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Fandom: Nenhum

Criado: 08/09/2026

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RomanceDramaAngústiaPsicológicoNoir GóticoGravidez Não Planejada/IndesejadaCiúmesEstudo de PersonagemKinofic
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Entre Sombras e Segredos

O set de Sleepy Hollow estava mergulhado em uma névoa artificial que se misturava à umidade real das florestas inglesas. O ar era espesso, carregado com o cheiro de turfa molhada e o aroma metálico das máquinas de fumaça. Sob a iluminação difusa e azulada de Tim Burton, o mundo parecia suspenso em um sonho gótico.

Johnny Depp, caracterizado como o meticuloso e nervoso Ichabod Crane, ajustava seus óculos de lentes múltiplas, mas seus olhos não estavam focados no roteiro. Eles seguiam Christina Ricci. Aos dezenove anos, Christina possuía uma gravidade que desafiava sua idade. Ela flutuava pelo set em seus pesados vestidos de época, a pele pálida brilhando sob a luz da lua cenográfica, os olhos grandes e expressivos capturando cada nuance do ambiente com uma inteligência afiada.

Para Johnny, a linha entre a ficção e a realidade havia se tornado perigosamente tênue.

— Você está perdida em pensamentos de novo, Katrina — murmurou Johnny, aproximando-se dela. A voz dele era baixa, um barítono suave que fazia a espinha de Christina vibrar.

Christina virou-se, um sorriso irreverente brincando nos lábios. Ela não tinha medo dele, nem da sua fama, nem da diferença de idade de dezessete anos. Ela o via de uma forma que poucos conseguiam.

— Apenas pensando que este lugar é muito mais real do que o mundo lá fora — respondeu ela, a voz carregada de uma maturidade irônica. — Lá fora é onde as coisas ficam complicadas, Johnny.

Ele deu um passo à frente, ignorando o burburinho da equipe técnica que preparava a próxima cena. Sua mão tocou levemente o braço de Christina, um gesto que carregava uma intimidade que não pertencia apenas a colegas de trabalho.

— Às vezes o que é "complicado" é apenas o que estamos tentando evitar — disse ele, os olhos castanhos fixos nos dela.

Naquele momento, Johnny não via apenas a talentosa atriz à sua frente. Ele via a mulher que o fazia rir com comentários ácidos sobre a indústria, a pessoa que entendia seu silêncio e sua excentricidade. Ele a tratava com uma reverência que já havia ultrapassado o profissionalismo. Para todos no set, era óbvio: Christina era a sua prioridade, sua protegida, sua musa.

Mas a realidade, fria e persistente, tinha um nome e um rosto que Johnny conhecia há anos: Winona.

Enquanto o romance proibido florescia entre as árvores retorcidas de Sleepy Hollow, a quilômetros dali, Winona Ryder enfrentava seu próprio inverno particular. A notícia de que havia perdido o papel em Shakespeare Apaixonado para Gwyneth Paltrow ainda ardia como uma ferida aberta. Para uma mulher de sua sensibilidade, a rejeição profissional era apenas o começo.

Winona estava grávida de cinco meses. A pequena saliência em seu ventre, que ela acariciava com dedos trêmulos, era a prova viva de um vínculo que ela acreditava ser indestrutível. Mas o silêncio de Johnny ao telefone e as respostas curtas nas cartas diziam outra coisa.

Uma semana depois, Winona decidiu que não podia mais suportar a distância. Ela viajou para a Inglaterra, carregando consigo a fragilidade de quem sabe que o chão está prestes a sumir.

Quando Winona chegou ao set, o clima mudou instantaneamente. A leveza que Johnny exibia ao lado de Christina evaporou, substituída por uma cortesia tensa e reservada.

— Johnny? — Winona chamou, a voz pequena, enquanto entrava no trailer dele. Ela usava um casaco largo para esconder a barriga, mas seus olhos grandes e tristes entregavam tudo.

Johnny, que estava sentado lendo algumas notas, levantou-se rapidamente. O conflito era visível em seu rosto. Ele queria terminar. Ele precisava ser honesto. Mas como dizer a uma mulher que acabara de perder um sonho profissional e carregava sua filha que seu coração pertencia a uma jovem de dezenove anos?

— Winona... você não deveria ter viajado nesse estado — disse ele, aproximando-se para beijar sua testa, um gesto que parecia mais fraternal do que romântico.

— Eu precisava ver você — disse ela, segurando a mão dele e colocando-a sobre sua barriga. — Ela está se mexendo muito hoje. Acho que ela sente sua falta.

Johnny sentiu um aperto no peito. A culpa era um peso físico.

