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Amor

Fandom: Swat

Criado: 05/09/2026

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Entre o Caos e o Silêncio

O sol de Los Angeles filtrava-se pelas janelas altas do quartel-general da SWAT, iluminando as partículas de poeira que dançavam no ar condicionado gelado. Dentro da sala de operações, o clima era de foco absoluto. O Comandante Hicks estava em pé diante das telas, ladeado por Hondo, Deacon, Tan, Chris, Luca e Street. Ao lado deles, relaxado mas atento, estava Kuro Hatake.

Kuro era uma figura que chamava atenção. Com 1,80 m de altura, o físico esculpido por anos de treinamento pesado era evidente sob a camiseta tática justa. Seu cabelo branco curto e repicado contrastava drasticamente com seus olhos castanhos profundos, dando-lhe um ar de protagonista de anime que ele adorava ostentar. Aos 24 anos, ele era o membro mais jovem da equipe 20, conhecido tanto por sua precisão com armas de fogo quanto por suas piadas de duplo sentido que frequentemente faziam Chris revirar os olhos.

— As informações do cartel indicam que eles estão operando em armazéns perto do porto — explicou Hondo, apontando para o mapa digital. — Precisamos de uma entrada limpa.

— Se a entrada for tão limpa quanto o meu histórico de encontros, estamos ferrados — comentou Kuro, soltando uma piscadela para Street, que apenas soltou um riso nasalado.

— Foco, Hatake — resmungou Hicks, embora já estivesse acostumado com o jeito "engraçadinho" do rapaz.

Enquanto o grupo discutia a logística, a porta pesada do corredor principal se abriu. Uma jovem entrou timidamente. Ela tinha a pele parda, cabelos pretos lisos com ondas suaves que caíam sobre os ombros e olhos negros que pareciam carregar o peso do mundo. Tatsuyo, de 20 anos, segurava a alça de sua bolsa com tanta força que os nós de seus dedos estavam brancos.

Kuro, que estava encostado na mesa, endireitou a postura imediatamente. Seus olhos percorreram a figura da garota, notando a beleza delicada e a aura de vulnerabilidade que emanava dela.

— Quem é a beldade que acabou de abençoar este QG? — sussurrou Kuro para Street.

— Não faço ideia — respondeu Street, observando-a. — Acho que a vi de longe uma vez, mas não sei quem é.

A conversa na sala de operações foi interrompida quando um homem alto e de expressão severa, vindo do Esquadrão 50, aproximou-se da garota no corredor. Era o Sargento Miller, o pai de Tatsuyo. O rosto dele não mostrava carinho, apenas irritação.

— O que você está fazendo aqui, Tatsuyo? — a voz de Miller ecoou, áspera. — Eu disse para me esperar no carro.

— Eu... eu esqueci a chave de casa, pai — a voz dela era baixa, quase um sussurro. — E eu precisava do dinheiro para o livro de jornalismo... o senhor disse que...

Miller soltou um suspiro pesado de desprezo, alto o suficiente para que todos na sala de Hicks ouvissem.

— Outro livro? Sério? Eu já gasto uma fortuna com aquela faculdade de jornalismo para alguém que mal consegue distinguir o que é real do que é coisa da sua cabeça. É um desperdício de dinheiro.

O silêncio que se seguiu foi desconfortável. Os membros da equipe 20 trocaram olhares. Eles sabiam da condição de Tatsuyo — a esquizofrenia era um segredo aberto no departamento, infelizmente mal compreendido pelos colegas de Miller no Esquadrão 50, que frequentemente faziam piadas de mau gosto sobre a "filha maluca" do sargento.

Tatsuyo baixou a cabeça, os cabelos cobrindo o rosto. Ela parecia querer desaparecer no chão de concreto.

— Desculpe — murmurou ela.

Kuro sentiu um aperto estranho no peito. Ele era um cara de piadas, de flertes e de levar a vida leve, mas detestava injustiça, especialmente vinda de quem deveria proteger. Sem pensar duas vezes, ele se afastou da mesa tática e caminhou em direção à porta.

— Kuro, onde você vai? — perguntou Deacon, mas o jovem já estava lá fora.

Kuro parou a poucos metros de Miller e Tatsuyo. Ele colocou as mãos nos bolsos da calça tática, exibindo um sorriso confiante, embora seus olhos estivessem fixos na garota.

— Sabe, Sargento Miller — começou Kuro, com sua voz melodiosa e levemente atrevida —, eu ouvi dizer que jornalismo é uma das carreiras mais difíceis. Exige um olhar clínico. E, honestamente, com olhos lindos como esses, ela provavelmente vê coisas que a gente, meros mortais, ignora.

Tatsuyo levantou os olhos, surpresa. Ela encontrou o olhar de Kuro. Ele era... diferente. O cabelo branco e o sorriso ladino a deixaram momentaneamente desorientada, mas não de um jeito ruim.

Miller olhou para Kuro com desdém.

— Hatake, não é? Cuide da sua equipe 20 e deixe a minha família em paz. Você não sabe o que é lidar com o delírio constante dela.

— Eu lido com o Street todo dia, sargento. Acredite, eu entendo de delírios — rebateu Kuro, fazendo Tatsuyo soltar um riso abafado, quase imperceptível.

Miller rosnou algo ininteligível, tirou algumas notas amassadas do bolso e entregou a Tatsuyo.

