
O Santuário de Vidro e Seda
O relógio de pêndulo na entrada da mansão bateu seis horas, o som ecoando pelas paredes de mármore e pé-direito alto. Telian girou a chave na fechadura, o som metálico sendo o único anúncio de sua chegada. Ele retirou o paletó de corte impecável, pendurando-o no braço, enquanto seus olhos varriam o ambiente com uma precisão predatória. A casa estava silenciosa, exceto pelo som suave de algo batendo levemente contra o chão de madeira no centro da sala de estar.
Lá estava ele.
Natan estava sentado no tapete de pelúcia branca, cercado por blocos de montar coloridos e alguns bichos de pelúcia. A luz do entardecer filtrava-se pelas grandes janelas, iluminando os fios loiros e sedosos do garoto, que pareciam formar uma aura ao redor de sua cabeça pequena. Ele estava concentrado, a ponta da língua rosada aparecendo entre os lábios enquanto tentava equilibrar um bloco azul sobre uma torre instável.
A roupa que Natan usava era uma escolha meticulosa de Telian. O menino vestia uma sainha de pregas curta, de um tom rosa pastel que contrastava com a brancura de suas pernas finas e delicadas. Por baixo, as bordas rendadas de uma calcinha de cetim branca apareciam discretamente conforme ele se movimentava. Na parte de cima, um suéter de lã macia, propositalmente grande demais, caía pelos seus ombros, escondendo suas mãos pequenas sob as mangas compridas.
Telian caminhou sem pressa, seus sapatos de couro não emitindo som algum sobre o tapete, até parar a poucos centímetros do filho.
— O meu pequeno está muito ocupado hoje? — A voz de Telian era profunda, carregada de uma autoridade que Natan aprendera a associar tanto à segurança quanto ao medo, embora sua mente ingênua não soubesse distinguir a diferença.
Natan deu um sobressalto, olhando para cima com seus grandes olhos azuis, brilhantes e límpidos como cristais. Um sorriso largo e puramente infantil iluminou seu rosto assim que ele reconheceu a figura alta à sua frente.
— Papai! — Natan exclamou, largando os blocos e estendendo os braços curtos em um pedido mudo por colo. — Você demorou. O Natan sentiu saudade.
Telian inclinou-se, pegando o garoto de dezesseis anos como se ele não pesasse mais do que uma criança de cinco. Ele o acomodou contra seu peito largo, sentindo a fragilidade dos ossos de Natan sob o suéter. O contraste era absoluto: a força bruta e controladora de Telian contra a delicadeza quase etérea de Natan.
— O papai teve muito trabalho, pequeno — Telian murmurou, enterrando o rosto no pescoço do menino, inspirando o cheiro de talco e xampu de bebê. — Mas agora eu estou aqui. E trouxe algo para você.
Natan se agitou nos braços dele, a curiosidade brilhando em seu olhar ingênuo.
— O que é, papai? É um brinquedo?
Telian não respondeu imediatamente. Ele caminhou até a poltrona de couro no canto da sala e sentou-se, mantendo Natan em seu colo, em uma posição que enfatizava a dependência do garoto. Ele enfiou a mão no bolso do paletó e retirou uma pepeta de silicone transparente com detalhes em azul claro.
Os olhos de Natan brilharam. Ele abriu a boca ansiosamente, esperando que o objeto fosse entregue.
— Primeiro, você tem que ser um bom menino — disse Telian, sua mão grande acariciando a coxa exposta de Natan, apertando a carne macia com uma possessividade que fez o garoto estremecer levemente, embora ele não entendesse o porquê. — Você se comportou enquanto eu estava fora?
— Sim, papai — respondeu Natan com a voz abafada. — O Natan não fez bagunça. O Natan usou a sainha que o papai gosta.
Telian sorriu, um gesto que não alcançava seus olhos frios e calculistas. Ele colocou a pepeta na boca de Natan, que começou a sugá-la imediatamente, fechando os olhos em um estado de contentamento absoluto. O infantilismo de Natan era o refúgio que Telian havia cultivado e alimentado ao longo dos anos, garantindo que o filho permanecesse sob seu controle total, incapaz de compreender a natureza perversa dos desejos do pai.
