Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Família caos

Fandom: Vôlei

Criado: 08/09/2026

Tags

RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoFofuraFatias de VidaHistória DomésticaCiúmesHumorRealismo
Índice

O Segredo Guardado na Rede

A mansão das Bergmann-Antropova estava em um daqueles dias onde o caos parecia ter criado raízes. O sol já se punha no horizonte, pintando o céu de tons alaranjados que entravam pelas grandes janelas da sala, mas o clima lá dentro estava longe de ser pacífico. Julia Bergmann, com seus cabelos ruivos presos em um coque malfeito e a expressão de quem estava prestes a explodir, tentava organizar os brinquedos espalhados por Léo.

Aos cinco anos, Léo tinha a energia inesgotável das mães e a teimosia russa de Antropova. Desde o casamento oficial das duas, o pequeno havia desenvolvido uma fixação temática: ele queria um irmão.

— Mãe Ju, a Gabi disse que se eu pedir muito, o Papai Noel traz um bebê antes do Natal — Léo puxou a barra da calça de Julia, olhando-a com olhos pidões.

Julia suspirou, sentindo aquela pontada familiar de enjoo no fundo da garganta. Ela estava exausta, sensível e com os nervos à flor da pele.

— Léo, meu amor, a Gabi fala muita besteira — Julia respondeu, tentando manter a voz firme, embora a vontade fosse de se trancar no quarto e chorar por trinta minutos sem motivo aparente. — Vá guardar seus carrinhos, agora.

— Mas eu queria que ele viesse logo! — o menino insistiu, batendo o pé. — A casa é grande, cabe mais um no meu quarto.

— Léo, chega! — Julia disparou, o tom subindo dois oitavos. — Para o quarto, agora. Eu não quero ouvir mais uma palavra sobre irmãos hoje!

O menino arregalou os olhos, assustado com a rispidez da mãe, e saiu correndo para o andar de cima. Julia sentou-se no sofá, massageando as têmporas. Ela sabia que estava sendo bruta, mas a gravidez — que ela havia descoberto há apenas três dias — estava transformando suas emoções em uma montanha-russa perigosa. Ela queria contar para Kate de um jeito especial, mas o estresse do dia a dia estava tornando tudo difícil.

Gabi, que observava a cena da cozinha enquanto comia uma maçã, apareceu na sala com um sorriso debochado.

— Nossa, Bergmann, a TPM tá potente hoje, hein? — Gabi riu, balançando seus cachos. — O moleque só quer um brinquedo novo que respira e chora. Deixa ele sonhar.

— Gabi, se você abrir a boca para dar corda a ele mais uma vez, eu juro que te expulso dessa mansão com o Thiago a tiracolo — Julia rosnou, os olhos faiscando.

— Credo, que bicho te mordeu? — Gabi levantou as mãos em sinal de rendição. — O Thiago nem tá aqui, foi para aquela festa com o Nicolas. Deixa a gente em paz.

A porta da frente se abriu com um estrondo familiar. Ekaterine Antropova entrou, carregando a bolsa de treino e exalando aquela aura de superioridade e cansaço que só ela possuía. A loira era alta, imponente e, como sempre, tinha aquele ar "nojento" de quem sabia que era a melhor em quadra.

— Cheguei — anunciou Kate, a voz rouca. Ela olhou para Julia e um sorriso possessivo surgiu em seus lábios.

Kate não era de grandes demonstrações de afeto em público, mas entre as quatro paredes daquela casa, ela era uma força da natureza. Ela caminhou até Julia, que ainda estava sentada no sofá com cara de poucos amigos, e sem dizer uma palavra, inclinou-se e deu uma mordida firme e audaciosa na bunda da esposa, que estava levemente empinada enquanto ela tentava pegar um controle remoto.

Normalmente, Julia reviraria os olhos ou retribuiria com um tapa brincalhão, mas hoje o gatilho foi imediato.

