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Família,amor,ciúmes e união

Fandom: Vôlei

Criado: 08/09/2026

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Fogo no Saque e Caos na Cozinha

A cozinha da casa das "Bergmova" — como Gabriella carinhosamente apelidara o casal — parecia uma zona de guerra onde o cheiro de manjericão e massa assada tentava, sem sucesso, mascarar a tensão no ar. Julia Bergmann, com seus fios ruivos presos em um coque desleixado e a expressão fechada que faria qualquer atacante adversária tremer, tentava equilibrar uma cortadora de pizza enquanto lançava olhares mortais para a sala de estar.

No tapete da sala, o pequeno Léo, um ruivinho de apenas um ano que herdara a cor de cabelo de Julia e a teimosia de Ekaterina, soltava um grito agudo de protesto. Ele acabara de puxar o rabo de cavalo de Nicolas, o irmão mais novo de Antropova, que estava estirado no sofá tentando ignorar o caos.

— Nicolas! — a voz de Julia ecoou, firme. — Eu já falei para você não deixar ele puxar seu cabelo, ele vicia nisso e depois sobra para mim na hora de dormir!

— Mas ele é um monstro minúsculo, Julia! — Nicolas reclamou, tentando desvencilhar os dedos gordinhos de Léo de seus fios loiros. — Ele tem a força de uma levantadora russa e o temperamento de uma central alemã. O que você quer que eu faça?

Ekaterina Antropova entrou no recinto carregando duas garrafas de vinho. Alta, loira e com aquela aura de paciência infinita que só quem convivia com Julia Bergmann conseguia desenvolver, ela suspirou ao ver a cena.

— Nicolas, pare de reclamar e ajude o seu sobrinho a sentar — disse Kate, sua voz calma contrastando com o barulho de pratos que Julia fazia na cozinha. — E Julia, querida, a pizza vai queimar se você continuar encarando o forno desse jeito.

— Eu não estou encarando o forno, Kate! — Julia exclamou, virando-se com a espátula na mão. — Eu estou encarando o fato de que seu irmão trouxe esse humor de "adolescente incompreendido" para a nossa noite de folga. E o Léo está impossível hoje!

— Ele só tem um ano, amor — Kate ponderou, aproximando-se da esposa e deixando um beijo rápido em sua têmpora. — Ele sente a sua agitação. Respire.

A campainha tocou, interrompendo o início de uma discussão. Gabriella, a amiga inseparável e a personificação do caos alegre, entrou sem esperar ser convidada. Seus cachos pretos balançavam enquanto ela carregava um pacote de cervejas e um sorriso travesso.

— Chegou a alegria desta casa! — Gabi anunciou, ignorando o clima pesado. — Credo, que caras são essas? Parece que perderam a final da Champions. Cadê o meu ruivinho favorito?

Léo, ao ouvir a voz de Gabi, soltou Nicolas e engatinhou o mais rápido que suas perninhas permitiam em direção à "tia". Gabi o pegou no colo, enchendo-o de beijos, o que fez o bebê gargalhar, dissipando um pouco da nuvem cinzenta sobre Julia.

A noite das pizzas começou oficialmente, mas a paz durou pouco. Enquanto Nicolas levava outra bronca — desta vez de Kate, por ter deixado Léo derrubar molho de tomate no tapete branco —, Gabi decidiu que o ambiente estava "morno demais".

— Então, meninas — Gabi começou, servindo-se de uma fatia de calabresa —, como está a vida de casadas? Julia ainda tem crises de ciúmes quando a Kate recebe mensagens de "fãs" no Instagram?

Julia parou com a fatia de pizza no meio do caminho para a boca. Seus olhos verdes faiscaram.

— Eu não tenho crises de ciúmes, Gabriella. Eu apenas prezo pelo respeito.

— Ah, claro — ironizou Nicolas, recuperando o fôlego após a bronca da irmã. — Foi por "respeito" que você quase quebrou o celular da Kate semana passada porque uma oposta turca mandou um emoji de coração?

— Ela mandou três corações, Nicolas! — Julia rebateu, a voz subindo uma oitava. — Três! Isso não é amizade, é tática de jogo!

Kate apenas balançou a cabeça, bebendo seu vinho com uma calma invejável.

— Ela é louca, Gabi — disse Kate, calmamente. — Mas é a minha louca. Embora, às vezes, eu ache que o Léo aprendeu a gritar observando as discussões dela com a televisão durante os jogos.

— Ei! — Julia protestou, mas não conseguiu segurar um pequeno sorriso ao ver Léo tentando roubar um pedaço de crosta de pizza da mão de Kate.

As perguntas de Gabi foram ficando cada vez mais audaciosas conforme o vinho acabava. Ela queria saber detalhes da rotina, quem mandava em quem, e fazia piadas de duplo sentido que deixavam Julia vermelha (de raiva e vergonha) e Kate apenas com um sorriso enigmático no rosto. O caos estava instalado: Léo chorando porque queria mais pizza, Nicolas tentando se defender das acusações de ser um "tio irresponsável" e Gabi rindo de tudo.


