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Hineko x Oliver

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 09/09/2026

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A Maldição do Akuma no Otto e o Senpai Indesejado

A noite na Paper School costumava ser silenciosa, mas Oliver nunca foi fã de silêncio ou de regras. Com seus longos cabelos brancos balançando como uma cauda de cavalo até os tornozelos, ele escalava a parede externa do dormitório feminino com a agilidade de um predador de papel. O braço esquerdo, que terminava em um lápis afiado e intimidador, cravava-se nas frestas do reboco. A marca de "A+" em seu cabelo brilhava sob a luz da lua, um contraste irônico para alguém que preferia causar o caos a estudar.

Ele chegou à janela do quarto de Hineko. Ele a conhecia de vista: a garota otaku que parecia viver em um mundo de cores pastel e termos em japonês que ninguém entendia. Oliver deu um sorriso travesso, segurando o lápis com força. Ele planejava apenas dar um susto nela, talvez roubar algum lanche — ou, se tivesse sorte, algum sabonete perfumado, sua comida favorita.

Ao pular para dentro do quarto, ele se deparou com uma cena bizarra. Hineko estava encolhida na frente do computador, os olhos fixos na tela que exibia um anime de conteúdo, digamos, bastante questionável e íntimo.

— Mas que porra é essa? — Oliver exclamou, sua voz saindo áspera e carregada de deboche. — Você está vendo essa merda, sua fodona de fofura?

Hineko deu um pulo, soltando um guincho agudo. Oliver avançou, pronto para cutucá-la com o braço de lápis e rir da sua cara de pânico. No entanto, antes que a ponta do grafite pudesse tocar o moletom preto da garota, uma luz dourada e ofuscante explodiu no centro do peito dela.

Um campo de força sólido e vibrante emanou de um pingente que Hineko usava no pescoço. O impacto foi tão violento que Oliver foi arremessado para trás, batendo com as costas na parede oposta. O computador dela, atingido pelo surto de energia, desligou instantaneamente com um estalo elétrico.

— Droga! — Oliver rosnou, massageando o ombro. — Que tipo de truque barato foi esse, sua esquisita?

Hineko caiu sentada no chão, respirando com dificuldade. Ela levou as mãos pequenas às bochechas, que estavam tingidas de um rosa intenso, e olhou para Oliver com os olhos arregalados, as pupilas pretas dilatadas em puro choque.

— Oooh... — ela murmurou, a voz trêmula mas carregada de uma estranha admiração. — Quem é ele?

Oliver se levantou, a raiva fervendo no peito. Ele não gostava de ser repelido, muito menos por garotas que usavam meias de gatinho.

— Não interessa quem eu sou! — Ele avançou novamente, o lápis erguido para um golpe descendente. — Vou quebrar esse seu brinquedinho!

Mais uma vez, o brilho dourado surgiu. O campo de força agiu como uma parede de concreto invisível, jogando Oliver no chão novamente. Ele soltou uma sequência de xingamentos que fariam qualquer professor da Paper School desmaiar de horror.

— Pare com isso! — Hineko exclamou, segurando o pingente com as duas mãos. — Você não pode atravessar o Akuma no Otto! É um artefato lendário!

Oliver cuspiu um pedaço de poeira e olhou para ela como se ela tivesse criado uma segunda cabeça.

— "Akuma no" o quê? Do que você está falando, sua maluca?

— É um produto oficial do anime Akuma no Otto! — Hineko explicou, recuperando a compostura e entrando em seu modo explicativo de fã fervorosa. — A Setsuki conseguiu isso no episódio 97, depois de proteger o vilarejo dos demônios das sombras! Ele cria uma barreira absoluta contra qualquer um com intenções malignas!

Oliver soltou uma risada anasalada, ajustando o laço preto em seu cabelo.

— Intenções malignas? Eu só ia te dar um susto. E olha só pra você, toda cercada de rosa e babados. Isso é patético.

Hineko inclinou a cabeça, observando Oliver de cima a baixo. Ela notou os chifres pretos, a camisa estilizada e, claro, o braço de lápis. De repente, um brilho diferente surgiu em seus olhos.

— Espera... — Ela apontou um dedo para ele. — Você é um valentão?!

Oliver cruzou os braços, fazendo uma pose de superioridade.

— O melhor desta escola, se quer saber. Pergunte ao Edward ou à Zip. Eles te dirão quem manda aqui.

