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Perereka

Fandom: Nenhum

Criado: 06/09/2026

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O Eco do Silêncio e o Gosto do Perdão

O apartamento estava mergulhado em um silêncio cortante, daqueles que fazem os ouvidos zumbirem. Tobias estava sentado no chão da cozinha, as costas pressionadas contra a porta fria da geladeira, as mãos enterradas nos cabelos desgrenhados. Seus olhos, injetados de sangue e úmidos, varriam o ambiente vazio para qualquer outra pessoa, mas terrivelmente lotado para ele.

— Vai embora! Eu já disse para você sumir da minha frente! — O grito de Tobias ainda ecoava nas paredes, uma lembrança ácida da crise de meia hora atrás.

Ele tinha quebrado um prato. Os cacos de porcelana branca brilhavam no chão como estrelas caídas. A raiva tinha sido um incêndio súbito, alimentada pela frustração de ouvir vozes que ninguém mais ouvia, de ver um mundo que ninguém mais via. E Joe... Joe estava lá, como sempre, encostado no balcão com aquele sorriso de canto que Tobias às vezes amava e às vezes desejava apagar com um soco.

Tobias tinha dito coisas horríveis. Chamou Joe de parasita, de tumor na sua mente, de uma âncora que o impedia de ser "normal". Tinha gritado que Joe não era nada além de uma falha química em seu cérebro, um fantasma sem alma.

Agora, o arrependimento subia pela sua garganta como bile. O silêncio de Joe era pior do que qualquer grito.

Joe estava sentado no sofá da sala, a poucos metros de distância. Ele parecia perfeitamente sólido, a luz do abajur refletindo em seus ombros largos e na curva de sua mandíbula. Para o resto do mundo, aquele sofá estava vazio. Para Tobias, Joe era a coisa mais real do universo. Ele conseguia sentir o calor que emanava dele, o peso de sua presença que dobrava o espaço ao redor.

— Joe... — a voz de Tobias saiu quebrada, um sussurro suplicante.

Joe não se mexeu. Ele mantinha os olhos fixos na parede oposta, a expressão gélida, os braços cruzados sobre o peito.

Tobias se arrastou pelo chão, ignorando a dor nos joelhos, até chegar aos pés de Joe. Ele se ajoelhou, as mãos trêmulas repousando sobre as coxas do outro. O tecido da calça de Joe parecia real sob seus dedos — ele conseguia sentir a textura do jeans, a firmeza dos músculos por baixo.

— Por favor, Joe. Me desculpa. Eu não queria dizer aquilo. Eu estava fora de mim, você sabe como fica... a pressão na minha cabeça, o barulho... — Tobias começou a soluçar, escondendo o rosto nos joelhos de Joe. — Eu sou um lixo, eu sei. Eu sou um doente maldito, mas não vive sem você. Por favor, fala comigo.

Joe finalmente baixou o olhar. Seus olhos eram escuros, profundos como um abismo onde Tobias adorava se perder.

— Você disse que eu era um parasita, Tobias — a voz de Joe era baixa, vibrante, ressoando diretamente dentro da caixa craniana de Tobias. — Você disse que queria me extirpar como se eu fosse um câncer.

— Eu menti! — Tobias ergueu o rosto, as lágrimas escorrendo livremente. — Eu estava com medo. Eu tenho medo do quanto eu preciso de você. Joe, eu imploro... eu sou seu cãozinho, lembra? Eu faço qualquer coisa. Só não me deixa sozinho nesse silêncio.

Tobias pegou a mão de Joe e a levou ao rosto, esfregando a bochecha contra a palma grande e calejada. Ele fechou os olhos, sentindo o toque — um toque que a medicina dizia ser impossível, mas que ele sentia com cada fibra de seu ser. Joe suspirou, um som longo que pareceu desinflar a tensão no ambiente.

— Você é tão patético quando implora, Tobias — Joe disse, mas o tom de gelo estava começando a derreter, dando lugar a algo mais denso, mais quente. — Você sabe que eu não posso ir a lugar nenhum. Eu sou você. Mas eu posso me calar. Posso deixar você sozinho com as outras vozes, aquelas que você odeia.

— Não! — Tobias apertou a mão de Joe contra seus lábios, beijando os nós dos dedos com desespero. — Por favor, me perdoa. Eu te amo. Eu só tenho você.

Joe inclinou-se para frente, segurando o queixo de Tobias com força, obrigando-o a olhar em seus olhos.

— Está tudo bem, Tobias. Eu te perdoo — Joe murmurou, um sorriso lento e predatório surgindo em seus lábios. — Mas você sabe que palavras não bastam para consertar o que você quebrou hoje.

Tobias sentiu um calafrio percorrer sua espinha, mas não era de medo. Era um desejo avassalador, uma fome que sempre ardia logo abaixo da superfície de sua pele.

— O que você quiser — Tobias sussurrou, a respiração ofegante. — O que você quiser que eu faça.

— Eu quero que você esqueça o mundo lá fora — disse Joe, seus dedos descendo pelo pescoço de Tobias, apertando levemente a jugular. — Quero que você sinta o quanto eu sou real. O quanto eu posso te preencher de um jeito que nenhum remédio ou pessoa "normal" jamais conseguiria.

