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Fandom: Nenhum

Criado: 06/09/2026

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RomanceDramaDor/ConfortoHistória DomésticaEstudo de PersonagemPsicológicoCiúmesMenção de IncestoAngústiaSombrio
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O Peso do Silêncio e o Equilíbrio das Sombras

A luz do fim de tarde filtrava-se pelas janelas amplas da cobertura de Emanuel, banhando os móveis de design moderno em tons alaranjados. O silêncio da casa era interrompido apenas pelo som rítmico da máquina de tatuar que ele limpava meticulosamente sobre a mesa de centro. Emanuel tinha o rosto rígido, uma máscara de concentração que escondia o cansaço de quem geria um império de estúdios ao redor do globo, mas cujo coração batia em um compasso muito mais doméstico e complexo.

Sara estava jogada no sofá de couro, as pernas longas e bronzeadas esticadas, exibindo o contraste do seu vestido de seda vermelho justo contra a pele. Ela retocava o batom, olhando-se em um espelhinho de mão, a imagem da confiança absoluta. Ágata, a filha de um ano do casal, dormia tranquilamente no cercadinho próximo, um anjo loiro que herdara a vivacidade da mãe.

— Você está tenso, Manu — comentou Sara, fechando o batom com um estalo seco. Ela se levantou, caminhando com a sensualidade inerente de quem sabe o poder que exerce. Parou atrás dele e começou a massagear seus ombros, as unhas longas e bem feitas cravando-se levemente no tecido da camiseta preta dele. — É a Eduarda, não é?

Emanuel suspirou, fechando os olhos por um momento. Com Sara, não havia jogos. Ele havia confessado a ela meses atrás o que sentia pela prima. Não era uma traição, era uma expansão. Ele amava Sara com uma intensidade carnal e administrativa; ela era sua parceira, sua cúmplice, a mulher que desafiava seu controle. Mas Eduarda... Eduarda era o seu ponto de paz, a nota suave em uma sinfonia barulhenta.

— Ela não atende o telefone — murmurou Emanuel, a voz rouca. — Maya teve aula de ballet hoje cedo, e Duda disse que passariam no parque depois. Ela deveria ter me ligado quando chegasse em casa.

Sara deu uma risadinha, contornando o sofá para sentar-se no colo dele, sem se importar com a máquina de tatuar ou o espaço limitado. Ela envolveu o pescoço dele, o cheiro de perfume caro inundando os sentidos do homem.

— Você mima demais aquelas duas, sabia? — Sara roçou o nariz no dele, os olhos azuis brilhando com uma malícia que não carregava ciúme. — Mas eu entendo. A Duda é uma doçura. Às vezes dá vontade de guardar ela num potinho. Se você a quer aqui com a gente, Manu, você sabe que eu não me oponho. A casa é grande, e eu adoraria ter mais alguém para ajudar a gastar o seu dinheiro e fazer companhia para a Ágata.

Emanuel segurou a cintura de Sara, apertando-a.

— Você é única, Sara. Nenhuma outra mulher aceitaria isso.

— Eu não sou qualquer mulher, querido — ela piscou, levantando-se quando o celular dele finalmente vibrou sobre a mesa.

Emanuel atendeu no primeiro toque. Era a mãe de Eduarda. Em poucos segundos, a expressão dele mudou de preocupação para uma fúria contida, as veias do pescoço saltando.

— Como assim ela caiu? Por que a Eduarda não me ligou na hora? — A voz dele subiu um tom, fria e autoritária. — Estou indo para aí agora. Não, tia, não importa se ela está dormindo. Eu quero ver a minha filha.

Ele desligou o aparelho e levantou-se em um movimento brusco.

— O que houve? — perguntou Sara, já pegando a bolsa, pronta para qualquer ação.

— Maya caiu do balanço. Um corte no joelho e um galo na cabeça. Eduarda decidiu que "não era nada grave" e resolveu não me preocupar. — Ele pegou as chaves do carro, os nós dos dedos brancos de tanto apertar o metal. — Ela não tem o direito de esconder isso de mim. Eu assumi aquela menina. Maya é minha.


