
Ciúmes e tensão
Fandom: Vôlei
Criado: 07/09/2026
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Entre o Silêncio e o Desejo
O silêncio no apartamento em Florença era uma raridade preciosa, algo que Julia Bergmann aprendera a valorizar nas últimas semanas. O relógio na parede da sala marcava pouco mais de dez da noite, e a iluminação suave dos abajures criava sombras longas e acolhedoras sobre o piso de madeira.
Julia soltou um suspiro longo, passando a mão pelos cabelos ruivos que insistiam em escapar do coque frouxo. Ela acabara de colocar o pequeno Leo no berço. O bebê, com apenas um mês de vida, era a mistura perfeita entre ela e Kate, mas, naquele momento, Julia só conseguia pensar em como ele era um pequeno terror que se recusava a fechar os olhos até que ela cantasse a mesma música alemã pela décima vez.
Antes de sair do corredor, ela deu uma espiada no quarto de hóspedes. Lá, o irmão mais novo de Ekaterina Antropova, que viera passar as férias com elas para ajudar com o recém-nascido, já estava mergulhado em um sono profundo, com um dos braços pendendo para fora da cama.
Julia sorriu, fechando a porta com um clique quase imperceptível. Ela caminhou em direção à sala de estar, sentindo os músculos das costas protestarem. Ser ponteira da seleção brasileira exigia muito, mas a maternidade era um tipo de treino de resistência que ela ainda estava aprendendo a dominar.
— Finalmente? — A voz rouca e baixa veio do canto do sofá.
Julia olhou para cima e encontrou os olhos claros de Ekaterina. A russa estava sentada com um tablet na mão, mas seus olhos não estavam na tela. Kate parecia exausta; as olheiras leves sob os olhos loiros denunciavam as noites mal dormidas e a rotina intensa de treinos que ela já havia retomado.
— Finalmente — respondeu Julia, aproximando-se e deixando o corpo cair ao lado da companheira. — O seu irmão apaga como uma pedra, mas o Leo... ele tem a sua teimosia, Kate. Ele ficou me encarando como se estivesse esperando eu cometer um erro na letra da música.
Kate soltou uma risada curta, um som seco que Julia adorava. Ela deixou o tablet de lado e passou o braço pelos ombros da ruiva, puxando-a para perto.
— Ele tem o seu temperamento, Julia. Não tente colocar a culpa em mim. Você é a pessoa mais brava e ciumenta que eu conheço. O menino só está protegendo o território dele.
Julia deu um leve soco no braço de Kate, mas não se afastou. Pelo contrário, aninhou-se no pescoço da loira, aspirando o perfume familiar que misturava sabonete neutro e algo que era puramente Antropova.
— Eu não sou brava — resmungou Julia, embora soubesse que era mentira. — E eu só sou ciumenta porque você é muito distraída. Aquela levantadora nova do seu time não para de te olhar, Kate. Eu vi o último treino.
Kate revirou os olhos, sentindo a tensão típica de um dia estressante começar a se dissipar apenas por ter Julia ali.
— Ela tem dezenove anos e tem medo de mim, Liebling. Ninguém sobrevive ao meu mau humor matinal, exceto você.
— É porque eu sou fiel e resiliente — brincou Julia, subindo a mão pelo peito de Kate, sentindo a batida firme do coração da oposta.
Kate ficou em silêncio por um momento, observando o rosto da esposa. Julia estava linda, mesmo com o cansaço aparente. Havia algo na luz daquela sala que destacava o ruivo vibrante de seus cabelos e a faísca brincalhona em seus olhos, uma faísca que rapidamente estava se transformando em algo mais profundo e urgente.
— Você está cansada? — perguntou Kate, a voz descendo uma oitava.
— Estou moída — confessou Julia, olhando nos olhos de Kate. — Mas é um tipo estranho de cansaço. Eu sinto que se eu dormir agora, vou perder o pouco tempo que temos só para nós duas.
Kate não disse nada. Em vez disso, ela se levantou com a agilidade que seus dois metros de altura permitiam e, antes que Julia pudesse protestar, inclinou-se e passou os braços por baixo dos joelhos e das costas da ruiva.
— O que você está fazendo? — Julia soltou um ganido de surpresa, passando os braços pelo pescoço de Kate por instinto.
— Levando minha esposa para o quarto — disse Kate com sinceridade absoluta, a expressão séria que ela costumava usar antes de um saque potente. — Você carrega o Leo o dia todo. Agora é minha vez de carregar você.
Julia riu, escondendo o rosto no ombro de Kate enquanto era carregada pelo corredor. O contraste entre a força bruta de Kate e a delicadeza com que ela a segurava sempre fazia o coração de Julia acelerar.
Ao entrarem no quarto principal, Kate chutou a porta para fechá-la suavemente e depositou Julia no centro da cama de casal. A luz da lua filtrava-se pelas cortinas finas, banhando o quarto em tons de azul e prata.
Kate ficou de pé à beira da cama, retirando a camiseta de treino e revelando o físico atlético que Julia conhecia tão bem. O estresse do dia — as cobranças do técnico, a pressão da liga, o cansaço físico — parecia evaporar diante da visão da mulher à sua frente.
Julia sentou-se, os cabelos ruivos espalhados pelos ombros, observando cada movimento da russa. O desejo, que estivera dormente sob camadas de fraldas e responsabilidades, despertou com uma força avassaladora. Ela estendeu a mão, puxando Kate pela cintura da calça de moletom até que ela estivesse entre suas pernas.
— Kate — sussurrou Julia, a voz carregada de uma urgência que fez a loira estremecer.
— Sim? — Kate respondeu, passando as mãos grandes pelo rosto de Julia, polegares acariciando as maçãs do rosto.
Julia olhou para cima, a expressão brincalhona dando lugar a uma entrega total. A fidelidade que sentiam uma pela outra não era apenas um contrato, era uma fome física.
— Eu preciso que você me faça esquecer do mundo lá fora — disse Julia, puxando o rosto de Kate para baixo. — Me fode, Kate... eu quero sentir você. Tudo de você.
Kate travou por um segundo, os olhos dilatando. O estresse que a acompanhava durante todo o dia transformou-se em uma energia focada, uma intensidade que ela só direcionava para o que mais amava.
— Julia... — Kate murmurou contra os lábios dela, um aviso e uma promessa ao mesmo tempo.
— E me chupa — continuou Julia, a respiração errática, as mãos agora puxando a nuca de Kate com força. — Eu quero perder o fôlego. Eu quero que você me tire do chão de novo, mas de um jeito diferente.
Kate não precisou de mais nenhum convite. Ela atacou os lábios de Julia com uma fome que fora acumulada durante semanas de privação e foco total no novo membro da família. O beijo era profundo, explorador, uma conversa sem palavras entre duas atletas que conheciam os limites do corpo uma da outra e estavam prontas para ultrapassá-los.
— Você é minha — rosnou Kate entre os beijos, a sinceridade russa transbordando em cada sílaba.
— Sempre fui — respondeu Julia, jogando a cabeça para trás quando Kate desceu os lábios para o seu pescoço. — E você é minha. Então prove.
Naquela noite, entre as paredes silenciosas do apartamento, o vôlei, os treinos e o cansaço ficaram em segundo plano. Ali, eram apenas Julia e Kate, redescobrindo o território uma da outra com a mesma paixão e garra que demonstravam em quadra, mas com uma entrega que pertencia apenas à intimidade que haviam construído.
