
Orchestria
Fandom: marvel
Criado: 03/09/2026
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O Calor Além do Horizonte
O sol da Califórnia não pedia licença; ele invadia as janelas da casa de praia com uma insolência que Howard, o Pato, consideraria ofensiva se não estivesse ocupado demais tentando convencer um grupo de modelos de que era um "exótico mestre das artes marciais interdimensionais". A aposta que rendera aquela mansão à beira-mar fora, provavelmente, a única coisa útil que o pato fizera em meses.
Lá fora, a Legião Estelar tentava, a duras penas, entender o conceito de "descanso". Norrin Radd, o Surfista Prateado, parecia o ser mais deslocado do multiverso. Vestindo uma blusa térmica preta que absorvia cada partícula de calor, ele permanecia sentado sob um guarda-sol, mergulhado em um tomo de química orgânica avançada. Para um ser que navegava pelas correntes cósmicas, as ligações de carbono da Terra eram um passatempo quase infantil, embora seu semblante sugerisse que ele preferiria estar enfrentando Galactus a lidar com a areia entrando em seus dedos metálicos.
— Norrin, você está perdendo a melhor parte da estrutura molecular da água salgada! — gritou N'kalla, que, em seu maiô colorido, trabalhava arduamente em um castelo de areia colossal.
Korg, o gigante de pedra, ajudava com uma delicadeza surpreendente para alguém do seu tamanho.
— É verdade, Sr. Prateado. O pequeno castelo precisa de um guardião cósmico. O Throg disse que não vai ajudar porque está de luto pela sua dignidade anfíbia.
Throg, o Sapo do Trovão, soltou um coaxar melancólico de cima de uma pedra, observando o horizonte com a solenidade de um rei caído. Enquanto isso, Howard recebia o décimo "não" da manhã.
— É o bico, não é? Vocês, humanas, são tão superficiais! — resmungou o pato, ajeitando seus óculos escuros enquanto voltava para sua espreguiçadeira com um drink de procedência duvidosa.
Dentro da casa, no entanto, a temperatura subia por motivos completamente diferentes.
Clary terminou de amarrar as tiras de seu biquíni preto, observando-se no espelho com um olhar crítico. Ela era a líder daquela equipe de desajustados por uma razão: sabia exatamente como manipular cada peça do tabuleiro para que o resultado fosse a sobrevivência. Mas, ali, entre as quatro paredes de madeira clara e o cheiro de maresia, a seriedade dava lugar a algo mais afiado e, ao mesmo tempo, mais suave.
— Se você demorar mais cinco minutos, o Howard vai acabar preso por importunação ou o Norrin vai transformar a areia em vidro só de tédio — disse Clary, sem se virar.
Tabitha, que estava sentada na beira da cama tentando, sem sucesso, passar protetor solar nas próprias costas, soltou uma risada alta e vibrante. Ela era o oposto exato de Clary. Se Clary era o vácuo silencioso do espaço, Tabitha era a supernova: barulhenta, explosiva, ansiosa e cheia de uma luz que beirava o insuportável para os inimigos.
— Ah, relaxa, Chefe! O mundo não vai acabar se a gente se atrasar para ver o pato passar vergonha — Tabitha se levantou, caminhando até Clary com aquele jeito saltitante que sempre fazia Clary revirar os olhos internamente, embora seu coração desse um salto. — Além disso, você está maravilhosa nesse biquíni. Quase me faz querer virar uma vilã só para você me prender.
Clary se virou, um sorriso sarcástico brincando nos lábios.
— Você não duraria dois minutos como vilã, Tabby. Você pediria desculpas ao banco antes mesmo de explodir o cofre.
— Ei! Eu sou perigosa! — protestou Tabitha, aproximando-se mais, o carisma emanando dela como calor. — Eu amo explosões, lembra? Cabum!
— Eu lembro — Clary murmurou, sua voz baixando um tom, tornando-se aquela seda manipuladora que ela usava para conseguir o que queria, mas desta vez imbuída de um carinho genuíno que poucos conheciam. — Mas você confia demais. É o seu ponto fraco.
Tabitha parou a centímetros de Clary. Seus olhos brilhavam com aquela ansiedade característica, mas havia algo mais profundo ali.
— Eu confio em você. Isso é um ponto fraco?
Clary estendeu a mão, tocando o rosto de Tabitha com a ponta dos dedos. A pele da outra era quente, quase febril.
— É o mais perigoso de todos — Clary sussurrou, antes de puxar Tabitha pela nuca para um beijo que interrompeu qualquer tentativa de resposta.
O beijo não foi calmo. Foi uma colisão de urgências. Tabitha, sempre expressiva, soltou um gemido baixo contra os lábios de Clary, suas mãos descendo rapidamente para a cintura da líder. Clary, por outro lado, era metódica até no desejo. Ela guiava o ritmo, explorando a boca de Tabitha com uma fome que escondia sob sua máscara de seriedade diária.
— Clary... — Tabitha ofegou, quando os lábios da outra desceram para seu pescoço. — A gente devia... a praia... o pessoal...
