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Amor

Fandom: Swat

Criado: 06/09/2026

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RomanceDramaAngústiaAçãoCrimeCenário CanônicoEstudo de Personagem
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Entre o Dever e o Desejo

O sol da manhã de Los Angeles filtrava-se pelas janelas altas do quartel-general da SWAT, iluminando as partículas de poeira que dançavam sobre a mesa tática. A Equipe 20 estava reunida, o clima era de foco absoluto enquanto Hondo apontava para o mapa digital projetado na parede.

— O informante do Street confirmou que o carregamento de armas vai passar pelo porto à meia-noite — explicou Hondo, sua voz ressoando com a autoridade habitual. — Deacon, você e a Tatsuyo cuidam do perímetro leste. Tan e Street, vocês entram pelo setor norte. Chris e Luca, cobertura pesada.

Tatsuyo Nakamura, com seus longos cabelos pretos ondulados presos em um rabo de cavalo prático que descia pelas costas, assentiu silenciosamente. Seus olhos pretos, profundos e atentos, refletiam a seriedade do momento. Aos 20 anos, ela era a mais jovem da equipe, mas sua herança dos povos originários do Canadá lhe conferira uma resiliência e uma conexão com o ambiente que poucos ali possuíam. Com 1,63 m de altura, ela era pequena em estatura, mas uma força da natureza em campo.

— Entendido, Hondo — respondeu ela, ajustando o coldre na cintura.

A reunião foi interrompida pelo som da porta metálica se abrindo. O Comandante Hicks entrou, acompanhado por um homem que Tatsuyo reconheceria em qualquer lugar do mundo, mesmo sob as luzes mais fracas.

— Antes de voltarem aos preparativos, tenho um anúncio — disse Hicks, gesticulando para o homem ao seu lado. — Devido à excelente performance nas operações conjuntas, a SWAT de Long Beach nos cedeu um de seus melhores. Este é o Agente Miguel Alfaro. Ele está sendo transferido permanentemente para a divisão de Los Angeles e trabalhará em conjunto com as nossas equipes até ser designado para uma vaga fixa.

O coração de Tatsuyo falhou uma batida. O ar pareceu sumir de seus pulmões enquanto ela olhava para Miguel. Ele estava parado ali, com aquela postura confiante, o maxilar bem marcado e os olhos que, por um breve segundo, encontraram os dela com uma intensidade que quase a fez vacilar.

— Bem-vindo a bordo, Alfaro — disse Hondo, estendendo a mão. — Já ouvimos falar bem do seu trabalho.

— Obrigado, Sargento. É uma honra estar aqui — respondeu Miguel. Sua voz era a mesma que, há apenas três noites, sussurrava promessas no ouvido de Tatsuyo enquanto eles observavam as estrelas deitados na caçamba da picape dele.

O encontro deles, meses atrás, parecia saído de um filme de época. Tatsuyo estava em uma pequena livraria de antiguidades em Long Beach, tentando alcançar um livro sobre botânica medicinal na prateleira mais alta. Miguel, que estava por perto, simplesmente se aproximou e pegou o livro para ela. O toque de suas mãos ao entregar o volume, o café que tomaram logo depois e as horas de conversa sobre suas raízes e o desejo de servir à comunidade criaram um laço instantâneo. Desde então, eles eram "algo" — um "algo" intenso, doce e secreto.

Hicks saiu da sala, e a equipe começou a se dispersar para o vestiário, mas o silêncio entre Tatsuyo e Miguel era ensurdecedor para quem soubesse ler as entrelinhas.

— Ei, Nakamura — chamou Miguel, aproximando-se com um sorriso profissional que não chegava a esconder o brilho nos olhos. — Parece que vamos trabalhar juntos.

Tatsuyo sentiu o olhar de Chris e Street sobre eles. Ela pigarreou, tentando manter a compostura.

— Parece que sim, Agente Alfaro. Bem-vindo à 20.

— Obrigado — disse ele, baixando um pouco o tom de voz, apenas o suficiente para que os outros não ouvissem. — Você está linda com esse uniforme.

— Miguel, agora não — ela sussurrou, sentindo o pânico começar a subir pela garganta.

— O que foi? — perguntou ele, franzindo a testa, percebendo a mudança repentina no humor dela.

