
Tf is This???
Fandom: Alien stage
Criado: 06/09/2026
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Reflexos de Vidro e Café Expresso
O despertador de Mizi tocou às seis da manhã, um som estridente que ela silenciou com um tapa seco no criado-mudo. A luz do sol entrava pelas frestas da cortina, iluminando os fios rosa e azul espalhados pelo travesseiro. Ela se espreguiçou, soltando um bocejo sonoro antes de se levantar. O ritual era sempre o mesmo: um banho rápido, a maquiagem leve para realçar os olhos dourados e, o mais importante, o café expresso duplo, preto e amargo como sua paciência nas segundas-feiras.
— Puta merda, que sono do caralho — resmungou Mizi para o espelho, ajeitando a saia preta da escola. Ela a tinha encurtado alguns centímetros, desafiando as normas da coordenação. A gravata estava frouxa e o último botão da blusa branca permanecia aberto, revelando a clavícula. Ela calçou os sapatos de salto médio, conferindo o visual. Estava perfeita.
Enquanto Mizi saía de casa, do outro lado da cidade, Sua terminava de fechar os botões de seu blazer com uma precisão quase cirúrgica. O cabelo preto curto estava impecavelmente alinhado, e a franja fina roçava suas sobrancelhas. Ela olhou para o próprio reflexo com uma melancolia habitual. Seus olhos roxos pareciam carregar o peso de mil segredos não ditos.
— Sua! Anda logo, porra! A gente vai se atrasar e eu não quero ouvir o sermão daquele nerd do Luka — a voz de Ivan ecoou do corredor.
Sua suspirou, pegando seu caderno de desenhos. — Já vou, Ivan. E para de gritar, ninguém morreu ainda.
Ao sair do quarto, deu de cara com o irmão. Ivan estava encostado na parede, o cabelo preto social perfeitamente penteado, mas sem o blazer, exibindo os braços pálidos. Ele tinha aquele sorriso irritante no rosto, o tipo de sorriso que fazia as pessoas quererem ou beijá-lo ou socá-lo.
— O Till já mandou umas dez mensagens reclamando da vida. O cara é um poço de revolta — Ivan riu, guardando o celular no bolso. — Adoro ver ele puto.
— Você é um idiota, sabia? — Sua passou por ele, caminhando em direção à porta. — Um dia ele te quebra a cara e eu vou rir.
— Ele não teria coragem. Ele me ama no fundo daquele coração emo e cheio de tachas — Ivan piscou, seguindo a irmã.
No pátio da escola, o grupo de amigos já estava reunido perto da entrada. Luka, com seus óculos quadrados e o uniforme impecável, checava o relógio a cada trinta segundos. Hyuna, descolada como sempre, tinha a saia curta e a blusa aberta, conversando animadamente com Till. O garoto de cabelos cinzas bagunçados parecia estar em um estado permanente de irritação, chutando uma pedrinha no chão enquanto ajeitava as alças da mochila.
— Sério, Hyuna, aquele solo de guitarra é impossível — Till dizia, a voz rouca. — O cara deve ter seis dedos em cada mão, não é possível.
— Você que é ruim, Till — Hyuna riu, dando um tapa no ombro dele. — Treina mais e para de reclamar.
Luka limpou os óculos, pigarreando. — Tecnicamente, a anatomia humana impede a existência de seis dedos funcionais sem uma mutação genética específica, então...
— Cala a boca, Luka! — Till e Hyuna disseram em coro.
Nesse momento, um carro preto de luxo estacionou em frente ao portão. Todos os olhares se voltaram para lá. Era o carro de Kael, o namorado de Mizi. Ele saiu do veículo, alto, pálido e com o cabelo preto caindo sobre os olhos azuis. Ele era o epítome do garoto popular e escroto que todos fingiam gostar, mas que Mizi mantinha por puro tédio.
Kael deu a volta e abriu a porta para Mizi. Ela saiu do carro com a elegância de uma rainha, segurando um copo térmico de café. Logo atrás dela, suas duas amigas, Chloe e Sarah, desceram rindo de algo que Kael havia dito.
— Tchau, amor. Te vejo no intervalo? — Kael perguntou, puxando Mizi pela cintura e depositando um beijo em sua testa.
