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Water

Fandom: Demon Slayer

Criado: 07/09/2026

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O Despertar da Curiosidade nas Águas Termais

O vapor subia em espirais preguiçosas, misturando-se à névoa natural que abraçava a montanha durante o crepúsculo. Genya Shinazugawa soltou um suspiro pesado, sentindo a tensão de seus músculos rígidos começar a se dissipar sob a carícia da água escaldante. Aos vinte anos, seu corpo era um mapa de cicatrizes e sacrifícios, uma estrutura imponente de ombros largos e mãos calejadas que ele, muitas vezes, sentia ser pesada demais para carregar.

As fontes termais eram seu único refúgio. Ali, no silêncio interrompido apenas pelo gotejar da água nas pedras, ele não precisava ser o caçador que comia demônios para sobreviver; podia ser apenas Genya. Ele fechou os olhos, encostando a nuca na borda de pedra lisa, deixando que o calor penetrasse até os ossos.

O silêncio, porém, foi quebrado pelo som suave de passos sobre o deque de madeira. Genya abriu um olho, o coração dando um salto involuntário.

Muichiro Tokito estava parado à beira da água. Aos dezoito anos recém-completados, o Hashira da Névoa parecia manter a mesma aura etérea de sempre. Seus longos cabelos escuros com pontas turquesa flutuavam levemente com a brisa, e seus olhos grandes e claros pareciam observar algo que ninguém mais conseguia ver. Sem dizer uma palavra, Muichiro começou a se despir com uma naturalidade que fez o rosto de Genya arder instantaneamente.

— T-Tokito? O que está fazendo aqui? — gaguejou Genya, afundando o corpo na água até o queixo.

Muichiro não respondeu de imediato. Ele entrou na água com movimentos fluidos, quase como se não tivesse peso, e nadou calmamente até parar a poucos centímetros de Genya. O espaço pessoal era um conceito que parecia não existir para o mais jovem.

— A água está boa — comentou Muichiro, inclinando a cabeça para o lado. Seus olhos, antes perdidos nas nuvens, agora focavam intensamente em Genya. — Você é muito grande, Genya.

O Shinazugawa sentiu o sangue subir para as orelhas.

— É... bem, eu sou alto, eu acho.

— Não é só a altura — continuou Muichiro, estendendo a mão para tocar o ombro de Genya, traçando a linha de uma cicatriz antiga. — Seus músculos são densos. Eu queria ter um corpo assim. O meu é... pequeno.

— É só treinamento, Tokito! — Genya exclamou, a voz saindo um pouco mais aguda do que pretendia. — Você é um Hashira, é muito mais forte do que eu, não precisa de músculos grandes para ser incrível.

Muichiro piscou, parecendo processar a informação, mas seu olhar desceu para a água, que era cristalina o suficiente para revelar as silhuetas abaixo da superfície.

— Tudo em você é muito grande — disse Muichiro com uma inocência desarmante, apontando para baixo. — Até ali. Por que é tão diferente do meu?

Genya quase engasgou com a própria saliva. Ele se encolheu, tentando esconder-se, mas a curiosidade de Muichiro era como uma força da natureza: imparável e desprovida de malícia.

— Tokito! Não se olha para essas coisas! — Genya cobriu o rosto com as mãos, sentindo-se o homem mais envergonhado do mundo.

— Por que não? — Muichiro perguntou, aproximando-se ainda mais. — Somos homens. É apenas anatomia. Mas a sua parece... impressionante.

A partir daquele dia, a rotina de Genya mudou drasticamente. O que antes era um momento de solidão tornou-se um jogo de resistência nervosa. Muichiro passou a frequentar a fonte sempre no mesmo horário que ele. E, com o passar das semanas, a curiosidade do Hashira da Névoa evoluiu de observações distantes para pedidos diretos que faziam Genya desejar que o chão se abrisse.

— Genya — chamou Muichiro certa noite, enquanto as estrelas começavam a pontilhar o céu. — Posso tocar?

