
Amor e ciumes
Fandom: Vôlei
Criado: 07/09/2026
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O Silêncio antes do Saque
A luz do ginásio em Florença parecia mais agressiva do que o normal naquela noite. Julia Bergmann sentia o suor escorrer pela nuca, mas não era apenas o esforço físico da partida que a incomodava. Era o peso do olhar de Ekaterina Antropova do outro lado da rede. Ou melhor, a falta dele.
Kate, com sua estatura imponente e os cabelos loiros presos em um coque impecável, estava jogando com uma fúria fria. Cada ace que ela marcava era celebrado com uma intensidade que beirava a hostilidade. E o pior: cada vez que Kate pontuava, ela buscava o olhar de uma das ponteiras reserva no banco, trocando sorrisos cúmplices que Julia conhecia bem demais.
Julia apertou a bola entre as mãos antes de sacar. O ruivo de seus cabelos, úmido de suor, parecia brilhar sob os refletores. Ela sentia o sangue ferver. Ciúme era uma palavra pequena para o que estava sentindo; era uma mistura de posse e insegurança que a consumia desde o jantar da noite anterior, quando vira Kate rindo de uma piada interna com aquela mesma jogadora.
O jogo terminou com a vitória do time de Kate. No cumprimento de rede, as mãos se tocaram por um breve segundo. A pele de Kate estava quente, mas seus olhos azuis estavam gélidos como o inverno russo.
— Bom jogo, Bergmann — disse Kate, a voz desprovida de qualquer carinho.
— Você jogou bem — respondeu Julia, os dentes cerrados. — Especialmente para quem estava tão distraída com a plateia lateral.
Kate arqueou uma sobrancelha, um sorriso cínico brincando nos lábios.
— Inveja não combina com você, Julia. Nos vemos em casa.
O trajeto até o apartamento que dividiam foi feito em silêncio absoluto. Julia dirigia com as mãos firmes no volante, enquanto Kate olhava fixamente pela janela, os fones de ouvido isolando-a do mundo. Assim que a porta do apartamento se fechou atrás delas, a tensão acumulada explodiu.
— Vai me dizer o que foi aquilo? — Julia começou, jogando a bolsa de treino no sofá com força.
— Aquilo o quê? — Kate perguntou calmamente, tirando o casaco. — Eu ganhei o jogo, Julia. Deveria estar feliz por mim.
— Eu estou falando daquela palhaçada com a Martina! — Julia se aproximou, a diferença de altura entre as duas sendo mínima, ambas torres de força e graça. — Você não tirava os olhos dela. Cada ponto era para ela. Achei que tínhamos um acordo sobre respeito.
Kate soltou uma risada seca, virando-se para encarar a ruiva.
— Respeito? Você fala de respeito, mas passou a semana inteira trocando mensagens com suas amigas da seleção brasileira, rindo alto no telefone e me ignorando. Eu só dei a ela a atenção que você se recusa a me dar.
— Isso é ridículo e você sabe! — Julia gritou, a voz falhando levemente pela emoção. — Eu te amo, Kate. Mas você é tão possessiva que chega a ser sufocante. E agora está tentando me dar o troco?
— Talvez eu esteja — Kate deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Julia. O cheiro de perfume e suor era inebriante. — Talvez eu queira que você sinta exatamente como é ver a pessoa que você quer olhando para outra.
— Eu não olho para mais ninguém! — Julia avançou, empurrando o peito de Kate. — Só existe você, sua idiota loira.
Kate segurou os pulsos de Julia no ar. A força da oposta era superior, e ela prendeu as mãos da ruiva contra a parede do corredor. A respiração de ambas estava pesada, os corpos exaustos da partida, mas carregados de uma adrenalina diferente agora.
— Prove — sussurrou Kate, os olhos fixos nos lábios de Julia.
— Eu não tenho que provar nada para você — rebateu Julia, embora seu corpo estivesse traindo suas palavras, pressionando-se contra o de Kate.
— Prove que eu sou a única — insistiu a russa, a voz descendo uma oitava, tornando-se um rosnado baixo. — Porque se você não fizer isso agora, eu vou embora e deixo você com suas mensagens e seu orgulho.
Julia sentiu um arrepio percorrer sua espinha. O medo de perder Kate era maior do que qualquer raiva. Ela se soltou do aperto, não para fugir, mas para enlaçar o pescoço de Kate e puxá-la para um beijo desesperado.