— Você é tão lindo, Natan — Telian sussurrou, seus dedos agora traçando a linha da renda da calcinha que o menino usava. — Tão puro. Ninguém mais pode ter você. Você entende isso, não entende?
Natan assentiu devagar, o movimento fazendo seu cabelo loiro roçar no rosto de Telian. Ele se sentia seguro ali, envolto pelo calor do homem que ele chamava de pai, sem ter a menor consciência de que as paredes daquela mansão eram, na verdade, as grades de uma gaiola dourada.
— Agora, vamos para o quarto — disse Telian, levantando-se com o garoto ainda em seus braços. — O papai vai preparar o seu tetê e depois vamos brincar de um jeito que só nós dois sabemos.
Natan abraçou o pescoço de Telian com força, escondendo o rosto na curva de seu ombro.
— O Natan gosta das brincadeiras do papai — murmurou o garoto, a voz infantilizada pelo uso da pepeta.
Telian subiu as escadas, cada passo dado com uma calma deliberada. Ele observava a nuca de Natan, a pele alva e sensível, e sentia a onda de satisfação que sempre vinha ao saber que tinha o domínio completo sobre aquela vida. Ele era o arquiteto da realidade de Natan, o dono de sua inocência e o único juiz de suas necessidades.
Ao entrarem no quarto, o ambiente estava na penumbra, apenas com a luz noturna de um abajur em formato de estrela acesa. Telian colocou Natan sobre a cama vasta, coberta por lençóis de seda. O garoto rolou para o lado, a sainha subindo e revelando mais do que deveria, mas ele não se importava. Para Natan, o olhar de Telian era apenas o olhar de um pai cuidadoso.
Telian foi até a pequena bancada onde ficavam os itens de Natan e preparou a mamadeira com precisão. O som do líquido sendo agitado era o único ruído no quarto. Quando ele voltou para a cama, Natan já estava esperando, sentado com as pernas cruzadas, a expressão de expectativa no rosto delicado.
— Aqui está, pequeno. Beba tudo — ordenou Telian, entregando a mamadeira.
Ele sentou-se na beirada da cama, observando Natan beber avidamente. A mão de Telian deslizou pelo abdômen de Natan, sentindo a respiração curta do garoto. A obsessão de Telian não conhecia limites; ele havia moldado Natan para ser exatamente o que ele queria: uma criatura dependente, submissa e eternamente presa em uma infância artificial.
— Você é meu, Natan — Telian disse em um tom que era quase um rosnado, embora mantivesse a suavidade superficial. — Nunca se esqueça disso.
Natan terminou o conteúdo da mamadeira e soltou um pequeno suspiro, deixando o objeto cair sobre o edredom. Ele olhou para Telian, os olhos levemente nublados pelo sono e pela satisfação.
— O Natan é do papai — repetiu ele, como um mantra ensinado.
Telian aproximou-se mais, eliminando qualquer espaço entre eles. Ele começou a desabotoar os próprios punhos da camisa, os olhos fixos na figura frágil diante dele. O abuso, mascarado por palavras de carinho e gestos de cuidado, estava prestes a recomeçar, e Natan, em sua ingenuidade protegida, apenas sorriu, esperando pelo próximo toque do homem que ele acreditava ser seu único protetor no mundo.
— Isso mesmo, meu bebezinho — Telian murmurou, sua mão fechando-se com força sobre o pulso fino de Natan. — E o papai vai cuidar muito bem de você esta noite.
Natan fechou os olhos, entregando-se sem resistência, incapaz de ver a escuridão que residia no coração daquele que deveria amá-lo acima de tudo. Para o menino de dezesseis anos que vivia em um mundo de brinquedos e rendas, a vontade de Telian era a única lei, e seu toque, por mais doloroso ou confuso que pudesse ser, era a única forma de amor que ele conhecia.
