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George e ringo

Fandom: The beatles

Criado: 08/09/2026

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Acordes Silenciosos e Batidas Aceleradas

O ar no estúdio de Abbey Road estava denso, carregado com o cheiro de tabaco velho, chá frio e aquela eletricidade estática que só surgia quando os quatro estavam trancados ali por horas a fio. John e Paul já haviam ido embora, discutindo calorosamente sobre uma ponte harmônica que ninguém mais aguentava ouvir. Sobraram apenas os dois: o ritmo e a melodia, o silêncio e o estrondo.

George estava sentado no chão, encostado em um amplificador Vox, dedilhando sua Gibson com uma preguiça estudada. Seus olhos estavam baixos, escondidos pelas mechas de cabelo castanho que insistiam em cair sobre o rosto. Ringo, sentado em seu banco de bateria, girava uma das baquetas entre os dedos, observando o amigo.

— Sabe, Geo, se você continuar olhando para essa guitarra desse jeito, ela vai acabar se apaixonando por você — disse Ringo, com um sorriso de canto, a voz rouca de cansaço e humor.

George soltou um riso curto, seco e tipicamente sarcástico, sem tirar os olhos das cordas.

— Pelo menos ela não reclama quando eu erro a nota, Ritchie. E ela tem curvas melhores que a maioria das garotas que Paul traz para cá.

Ringo soltou uma gargalhada alta, pulando do banco com uma agilidade que contrastava com seu corpo aparentemente desleixado. Ele caminhou até George e sentou-se ao lado dele, invadindo seu espaço pessoal sem a menor cerimônia.

— Curvas, hein? — Ringo arqueou as sobrancelhas, aproximando o rosto do pescoço de George. — Eu sempre achei que você preferia algo mais... sólido.

George parou de tocar. O som da corda Mi vibrando morreu lentamente no ar. Ele virou o rosto para o lado, encontrando os olhos azuis e brilhantes de Ringo a poucos centímetros dos seus. O baterista tinha aquele brilho safado no olhar, uma mistura de inocência fingida e malícia pura que sempre desarmava George.

— Você é um bobo, Starkey — murmurou George, embora sua voz tivesse perdido a firmeza.

— Um bobo que sabe exatamente onde você guarda o seu melhor sorriso — rebateu Ringo, esticando a mão para afastar o cabelo da testa de George. — E onde você guarda os seus segredos também.

George sorriu, aquele sorriso tímido que começava no canto dos lábios e raramente chegava aos olhos para o resto do mundo, mas que para Ringo era escancarado.

— Meus segredos estão bem guardados sob sete chaves.

— Pois eu sou um ótimo chaveiro — Ringo sussurrou, e antes que George pudesse responder com algum comentário ácido, Ringo selou a distância entre eles.

O beijo começou como uma brincadeira, algo leve e exploratório, mas rapidamente mudou de tom. George soltou a guitarra, deixando-a tombar no tapete com um ruído surdo, e envolveu o pescoço de Ringo com as mãos, puxando-o para mais perto. A língua de Ringo era ávida, brincalhona, mapeando a boca de George como se estivesse decorando uma nova partitura.

— Ringo... — arfou George entre os beijos, sentindo as mãos do baterista subirem por baixo de sua camisa de seda. — A gente está no meio do estúdio. Alguém pode voltar.

— Deixe que voltem — disse Ringo, a voz agora carregada de uma urgência safada. — Paul provavelmente esqueceu o ego em cima do piano e John deve ter deixado os óculos em algum lugar. Mas a porta está trancada, Geo. Eu verifiquei.

George soltou uma risada baixa, o sarcasmo voltando à tona mesmo naquele momento.

— Você planejou isso, seu narigudo desavergonhado?

— Planejei cada segundo — admitiu Ringo, mordendo o lóbulo da orelha de George, fazendo o guitarrista estremecer.