— As regras, Miguel — disse ela, fingindo checar seu equipamento. — A política de fraternização da SWAT de LA é muito mais rígida que a de Long Beach. Se souberem que estamos... que estamos juntos, um de nós será transferido para a administração ou para outra unidade longe do campo. Ou pior.

O sorriso de Miguel desapareceu. Ele olhou ao redor, vendo Hondo e Deacon conversando ao fundo. A realidade da situação caiu sobre ele como um balde de água fria. Eles não eram mais apenas dois jovens apaixonados em cidades vizinhas; agora, eram colegas de divisão sob a mesma cadeia de comando.

— Precisamos conversar — disse ele, sério. — No intervalo, no terraço.


O vento soprava frio no terraço do QG. Tatsuyo estava encostada na mureta, olhando para o tráfego caótico de Los Angeles, quando ouviu os passos pesados das botas de Miguel.

— Tats — ele chamou suavemente.

Ela se virou, e por um momento, a máscara de policial caiu. A angústia estava estampada em seu rosto pardo.

— Isso é um desastre, Miguel. Eu lutei tanto para entrar na Equipe 20. Ser a primeira mulher da minha comunidade a chegar aqui... eu não posso perder isso.

— E você não vai — disse ele, aproximando-se e segurando as mãos dela. O calor do toque dele era o seu porto seguro. — Eu também não quero perder o que temos. Eu te amo, Tatsuyo.

— Eu também te amo — ela confessou, sentindo os olhos marejarem. — Mas as leis da SWAT são claras. Membros da mesma divisão não podem ter relacionamentos românticos. É uma questão de segurança, de imparcialidade no campo. Se o Hondo descobrir...

— O Hondo é um bom homem, mas ele segue as regras — interrompeu Miguel, suspirando. — Nós sabíamos que seria difícil, mas não esperávamos que o destino nos colocasse no mesmo prédio tão cedo.

— O que vamos fazer? — perguntou ela, a voz trêmula. — Parar de nos ver?

Miguel a puxou para um abraço apertado, escondendo o rosto no pescoço dela, sentindo o perfume suave que ela sempre usava.

— Não. Eu não vou desistir de você. Nós vamos ter que ser invisíveis.

— Invisíveis? — Ela se afastou um pouco para olhá-lo. — Miguel, a SWAT é uma família. Eles percebem tudo. O jeito que você me olha, o jeito que eu reajo quando você entra na sala...

— Então vamos ter que ser os melhores atores de Hollywood — disse ele, tentando forçar um sorriso para acalmá-la. — No QG e nas missões, somos Nakamura e Alfaro. Profissionais. Distantes. Fora daqui, nas sombras, somos nós.

— E se nos pegarem? — insistiu ela.

— Então enfrentaremos as consequências juntos — afirmou ele, a determinação brilhando em seus olhos. — Mas eu não vou deixar você ir.

A porta do terraço se abriu bruscamente, e os dois se separaram em um salto, fingindo observar o horizonte. Era Street, procurando por eles.

— Ei, vocês dois! Hondo está chamando. O carregamento foi antecipado. Temos que sair em cinco minutos.

— Já estamos indo, Street — respondeu Tatsuyo, sua voz recuperando a firmeza profissional.

Street olhou de um para o outro, desconfiado, mas o senso de urgência da missão falou mais alto.

— Rápido. O blindado já está ligado.

Enquanto desciam as escadas, Miguel tocou levemente o braço de Tatsuyo.

— Foco na missão agora — sussurrou ele. — Eu cuido das suas costas.

— E eu das suas — respondeu ela, sentindo um peso no peito.

A operação no porto foi tensa. O tiroteio começou assim que a Equipe 20 cercou o galpão. Tatsuyo estava em sua posição, o rifle de precisão firme contra o ombro, monitorando o flanco leste.

— Dois suspeitos se movendo para o container azul — informou ela pelo rádio.

— Copiado, Nakamura — veio a voz de Miguel. — Eu e Tan estamos interceptando.

Pelo visor da mira, Tatsuyo viu Miguel avançar. Um dos suspeitos saiu de trás de uma caixa com uma submetralhadora apontada diretamente para a direção de Miguel. O tempo pareceu desacelerar. O coração de Tatsuyo disparou, não pelo medo da missão, mas pelo terror visceral de perder o homem que amava.

— Miguel, abaixe-se! — gritou ela, antes mesmo de pensar na formalidade do rádio.

