
Ciúmes e tensão
Fandom: Vôlei
Criado: 07/09/2026
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Entre o Ciúme e o Desejo
O silêncio da mansão era quebrado apenas pelo som rítmico da sucção de Léo e pelos gritos abafados de diversão vindos do quintal, onde o irmão mais novo de Kate corria sob a luz do entardecer. Julia estava sentada no sofá, os cabelos ruivos levemente bagunçados, os olhos fixos no pequeno ser em seus braços. Mas sua mente não estava em paz. Ao seu lado, Ekaterina Antropova digitava algo no celular, a expressão concentrada e séria que sempre adotava.
— Julia, para de me olhar assim — disse Kate, sem desviar os olhos da tela. Sua voz era profunda, com aquele sotaque que Julia amava, mas que agora parecia apenas frio.
— Assim como? — Julia rebateu, a voz carregada de ironia. — Só estou esperando você terminar de dar atenção para a novata do time. Achei que o horário de treino já tivesse acabado.
Kate soltou um suspiro pesado, finalmente bloqueando o celular e encarando a esposa.
— É apenas sobre o posicionamento tático, Julia. Ela está perdida no sistema de defesa. Não comece com isso de novo.
— Ah, claro. O sistema de defesa. E precisa responder com emojis de coraçãozinho? — Julia se levantou, ajeitando Léo com cuidado, mas seus movimentos eram bruscos por causa da raiva. — Eu não quero ver você conversando com ela fora de quadra, Kate. Estou falando sério.
— Você está sendo irracional — Kate retrucou, levantando-se também. A diferença de altura entre as duas sempre impunha respeito, mas Julia não recuava. — Eu sou fiel a você. Você sabe disso. Por que esse ciúme doentio agora?
— Porque eu conheço o tipo dela! — Julia sentiu as lágrimas de frustração arderem. — E eu não vou ficar aqui assistindo você ser "atenciosa" demais.
Sem esperar resposta, Julia caminhou em direção ao quarto do bebê. Ela se trancou lá, acomodando-se na poltrona de amamentação, sentindo o peito apertado. Minutos depois, ouviu o som pesado da porta da frente batendo. Kate havia saído.
O tempo passou devagar. Julia alternava entre ninar Léo e remoer a briga. Quando a porta da frente abriu novamente, horas depois, Julia ainda estava no quarto do neném. Ela ouviu os passos firmes de Kate se aproximando. A loira entrou no quarto, o semblante ainda mais estressado do que antes.
— Onde você estava? — Julia perguntou, a voz baixa para não assustar o filho, mas cortante como uma lâmina. — Estava com ela? Aproveitou que eu "estou sendo irracional" para ir buscar consolo?
— Cala a boca, Julia — Kate sibilou, aproximando-se. — Eu fui dar uma volta para não explodir com você.
— Ah, que nobre da sua parte.
— Chega — Kate disse, a paciência se esgotando. Ela se aproximou da poltrona e, com uma agilidade que só uma atleta de elite teria, pegou Léo dos braços de Julia com uma delicadeza surpreendente, colocando-o no berço.
— O que você está fazendo? Ele ainda não dormiu direito... — Julia tentou protestar, mas foi interrompida quando Kate a segurou pelo pulso, puxando-a para fora do quarto.
— Nós vamos resolver isso agora — declarou a russa, levando Julia "à força" para o quarto do casal e trancando a porta atrás de si.
— Você ficou louca? — Julia tentou se soltar, mas Kate a prensou contra a porta.
— Louca estou eu de aguentar suas insinuações — Kate rosnou, o rosto a centímetros do de Julia. — Você sabe que eu sou sua. Sabe que eu não olho para mais ninguém. Por que você insiste em duvidar de mim?
Julia tentou retrucar, abrir a boca para lançar mais um comentário sarcástico, mas Kate não permitiu. Ela selou seus lábios em um beijo agressivo, possessivo, que calou qualquer protesto. A língua de Kate invadiu a boca de Julia com uma urgência que fez as pernas da ruiva fraquejarem.
— Você é minha, Julia — Kate murmurou contra seus lábios, a respiração ofegante. — E eu sou sua. Entendeu?
O ciúme de Julia se transformou instantaneamente em um desejo avassalador. Ela puxou a gola da camisa de Kate, colando seus corpos.
— Então prova — Julia sussurrou no ouvido de Kate, a voz rouca. — Me fode, Kate. Eu quero sentir você. Agora. Chupa para mim... faz o que você sabe fazer.