Eles se embolaram no chão, entre cabos e pedestais de microfone. Ringo era todo movimento e alegria, rindo baixo enquanto desabotoava a camisa de George, fazendo piadas sobre como os botões eram "teimosos demais para o próprio bem". George, por outro lado, era o fogo silencioso. Suas mãos eram precisas, descendo pelo corpo de Ringo, apertando os quadris do baterista com uma possessividade que poucos conheciam.

— Você fala demais — sussurrou George, invertendo as posições e prendendo Ringo contra o chão acarpetado.

— E você age de menos — provocou Ringo, arqueando o corpo para sentir o peso de George sobre si. — Mostre-me o que esse misticismo todo faz quando as luzes se apagam, Harrison.

George não precisou de mais nenhum incentivo. Ele atacou o pescoço de Ringo com mordidas e sucções que deixariam marcas difíceis de esconder com golas rolês no dia seguinte. Ringo soltou um gemido alto, a cabeça jogada para trás, as mãos agarrando os ombros de George.

— Oh, Deus, Geo... — Ringo ofegou, o humor dando lugar a um desejo cru. — Isso... exatamente isso.

As roupas foram descartadas com uma pressa desajeitada e excitante. No silêncio do estúdio, o som da respiração pesada de ambos era a única música que importava. George, geralmente tão contido e espiritual, revelava-se um amante intenso, explorando cada centímetro da pele de Ringo com uma curiosidade quase religiosa.

— Quem diria — ofegou Ringo, enquanto George descia os beijos pelo seu peito até o ventre —, que o homem mais calmo de Liverpool seria tão... voraz.

— Cala a boca, Ritchie — murmurou George, a voz vibrando contra a pele do outro.

Quando George finalmente se uniu a ele, o mundo lá fora — a Beatlemania, as pressões da gravadora, as brigas de ego — desapareceu por completo. Havia apenas o ritmo que Ringo ditava com os quadris e a melodia que George criava com seus toques. Era uma sincronia perfeita, uma jam session de corpos que não precisava de ensaio.

Ringo mantinha os olhos abertos, observando as expressões de George. Ele adorava ver o jeito como o guitarrista franzia a testa em concentração, como se estivesse resolvendo um enigma complexo, até que o prazer o atingia e suas feições relaxavam em uma entrega total.

— Você é lindo, sabia? — disse Ringo, a voz embargada, enquanto suas pernas se enroscavam na cintura de George.

George parou por um segundo, olhando nos olhos de Ringo. O sarcasmo havia sumido. Havia apenas uma vulnerabilidade crua ali.

— E você é o meu ritmo, Ringo. Sempre foi.

Eles se moveram juntos, uma dança frenética e desajeitada no chão duro do estúdio. O suor fazia suas peles grudarem, e o cheiro de sexo se misturava ao odor de incenso que George sempre carregava consigo. Quando o ápice chegou, foi como um acorde final retumbante, um impacto que os deixou sem fôlego, agarrados um ao outro como se fossem a única coisa sólida no universo.

Minutos depois, ainda ofegantes, eles permaneceram deitados no chão, os membros entrelaçados. Ringo tinha a cabeça apoiada no peito de George, ouvindo o coração do amigo desacelerar.

— Então — começou Ringo, recuperando seu tom brincalhão —, acha que isso entra no próximo álbum?

George soltou uma risada, passando a mão pelos cabelos bagunçados de Ringo.

— Acho que os censores da BBC teriam um ataque cardíaco, Ritchie.

— Uma pena — Ringo suspirou, fingindo decepção. — Foi a melhor performance que já tivemos neste estúdio. E olha que eu toquei "Rain" de primeira.

George revirou os olhos, mas não conseguiu esconder o sorriso. Ele se inclinou e beijou o topo da cabeça de Ringo.

— Você é impossível.

— E você está louco por mim — rebateu Ringo, piscando um olho azul.

George não negou. Ele apenas o puxou para mais perto, enquanto o silêncio de Abbey Road os envolvia novamente, guardando aquele segredo entre as quatro paredes acústicas, onde a música e o amor eram, por fim, a mesma coisa.

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