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Handcuffed in the rain

Fandom: EngLot

Criado: 04/09/2026

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O Predador Acorrentado

O brilho das sirenes azuis e vermelhas refletia nas lentes dos óculos de grau de Engfa Waraha, criando um caleidoscópio distorcido que combinava perfeitamente com a moralidade questionável da capitã. Ela ajustou os óculos sobre a ponte do nariz, observando a silhueta esguia que saltava entre os telhados do distrito industrial de Bangkok.

Engfa não precisava de reforços. Na verdade, ela havia dispensado a unidade tática três quarteirões atrás, alegando que "lidaria com a suspeita pessoalmente para evitar danos colaterais". Uma mentira deslavada que seus subordinados engoliam sem questionar, afinal, Engfa era o rosto da justiça na TV, a heroína condecorada. Por trás das câmeras, porém, as cicatrizes em seus punhos — marcas de noites onde a fúria vencia a razão e as paredes pagavam o preço — contavam uma história diferente. Ela era instável, possessiva e, acima de tudo, perigosamente obcecada.

O motor da viatura rugiu quando ela acelerou, cortando o caminho por um beco estreito. Engfa freou bruscamente, os pneus cantando no asfalto úmido. Ela saiu do carro com a elegância de um predador que já conhece o caminho da presa. Com 1,78m de altura e uma postura que exalava uma autoridade arrogante, ela olhou para cima.

Lá estava ela.

Charlotte Austin estava parada na beirada de um terraço, a apenas quatro metros de altura. O vento soprava seus cabelos castanho-claros, ondulados nas pontas, moldando o rosto adornado por sardas que Engfa já havia decorado centímetro por centímetro em suas noites de insônia. Charlotte segurava uma bolsa de couro que, sem dúvida, continha os diamantes da exposição que fora assaltada há menos de uma hora.

— Você está ficando lenta, Austin — provocou Engfa, a voz carregada de um sarcasmo cortante. — Ou será que sentiu saudades e resolveu me esperar para o chá das cinco?

Charlotte inclinou a cabeça, um sorriso irônico brincando em seus lábios. Ela não parecia nem um pouco intimidada pela arma no coldre de Engfa ou pela reputação da policial.

— Você fala demais para quem sempre termina a noite procurando chaves no chão, capitã — rebateu Charlotte, a voz suave como veludo, mas afiada como uma navalha.

Com uma agilidade impressionante, Charlotte desceu por uma escada de incêndio e saltou o último lance, caindo suavemente a poucos metros de Engfa. O ar entre elas tornou-se denso, carregado de uma eletricidade que nada tinha a ver com a lei e o crime.

Engfa caminhou em direção a ela, os passos lentos e deliberados. Ela era teimosa demais para admitir o quanto o coração disparava, e orgulhosa demais para recuar.

— Você sabe que um dia eu não vou deixar você ir — murmurou Engfa, parando a centímetros de distância. — Um dia, eu vou trancar você em uma cela onde a única chave estará permanentemente no meu bolso.

Charlotte soltou uma risada curta, observando Engfa por trás das lentes dos óculos. Ela estendeu a mão e tocou levemente o aro da armação de Engfa, descendo os dedos pela mandíbula da policial até alcançar as cicatrizes nos punhos dela, escondidas sob a manga da farda.

— Você não quer me prender, Engfa — disse Charlotte, aproximando-se o suficiente para que seus hálitos se misturassem. — Você quer me possuir. Mas para sua infelicidade, eu não sou um objeto que você possa confiscar e guardar na sua gaveta de evidências.

— Tente-me — desafiou Engfa, a mão agarrando a cintura de Charlotte com uma força possessiva, puxando-a para perto. — Você adora esse jogo tanto quanto eu. Adora ver a "policial exemplar" se ajoelhar para uma ladra.

— Eu adoro ver você perder o controle — corrigiu Charlotte, as mãos subindo pelo peito de Engfa, sentindo a batida errática do coração da outra. — Adoro ver como você é fraca quando eu toco exatamente onde dói.