Não havia delicadeza. Era uma colisão de dentes e línguas, um gosto de sal e desejo reprimido. Kate gemeu contra a boca de Julia, as mãos descendo para apertar as coxas musculosas da ponteira, levantando-a do chão. Julia envolveu as pernas longas ao redor da cintura de Kate, sentindo a firmeza dos músculos da outra.
— No quarto — comandou Kate entre beijos, carregando Julia sem esforço.
Assim que atingiram o colchão, a urgência se tornou febril. As roupas de treino, tecidos tecnológicos feitos para resistir a quedas no chão do ginásio, foram arrancadas com impaciência. Julia admirou a pele pálida de Kate sob a luz fraca do abajur, as linhas definidas de seu abdômen e a curva graciosa de seus ombros largos.
— Você é minha — murmurou Julia, cravando as unhas nas costas de Kate enquanto a loira se posicionava entre suas pernas. — Entendeu? Minha.
— Sempre fui — respondeu Kate, a voz rouca. — Mas às vezes você precisa ser lembrada disso.
Kate desceu os beijos pelo pescoço de Julia, encontrando o ponto sensível logo abaixo da orelha que a fazia estremecer. A mão de Kate desceu, explorando o corpo da ruiva com uma autoridade que só meses de intimidade permitiam. Quando os dedos de Kate encontraram a umidade de Julia, a brasileira soltou um grito abafado no travesseiro.
— Kate... por favor — implorou Julia, arqueando as costas.
— O quê? — Kate provocou, movendo os dedos com uma lentidão torturante. — Você quer que eu pare? Quer ir checar seu celular?
— Cala a boca e me toca de verdade — Julia rebateu, puxando o rosto de Kate para outro beijo voraz.
A reconciliação foi intensa, física e ruidosa. Kate usava sua força para dominar, mas Julia revidava com uma agilidade e um vigor que deixavam a russa sem fôlego. Elas se moviam em sincronia, como se estivessem em quadra, antecipando cada movimento, cada reação. O suor que antes era de exaustão esportiva agora era de puro prazer.
Julia sentia cada centímetro de Kate contra si. A altura delas, que muitas vezes as tornava o centro das atenções em qualquer lugar, ali, naquela cama, era apenas mais superfície para ser explorada. As pernas longas se entrelaçavam, os braços fortes se apertavam.
Quando o ápice chegou, veio como um saque potente que ninguém consegue defender. Julia gritou o nome de Kate, escondendo o rosto no pescoço da loira, enquanto sentia as ondas de prazer dominarem seu corpo. Kate a segurou firme, desmoronando sobre ela momentos depois, a respiração errática ecoando no quarto silencioso.
Minutos depois, ainda entrelaçadas, o silêncio não era mais tenso. Era preenchido pelo som das batidas de dois corações que voltavam ao ritmo normal.
— Eu odeio quando a gente briga — sussurrou Julia, acariciando os cabelos loiros agora bagunçados de Kate.
— Eu também — admitiu Kate, levantando a cabeça para olhar para Julia. O azul de seus olhos estava suave novamente. — Mas a parte de fazer as pazes... essa eu não trocaria por nada.
Julia sorriu, puxando o lençol para cobri-las.
— Amanhã temos treino cedo. O técnico vai nos matar se estivermos lentas.
— Ele que tente — Kate deu um selinho em Julia. — Mas hoje, a única pessoa que tem direito de me cansar é você.
Julia riu, sentindo o calor de Kate contra si. O ciúme havia evaporado, substituído por uma certeza absoluta. Naquele jogo de amor e vôlei, não importava quem marcava mais pontos; no final da noite, elas sempre terminavam no mesmo time.
— Promete que não vai mais dar corda para a Martina? — Julia perguntou, o tom ainda com um resquício de seriedade.
Kate suspirou, abraçando Julia com mais força.
— Julia, ela é só uma colega. Você é o meu mundo. Mas se isso te faz sentir melhor... eu prometo. Contanto que você deixe o celular de lado quando estivermos juntas.
— Combinado — Julia fechou os olhos, sentindo o cheiro de Kate. — Eu te amo, loira.
— Eu também te amo, ruiva. Agora dorme, porque amanhã eu vou te dar um bloqueio no treino que você não vai esquecer.
Julia riu baixinho, já pegando no sono.
— Veremos, Antropova. Veremos.
