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Meus amigos viraram vampiro (BTS)

Fandom: BTS com muita fome, vampiros, s/n

Criado: 04/09/2026

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Sede Carmesim e a Promessa de Sobrevivência

A noite em Seul costumava ser vibrante, cheia de luzes de neon e o som distante de risadas, mas naquela terça-feira específica, o ar parecia ter congelado. Eu caminhava pelo beco estreito que servia de atalho para o nosso dormitório, cercada pelos sete rapazes que eram minha família. O clima estava estranhamente silencioso, até que o som de centenas de asas batendo rompeu a quietude.

— O que é isso? — perguntou Hoseok, a voz falhando levemente enquanto ele olhava para o céu escuro.

Antes que qualquer um de nós pudesse reagir, uma nuvem negra de morcegos mergulhou sobre nós. Eles não eram animais comuns; seus olhos brilhavam com um vermelho antinatural. Instintivamente, eu recuei, mas não fui rápida o suficiente. Senti o pânico subir pela garganta, mas não tive tempo de gritar.

Em um movimento coordenado, os sete se posicionaram ao meu redor. Namjoon e Jin ficaram na frente, enquanto os outros formaram um círculo protetor, me escondendo no centro.

— Fica atrás da gente, S/N! — gritou Jimin, a voz carregada de uma autoridade que eu raramente ouvia.

O ataque foi rápido e brutal. Eu ouvia os gemidos de dor e o som de tecido rasgando. Eles não estavam apenas sendo atacados; estavam sendo marcados. Cada um deles recebeu uma mordida profunda antes que a nuvem de morcegos se dissipasse tão misteriosamente quanto surgiu, deixando apenas o silêncio e o cheiro de ferro no ar.

— Vocês estão bem? — perguntei, as mãos tremendo enquanto tentava examinar os ferimentos de Taehyung.

— Estamos... só arde um pouco — respondeu Yoongi, limpando o pescoço com as costas da mão. — Vamos para casa. Agora.

O dia seguinte, porém, trouxe uma realidade que nenhum de nós estava preparado para enfrentar.

Acordei com o som de algo quebrando na cozinha. Quando saí do quarto, o cenário era de puro caos. As cortinas estavam todas fechadas, mergulhando o apartamento em uma penumbra densa. Jungkook estava agachado no canto da sala, as mãos cobrindo os ouvidos, enquanto Jin tentava, sem sucesso, abrir a geladeira com tanta força que a maçaneta de metal entortou como se fosse feita de papel.

— O que está acontecendo? — perguntei, a voz mal saindo.

Namjoon se virou para mim. Ele parecia pálido, quase translúcido, e seus olhos, antes castanhos e calorosos, agora oscilavam entre o âmbar e o vermelho sangue.

— S/N, não chegue perto — ele alertou, a voz rouca, quase um rosnado. — Tem algo errado. Estamos... estamos com muita fome.

— Eu já fiz o café da manhã, mas nada tem gosto! — reclamou Jin, soltando a geladeira danificada. — A comida parece cinza na minha boca. E eu sinto o coração de vocês batendo. É tão... alto.

Eu dei um passo à frente, ignorando o aviso de Namjoon. Eu podia ver o suor frio na testa de Jimin e a forma como os dentes caninos de Taehyung pareciam mais longos, mais afiados. A ficha caiu com uma força devastadora: os morcegos, a força sobre-humana, a aversão à luz. Eles não eram mais apenas meus amigos.

— Vocês são vampiros — sussurrei.

— A palavra soa ridícula — disse Yoongi, surgindo das sombras do corredor —, mas a queimação no meu estômago diz que é a única verdade. S/N, é melhor você sair daqui. O cheiro... o seu cheiro está nos deixando loucos.

Eu olhei para eles. Meus protetores, os homens que haviam se colocado na linha de frente para me salvar na noite anterior. Eles estavam sofrendo, os corpos tremendo com uma necessidade primal que eles lutavam desesperadamente para controlar.

— Vocês me protegeram ontem — eu disse, minha voz ganhando firmeza. — Não vou deixar vocês passarem por isso sozinhos.

— Você não entende — disse Hoseok, recuando para longe de mim, as mãos apertando o próprio estômago. — A fome... é como se houvesse fogo nas minhas veias. Eu não quero te machucar. Nenhum de nós quer.

— Eu sei que não querem — respondi, caminhando até a mesa da cozinha e pegando uma faca pequena de frutas.

— O que você está fazendo? — perguntou Jungkook, os olhos arregalados, seguindo cada movimento meu com uma intensidade predatória que ele tentava suprimir.

— O que precisa ser feito — respondi.