Kate não precisou de um segundo convite. Ela empurrou Julia para a cama, desfazendo-se das roupas com uma pressa febril. Quando Julia se viu nua sob o olhar intenso da loira, sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Kate se posicionou entre as pernas de Julia, seus dedos abrindo caminho antes que sua língua fizesse o mesmo.
Julia arqueou as costas quando sentiu o contato úmido e quente. Kate era precisa, usando a língua com uma força e ritmo que levaram Julia ao limite em poucos minutos.
— Mais, Kate... por favor — Julia implorava, as mãos cravadas nos lençóis.
Julia, em um surto de dominância, puxou Kate para cima e inverteu as posições, sentando-se no rosto da russa com agressividade, buscando o prazer máximo, movendo o quadril com força enquanto os gemidos altos começavam a escapar sem controle.
Foi nesse momento que o mundo exterior colidiu com a bolha das duas. O choro estridente de Léo ecoou pelo corredor, seguido por batidas persistentes na porta.
— Kate? Julia? O bebê está chorando e eu perdi o meu videogame — a voz do irmão mais novo de Kate soou do outro lado da porta, confusa e insistente.
Julia congelou, ainda por cima de Kate, a respiração pesada e o rosto corado. Kate soltou um rosnado de pura frustração, fechando os olhos e jogando a cabeça para trás no travesseiro.
— Droga — Kate resmungou.
— Eu vou lá — Julia disse, levantando-se apressada e vestindo um roupão. — Ele deve ter sentido a energia da briga... ou o barulho.
Kate se levantou, vestindo apenas uma calça de moletom, e abriu a porta. Ela deu uma explicação rápida e um tanto atravessada para o irmão, mandando-o voltar para o quarto, enquanto Julia corria para acalmar Léo.
Depois de quase quarenta minutos, Julia finalmente retornou ao quarto. Kate estava sentada na beira da cama, visivelmente irritada pela interrupção.
— Por que essa cara? — Julia perguntou, fechando a porta e deixando o roupão cair no chão.
— A gente estava quase lá, Julia.
— Eu sei — Julia sorriu, aproximando-se com um olhar predatório. — E eu vou tirar essa raiva de você agora.
Ela subiu novamente no colo de Kate, mas desta vez, a loira assumiu o controle. Kate deitou Julia e começou a fazer movimentos de subida e descida entre suas pernas, criando um atrito que fazia Julia ver estrelas. O ritmo era frenético, uma mistura de reconciliação e luxúria que durou até as primeiras horas da madrugada.
Quando o sol começou a despontar, a mansão estava finalmente em silêncio. Mas não por muito tempo.
Por volta das dez da manhã, a campainha tocou. Julia, ainda sonolenta e com o corpo dolorido da noite intensa, abriu a porta para encontrar Gabi Guimarães e Kisy, ambas com sorrisos radiantes.
— Bom dia, família! — Gabi entrou, já estendendo os braços para pegar Léo, que estava acordado no carrinho. — Cadê o meu afilhado lindo?
Kisy seguiu Gabi, rindo da empolgação da amiga. Enquanto Julia tentava organizar a sala e Kate aparecia na cozinha com o cabelo mais bagunçado do que o normal, o irmão de Kate desceu as escadas correndo.
— Gabi! — o menino exclamou. — Que bom que você chegou. Ontem a Kate e a Julia estavam trancadas no quarto e a Kate ficou brava porque eu bati na porta. Ela disse que elas estavam "resolvendo um problema tático de adultos".
O silêncio que se seguiu foi mortal. Julia sentiu o rosto queimar em um tom de vermelho que rivalizava com seu cabelo. Kate parou com a xícara de café no meio do caminho, olhando fixamente para o irmão.
Gabi olhou para Julia, depois para Kate, e um sorriso malicioso se abriu em seu rosto.
— Problema tático, é? — Gabi começou a rir, balançando Léo nos braços. — Sei bem que tipo de "tática" vocês estavam treinando. Pela cara da Julia, o treino foi intenso. Ela está até andando meio estranho.
— Gabi, cala a boca! — Julia exclamou, escondendo o rosto nas mãos.
— Ué, Julia, não precisa ficar brava — Kisy provocou, entrando na brincadeira. — A gente sabe que a Antropova é uma excelente "treinadora".
Kate apenas deu um gole no café, um pequeno sorriso de satisfação surgindo no canto dos lábios enquanto observava o embaraço da esposa. O ciúme da noite anterior parecia uma memória distante, substituído pela rotina caótica e cheia de amor que elas haviam construído, mesmo com as provocações das amigas e as interrupções da família.