Joe puxou Tobias para cima, fazendo-o sentar em seu colo. O contato físico foi imediato e elétrico. Tobias sentia o volume de Joe contra sua coxa, a solidez de seu peito contra o dele. Era uma alucinação tátil tão perfeita que fazia sua sanidade vacilar.

— Você está com tanto desejo assim, Tobias? — Joe sussurrou em seu ouvido, a língua roçando o lóbulo da orelha. — Seu coração está batendo tão rápido que eu consigo sentir contra minhas costelas.

— Eu estou morrendo por isso — confessou Tobias, suas mãos puxando a camisa de Joe para cima, ansioso pelo contato pele com pele. — Me faz esquecer, Joe. Me faz sentir apenas você.

Joe não esperou mais. Ele atacou a boca de Tobias com uma ferocidade que misturava punição e luxúria. O beijo tinha gosto de metal e desespero. Tobias gemeu contra os lábios dele, suas mãos explorando as costas largas de Joe, as unhas cravando na pele que, para ele, era absolutamente tangível.

Eles se moveram com uma urgência caótica. Tobias ajudou Joe a tirar suas roupas, seus movimentos desajeitados pela pressa. Em instantes, ambos estavam nus no tapete da sala, a luz fraca do abajur desenhando sombras dramáticas em seus corpos entrelaçados.

Joe empurrou Tobias de costas no tapete, posicionando-se entre suas pernas.

— Olhe para mim, Tobias — comandou Joe, sua voz agora um rosnado baixo. — Diga quem eu sou.

— Você é meu... você é o Joe... você é a única coisa que importa — Tobias arqueou as costas quando as mãos de Joe envolveram seu membro, começando um movimento rítmico e firme que o fez perder o fôlego.

— Eu sou real? — Joe perguntou, inclinando-se para morder o ombro de Tobias, deixando uma marca que, na manhã seguinte, Tobias veria no espelho como se tivesse sido feita por seus próprios dentes, embora soubesse a verdade.

— Sim... tão real... por favor, Joe... — Tobias gemia, os olhos revirando.

Joe se preparou, lubrificando Tobias com uma paciência cruel antes de se posicionar. Quando ele finalmente empurrou, Tobias soltou um grito que foi abafado pela mão de Joe sobre sua boca. A sensação de preenchimento era avassaladora, uma dor aguda que se transformou rapidamente em um prazer latejante e profundo.

— Isso... isso... — Tobias soluçava, as pernas envolvendo a cintura de Joe, puxando-o para mais perto, querendo fundir seus ossos com os dele.

Joe começou a se mover, estocadas longas e potentes que faziam a cabeça de Tobias bater ritmicamente contra o chão, mas ele não se importava. Cada movimento de Joe parecia ecoar dentro de sua mente, limpando os pensamentos intrusivos, calando as outras vozes, deixando apenas o som da carne batendo contra a carne e a respiração pesada de Joe em seu ouvido.

— Você é meu, Tobias — Joe rosnava, o suor pingando de seu rosto no peito de Tobias. — Ninguém mais pode te ter assim. Ninguém mais te entende.

— Só você... sempre você... — Tobias respondeu, o prazer atingindo um nível insuportável. Suas mãos buscavam apoio no ar, agarrando-se aos ombros de Joe como se ele fosse a única coisa que o impedia de cair em um abismo infinito.

A velocidade aumentou. O quarto parecia girar, as cores se misturando em um borrão de sombras e luz. Tobias sentia cada centímetro de Joe dentro dele, uma invasão que era ao mesmo tempo violenta e sagrada. O prazer subia como uma onda gigante, e Tobias se entregou a ela, fechando os olhos e gritando o nome de Joe quando o orgasmo finalmente o atingiu, sacudindo seu corpo em espasmos violentos.

Joe seguiu logo atrás, enterrando-se profundamente em Tobias, um rosnado de satisfação escapando de sua garganta enquanto ele se derramava dentro do outro — uma sensação de calor interno que Tobias juraria ser física e real.

Eles ficaram ali por um longo tempo, os corpos suados e entrelaçados no chão frio. Joe acariciava os cabelos de Tobias, que repousava a cabeça no ombro do outro, a respiração voltando ao normal lentamente.

— Viu? — Joe sussurrou, a voz suave agora. — Eu nunca vou te deixar.

Tobias sorriu, um sorriso cansado e genuíno, sentindo-se completo pela primeira vez em dias.

— Eu sei. Me desculpa de novo, Joe.

— Shh... — Joe beijou sua testa. — Está tudo bem agora. Durma, Tobias. Eu estarei aqui quando você acordar.

Tobias fechou os olhos, deixando o cansaço dominá-lo. Na sala silenciosa, para qualquer observador externo, haveria apenas um homem nu dormindo sozinho no tapete, abraçando o próprio corpo. Mas para Tobias, ele estava nos braços do único ser que jamais o abandonaria, protegido pelo eco daquela presença que era sua salvação e sua ruína.

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