Charlotte não esperou por uma resposta. Ela selou seus lábios nos de Engfa em um beijo faminto e agressivo. Engfa cedeu instantaneamente, como sempre fazia. Sua arrogância desmoronava sob o toque de Charlotte, sua impulsividade a levava a aprofundar o beijo, as mãos apertando o corpo da ladra com uma urgência quase dolorosa. Engfa era obcecada; cada curva de Charlotte, cada provocação sarcástica era um combustível para a fogueira que ardia em seu peito.

Ela sabia que era uma armadilha. Ela sempre sabia. Mas a rendição era doce demais para ser evitada.

Enquanto Engfa se perdia na sensação da língua de Charlotte contra a sua e no cheiro de perfume caro e adrenalina que emanava da mulher, as mãos ágeis da ladra trabalhavam com a precisão de uma cirurgiã.

Um clique metálico ecoou no beco silencioso.

Engfa sentiu o frio do aço em seu pulso esquerdo antes mesmo de conseguir processar o que havia acontecido. Em um movimento fluido, Charlotte se afastou, prendendo a outra extremidade da algema em um cano de ferro reforçado que corria pela parede do prédio.

— Droga, Charlotte! — esbravejou Engfa, a respiração ofegante, o rosto corado de desejo e raiva. — De novo não.

Charlotte deu dois passos para trás, limpando o batom borrado com o polegar, um brilho vitorioso nos olhos.

— Você é tão previsível, capitã. Tão protetora da sua própria luxúria que esquece de proteger suas ferramentas de trabalho.

Charlotte enfiou a mão no bolso da calça tática de Engfa — um movimento que fez a policial rosnar — e retirou a chave das algemas.

— Você é uma criminosa detestável — disse Engfa, embora o tom de sua voz traísse sua admiração obsessiva.

— E você é uma policial corrupta que adora ser dominada por mim — Charlotte piscou, jogando a bolsa de diamantes sobre o ombro. — Estamos quites, não acha?

Charlotte caminhou até a saída do beco, parando sob a luz de um poste. Ela olhou para a chave em sua mão e, com um movimento casual, lançou-a em direção a Engfa.

O metal tilintou no chão, deslizando pelo asfalto úmido. A chave parou a cerca de um metro e meio de Engfa. Perto o suficiente para ser vista sob a luz fraca, mas longe o suficiente para que Engfa, algemada ao cano alto, não conseguisse alcançá-la apenas esticando o braço. Ela teria que se contorcer, talvez usar o pé, ou esperar que o metal cedesse.

— Até a próxima perseguição, Engfa — disse Charlotte, a voz carregada de uma ironia provocadora. — Tente não quebrar o cano com seus ataques de pelanca. Faz mal para os punhos.

— Eu vou te caçar até o inferno por isso! — gritou Engfa, puxando a algema com força, fazendo o cano vibrar.

Charlotte apenas sorriu, um sorriso que prometia mais encontros, mais beijos roubados e mais chaves jogadas ao chão. Ela desapareceu na escuridão da noite, deixando para trás uma Engfa Waraha furiosa, excitada e completamente rendida à própria obsessão.

Engfa olhou para a chave no chão. Ela poderia ter chamado reforços pelo rádio antes de ser algemada. Poderia ter atirado nos pneus do carro de fuga imaginário. Mas ela nunca o fazia. Ela preferia o jogo. Preferia a humilhação de ser deixada ali, porque sabia que, na próxima vez, o beijo seria mais longo, o perigo seria maior e a possessividade que sentia por Charlotte Austin a consumiria um pouco mais.

— Teimosa... — resmungou Engfa para o vazio, um sorriso torto surgindo em seu rosto enquanto ela começava a tentar alcançar a chave com a ponta da bota. — Você ainda vai ser minha, Charlotte. Nem que eu tenha que queimar esta cidade inteira para te encurralar.

O silêncio do beco foi a única resposta, enquanto a policial de renome, a heroína de Bangkok, lutava contra as correntes que ela mesma, em sua obsessão, permitia que fossem colocadas.

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