— Eu tenho trabalhado muito, o cronograma de Tim é insano — justificou ele, desviando o olhar.

— Ouvi dizer que a pequena Christina está sendo uma ótima parceira de cena — disse Winona, o tom de voz mudando sutilmente. Havia um veneno contido na palavra "pequena".

— Ela é brilhante — respondeu Johnny, com uma rapidez que não passou despercebida.

A tensão atingiu o ápice durante o jantar daquela noite, organizado pela produção em um hotel próximo. Winona, sentada ao lado de Johnny, observava Christina do outro lado da mesa. Christina, por sua vez, não se encolhia. Ela sustentava o olhar de Winona com uma confiança que beirava a insolência.

— Então, Christina — começou Winona, forçando um sorriso elegante —, deve ser uma experiência e tanto para alguém da sua idade trabalhar com o Johnny. Ele tem tanto a ensinar... como um mentor.

Christina tomou um gole de seu vinho, os olhos brilhando com um humor perverso.

— Oh, ele é um professor incrível, Winona — respondeu Christina, enfatizando o nome da outra. — Mas acho que o que temos é mais uma troca mútua. Nós nos entendemos em níveis que não precisam de muitas explicações.

O silêncio que se seguiu foi cortante. Johnny mexeu-se desconfortavelmente na cadeira.

— O trabalho está sendo intenso para todos — interrompeu Johnny, tentando suavizar o clima. — Winona, você está cansada. Talvez devêssemos subir.

— Eu estou bem, Johnny — rebateu Winona, a voz tremendo levemente. — Só estou tentando conhecer melhor a sua... protegida.

Mais tarde, nos corredores do hotel, o confronto inevitável aconteceu. Johnny havia saído para buscar água para Winona, e Christina estava encostada na parede perto do elevador, esperando por ele.

— Você não pode continuar fazendo isso, Johnny — disse Christina, sem rodeios, quando o viu se aproximar.

— Fazendo o quê? — perguntou ele, embora soubesse perfeitamente.

— Fingindo que ela é a única. Você me trata como se eu fosse sua mulher quando estamos sozinhos, ou até mesmo no set. E depois, quando ela aparece, você se esconde atrás dessa fachada de bom moço.

— Ela está grávida, Christina! — sussurrou Johnny, a voz rouca de desespero. — Ela perdeu o papel da vida dela. Ela está frágil. Eu não posso simplesmente destruí-la agora.

— E quanto a mim? — Christina deu um passo à frente, sua presença preenchendo o espaço. — Eu não sou uma criança, Johnny. E não vou ser o seu segredinho sujo enquanto você brinca de casinha por piedade.

Johnny encostou a testa na dela, fechando os olhos.

— Não é piedade. É responsabilidade. Mas o que eu sinto por você... é a única coisa que me mantém são neste lugar.

Nesse momento, a porta do quarto de Johnny e Winona se abriu. Winona apareceu no corredor, pálida, a mão apoiada na porta para se equilibrar. Ela viu a proximidade dos dois, a intimidade inegável na postura de Johnny, a forma como ele parecia gravitar em torno de Christina.

— Johnny? — a voz de Winona saiu como um sopro.

Ele se afastou de Christina como se tivesse levado um choque, mas era tarde demais. O olhar que Winona lançou a Christina era de puro desprezo e dor, enquanto o olhar de Christina para Winona era de uma fria determinação.

— Eu sabia — murmurou Winona, as lágrimas começando a rolar. — Eu senti o cheiro dela em você, Johnny. Eu vi o jeito que você olha para ela.

— Winona, por favor, vamos entrar — pediu Johnny, tentando se aproximar.

— Não toque em mim! — gritou ela, a voz ecoando pelo corredor vazio. — Você a trata como se ela fosse a pessoa mais importante do mundo. E eu? E a sua filha?

Christina, mantendo sua postura irreverente mesmo diante do caos, cruzou os braços.

— Talvez seja hora de você parar de mentir para todos, Johnny — disse ela calmamente. — Especialmente para si mesmo.

Winona virou-se para Christina, o rosto transfigurado pela raiva e pela tristeza.

— Você é apenas uma menina, Christina. Você acha que entende ele? Você acha que essa... essa "conexão" de set vai durar? Você é apenas a novidade.

— Posso ser a novidade — retrucou Christina, com um sorriso triste e afiado —, mas sou a única que ele não está tentando evitar.

Johnny sentiu-se dividido entre dois mundos. De um lado, o passado, a lealdade e a vida que ele havia construído com Winona, agora simbolizada pela criança que estava a caminho. Do outro, a eletricidade, a compreensão profunda e a paixão avassaladora que sentia por Christina.

