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Fandom: Demon Slayer
Criado: 07/09/2026
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O Veneno de Sangue e a Geada do Desejo
O ar dentro da caverna estava saturado com um cheiro metálico e adocicado, uma fragrância doentia que parecia vibrar contra as paredes de pedra úmida. Do lado de fora, o desmoronamento causado pela técnica de sangue do Oni selara a única saída, deixando os três Hashiras mergulhados em uma penumbra quebrada apenas por raros feixes de luar que filtravam por frestas impossíveis de atravessar.
Sanemi Shinazugawa desferiu um soco violento contra a parede de rocha, os nós dos dedos sangrando, mas ele mal parecia sentir a dor física. Sua respiração estava pesada, errática, e suas veias saltavam não apenas pelo esforço, mas por algo que queimava em seu sangue como ácido.
— Aquele maldito... — rosnou Sanemi, a voz falhando em um tom perigosamente baixo. — Que tipo de truque sujo foi aquele?
Obanai Iguro estava encostado em uma estalagmite, a mão apertando o cabo de sua nichirin com tanta força que os dedos estavam brancos. Kaburamaru, sua serpente, estava agitada em seu pescoço, sentindo a mudança drástica na temperatura corporal de seu mestre. Obanai sentia o corpo pesado, uma dormência quente subindo pelas pernas e se concentrando em seu ventre. Ele tentava manter a compostura, mas seus olhos heterocrômicos estavam dilatados, brilhando na escuridão.
— É um feitiço de sangue — disse Obanai, a voz saindo mais fraca do que ele pretendia. — O pó que ele soltou antes de morrer... não era veneno mortal. É algo que ataca os instintos.
A poucos passos deles, Giyu Tomioka permanecia imóvel. Seu rosto, geralmente uma máscara de indiferença gélida, estava levemente corado. Ele mantinha os olhos fixos no chão, mas seus ombros subiam e desciam em um ritmo acelerado. O silêncio de Tomioka, que normalmente irritava Sanemi, agora parecia ter um peso diferente, uma tensão que puxava todos para o mesmo centro gravitacional.
— Ei, Tomioka! — Sanemi virou-se bruscamente, o rosto retorcido em uma mistura de raiva e desejo incontrolável. — Diga alguma coisa, droga! Você está sentindo isso também, não está?
Tomioka ergueu o olhar lentamente. O azul profundo de seus olhos parecia ter se tornado um oceano em tempestade.
— Sim — respondeu Tomioka, a voz rouca. — Meu corpo... parece que está pegando fogo.
— Precisamos nos concentrar na respiração — sugeriu Obanai, embora ele mesmo estivesse deslizando as costas pela pedra até se sentar no chão, incapaz de sustentar o próprio peso. — Se controlarmos o fluxo sanguíneo... talvez...
— Não adianta! — Sanemi interrompeu, dando um passo instável em direção a Obanai. — A Respiração da Concentração Total só faz o sangue circular mais rápido. Isso só está piorando a situação.
O ambiente ficou subitamente mais apertado. O calor que emanava dos três homens parecia colidir no espaço confinado. Sanemi olhou para Obanai, vendo a vulnerabilidade que o Hashira da Serpente raramente mostrava. A máscara de Obanai parecia sufocá-lo, e ele a puxou levemente para baixo, revelando as cicatrizes nos cantos da boca. Aquela visão, em qualquer outro contexto, seria apenas um detalhe, mas sob o efeito do feitiço, agiu como um gatilho para a agressividade latente de Sanemi.
— Você está horrível, Iguro — provocou Sanemi, aproximando-se mais, a voz carregada de uma urgência brutal.
— Cale a boca, Shinazugawa — rebateu Obanai, embora não houvesse força real em seu insulto. Ele sentiu a presença de Sanemi sobre si, o cheiro de suor e adrenalina do outro Hashira agindo como um afrodisíaco potente.
Tomioka, observando a interação, sentiu uma pontada de algo que não conseguia identificar. Ele deu um passo à frente, a mão alcançando o ombro de Sanemi para afastá-lo, ou talvez para se aproximar.
— Sanemi, pare — disse Tomioka, mas sua mão permaneceu no ombro do Hashira do Vento, os dedos apertando o tecido do uniforme.
Sanemi virou-se para Tomioka com a velocidade de um predador.
— O que foi? Vai me dizer o que fazer agora, Tomioka? — Sanemi agarrou o pulso de Tomioka, puxando-o para perto. — Você está tremendo. O grande Hashira da Água está tremendo por causa de um feitiço de merda.
— Eu não sou o único — retrucou Tomioka, seus olhos fixos nos de Sanemi.
A tensão quebrou. Não houve mais palavras, apenas o som da respiração pesada e o atrito de tecidos. Sanemi empurrou Tomioka contra a parede da caverna, mas o Hashira da Água não recuou; em vez disso, ele envolveu o pescoço de Sanemi com os braços, puxando-o para um beijo desordenado e violento, movido puramente pela necessidade química imposta pelo Oni.
Obanai, assistindo à cena, soltou um gemido baixo que tentou abafar com a mão. A visão dos dois lutando e se desejando ao mesmo tempo era demais para seus sentidos sobrecarregados. Ele sentiu uma mão forte em seu cabelo. Era Sanemi, que se afastara de Tomioka por um segundo para puxar Obanai para o meio daquele caos de sensações.
— Você não vai ficar olhando, Iguro — rosnou Sanemi, a voz vibrando contra o ouvido de Obanai.
Sanemi era a força bruta, o motor daquela interação. Ele começou a despojar-se de suas camadas de uniforme com impaciência, suas mãos grandes e calejadas vagando pelo corpo de Obanai, que arqueava as costas a cada toque. Obanai era silencioso em seu prazer, seus dedos cravando-se nos ombros de Sanemi, os olhos fechados enquanto tentava processar a sobrecarga sensorial.