No dia seguinte, o sol deu lugar a uma noite abafada, perfeita para o churrasco que haviam planejado no quintal. O clima estava mais relaxado, mas a energia de Gabi ainda era uma ameaça iminente.

Léo já estava dormindo dentro de casa, monitorado pela babá eletrônica. No quintal, o cheiro de carne assada se misturava ao som de música brasileira ao fundo. Nicolas cuidava da churrasqueira sob a supervisão rigorosa de Julia, que não confiava nele nem para virar um espetinho.

— Tudo bem, chega de conversa fiada — Gabi anunciou, colocando uma garrafa de cachaça artesanal e quatro copinhos de shot sobre a mesa de madeira. — Vamos brincar de "Verdade ou Consequência", versão adulta.

— Gabi, amanhã temos treino — Kate tentou intervir, mas já sabia que era inútil.

— Ah, Kate, deixa de ser russa por cinco minutos! — Gabi riu. — A regra é simples: eu faço uma pergunta. Se não quiser responder, vira um shot de cachaça. E as perguntas vão ser... interessantes.

Julia cruzou os braços, sentando-se ao lado de Kate.

— Eu não tenho medo das suas perguntas, Gabriella.

— Veremos, Bergmann. Veremos — Gabi sorriu de forma predatória. — Primeira rodada. Nicolas, você primeiro. É verdade que você usa o nome da sua irmã famosa para conseguir encontros em aplicativos?

Nicolas engasgou com a própria bebida e, sem dizer uma palavra, virou o shot de cachaça, fazendo uma careta de quem havia engolido fogo. As meninas caíram na risada.

— Minha vez — Gabi continuou, os olhos brilhando. — Kate... qual foi o lugar mais inusitado onde você e a Julia... bom, vocês sabem, "comemoraram" uma vitória?

Julia sentiu o rosto queimar instantaneamente. Kate, por outro lado, apenas arqueou uma sobrancelha, olhando para a esposa com um brilho divertido nos olhos.

— No vestiário do ginásio nacional, após a final da liga — Kate respondeu com uma naturalidade que deixou até Gabi de queixo caído. — Estava vazio, tecnicamente.

— Kate! — Julia exclamou, escondendo o rosto nas mãos. — Você não precisava ser tão específica!

— Ela perguntou, eu respondi — Kate deu de ombros, vitoriosa. — Agora, Julia... sua vez.

O jogo seguiu, e a garrafa de cachaça ia baixando conforme as perguntas se tornavam mais picantes e as revelações mais embaraçosas. Julia já estava levemente alterada pela bebida, o que a tornava menos "brava" e muito mais falante.

— Certo, Bergmann — Gabi disse, inclinando-se sobre a mesa. — Pergunta de nível dezoito. Quem de vocês duas é a mais "exigente" entre quatro paredes? E não vale dizer que é empate.

Julia olhou para Kate. Kate olhou para Julia. O silêncio durou alguns segundos antes de Julia pegar o copinho de cachaça.

— Eu vou beber — Julia declarou.

— Ah, não! — Gabi protestou. — Isso é trapaça!

— Não é trapaça, é autopreservação! — Julia rebateu, virando o líquido ardente. — Se eu responder isso, a Kate me faz dormir no sofá por um mês, e eu sou muito alta para aquele estofado.

— Na verdade — Kate interrompeu, com um sorriso de canto —, eu diria que a Julia é a que mais gosta de dar ordens em quadra, mas no quarto... ela prefere ser a "capitã" apenas na teoria.

— Ekaterina Antropova! — Julia gritou, embora houvesse um riso contido em sua voz. — Você está muito abusada hoje!

— É o efeito da cachaça, amor — Kate piscou para ela.

A brincadeira continuou noite adentro. Entre risadas, confissões sussurradas e o calor do churrasco, o caos da noite anterior se transformou em uma conexão profunda entre amigos e família. Nicolas acabou dormindo na rede, vencido pela bebida. Gabi, ainda elétrica, tentava convencer as duas jogadoras a fazerem uma dancinha para o TikTok, algo que Julia recusava veementemente enquanto se aninhava no ombro de Kate.

— Sabe — Julia murmurou, com a voz um pouco arrastada pelo cansaço e pelo álcool —, apesar de você ser uma russa irritantemente paciente e do seu irmão ser um desastre, eu não trocaria essa bagunça por nada.

Kate beijou o topo da cabeça ruiva da esposa, sentindo o cheiro de amaciante e churrasco.

— Eu também não, Bergmann. Mas amanhã, quando o Léo acordar às seis da manhã querendo brincar, é a sua vez de levantar.

Julia resmungou algo sobre "injustiça", mas fechou os olhos, sorrindo. O vôlei as unira, mas eram aqueles momentos de caos doméstico, pizzas queimadas e perguntas indiscretas que realmente faziam a vida valer a pena. E, claro, a promessa silenciosa de que, no próximo churrasco, seria a vez de Julia fazer as perguntas para Gabi. A vingança, afinal, era um prato que se servia frio, ou, no caso delas, acompanhado de uma boa dose de cachaça.

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