— O quê?! — Genya quase saltou para fora da água. — Tocar no quê?

— No seu membro — respondeu Muichiro, com a mesma calma de quem pergunta sobre a previsão do tempo. — Eu quero entender como algo pode ser tão grande e por que o seu corpo reage de forma diferente quando eu chego perto.

— Não! Absolutamente não! — Genya saiu da fonte às pressas, enrolando-se na toalha com as mãos trêmulas. — Isso é... isso é íntimo, Tokito! Você não pode simplesmente pedir isso!

Muichiro apenas o observou partir, com aquela expressão de quem estava tentando resolver um quebra-cabeça cujas peças não faziam sentido.

Os dias se transformaram em semanas. Genya tentou mudar seu horário, mas Muichiro sempre o encontrava. O Hashira não era agressivo; ele era persistente em sua busca por conhecimento. Para Muichiro, que passara tanto tempo com a mente fragmentada, entender o mundo físico ao seu redor era uma forma de se aterrar. E Genya, com suas reações explosivas e seu coração bondoso, era a coisa mais real que ele conhecia.

Em uma noite particularmente quente, o ar estava carregado com o cheiro de jasmim e terra úmida. Genya estava sentado na borda da fonte, as pernas mergulhadas na água, quando Muichiro apareceu. O jovem de dezoito anos não disse nada, apenas sentou-se ao lado dele, ombro a ombro.

— Você ainda está bravo comigo? — perguntou Muichiro, olhando para as próprias mãos pequenas sobre os joelhos.

Genya suspirou, o peito subindo e descendo com força. Ele olhou para Muichiro e viu, pela primeira vez, uma sombra de dúvida naqueles olhos claros. Não era apenas curiosidade clínica; era um desejo de conexão que Muichiro não sabia expressar de outra forma.

— Eu não estou bravo, Tokito. Só... é difícil para mim. Eu fico nervoso perto de você.

— Por quê? Eu sou pequeno. Você poderia me esmagar se quisesse.

Genya soltou uma risada nervosa, passando a mão pelos cabelos raspados nas laterais.

— É exatamente por você ser assim que eu fico nervoso. Você é... você é importante para mim. E o que você pede... é algo que as pessoas só fazem quando gostam muito uma da outra. De um jeito especial.

Muichiro inclinou a cabeça, processando as palavras.

— Eu gosto de você, Genya. Você é quente e cheira a pólvora e sol. Eu gosto de estar perto de você. Isso é especial?

O coração de Genya deu um solavanco tão forte que ele teve certeza de que Muichiro poderia ouvi-lo. Ele olhou para o rosto jovem, para a pele alva que parecia brilhar sob o luar, e sentiu sua resistência desmoronar. Ele estava cansado de fugir, cansado de se sentir envergonhado por algo que, no fundo, ele também desejava experimentar com a pessoa que não saía de seus pensamentos.

— Tudo bem — sussurrou Genya, tão baixo que quase foi abafado pelo som da água.

— Tudo bem o quê? — perguntou Muichiro, piscando.

— Eu deixo. Você pode... você pode tocar.

O brilho que surgiu nos olhos de Muichiro foi imediato. Ele não perdeu tempo. Aproximou-se, deslizando para dentro da água e ficando de joelhos entre as pernas de Genya, que ainda estava sentado na borda. A proximidade era elétrica. Genya sentia o calor emanando do corpo menor, o contraste entre sua pele bronzeada e a palidez de Muichiro.

— Tem certeza? — Muichiro perguntou, sua mão hesitando na superfície da água.

— Tenho. Só... seja gentil, por favor.

Muichiro assentiu seriamente. Ele mergulhou a mão, e o primeiro contato fez Genya soltar um arquejo alto, suas mãos agarrando-se à borda de pedra com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

— É tão quente — murmurou Muichiro, seus dedos fechando-se com curiosidade. — E está mudando. Está ficando mais firme.