Tomioka, por outro lado, movia-se com uma fluidez surpreendente. Ele se posicionou atrás de Sanemi, suas mãos descendo pelo peito cicatrizado do Hashira do Vento. Havia uma dualidade em Giyu; ele podia ser a rocha contra a qual as ondas quebravam, mas também podia ser a própria maré que engolia tudo.
— Shinazugawa — sussurrou Tomioka, sua voz fria agora substituída por um tom aveludado e urgente.
Sanemi soltou uma risada rouca, uma mistura de escárnio e luxúria.
— Façam o que quiserem, seus desgraçados. Só não parem.
O encontro foi um choque de elementos. Sanemi dominava o espaço com sua energia explosiva, focando sua atenção em Obanai, que se entregava àquela intensidade com uma passividade faminta. Obanai, sempre tão contido e reservado, agora era um emaranhado de reações viscerais, respondendo a cada toque de Sanemi com tremores que percorriam todo o seu corpo magro.
Tomioka agia como o equilíbrio entre os dois. Ele se permitia ser levado pelo ritmo de Sanemi, mas também ditava seus próprios termos quando envolvia Obanai em carícias mais lentas e deliberadas, contrastando com a pressa de Shinazugawa. A dinâmica entre eles mudava constantemente; ora Tomioka era quem recebia a atenção agressiva de Sanemi, ora ele era quem guiava Obanai através do nevoeiro de prazer que o feitiço havia criado.
— Isso... — Obanai arquejou, a cabeça jogada para trás contra o peito de Tomioka enquanto Sanemi o possuía com uma ferocidade quase animal. — Isso é culpa do Oni...
— Esqueça o Oni — disse Tomioka, sua voz ressoando contra as costas de Obanai enquanto ele beijava a nuca do Hashira da Serpente. — Agora somos apenas nós.
Sanemi rosnou, aumentando o ritmo, suas mãos prendendo os quadris de Obanai com uma força que certamente deixaria marcas.
— Olhe para mim, Iguro! — ordenou Sanemi.
Obanai abriu os olhos, encontrando o olhar selvagem de Sanemi. Naquele momento, a raiva mútua que muitas vezes permeava suas reuniões de Hashiras havia se transformado em algo combustível, uma conexão puramente física que queimava qualquer resquício de hesitação.
O tempo na caverna parecia ter parado. As horas passavam, mas para eles, existia apenas o calor dos corpos, o som dos gemidos abafados e o eco dos nomes uns dos outros sendo chamados em súplicas desesperadas. Tomioka, em um momento de transição, viu-se sob Sanemi, aceitando a força do outro com uma resiliência silenciosa, seus olhos azuis nunca deixando os de Shinazugawa, desafiando-o e convidando-o ao mesmo tempo.
— Você é sempre tão... irritante — rosnou Sanemi, embora seus movimentos fossem quase possessivos ao envolver Tomioka.
— E você é sempre tão barulhento — respondeu Tomioka, um leve sorriso de canto surgindo em seus lábios antes de ser silenciado por um beijo bruto de Sanemi.
Obanai, recuperando o fôlego por um breve instante, observou os dois. A frieza de Tomioka e a fúria de Sanemi se fundiam em algo que ele nunca imaginou presenciar. Ele se aproximou novamente, integrando-se ao ritmo deles, sentindo-se completo pela primeira vez em meio àquele caos induzido por magia.
Quando o efeito do feitiço finalmente começou a diminuir, deixando apenas uma exaustão profunda e o suor esfriando sobre a pele, o silêncio retornou à caverna. Mas não era o mesmo silêncio de antes. Era um silêncio carregado de uma compreensão tácita e pesada.
Sanemi foi o primeiro a se afastar, sentando-se contra a parede oposta e tentando recompor suas vestes rasgadas. Ele não olhava para os outros, mas sua respiração ainda estava pesada.
— Se alguém... — começou Sanemi, a voz áspera — ...se alguém souber disso, eu mato os dois.
Obanai, ajustando sua máscara com as mãos trêmulas, apenas assentiu. Ele se sentia drenado, mas a agitação que o consumia havia desaparecido, substituída por uma calma melancólica.
Tomioka permaneceu deitado por mais um momento, olhando para o teto da caverna. Ele se levantou lentamente, limpando o sangue de um pequeno corte no lábio.
— O sol deve estar nascendo — disse Tomioka, sua voz retornando ao tom monótono habitual, embora houvesse uma suavidade imperceptível nela. — Os outros Hashiras virão nos procurar se não sairmos logo.
Sanemi levantou-se com um grunhido, chutando algumas pedras soltas.
— Vamos sair daqui. Eu não aguento mais o cheiro deste lugar.
Eles trabalharam juntos para remover os escombros da entrada, usando suas formas de respiração para abrir caminho. Quando a primeira luz do amanhecer atingiu seus rostos, nenhum deles comentou sobre as marcas nos pescoços ou o brilho diferente em seus olhares.
Eles eram pilares da humanidade, guerreiros destinados a morrer lutando contra demônios. Mas, naquela noite, nas profundezas de uma caverna esquecida, eles haviam sido apenas três homens, unidos por um veneno que revelou o que a disciplina e o dever tentavam esconder.
Enquanto caminhavam de volta para a sede do Esquadrão, Sanemi à frente, Obanai e Tomioka logo atrás, a distância entre eles parecia a mesma de sempre. No entanto, quando o vento soprava mais forte, Sanemi podia jurar que ainda sentia o rastro do perfume de Tomioka e o calor do toque de Obanai, uma lembrança gravada em seus instintos que nenhum treinamento jamais seria capaz de apagar.
