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A família caos

Fandom: Vôlei

Criado: 08/09/2026

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RomanceFatias de VidaHistória DomésticaDramaCiúmesGravidez na AdolescênciaGravidez Não Planejada/IndesejadaHumor
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Entre Tapas, Mordidas e Segredos de Família

A rotina de uma casa habitada por atletas de elite nunca era exatamente silenciosa, mas aquele fim de tarde parecia particularmente caótico. Léo, o pequeno furacão de dois anos e filho de Julia Bergmann e Ekaterina Antropova, parecia ter herdado a energia inesgotável das mães. Ele corria pelo corredor, rindo alto enquanto fugia de Gabi Guimarães, que tentava, sem sucesso, convencê-lo de que a hora do banho havia chegado.

Julia estava na cozinha, debruçada sobre a bancada enquanto preparava um lanche rápido. A calça legging de treino, justa ao corpo, não escondia o fato de que a rotina intensa de academia estava dando resultados cada vez mais evidentes. Julia sempre fora dona de um físico invejável, mas ultimamente, até ela notava que suas curvas estavam mais acentuadas.

Kate, que havia chegado mais cedo do treino da seleção italiana, não conseguia tirar os olhos da namorada. A russa, conhecida por sua paciência de santa e seu jeito extrovertido, estava em um dia particularmente "aceso". Desde que cruzara a porta, suas mãos pareciam ter um ímã direcionado para a namorada.

— Kate, pelo amor de Deus, eu estou tentando cortar o queijo! — exclamou Julia, soltando um suspiro pesado quando sentiu mais um tapa sonoro ecoar pela cozinha, seguido por um aperto firme em sua nádega direita.

— Não tenho culpa se você está ficando cada vez mais irresistível, amore mio — respondeu Kate com um sorriso travesso, aproximando-se por trás e abraçando a cintura de Julia, enterrando o rosto em seu pescoço ruivo. — O treino está fazendo milagres por aqui.

Julia tentou manter a pose de bruta, sua marca registrada. Ela era ciumenta, territorial e não gostava de muitas demonstrações de afeto em público, mas entre quatro paredes — ou na cozinha com a família — ela sempre acabava cedendo ao charme da loira.

— Bater e apertar o dia todo eu até aguento, mas você está passando dos limites — resmungou a ruiva, embora não tenha se afastado.

A noite caiu e, após muita luta, Léo finalmente adormeceu. A casa parecia ter entrado em um trégua momentânea. Gabi estava no andar de cima com o sobrinho, Thiago, e Nicolas, o irmão de dezesseis anos de Kate que estava passando uma temporada com elas, estava trancado no quarto, estranhamente silencioso.

No quarto do casal, a atmosfera esquentou. Kate, porém, decidiu mudar a tática. Em vez dos tapas habituais, ela cravou os dentes com vontade na pele macia de Julia.

— Ai! Antropova! — Julia deu um pulo na cama, virando-se com os olhos semicerrados e o rosto corado. — Bater tudo bem, agora morder, meu bem? Isso dói!

Kate soltou uma risada baixa, os olhos brilhando de diversão.

— É para deixar marca, para você lembrar que eu sou a dona — provocou a loira, avançando novamente.

Julia tentou empurrá-la, mas Kate era persistente. A noite seguiu entre risos, reclamações fingidas de Julia e a insistência brincalhona de Kate em marcar cada centímetro daquela região que tanto a fascinava.

No dia seguinte, era folga de Kate. Como uma boa parceira (e para continuar sua vigilância silenciosa), ela decidiu acompanhar o treino de Julia. Sentada na arquibancada lateral, Kate observava a ruiva fazer uma série de agachamentos com peso. A cada descida, a calça de Julia esticava, evidenciando o trabalho muscular.

Kate não resistiu. Quando Julia fez uma pausa para beber água perto da lateral, a loira se inclinou e soltou uma piada audível apenas para as duas, com um sorriso malicioso.

— Imagina você agachando assim para mim, Bergmann... O ângulo daqui é privilegiado.

Julia quase engasgou com a água. O rosto ficou da cor de seus cabelos. Ela olhou ao redor, verificando se as companheiras de equipe haviam ouvido.

— Kate! — sibilou Julia, os olhos faiscando. — Você não vem mais! Eu juro, vou te proibir de entrar no ginásio!

Kate apenas piscou, mandando um beijo no ar. Julia, irritada e excitada ao mesmo tempo, aproximou-se da grade e, num momento em que ninguém olhava, inclinou-se e suspirou pesadamente no ouvido da loira, um som carregado de promessas e advertências que fez os pelos dos braços de Kate se arrepiarem.

— Você vai me pagar em casa — sussurrou Julia, antes de voltar para a quadra com um sorriso de canto.