— Isso... isso acontece porque você está tocando — explicou Genya, a voz embargada, fechando os olhos para tentar manter o controle. — É uma reação do corpo.

— É fascinante — disse Muichiro. Ele começou a mover a mão, explorando a textura e o peso, seus olhos fixos na expressão de Genya. — Você está sentindo dor? Sua respiração está pesada.

— Não é dor, Tokito... — Genya inclinou a cabeça para trás, o vapor da fonte misturando-se ao suor em sua testa. — É... bom. É muito bom.

Muichiro inclinou-se para frente, a curiosidade agora misturada com uma descoberta nova e vibrante. Ele usou a outra mão para acariciar a coxa de Genya, maravilhando-se com a firmeza dos músculos.

— Eu quero ver — pediu Muichiro. — Quero ver como fica.

Genya, em um transe de prazer e entrega, permitiu que Muichiro o guiasse. Quando o membro de Genya rompeu a superfície da água, a luz da lua o iluminou, revelando a reação plena ao toque do Hashira. Muichiro soltou um pequeno som de surpresa, uma exclamação suave que fez Genya vibrar.

— É lindo — disse Muichiro com total sinceridade. — Parece cheio de vida.

— Tokito... eu... — Genya não conseguia formar frases completas. A sensação dos dedos finos e ágeis de Muichiro movendo-se sobre ele era mais do que ele jamais imaginara.

Muichiro, percebendo a intensidade do momento, começou a mover a mão em um ritmo mais constante, instintivamente seguindo os sons que escapavam da garganta de Genya. Ele estava aprendendo, como sempre fazia com tudo na vida, com uma velocidade impressionante.

— Genya, seu coração está batendo muito rápido — observou Muichiro, aproximando o rosto do peito do mais velho, sentindo a vibração através da pele.

— Eu vou... eu não vou conseguir aguentar muito mais — avisou Genya, a voz falhando.

— O que acontece depois? — Muichiro perguntou, sem parar o movimento.

— Você vai ver... apenas... não pare.

E Muichiro não parou. Ele observou com olhos bem abertos e atentos quando Genya finalmente atingiu o seu limite, o corpo do Shinazugawa retesando-se completamente antes de relaxar em um tremor profundo. O líquido branco misturou-se à água da fonte e à mão de Muichiro, que olhava para aquilo com uma expressão de puro assombro.

O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Genya estava ofegante, a cabeça baixa, tentando recuperar os sentidos enquanto a realidade do que acabara de acontecer se assentava. Muichiro, por outro lado, começou a lavar a mão na água de forma calma, mas seus olhos nunca deixaram Genya.

— Então é isso o que acontece quando se gosta de alguém de um jeito especial? — perguntou Muichiro.

Genya finalmente olhou para ele, o rosto ainda vermelho, mas com um sorriso tímido e genuíno nos lábios.

— É uma parte disso. A parte física.

Muichiro subiu novamente para a borda, sentando-se ao lado de Genya e encostando a cabeça em seu ombro largo.

— Eu entendo agora. É como se tudo ficasse mais claro por um momento. Como se a névoa sumisse.

Genya passou o braço pelos ombros de Muichiro, puxando-o para perto. Pela primeira vez, ele não se sentiu nervoso ou bobo. Ele se sentiu necessário.

— Você quer que eu faça em você? — perguntou Genya, a voz agora carregada de um novo tipo de ternura.

Muichiro olhou para cima, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios, algo raro e precioso.

— Amanhã. Hoje eu quero apenas ficar aqui e ouvir seu coração desacelerar.

E assim, sob o manto de estrelas e o calor das águas, a distância entre o gigante de coração mole e o mestre das nuvens desapareceu, dando lugar a uma descoberta que nenhum treinamento ou batalha poderia ensinar. Nas noites seguintes, as fontes termais não seriam apenas um lugar de banho, mas o cenário onde dois mundos diferentes aprendiam a se tornar um só.

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