— Antropova, já está chato essa história de morder! — Julia explodiu, levantando-se de um salto e empurrando o ombro da loira. — Que coisa abusada! Eu não sou um pedaço de carne para você ficar cravando os dentes toda hora. Dá para ter um pingo de respeito e perceber que eu não estou com humor?

O silêncio caiu sobre a sala. Gabi parou de mastigar a maçã, arregalando os olhos. Kate ficou estática, a expressão de choque sendo rapidamente substituída por uma máscara de frieza e mágoa. Ela era ciumenta e possessiva, sim, mas raramente Julia era tão rude sem um motivo claro.

— Desculpe por querer tocar na minha própria esposa — Kate disse, o tom de voz gélido, carregado com aquele sotaque que ficava mais forte quando ela estava irritada. — Não sabia que eu precisava de um requerimento assinado para chegar perto de você.

Sem esperar resposta, Kate subiu as escadas. Julia sentiu o coração apertar no momento em que a loira deu as costas. O arrependimento veio como uma onda, mas o orgulho e o cansaço a mantiveram pregada no chão.

— Mandou mal, ruiva — Gabi comentou, passando por ela. — Vou ver se o Léo não se trancou no armário depois do seu grito.

A noite caiu pesada. Kate desceu, jantou em silêncio absoluto, mal olhando para Julia. A tensão era palpável. Logo depois, ela pegou um cobertor e foi para a área externa, onde uma rede grande e confortável estava armada sob o pergolado. Era o refúgio dela.

Léo, que já tinha se acalmado, apareceu na varanda e viu a mãe loira deitada, olhando para o céu escuro. Ele se aproximou devagar.

— Mãe Kate? — o pequeno chamou baixinho.

— Oi, meu amor — Kate respondeu, a voz suavizando instantaneamente. Ela abriu espaço na rede. — Vem aqui.

Léo subiu e se aninhou no peito da russa.

— Você está triste porque a Mãe Ju brigou com você? — ele perguntou, com a inocência cruel das crianças. — Ela brigou comigo também. Acho que ela não quer o meu irmãozinho.

Kate suspirou, acariciando o cabelo loiro do filho.

— Ela só está cansada, Léo. E sobre o irmão... essas coisas demoram. Não fique pressionando ela, está bem?

Julia observava a cena de trás da porta de vidro, sentindo as lágrimas arderem em seus olhos. Ela era uma idiota. Estava tão focada no seu próprio mal-estar que estava afastando as duas pessoas que mais amava. Ela respirou fundo, secou o rosto e caminhou em direção à rede.

Léo viu a mãe ruiva se aproximar e, percebendo o clima, deu um beijo na bochecha de Kate.

— Vou lá dentro ver se o Thiago já chegou da festa com o tio Nicolas — mentiu o menino, saindo da rede e correndo para dentro, deixando as duas sozinhas.

Julia parou ao lado da rede. Kate não desviou o olhar do céu.

— O que foi agora? — Kate perguntou, a voz seca. — Veio reclamar que eu estou ocupando espaço na rede também?

— Kate... — Julia começou, a voz embargada. Ela não aguentou e se sentou na beirada da rede, fazendo o peso balançar. — Me desculpa. Eu fui uma grossa, uma bruta... eu não devia ter falado daquele jeito com você.

Kate finalmente olhou para ela. Os olhos azuis da russa estavam magoados.

— Você tem andado impossível, Julia. Eu tento me aproximar e você me repele. Se não me quer por perto, é só falar.

— Não! Não é isso, nunca é isso — Julia disse, aproximando-se mais e deitando a cabeça no ombro de Kate, que hesitou, mas acabou passando o braço por volta dela. — Eu estou surtada, Kate. Meu corpo está uma bagunça, eu sinto que vou explodir a cada cinco minutos e a culpa é toda sua.

Kate franziu o cenho, confusa.

— Minha culpa? O que eu fiz além de tentar te dar carinho?