A casa dos pais de Eduarda era um ambiente acolhedor, cheio de cores claras e o aroma de chá, refletindo a personalidade da filha. Quando Emanuel entrou, quase derrubando a porta, encontrou um silêncio opressor.

Eduarda estava sentada na poltrona da sala, encolhida, os pés descalços e um livro de História da Arte esquecido no colo. Ela usava um vestido de algodão branco, leve e fluido, que a fazia parecer ainda mais jovem e frágil do que seus vinte anos sugeriam. Seus cabelos castanhos estavam presos em um coque frouxo, alguns fios caindo sobre o rosto pálido.

Ao ver Emanuel, ela estremeceu visivelmente.

— Emanuel... — a voz dela saiu pequena, quase um sussurro.

— Onde ela está? — ele perguntou, parando no meio da sala, a presença dele preenchendo o espaço de forma esmagadora.

— Está dormindo, Manu... a mamãe deu um banho nela e...

— Por que você não me ligou, Eduarda? — Ele deu um passo à frente. A racionalidade dele estava lutando contra o instinto protetor que beirava a possessividade. — Eu pago o melhor plano de saúde, eu tenho médicos de prontidão. Se ela bateu a cabeça, poderia ter tido uma concussão!

Eduarda sentiu os olhos marejarem. Ela odiava conflitos. A insegurança que sempre a acompanhava floresceu, fazendo-a se sentir pequena diante da fúria do primo.

— Foi só um tropeço, ela chorou um pouco e logo passou — explicou ela, a voz trêmula, levantando-se e caminhando até ele com passos leves de bailarina. Ela estendeu a mão para tocar o braço dele, um gesto de busca por conforto que costumava acalmá-lo. — Eu não queria te estressar. Você trabalha tanto, tem tantos estúdios para cuidar... achei que podia resolver sozinha.

— Você não tem que resolver nada sozinha! — Emanuel não recuou, mas sua voz suavizou um pouco ao sentir o toque dela, embora a rigidez no corpo permanecesse. — Eu sou o pai dela. Eu escolhi ser o pai dela quando aquele covarde fugiu. Maya é minha responsabilidade tanto quanto sua. Ocultar isso de mim é uma quebra de confiança, Eduarda.

Sara entrou na sala logo atrás, observando a cena com um sorriso enviesado. Ela caminhou até Eduarda e, para a surpresa da garota, envolveu-a em um abraço lateral, o perfume forte de Sara contrastando com a suavidade de Eduarda.

— Calma, Manu. Não assusta a menina — disse Sara, dando um tapinha carinhoso no ombro de Eduarda. — Oi, Duda. Não liga para ele, você sabe que o Emanuel adora controlar até o ar que a gente respira.

— Oi, Sara... — Eduarda respondeu, sentindo-se um pouco mais segura com a presença da outra mulher, apesar de sempre se sentir um pouco intimidada pela exuberância dela. — Desculpe, eu realmente não achei que seria um problema.

— Mas é um problema — Emanuel insistiu, embora a visão das duas mulheres juntas, o contraste entre a loira fatal e a castanha angelical, causasse nele um aperto estranho no peito. Um desejo de posse total. — Eu quero ver o ferimento. Agora.

Eduarda assentiu, guiando-os até o quarto de Maya. A pequena dormia com o polegar na boca, um curativo colorido no joelho gordinho. Emanuel aproximou-se da cama, sua expressão transformando-se instantaneamente. Ele se ajoelhou ao lado do berço e acariciou o rosto da menina com uma delicadeza que poucos conheciam.

— Minha pequena — sussurrou ele.

Eduarda observava da porta, sentindo o coração apertado. Ela amava a forma como Emanuel cuidava delas, mas a intensidade dele às vezes a assustava. Ela se sentia dependente, uma trepadeira buscando apoio em um carvalho sólido.