Eu respirei fundo e fiz um pequeno corte no meu pulso. O som do sangue pingando no chão pareceu ecoar como um trovão na sala silenciosa. O efeito foi instantâneo. Todos os sete travaram. O ar na sala mudou, ficando carregado de uma tensão elétrica.

— S/N... pare com isso — pediu Namjoon, embora ele mesmo estivesse lutando para não avançar.

— Venham — eu disse, estendendo a mão. — Um de cada vez. Eu confio em vocês.

Houve um momento de hesitação, até que Jimin, o que parecia mais frágil naquele momento, deu um passo à frente. Seus olhos estavam completamente vermelhos, as pupilas dilatadas. Ele se aproximou devagar, como se tivesse medo de me quebrar.

— Por favor... — ele sussurrou, a voz carregada de agonia.

— Tudo bem, Jimin — eu disse suavemente.

Ele segurou meu braço com uma delicadeza extrema, apesar da força que eu sabia que ele agora possuía. Quando seus lábios tocaram minha pele, senti um calafrio, mas não de medo. Era uma conexão estranha, uma entrega. Ele bebeu apenas o necessário, soltando-me logo em seguida e recuando com uma expressão de choque e alívio. Sua cor voltou instantaneamente; ele parecia vivo novamente.

— Minha vez — disse Taehyung, a voz vibrando de necessidade.

Um por um, eles se aproximaram. Eu sentia a tontura começar a me atingir, mas a visão deles recuperando a consciência e o controle valia o sacrifício. Jin foi o mais cauteloso, beijando minha testa antes de se alimentar, enquanto Jungkook parecia à beira das lágrimas por ter que fazer aquilo.

— Chega — disse Yoongi, intervindo quando percebeu que eu estava cambaleando. Ele se aproximou, mas em vez de ir para o meu pulso, ele me segurou pelos ombros, impedindo que os outros se aproximassem mais. — Ela já deu o suficiente. Se continuarmos, vamos matá-la.

Namjoon, agora com o olhar claro e a mente recomposta, assumiu o comando.

— Yoongi tem razão. Parem. Agora.

Ele me ajudou a sentar em uma cadeira, enquanto Hoseok corria para buscar um curativo e um copo de água com açúcar. A fome voraz que dominava o ambiente havia sido substituída por um silêncio pesado de culpa e gratidão.

— Por que você fez isso? — perguntou Jungkook, ajoelhando-se aos meus pés e escondendo o rosto nos meus joelhos. — Nós poderíamos ter te machucado seriamente.

— Porque vocês são meus amigos — eu disse, passando a mão pelos cabelos dele. — E porque eu sabia que vocês nunca me machucariam por querer. Vocês me salvaram ontem à noite. Isso é o mínimo que eu poderia fazer.

— Isso muda tudo — disse Namjoon, olhando para suas próprias mãos. — Não somos mais os mesmos, S/N. Não sabemos o que vai acontecer amanhã.

— Não importa — eu respondi, olhando para cada um deles. — Nós vamos descobrir juntos.

Taehyung se aproximou, sentando-se no chão ao meu lado. Ele pegou minha mão enfaixada e a levou aos lábios, depositando um beijo suave sobre o curativo.

— Você tem o sangue de um anjo — ele murmurou, um sorriso triste brincando em seus lábios. — E o coração de uma guerreira.

— Agora — disse Jin, tentando aliviar o clima, embora sua voz ainda estivesse trêmula —, precisamos descobrir como viver assim. E, acima de tudo, como proteger a S/N do mundo... e de nós mesmos.

— Nós vamos conseguir — eu disse, sentindo o cansaço me abater, mas com uma certeza inabalável no peito.

Eles se acomodaram ao meu redor, formando novamente aquele círculo protetor. A luz do sol tentava penetrar pelas frestas das cortinas, mas ali, naquela penumbra, uma nova aliança havia sido selada. Uma aliança de sangue, lealdade e um amor que nem a morte, nem a sede, poderiam apagar.

— S/N? — chamou Hoseok baixinho.

— Sim?

— Obrigado. Por não ter medo de nós.

— Eu nunca teria medo de vocês — respondi, fechando os olhos enquanto sentia o calor de sete presenças constantes ao meu redor. — Vocês são a minha casa. Não importa o que aconteça.

A jornada estava apenas começando, e o mundo lá fora não tinha ideia dos monstros que agora habitavam aquele dormitório. Mas, para mim, eles não eram monstros. Eram apenas os meus meninos, e eu faria qualquer coisa para mantê-los seguros, mesmo que isso significasse oferecer meu próprio sangue para acalmar a fera dentro de cada um deles.

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