— Aham, tanto faz — Mizi respondeu com um sorriso sarcástico, sem muita emoção. — Vê se não se mete em briga hoje, tá?
— Por você, qualquer coisa — ele piscou, voltando para o carro.
Mizi caminhou em direção ao prédio principal, passando pelo grupo de Hyuna. Ela trocou um aceno rápido com a amiga de longa data.
— E aí, Hyuna? Sobrevivendo? — Mizi perguntou, parando por um segundo.
— Tentando. Esses idiotas não facilitam — Hyuna apontou para os meninos.
Mizi deu uma risadinha, seus olhos dourados brilhando sob a luz da manhã. Till, que estava ao lado, sentiu o coração falhar uma batida. Ele desviou o olhar imediatamente, fingindo interesse em um cartaz na parede. Ele sabia que Mizi era demais para ele; ela era solar, vibrante e, infelizmente, comprometida com o cara mais babaca da escola.
Sua, que até então estava em silêncio, sentiu um aperto no peito. Ela observou Mizi se afastar com Chloe e Sarah, o som dos saltos ecoando no corredor. A dor de gostar de alguém que parecia tão inalcançável era constante. Mizi exalava uma aura de heterossexualidade que Sua não ousava questionar, especialmente com Kael sempre por perto.
O sinal tocou, anunciando o início das aulas. O corredor ficou um caos de alunos correndo para suas salas. Sua caminhou lentamente em direção aos armários para pegar seu livro de literatura. O destino, ou talvez apenas o azar, fez com que seu armário fosse exatamente ao lado do de Mizi.
Quando Sua chegou lá, Mizi já estava encostada no metal frio, trocando alguns livros enquanto Kael, que tinha acabado de voltar da entrada, falava algo no ouvido dela.
— Eu te disse, Mizi, aquele cara do time de basquete é um otário — Kael dizia, a voz cheia de arrogância. — Se ele olhar pra você de novo, eu vou ter que ensinar umas lições.
Mizi revirou os olhos, guardando o café no armário. — Ai, Kael, para de ser dramático. Ele só me pediu uma caneta emprestada. Relaxa o cu aí, tá?
Sua parou ao lado deles, tentando ser o mais invisível possível. Ela abriu seu armário com as mãos levemente trêmulas, focando intensamente na lombada dos seus livros. No entanto, a proximidade era perigosa. Ela conseguia sentir o perfume de Mizi — algo que lembrava baunilha e grãos de café torrados.
Pelo canto do olho, Sua observou Mizi. De perto, ela era ainda mais bonita. A pele era impecável, e as pontas azuis do cabelo rosa davam um contraste moderno e rebelde. Mizi parecia perceber a presença de alguém ao lado, pois virou o rosto levemente.
— Ah, oi — Mizi disse, com um tom casual, mas amigável. — Você é a irmã do Ivan, né? A Sua?
Sua sentiu o sangue subir para as bochechas. Ela raramente falava com Mizi, apesar de estarem no mesmo círculo estendido de conhecidos.
— Sou eu — Sua respondeu baixo, a voz quase sumindo. — Oi, Mizi.
Kael olhou para Sua com desdém, como se ela fosse um inseto atrapalhando a conversa dele. — Vamos, Mizi. A gente vai se atrasar.
— Calma, caralho — Mizi retrucou para o namorado, sem perder o sorriso sarcástico. Ela voltou a olhar para Sua. — Curti seu desenho na capa do caderno. É um corvo?
Sua olhou para o caderno que segurava contra o peito. — É... é sim. Eu gosto de desenhar coisas... melancólicas.
— Maneiro. Depois me mostra mais — Mizi piscou para ela, fechando o armário com um estrondo metálico. — Flou, Sua.
Mizi saiu arrastando Kael pelo braço, enquanto Chloe e Sarah as seguiam, fofocando sobre alguma festa no próximo fim de semana. Sua ficou parada ali, com o coração martelando contra as costelas. Ela se sentia um lixo por aquele pequeno momento de interação ter significado tanto para ela, enquanto para Mizi, era apenas uma conversa de corredor com a irmã de um amigo.