— O pessoal que se exploda — Clary disse, a ironia ácida presente mesmo naquele momento. — Literalmente, se você quiser. Mas agora, eu quero outra coisa.
Clary empurrou Tabitha levemente em direção à cama grande. A loira caiu de costas, rindo nervosamente, a ansiedade se transformando em pura excitação.
— Você é tão mandona — disse Tabitha, as pernas se abrindo conforme Clary se posicionava entre elas. — Eu adoro isso. Sabia que eu tive um sonho com você e uma daquelas suas granadas de contenção?
Clary arqueou uma sobrancelha, as mãos já desfazendo o laço lateral do biquíni de Tabitha.
— Você tem um gosto deplorável, Tabitha. Mas eu posso ser bem mais criativa que uma granada.
As roupas de banho, tão cuidadosamente escolhidas, foram descartadas no chão de madeira sem cerimônia. O contraste entre as duas era nítido sob a luz do sol: Clary, pálida e focada, cada movimento calculado para extrair o máximo de reação da mulher sob ela; e Tabitha, uma confusão de curvas, risadas abafadas e uma entrega absoluta.
Quando Clary desceu o corpo, sua língua traçando um caminho úmido pelo abdômen de Tabitha, a loira arqueou as costas, os dedos enterrando-se nos lençóis finos.
— Clary, por favor... eu vou explodir, eu juro que vou!
— Então exploda — Clary subiu o olhar, um brilho predatório e carinhoso nos olhos. — Eu adoro os destroços que você deixa.
Clary não teve pressa. Ela usou os dedos e a boca com uma precisão cirúrgica, conhecendo cada ponto sensível que fazia Tabitha perder o fôlego. A loira era vocal, falante até na hora do prazer, soltando frases desconexas sobre como Clary era "uma ditadora maravilhosa" e como o "Norrin ia ficar com a marca de sol da blusa".
— Cala a boca, Tabby — Clary ordenou, embora estivesse sorrindo contra a pele dela.
— Me obriga! — desafiou Tabitha, as pernas envolvendo a cintura de Clary, puxando-a para um contato total de corpos.
O sexo entre elas era como a dinâmica da equipe: um caos controlado. Tabitha era a força bruta da paixão, movendo-se com uma energia inesgotável, enquanto Clary era a tática, encontrando os ângulos certos, o ritmo que levava Tabitha ao limite da sanidade.
— Você é minha — Clary sussurrou no ouvido de Tabitha, enquanto a penetrava com os dedos, sentindo a umidade e o calor intenso da outra. — Diga.
— Eu sou... ah, Clary! — Tabitha jogou a cabeça para trás, o suor brilhando em sua testa. — Eu sou toda sua, sua manipuladora barata!
— Barata não — Clary mordeu o lóbulo da orelha de Tabitha. — Eu custei muito caro para a sua saúde mental.
As investidas de Clary tornaram-se mais rápidas, mais profundas. Tabitha não conseguia mais formar frases completas. Seus dedos apertavam os ombros de Clary, deixando marcas vermelhas que a líder ostentaria com um orgulho silencioso mais tarde. O ápice veio como uma das bombas de Tabitha: súbito, avassalador e iluminando tudo ao redor.
Tabitha gritou o nome de Clary, o corpo tremendo em espasmos longos enquanto o prazer a consumia. Clary não ficou atrás, deixando-se levar pela onda de calor que Tabitha emanava, enterrando o rosto no pescoço da loira enquanto seu próprio corpo cedia à exaustão deliciosa.
Ficaram ali por um longo tempo, apenas ouvindo a respiração uma da outra e o som distante das ondas quebrando na areia. O silêncio só foi quebrado pelo som de algo explodindo lá fora — provavelmente um dos experimentos de N'kalla ou Howard tentando abrir uma garrafa com dinamite.
— Acho que eles precisam da líder — Tabitha murmurou, ainda ofegante, com um sorriso bobo no rosto.
Clary se apoiou nos cotovelos, observando Tabitha com uma doçura que guardava apenas para aqueles momentos.
— Eles podem esperar. Eu ainda não terminei de avaliar os danos que você causou nos meus lençóis.
Tabitha riu, puxando Clary para mais um beijo, este lento e com gosto de mar e promessas.
— Sabe, Clary... eu realmente espero algo bom de você. Sempre.
Clary parou por um segundo, a seriedade voltando brevemente aos seus olhos. Ela sabia que Tabitha era vulnerável, que sua confiança era um presente perigoso.
— Eu sei, Tabby — Clary acariciou o cabelo loiro e bagunçado. — E é por isso que eu nunca vou deixar ninguém, nem eu mesma, quebrar você.
— Isso foi quase romântico — Tabitha piscou, recuperando seu humor habitual. — Agora, vamos logo. Se o Howard virar churrasco de pato, quem vai pagar a conta do bar?
Clary soltou uma risada rara, curta e seca, mas genuína.
— É por isso que eu te mantenho por perto. Pela lógica impecável.
Elas se levantaram, o sol ainda alto, prontas para enfrentar o caos da Legião Estelar, mas com o segredo compartilhado de que, naquela casa de praia, a maior explosão já havia acontecido entre quatro paredes.