— Chega! — exclamou Johnny. — Winona, vamos conversar lá dentro. Christina... por favor, vá para o seu quarto.

Christina olhou para Johnny por um longo momento, uma centelha de decepção cruzando seus olhos expressivos.

— Boa noite, Ichabod — disse ela, usando o nome do personagem como um lembrete de que, para ela, a realidade e a fantasia eram indistinguíveis.

Ela se virou e caminhou pelo corredor, o som de seus passos ecoando com uma confiança que Winona nunca conseguiria fingir naquele momento.

Dentro do quarto, o silêncio era sufocante. Winona sentou-se na beira da cama, abraçando o próprio ventre como se protegesse o bebê da tempestade que se formava.

— Você a ama? — perguntou ela, sem olhar para ele.

Johnny parou junto à janela, observando a névoa inglesa lá fora. Ele pensou na inteligência espontânea de Christina, no jeito como ela o desafiava, na maneira como a pele dela parecia brilhar sob a luz do set. E depois pensou em Winona, na história que compartilhavam, na fragilidade que ele sempre sentiu necessidade de proteger.

— Eu não sei mais o que sinto — confessou ele, a voz mal audível. — Mas eu sei que não posso continuar fingindo que as coisas são as mesmas.

— Eu perdi tudo este ano, Johnny — disse Winona, a voz embargada. — Perdi meu papel, perdi minha autoconfiança... não me diga que perdi você para uma garota de dezenove anos que faz piadas sobre o quão sombrio o mundo é.

— Não é sobre a idade dela, Winona. É sobre como eu me sinto quando estou com ela. Eu me sinto... vivo. De um jeito que não me sentia há anos.

Winona levantou-se, a dignidade lutando contra o desespero.

— Ela não gosta de você, Johnny. Ela gosta do que você representa. Ela é jovem e irreverente, e você é o troféu dela.

— Você está errada — disse ele, virando-se para ela. — Ela me conhece melhor do que qualquer pessoa neste set.

— E eu? Eu não te conheço? Eu carrego sua filha! — Winona gritou, a dor finalmente explodindo. — Você a trata como sua mulher na frente de todos! Você acha que eu não ouço os sussurros?

Johnny fechou os olhos. Ele sabia que ela tinha razão. Ele havia sido imprudente. Ele havia permitido que seu amor por Christina transbordasse de uma forma que humilhava Winona.

— Eu sinto muito — disse ele, e as palavras soaram vazias até para seus próprios ouvidos.

— "Sinto muito" não salva uma família, Johnny.

Naquela noite, o set de Sleepy Hollow parecia mais assombrado do que nunca. Christina estava em seu quarto, lendo um livro de poesias sombrias, o coração batendo em um ritmo de antecipação e melancolia. Ela sabia que Johnny viria. Ele sempre vinha.

E, de fato, horas depois, uma batida suave soou em sua porta.

Quando ela abriu, Johnny estava lá, parecendo exausto, o peso do mundo em seus ombros. Sem dizer uma palavra, ele entrou e a envolveu em um abraço apertado.

— Ela sabe — sussurrou ele contra o cabelo dela.

— Eu sei que ela sabe — respondeu Christina, afastando-se para olhar nos olhos dele. — E agora? O que você vai fazer?

Johnny tocou o rosto de Christina, traçando o contorno de sua mandíbula com o polegar.

— Eu não posso deixá-la agora. Não com o bebê. Mas eu não consigo ficar longe de você.

Christina soltou um suspiro curto, um riso sem humor.

— Então somos isso? Um clichê? O ator veterano, a esposa grávida e a jovem amante?

— Você nunca será apenas uma amante para mim, Christina. Você é a minha Katrina. Você é a luz no meio dessa névoa toda.

Ele a beijou com uma intensidade que falava de desespero e desejo. Christina correspondeu, embora uma parte de sua mente brilhante e analítica soubesse que aquilo só terminaria em cinzas.

Enquanto isso, em outro quarto, Winona Ryder olhava para o teto, sentindo os movimentos da filha em seu ventre. Ela sabia que a batalha por Johnny Depp estava apenas começando, e que a pequena Christina Ricci, com seu rosto delicado e alma de ferro, seria a adversária mais formidável que ela já enfrentara.

A névoa de Sleepy Hollow não estava apenas no set. Ela havia se infiltrado na vida de todos eles, obscurecendo o caminho entre o que era certo e o que o coração, em sua egoísta e brilhante loucura, exigia. E no centro de tudo, Johnny Depp, o homem que amava duas mulheres de mundos opostos, enquanto o Cavaleiro Sem Cabeça da realidade se aproximava para cobrar seu preço.

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