— Ela é hétero, Sua. Ela tem um namorado. Para de ser idiota — Sua sussurrou para si mesma, fechando o armário e caminhando para a sala com a cabeça baixa.
Enquanto isso, na sala de aula, Ivan e Till já estavam sentados nas últimas fileiras. Ivan não perdia a chance de cutucar o ombro de Till com a ponta da caneta.
— O que foi, Till? Viu um fantasma ou foi só a Mizi passando? — Ivan provocou, com aquele sorriso de canto.
— Vai se ferrar, Ivan — Till resmungou, tentando se concentrar no papel onde rabiscava letras de música. — Eu não tava olhando pra ninguém.
— Sei. Seus olhos quase pularam da órbita. Admite logo que você tem um penhasco por ela. É mais fácil — Ivan se inclinou para frente, a voz mais baixa. — Mas ó, aviso de amigo: o Kael é um escroto, mas ele é um escroto que sabe brigar.
— Eu não tenho medo daquele palhaço — Till rosnou, finalmente olhando para Ivan. — E eu não gosto da Mizi desse jeito. Ela é só... bonita. Todo mundo acha isso.
Ivan soltou uma risada abafada. — Aham, e eu sou o Papai Noel. Você é tão transparente que chega a ser triste, cara.
— E você? — Till rebateu, tentando mudar o foco. — Por que tá sempre no meu pé? Não tem mais ninguém pra encher o saco na escola inteira?
Ivan deu de ombros, mantendo o sorriso enigmático. — É que você reage melhor, Till. É divertido ver você ficar todo vermelhinho de raiva.
Till mostrou o dedo do meio para ele e voltou aos seus rabiscos, o coração ainda um pouco acelerado. Ele odiava o quanto Ivan conseguia ler suas emoções, e odiava ainda mais o fato de que Ivan parecia se divertir com a sua miséria.
Na primeira fila, Luka ajeitava os óculos e abria seu notebook, pronto para anotar cada palavra do professor. Hyuna sentou-se ao lado dele, jogando a mochila na mesa com um estrondo.
— Bom dia, nerd — ela disse, dando um sorriso largo.
— Bom dia, Hyuna. Você está 4 minutos atrasada para o início da preparação — Luka disse, sem tirar os olhos da tela, embora suas bochechas tivessem ganhado um tom leve de rosa.
— Ah, relaxa. O professor nem chegou ainda — Hyuna se inclinou para perto dele. — O que você tá estudando? Astrofísica de novo?
— Na verdade, estou revisando algoritmos de compressão de dados... — Luka começou a explicar, e embora Hyuna não entendesse metade do que ele dizia, ela continuava ouvindo, achando graça no entusiasmo dele. Luka, por sua vez, sentia as mãos suarem. Ele queria dizer a ela que o novo corte de cabelo dela estava incrível, mas as palavras pareciam presas em uma fórmula matemática complexa que ele não conseguia resolver.
A manhã seguiu seu curso normal. Mizi, sentada entre suas amigas, parecia prestar atenção na aula, mas na verdade estava desenhando pequenos corações com as iniciais de bandas que ela gostava no verso do caderno. Ela olhou para o lado e viu Kael mandando uma mensagem no celular, provavelmente organizando algum esquema para matar aula depois do intervalo.
Mizi suspirou. Ela gostava da atenção de Kael, gostava de como ele fazia tudo por ela, mas havia um vazio que o tédio não conseguia preencher. Ela olhou para a porta da sala e viu Sua passando pelo corredor, indo em direção à biblioteca. Havia algo na garota pálida de olhos roxos que a intrigava. Uma calma triste que Mizi, em toda a sua energia caótica, não conseguia entender, mas que a atraía de uma forma que ela não sabia explicar.
Ela balançou a cabeça, tentando afastar esses pensamentos. "Você é hétero, Mizi. Pelo menos é o que todo mundo acha", ela pensou, soltando um riso sarcástico interno enquanto voltava a rabiscar seu caderno.
A escola era um palco, e todos ali estavam apenas interpretando seus papéis. Mas, às vezes, as cortinas tremiam, revelando verdades que ninguém estava pronto para enfrentar. E naquele dia, o primeiro ato estava apenas começando.
