso — comentou ele. — O transporte de sangue sem licença é crime.

— Eu imaginei que chegar aqui com as mãos vazias seria um risco maior para a minha vida — respondeu S/n, tentando sorrir, embora suas pernas ainda estivessem trêmulas.

Jay soltou uma risada curta, desta vez mais genuína.

— Você é esperta. Gosto disso.

Heeseung, que tinha sido o último a beber, aproximou-se dela novamente. Ele não parecia mais uma ameaça, mas a aura de poder que ele exalava ainda era intimidadora. Ele parou na frente dela e, por um momento, S/n achou que ele a abraçaria. Em vez disso, ele apenas colocou uma mão fria em seu ombro.

— Você nos salvou de cometer um erro terrível esta noite, S/n — disse ele solenemente.

— Eu só fiz o meu trabalho — respondeu ela.

— Não — interveio Jungwon, levantando-se. — Você fez mais do que isso. Você nos viu no nosso pior estado e não fugiu.

— Para onde eu iria? — S/n brincou, tentando aliviar o peso do momento. — Está chovendo lá fora e o último trem já partiu.

Ni-ki, que agora parecia envergonhado por seu comportamento anterior, aproximou-se devagar.

— Desculpe por... você sabe. Eu perco o controle quando estou com fome.

— Está tudo bem, Ni-ki — disse S/n suavemente. — Eu não consigo imaginar como deve ser.

Sunghoon, que estivera observando tudo em silêncio de um canto, finalmente falou.

— A fome nunca vai embora completamente. Ela apenas dorme. Você entende que viver aqui será sempre assim? Um equilíbrio na corda bamba?

S/n olhou para cada um deles. Eram seres poderosos, antigos e perigosos, mas ali, sob a luz da lua, pareciam apenas sete jovens carregando um fardo pesado demais.

— Eu entendo — disse ela com firmeza. — E eu decidi ficar. Mas, da próxima vez, espero que vocês tenham pelo menos um chá para me oferecer.

Sunoo soltou uma risada cristalina.

— Chá nós temos! E Jay faz os melhores biscoitos, embora ele não possa prová-los para saber se estão bons.

— Ei! Meus biscoitos são perfeitos — protestou Jay, fazendo todos rirem.

O perigo imediato havia passado, mas S/n sabia que aquela era apenas a primeira noite. A fome voltaria, e a sede deles era um monstro que precisava ser domado diariamente. No entanto, enquanto observava Heeseung e Jungwon discutindo como organizar as provisões para o resto da semana, ela sentiu que, talvez, aquela mansão fria pudesse se tornar um lar.

— S/n? — chamou Jake.

— Sim?

— O seu quarto é o terceiro à esquerda no andar de cima — disse ele com um sorriso gentil. — Nós colocamos cobertores extras. Sabemos que humanos sentem frio com facilidade.

— Obrigada, Jake.

Enquanto subia as escadas, S/n sentiu os olhares deles seguindo-a. Não eram mais olhares de caçadores, mas algo diferente. Uma mistura de curiosidade, respeito e, talvez, o início de uma lealdade que nem mesmo a sede de sangue poderia quebrar.

Ela fechou a porta do seu quarto e encostou-se nela, soltando o ar que nem sabia que estava prendendo. O silêncio da mansão agora era diferente. Não era mais o silêncio do medo, mas o silêncio de um pacto silencioso.

Lá embaixo, os sete vampiros permaneciam na sala.

— Ela é corajosa — comentou Heeseung, olhando para o teto.

— Ela é nossa — corrigiu Jungwon, e ninguém na sala ousou discordar.

A fome ainda estava lá, um eco constante em suas veias, mas, pela primeira vez em muito tempo, eles tinham algo mais em que focar. E S/n, em seu novo quarto, adormeceu sabendo que, naquela casa de monstros, ela era a batida do coração que os mantinha unidos.

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