Ela puxou o gatilho. A bala atingiu o braço do atirador, fazendo-o soltar a arma. Miguel rolou para o lado e neutralizou o suspeito em segundos.

— Suspeito no chão. Obrigado pelo aviso... Nakamura — disse Miguel, a voz ligeiramente instável pelo rádio.

O resto da missão foi um borrão de prisões e apreensões. Quando voltaram para o QG, o clima era de celebração pela vitória, mas para Tatsuyo e Miguel, a tensão só aumentava.

No vestiário feminino, Chris percebeu o silêncio de Tatsuyo enquanto ela guardava o colete.

— Você foi rápida hoje no porto — comentou Chris, sentando-se no banco ao lado. — Salvou a pele do novato.

— Foi apenas o meu trabalho, Chris — respondeu Tatsuyo, sem olhar para cima.

— Foi mais do que isso — disse Chris, baixando o tom. — Eu vi o jeito que você gritou o nome dele, Tats. Não foi "Agente Alfaro". Foi "Miguel". E a sua voz... estava cheia de pânico.

Tatsuyo congelou. Ela olhou para Chris, vendo a preocupação e a inteligência nos olhos da amiga.

— Chris, eu...

— Você não precisa me dizer nada agora — interrompeu Chris, colocando a mão no ombro dela. — Mas tome cuidado. As pessoas aqui não são bobas, e o Hondo preza pela integridade da equipe acima de tudo. Se existe algo entre vocês, vocês estão caminhando em uma linha muito perigosa.

— Eu sei — sussurrou Tatsuyo. — Eu sei perfeitamente.

Enquanto isso, no corredor, Miguel encontrou Hondo.

— Alfaro, bom trabalho hoje. Você se integrou bem — disse o sargento.

— Obrigado, Hondo. A equipe facilitou as coisas. Especialmente a Nakamura. Ela é uma excelente atiradora.

Hondo estreitou os olhos levemente, observando a expressão de Miguel.

— Ela é. E é parte fundamental desta família. Nós cuidamos uns dos outros aqui, Alfaro. E seguimos as regras para garantir que todos voltem para casa. Entendido?

— Perfeitamente, senhor.

Miguel seguiu para o estacionamento, sentindo o peso das palavras de Hondo. Ele esperou em seu carro até ver Tatsuyo sair. Ela caminhava com a cabeça baixa, a bolsa de equipamentos no ombro. Ele deu duas piscadas com o farol, o sinal combinado deles.

Ela entrou no carro dele rapidamente, e assim que a porta se fechou, o silêncio do habitáculo foi preenchido pelo som da respiração pesada de ambos.

— A Chris desconfia — disse Tatsuyo, cobrindo o rosto com as mãos.

Miguel suspirou, ligando o motor.

— O Hondo também deu um aviso velado.

— O que vamos fazer, Miguel? — Ela olhou para ele, os olhos brilhando com lágrimas contidas. — Eu não quero que você saia da SWAT de LA, e eu não quero sair da 20. Mas eu não consigo fingir que você não é o centro do meu mundo.

Miguel pegou a mão dela e a beijou suavemente.

— Nós vamos ser mais cautelosos. Vamos evitar qualquer contato visual desnecessário no QG. Vamos chegar e sair em horários diferentes. E, por enquanto, nossos encontros serão apenas em quatro paredes.

— É uma vida de segredos — lamentou ela.

— É uma vida juntos — corrigiu ele. — Vale a pena para você?

Tatsuyo olhou para o perfil de Miguel, lembrando-se do primeiro dia na livraria, do primeiro beijo sob a chuva fina de Long Beach e da forma como ele a fazia sentir-se segura e amada como ninguém jamais fizera.

— Vale — disse ela com firmeza. — Vale cada segundo.

— Então nós vamos lutar por isso — prometeu Miguel. — A SWAT pode ter suas leis, mas eles não podem governar o que sentimos.

Eles saíram do estacionamento, dois agentes de elite treinados para enfrentar os criminosos mais perigosos de Los Angeles, mas que agora enfrentavam o seu maior desafio: manter vivo um amor que, por lei, não deveria existir. O brilho das luzes da cidade refletia-se no para-brisa, ocultando o casal que, nas sombras do carro, trocava um aperto de mão carregado de promessas e medo. A guerra entre o dever e o desejo estava apenas começando, e na Equipe 20, os segredos tinham um preço alto demais.

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