Ao cair da noite, a casa estava novamente cheia. Léo já tinha se acalmado depois de um dia agitado brincando com o primo Thiago. Gabi estava na sala discutindo alguma tática de jogo com Nicolas, enquanto Thiago jogava videogame.

Julia estava no jardim, tentando pegar um pouco de ar fresco, quando Nicolas se aproximou. O rapaz, geralmente muito parecido com a irmã na extroversão, parecia pálido e nervoso. Ele olhava para os lados, garantindo que Kate não estivesse por perto.

— Julia... a gente pode conversar? — perguntou ele, a voz falhando levemente.

Julia cruzou os braços, notando imediatamente o tom sério. Apesar de sua pose bruta, ela tinha um carinho imenso pelo cunhado.

— O que aconteceu, Nico? Você está com uma cara de quem viu um fantasma.

O rapaz suspirou, passando as mãos pelo cabelo loiro, idêntico ao da irmã.

— Eu acho que fiz uma besteira. Uma besteira bem grande.

Julia arqueou uma sobrancelha, o instinto protetor (e o ciúme de sua paz familiar) entrando em alerta.

— Define "besteira".

— A Mariana... a menina da escola — ele começou, a voz quase um sussurro. — Ela me ligou hoje. Ela disse que a menstruação está atrasada. Dois meses, Julia.

O silêncio que se seguiu foi pesado. Julia sentiu o estômago dar um nó. Ela olhou para a porta de vidro da sala, onde Kate ria de alguma coisa que Gabi dizia.

— Você tem certeza? — perguntou Julia, mantendo a voz baixa.

— Ela vai fazer o teste amanhã, mas ela tem quase certeza. Julia, por favor, não fala nada para a Kate ainda. Você sabe como ela é... ela vai surtar, vai ligar para os nossos pais na Rússia, vai querer organizar o chá revelação antes mesmo do teste dar positivo!

Julia suspirou, passando a mão pelo rosto. Ela conhecia bem a namorada. Kate era intensa em tudo o que fazia. Se soubesse que seria tia — ou que o irmão de dezesseis anos poderia ser pai —, a casa viraria um quartel-general de ansiedade.

— Nicolas, você sabe que eu não gosto de esconder as coisas dela — disse Julia, o tom severo, mas os olhos compreensivos. — Mas tudo bem. Vamos esperar o teste. Se der positivo, você mesmo vai contar. Eu te ajudo a falar, mas não vou mentir se ela me perguntar diretamente.

— Obrigado, Ju. De verdade — o rapaz parecia ter tirado um peso das costas, embora o problema principal ainda estivesse lá.

Ele voltou para dentro, e Julia ficou no jardim por mais alguns minutos. Ela olhou para o céu, sentindo o peso da responsabilidade familiar. Ser a "bruta" da relação muitas vezes significava ser o pilar que segurava as pontas quando o caos se instalava.

Quando Julia finalmente entrou, Kate estava à sua espera no corredor, com aquele olhar de quem sabia que algo estava acontecendo.

— O que o Nicolas queria com você? — perguntou a loira, cruzando os braços e bloqueando o caminho.

Julia sentiu o ciúme possessivo de Kate borbulhar, mas dessa vez era diferente. Kate não estava com ciúmes românticos, ela estava curiosa e protetora com o irmão.

— Coisa de adolescente, Kate — respondeu Julia, tentando passar, mas sendo impedida por um braço firme. — Ele só precisava de uns conselhos sobre a escola.

Kate estreitou os olhos, analisando a expressão da ruiva.

— Você é uma péssima mentirosa, Bergmann.

Julia sorriu de lado, usando a tática que sempre funcionava para distrair a namorada. Ela se aproximou, colando o corpo ao de Kate e segurando sua nuca com firmeza.

— E você é muito curiosa, Antropova. Por que não guarda essa energia para o que a gente combinou no treino?

A distração funcionou instantaneamente. O olhar de Kate mudou de desconfiado para predatório. Ela envolveu a cintura de Julia, as mãos descendo automaticamente para o lugar de sempre.

— Eu não esqueci — sussurrou Kate contra os lábios de Julia. — E hoje eu vou morder muito mais do que ontem.

Julia soltou um gemido baixo, misto de antecipação e falsa irritação. Enquanto eram conduzidas para o quarto, a ruiva lançou um olhar rápido para Nicolas, que estava sentado no sofá com um olhar perdido.

A paz naquela casa era sempre passageira, e Julia sabia que os próximos dias seriam intensos. Mas, por enquanto, entre os apertos de Kate e os segredos de Nicolas, ela só queria aproveitar o fato de que, apesar de bruta e ciumenta, ela tinha exatamente a família barulhenta e complicada que sempre quis.

— Só não reclama se eu revidar as mordidas — avisou Julia, antes de fechar a porta do quarto.

— Eu conto com isso — respondeu Kate, com o som de um tapa estalado fechando a noite.

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