Sara aproximou-se de Eduarda, falando baixo para não acordar a criança.

— Sabe, Duda... o Manu fica louco porque ele ama vocês. Ele tem esse jeito bruto, mas o coração dele é enorme. E o meu também.

Eduarda olhou para Sara, confusa.

— O seu também?

— Claro. Você é família, não é? E família cuida uns dos outros. — Sara deu um sorriso enigmático, seus olhos analisando a fragilidade de Eduarda. Ela não via a prima de Emanuel como uma ameaça; via-a como um complemento. — Você devia passar mais tempo lá em casa. Ágata sente falta da Maya. E o Emanuel... bem, ele sente falta de ter tudo o que ama sob o mesmo teto.

Eduarda baixou o olhar, as bochechas corando.

— Eu não quero incomodar. Vocês têm a vida de vocês.

Emanuel levantou-se e caminhou até as duas. Ele colocou uma mão na nuca de Eduarda, obrigando-a gentilmente a olhar para ele.

— Você nunca incomoda. Mas nunca mais esconda nada de mim, entendeu? Se a Maya espirrar, eu quero saber.

— Sim, Manu... desculpe — ela murmurou, encostando a cabeça no peito dele, cedendo à necessidade de proteção.

Emanuel a abraçou, sentindo o corpo esguio e leve dela contra o seu, enquanto a outra mão ainda segurava a cintura de Sara. Por um momento, o mundo lá fora, com seus negócios e estresses, desapareceu. Ele tinha ali, entre seus braços, a força e a suavidade, o fogo e a paz.

— Vamos fazer o seguinte — declarou Emanuel, o tom de voz não admitindo contestações. — Amanhã vocês duas vão para a cobertura. Vou cancelar minhas reuniões da manhã. Quero ver a Maya acordar e garantir que ela está bem.

— Mas eu tenho faculdade, Manu... História da Arte é...

— Eu te levo e te busco — ele cortou, o tom protetor e controlador voltando à tona. — Sem discussões, Eduarda.

Sara riu, jogando a cabeça para trás.

— Viu só? Ele já decidiu por todas nós. Mas aceite, Duda. Vai ser divertido.

Eduarda apenas assentiu, sentindo-se pequena e cuidada. Ela não entendia a dinâmica complexa que começava a se formar, nem o olhar carregado de intenção que Emanuel trocava com Sara por cima de sua cabeça. Ela apenas sabia que, nos braços dele, o medo da queda no balanço parecia algo distante, e a segurança era um porto seguro e quente.

Emanuel, por outro lado, sentia a tensão em seus ombros diminuir. Ter Eduarda ali, submissa e doce, enquanto Sara orquestrava o ambiente com sua confiança, era exatamente o que ele precisava para manter o equilíbrio. Ele era um homem de posses, e nada era mais valioso para ele do que o amor daquelas duas mulheres e das filhas que, aos olhos dele, eram ambas suas.

— Vamos — disse Emanuel. — Duda, pegue as coisas da Maya. Vocês vêm com a gente agora.

— Agora? Mas meus pais...

— Eu já falei com eles — mentiu Emanuel, ou talvez apenas desse como certo que ninguém o impediria. — Vamos para casa.

Enquanto Eduarda se apressava em arrumar a bolsa de fraldas, Sara se aproximou de Emanuel e sussurrou em seu ouvido:

— Você conseguiu o que queria, não é, lobão?

Emanuel olhou para a esposa, um sorriso raro e sombrio surgindo em seus lábios.

— Eu sempre consigo, Sara. E você sabe que é melhor assim para todos nós.

A noite caiu sobre a cidade enquanto o carro de luxo de Emanuel cortava as ruas. Dentro dele, o silêncio era preenchido por uma nova eletricidade. Eduarda olhava pela janela, nervosa e grata; Sara retocava o batom, satisfeita; e Emanuel dirigia com as mãos firmes no volante, sentindo que, finalmente, as peças do seu mundo estavam começando a se encaixar exatamente onde ele queria.

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