Hineko soltou um suspiro dramático, quase como um gemido de teatro.

— Um valentão! — Ela se levantou, as mãos juntas perto do rosto. — Veio aqui pegar a sua gatinha Kawaii e fazer parte de seu arco "Sugoi~"? Isso é tão... tão clichê de shojo!

Oliver franziu a testa, genuinamente confuso. O vocabulário dela era como uma língua estrangeira misturada com estática de rádio. Ele começou a caminhar pelo quarto, ignorando a garota por um momento para observar as prateleiras cheias de figuras de ação e mangás.

— Que lugar bizarro... — Oliver murmurou. — Por que tem tanto boneco de olho grande aqui? E qual é o seu nome, afinal?

— Eu sou Hineko! — Ela respondeu prontamente, seguindo-o com o olhar. — E você, meu misterioso invasor? Qual o nome do meu antagonista?

— Oliver. — Ele respondeu secamente, parando diante de um armário.

No segundo seguinte, Hineko correu em direção ao armário e se jogou contra a madeira com um baque surdo, deslizando até o chão enquanto fazia uma expressão de sofrimento fingido.

— Ai! — Ela exclamou, olhando para ele por baixo dos cílios. — E o que você vai fazer comigo, Olivy-kun~? Vai me dar uma detenção particular?

Oliver sentiu um arrepio de irritação percorrer sua espinha. Ele odiava apelidos, especialmente os que terminavam em "-kun".

— Para de me chamar assim! Eu vim aqui pra te infernizar, não pra participar dessa sua peça de teatro mental!

Hineko não pareceu se importar. Ela se sentou no chão de forma dramática e, em um movimento rápido e ligeiramente perturbador, girou a cabeça para o lado, mantendo o contato visual fixo nele.

— Sim, senpai~ — ela disse, a voz subindo uma oitava. — Watashi wa anata no dorei desu!

— Fala em português, garota! — Oliver gritou, batendo o pé no chão. — Que diabos é um senpai? E por que você está agindo como se eu tivesse te feito um favor entrando aqui?

Hineko começou a recitar frases em japonês estereotipado, gesticulando freneticamente enquanto falava sobre "destinos traçados" e "amor proibido entre o lobo e a gatinha". Oliver estava perdendo a paciência. Ele queria sair dali, mas o comportamento dela era tão errático que ele temia que ela se machucasse sozinha.

Em um momento de empolgação extrema, Hineko tentou fazer uma pose de "garota mágica", mas tropeçou no próprio tapete felpudo. Oliver, agindo por puro reflexo e instinto de preservação (já que não queria ter que explicar um corpo no chão do dormitório), estendeu o braço direito e a segurou antes que ela atingisse o solo.

Hineko aproveitou a oportunidade e se jogou nos braços dele de forma dramática, abraçando o pescoço de Oliver como se ele fosse seu salvador.

Aishiteru, Olivy-kun! — ela exclamou, fechando os olhos com um sorriso radiante.

Oliver olhou para ela, depois para o braço de lápis, e depois para a porta. Ele sentiu uma vontade súbita de simplesmente desaparecer. Sem dizer uma palavra, ele a soltou (fazendo-a cair sentada novamente), virou as costas e pulou pela janela, descendo a parede com uma velocidade recorde. Ele ainda podia ouvir os gritos de "Matane!" vindos lá de cima.


Minutos depois, Oliver entrou no dormitório masculino da Paper School, batendo a porta com força. Ele estava descabelado, com o laço torto e uma expressão de quem tinha visto o fim do mundo.

Edward e Zip estavam sentados em uma das camas, dividindo um pacote de salgadinhos (que Oliver secretamente desejava que fosse sabonete de glicerina). Ambos olharam para o amigo com curiosidade.

— E aí, Oliver? — Zip perguntou, soltando uma risadinha. — Demorou na "visita". Conseguiu assustar a esquisita do anime?

Oliver caminhou até sua cama e se jogou nela, cobrindo o rosto com a mão de lápis.

— Aquela garota é um pesadelo — Oliver resmungou, a voz abafada.

— O que aconteceu? — Edward perguntou, ajustando os óculos. — Ela chamou a Professora Circle?

— Antes fosse a Circle! — Oliver sentou-se, gesticulando freneticamente. — Ela tem um... um campo de força dourado! Um tal de pingente de Akuma alguma coisa. Eu tentei atacar e fui jogado na parede duas vezes!

Zip e Edward trocaram olhares confusos.

— