
As consequências do prazer
Fandom: BTS
Criado: 03/09/2026
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Acima da Linha de Fogo
A farda de policial que Jungkook usava para as promoções de "Dope" parecia justa demais, marcando cada músculo de suas coxas e ombros que haviam se tornado robustos com o passar dos anos. Para o mundo, ele era o Golden Maknae, o prodígio que dominava os palcos. Para S/N, ele era apenas o menino que costumava dividir pirulitos e segredos no quintal de casa, agora transformado em um homem cuja presença incendiava o ar ao redor dela.
Eles cresceram porta com porta. As famílias Jeon e a de S/N eram uma extensão uma da outra. O amor entre eles floresceu de forma inevitável, como uma raiz que quebra o asfalto, mas S/N havia erguido muros altos. Ela via a histeria das fãs, a possessividade tóxica que cercava o BTS, e o medo de ser o alvo daquele ódio a impedia de ceder aos avanços de Jungkook.
Tudo mudou em uma tarde de domingo. As mães estavam na casa dos Jeon preparando um jantar, quando a mãe de S/N percebeu que havia esquecido alguns ingredientes e utensílios em sua própria casa.
— Jungkook, querido, você pode ir buscar para mim? — perguntou a mãe de S/N, entregando-lhe uma lista. — S/N disse que ia sair com uma amiga, então a casa deve estar vazia. Anote o código da porta.
Jungkook assentiu, a mente vagando por S/N enquanto digitava os números no teclado eletrônico da casa vizinha. O silêncio da residência foi a primeira coisa que notou, mas logo um som abafado começou a preencher o corredor do segundo andar. Era "Finesse", de Bryson Tiller. Uma batida lenta, sensual, carregada de graves que pareciam vibrar nas paredes.
Ele caminhou em direção ao som, pretendendo apenas desligar o rádio que alguém esquecera ligado. No entanto, a porta do quarto de S/N estava entreaberta. A luz da tarde filtrava-se pelas cortinas, criando um ambiente âmbar e íntimo.
Jungkook parou. A respiração travou na garganta.
S/N estava deitada sobre os lençóis bagunçados, completamente despida. Seus olhos estavam fechados, a cabeça jogada para trás enquanto seus dedos trabalhavam com uma urgência rítmica entre suas coxas. Ela soltava gemidos baixos, chamando um nome que Jungkook não conseguiu identificar de imediato, mas a visão de sua pele brilhando de suor e o arqueado de suas costas o atingiram como um soco.
Ele ficou paralisado por segundos que pareceram horas, o sangue latejando em suas têmporas. O desejo que ele tentava reprimir há anos explodiu, mas o respeito e o choque o fizeram recuar. Ele deu passos silenciosos para trás, desceu as escadas com o coração martelando contra as costelas, pegou o que lhe fora pedido e saiu, fechando a porta com um clique quase inaudível.
Nas semanas que se seguiram, o comportamento de Jungkook mudou. Ele não era mais apenas o amigo atencioso; ele se tornara um predador paciente.
— Você parece cansada, S/N — disse ele em um jantar, inclinando-se para perto o suficiente para que ela sentisse o calor de seu corpo. — Tem dormido bem? Ou anda se ocupando demais à tarde?
S/N sentiu o rosto queimar, desviando o olhar.
— Não sei do que você está falando, Jungkook.
— Sei que não sabe — ele sussurrou, a voz carregada de uma rouquidão nova. — Mas eu adoraria te mostrar que sei de muitas coisas.
Duas semanas depois, o cenário se repetiu. Mais um pedido das mães, mais uma ida à casa ao lado. Dessa vez, Jungkook ouviu a mesma música antes mesmo de chegar ao topo da escada. Ele sentiu uma ereção dolorosa crescer sob a calça jeans assim que o primeiro gemido dela ecoou. Ele se aproximou da porta, viu a mesma cena — ela, entregue ao próprio prazer, a mão subindo pelo ventre até apertar os seios — mas, dessa vez, ele forçou a si mesmo a sair. Ele foi até o lado de fora, tocou a campainha com insistência e esperou.
Quando S/N abriu a porta, ofegante e com as bochechas coradas, vestindo apenas um roupão apressado, ele sorriu de lado.
— Oi. Minha mãe pediu para eu pegar o livro de receitas. Atrapalhei algo?
— Não... eu estava cochilando — mentiu ela, a voz trêmula.
— Entendo. Deve ter sido um sonho bem intenso. Você está suando.
Dois meses se passaram. A tensão entre eles era uma corda esticada ao ponto de romper. Jungkook estava exausto da agenda do BTS, mas a imagem de S/N em seu quarto era a única coisa que o mantinha acordado à noite.
Em uma tarde chuvosa, ele entrou na casa dela novamente. Ele não tocou a campainha. Ele não hesitou. Ele subiu as escadas, o som de Bryson Tiller servindo como sua trilha sonora de guerra.
Desta vez, quando ele viu a porta entreaberta e S/N no meio de seu clímax solitário, ele não recuou. Ele empurrou a porta com força, fazendo-a bater contra o batente.
S/N deu um salto, puxando o lençol para cobrir o corpo, os olhos arregalados de puro pavor e vergonha.
— Jungkook! O que... o que você está fazendo aqui? Sai daqui agora!
Ele não se moveu. Pelo contrário, ele trancou a porta atrás de si e começou a desabotoar a camisa, os olhos fixos nela com uma intensidade que a fez tremer.
— Eu já vi você fazer isso três vezes, S/N — disse ele, a voz baixa e perigosa. — E em todas elas, eu imaginei como seria se fossem as minhas mãos no lugar das suas.
— Você é louco! — ela gritou, embora sua voz falhasse. — Vai embora! As suas fãs... se alguém souber...
— Que se danem as fãs, que se dane o mundo — ele rosnou, aproximando-se da cama. — Eu estou cansado de fingir que não quero você. E eu sei que você me quer. Por que você está se tocando se eu estou bem aqui ao lado?
Ele subiu na cama, ajoelhando-se entre as pernas dela, ignorando os protestos fracos. Ele segurou os pulsos dela acima da cabeça com uma mão só, enquanto a outra descia para o rosto dela, polegar traçando o lábio inferior que tremia.
— Eu posso te ajudar, S/N. Posso fazer muito melhor do que você está fazendo sozinha.
— Não, Jungkook... isso é errado, a gente não pode...
— Pode sim — ele interrompeu, selando os lábios nos dela em um beijo faminto, desesperado.
O beijo tinha gosto de anos de repressão. S/N tentou resistir por alguns segundos, mas o calor do corpo dele, o cheiro de perfume caro misturado com o suor da dança, e a firmeza com que ele a dominava quebraram sua última barreira. Ela soltou os pulsos da mão dele e os enroscou no pescoço do rapaz, puxando-o para mais perto, gemendo contra a boca dele.
Jungkook se afastou apenas o suficiente para olhá-la nos olhos, sua respiração batendo no rosto dela.
— Diga que me quer. Diga que não quer mais se esconder.
— Eu te quero, Jungkook — ela confessou, as lágrimas de alívio e desejo começando a cair. — Eu te amo tanto que dói, mas eu tive tanto medo...
— O medo acabou agora — ele declarou.
Ele se livrou do restante das roupas com uma agilidade impaciente. Quando seus corpos se encontraram sem barreiras, o choque térmico foi quase insuportável. Jungkook foi lento no início, explorando cada centímetro da pele que ele havia memorizado através da fresta da porta. Suas mãos eram grandes, quentes e possessivas, reivindicando cada curva de S/N como se estivesse marcando território.
— Você é minha — ele sussurrou contra o pescoço dela, antes de deixar uma marca arroxeada ali. — Sempre foi.
Quando ele finalmente a possuiu, o mundo lá fora deixou de existir. Não havia câmeras, não havia agências, não havia comentários maldosos na internet. Havia apenas o ritmo frenético de seus corações e a conexão que vinha desde a infância, agora amadurecida em uma paixão avassaladora.
S/N arqueou o corpo, as unhas cravando-se nas costas largas de Jungkook enquanto ele a levava a um ápice que ela jamais conseguiria alcançar sozinha. O prazer era tão intenso que beirava a dor, uma explosão de cores e sensações que a deixou sem fôlego, agarrada a ele como se fosse sua única âncora em um mar revolto.
Depois, deitados entre os lençóis agora úmidos, Jungkook a abraçou por trás, escondendo o rosto em seus cabelos.
— Eu não vou deixar nada acontecer com você — ele prometeu, a voz firme. — Se elas forem tóxicas, eu serei o seu escudo. Mas eu não vou mais viver em casas separadas por uma parede de silêncio.
S/N virou-se nos braços dele, encontrando o olhar do homem que ela viu crescer e se tornar o amor de sua vida.
— A gente vai ter problemas, Jungkook. Muitos.
— Deixa que venham — ele sorriu, aquele sorriso de coelho que ela tanto amava, mas que agora carregava uma determinação inabalável. — Eu sou um idol para o mundo, mas para você, eu sou apenas o Jungkook. E o Jungkook não vai a lugar nenhum sem a S/N.
Naquela noite, eles não desceram para o jantar. As mães, lá embaixo, trocaram olhares cúmplices ao notar o silêncio prolongado e a ausência dos dois. Elas sabiam. E, lá em cima, entre promessas sussurradas e beijos roubados, S/N finalmente entendeu que o amor dele era muito mais poderoso do que qualquer comentário de ódio. Ela estava segura nos braços de seu policial particular, e nada mais importava.