— Pegue. E saia daqui. Tenho trabalho de verdade para fazer, ao contrário de alguns palhaços.

O sargento se retirou, marchando de volta para a área de treinamento. Tatsuyo ficou ali, parada, segurando o dinheiro. Ela parecia tremer levemente.

Kuro se aproximou mais um passo, respeitando o espaço dela, mas deixando transparecer sua presença física imponente.

— Ei — disse ele, a voz agora muito mais suave. — Não liga para ele. O pessoal do 50 tem o tato de um rinoceronte com hemorroidas.

Tatsuyo olhou para ele, as bochechas corando levemente.

— Obrigada. Pelo que você disse. Mas ele tem razão... é difícil. Às vezes eu não sei o que é real.

Kuro inclinou a cabeça, observando-a com uma intensidade que a fez estremecer. Ele notou como ela era pequena perto dele, e como o contraste de suas peles — a dele muito branca, a dela parda — era bonito.

— Bom, eu sou bem real — disse ele, dando um passo para frente e flexionando levemente os braços, o que fez os músculos do tanquinho marcarem sob a camisa. — Pode tocar se quiser conferir. Eu não mordo... a menos que você peça.

Tatsuyo arregalou os olhos, a timidez voltando com força total, mas ela não conseguiu evitar um sorriso.

— Você é muito... direto.

— A vida é curta, boneca — Kuro deu de ombros, voltando ao seu tom brincalhão. — E eu sou Kuro. Kuro Hatake. O melhor atirador, o melhor motorista e, segundo algumas fontes muito confiáveis, o melhor beijador deste QG.

— Eu sou Tatsuyo — respondeu ela, ignorando a última parte, embora seu coração estivesse acelerado. — Eu estudo na USC. Jornalismo.

— Uma futura jornalista famosa. Vou ter que tomar cuidado com o que faço na rua, ou você vai acabar escrevendo uma matéria sobre minhas escapadas noturnas? — Ele piscou para ela.

— Talvez — ela disse, ganhando um pouco de coragem. — Se elas forem interessantes o suficiente.

Nesse momento, Hondo apareceu na porta da sala de operações.

— Hatake! Deixe a moça em paz e volte para cá. Temos um deslocamento em cinco minutos.

Kuro suspirou, fazendo uma expressão teatral de tristeza.

— O dever chama. O mundo não se salva sozinho, infelizmente.

Ele começou a se afastar, mas parou e se virou novamente para ela.

— Ei, Tatsuyo?

— Sim?

— Da próxima vez que vier, traga um desses seus livros. Eu adoraria que você lesse algo para mim. Minha mente é meio barulhenta também, talvez a sua voz ajude a acalmar.

Tatsuyo sentiu um calor percorrer seu corpo. Ninguém nunca tinha falado com ela daquela forma, sem julgamento, sem piedade, apenas com... interesse.

— Eu... eu trarei — prometeu ela.

Kuro sorriu, um sorriso largo e genuíno, antes de correr de volta para a equipe. Street o barrou na entrada.

— O que foi aquilo, Hatake? Você não perde tempo, hein?

— Ela é especial, Street — disse Kuro, recuperando sua postura profissional, mas mantendo o brilho nos olhos. — E eu tenho um fraco por garotas inteligentes que conseguem sobreviver a pais idiotas.

Dentro da sala, o Comandante Hicks observava a cena de longe. Ele conhecia a história de Tatsuyo e sabia o quão difícil era a vida dela. Ver Kuro, o palhaço da equipe, tratá-la com aquela mistura de flerte e respeito foi uma surpresa agradável.

— Vamos lá, equipe — ordenou Hicks. — Temos um trabalho a fazer.

Enquanto a equipe 20 se preparava para sair, Tatsuyo caminhava em direção à saída do prédio. Pela primeira vez em muito tempo, as vozes e a confusão em sua mente pareciam estar em segundo plano. A única coisa que ela conseguia ouvir era o eco da risada de Kuro e a promessa de que, na próxima vez, ela não estaria sozinha naquele lugar frio.

Ela olhou para trás uma última vez e viu Kuro colocando o capacete. Ele a viu e fez um sinal de "V" com os dedos, piscando novamente.

Tatsuyo saiu para o sol de Los Angeles, sentindo que, talvez, o jornalismo não fosse a única coisa real e bonita em seu futuro.

No blindado, a caminho da missão, Tan cutucou Kuro.

— Você sabe que o pai dela é um sargento do 50, né? Ele vai te matar se descobrir que você está dando em cima dela.

Kuro carregou seu fuzil com um estalo seco e sorriu de lado.

— Deixe ele tentar. Eu enfrento traficantes de armas toda semana. Um sargento mal-humorado é refresco. Além disso... — ele olhou para a janela, vendo as ruas passarem — ...acho que ela vale o risco.

Hondo, no banco da frente, apenas sorriu. A equipe 20 era uma família, e se Kuro estava decidido a trazer Tatsuyo para o círculo deles, Miller teria que aceitar que sua filha agora tinha protetores muito mais perigosos — e leais — do que ele jamais fora.

A missão naquele dia foi um sucesso, mas para Kuro, a verdadeira vitória tinha sido o sorriso tímido de uma garota que via o mundo de um jeito diferente. E ele mal podia esperar para ver aquele mundo através dos olhos negros de Tatsuyo novamente.

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