Julia sorriu entre as lágrimas, pegou a mão de Kate e a levou lentamente até o seu ventre, pressionando-a ali.

— É sua culpa porque você me deu exatamente o que o Léo estava pedindo.

O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelo som dos grilos no jardim. Kate ficou estática, a mão sentindo o calor da barriga de Julia. Seus olhos se arregalaram e ela olhou para a esposa com uma vulnerabilidade que raramente mostrava.

— Julia... você está...?

— Sim, sua russa abusada — Julia riu, chorando ao mesmo tempo. — Eu estou grávida. Tem outro pequeno intruso aqui dentro. Por isso eu estou tão insuportável. Os hormônios estão acabando comigo.

Kate não disse nada por alguns segundos. Ela simplesmente puxou Julia para um beijo intenso, possessivo e cheio de um alívio que transbordava. Quando se afastaram, Kate tinha um sorriso radiante, algo raro de se ver.

— Um bebê — Kate sussurrou, a mão ainda protegendo o ventre de Julia. — Nosso bebê.

— É. E se for teimoso como você, eu estou perdida — Julia brincou, limpando o rosto.

Nesse momento, barulhos de risadas e conversas altas vieram da entrada da mansão. Nicolas e Thiago haviam voltado da festa, e Gabi já estava lá embaixo, provavelmente contando alguma piada.

— Vamos contar para eles? — Kate perguntou, os olhos brilhando de excitação.

— Vamos. Mas se a Gabi começar com as piadinhas, eu não respondo por mim — Julia avisou, levantando-se da rede e ajudando Kate a sair.

As duas entraram na sala de mãos dadas. Nicolas, o irmão de Kate, estava jogado em uma poltrona contando sobre a festa, enquanto Thiago tentava roubar o resto da maçã de Gabi. Léo estava sentado no chão, esperando.

— Pessoal, atenção! — Kate anunciou, sua voz comandando o ambiente instantaneamente.

Todos pararam e olharam. Julia deu um passo à frente, sentindo o olhar protetor de Kate em suas costas.

— Léo, vem cá — Julia chamou. O menino se aproximou curioso. — Sabe aquele pedido que você fez para o Papai Noel?

— O irmãozinho? — os olhos do menino brilharam.

— Pois é — Julia sorriu, olhando para todos na sala. — Ele resolveu chegar mais cedo. Eu estou grávida.

O caos que se seguiu foi imediato. Léo soltou um grito de alegria e pulou no colo de Julia, sendo rapidamente interceptado por Kate para não machucar a mãe. Gabi deu um pulo do sofá, gritando um "EU SABIA!" que ecoou por toda a vizinhança.

— Eu vou ser tio de novo! — Nicolas comemorou, batendo no ombro de Thiago, que ria da empolgação do amigo.

— Eu sabia que esse mau humor não era só falta de sono! — Gabi gritou, abraçando Julia com força. — Parabéns, ruiva! Parabéns, Kate!

— Se você me chamar de mau humorada de novo, Gabi, eu te coloco para dormir no canil — Julia rebateu, mas desta vez, havia um sorriso genuíno em seu rosto.

Kate se aproximou, envolvendo Julia em um abraço por trás, a possessividade de sempre agora misturada com uma ternura infinita. Ela beijou o topo da cabeça da ruiva, ignorando a algazarra de Gabi e dos adolescentes na sala.

— Mais um para o nosso time — Kate sussurrou no ouvido de Julia.

— Mais um — Julia concordou, fechando os olhos e sentindo, pela primeira vez em dias, que tudo estava exatamente onde deveria estar.

A noite na mansão Bergmann-Antropova continuou agitada, cheia de planos, risadas e a promessa de que, embora os dias de paz estivessem contados com a chegada de um novo bebê, a felicidade daquela família só tendia a crescer. E Julia, mesmo brava e surtada, sabia que não trocaria aquele caos por nada no mundo.

Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic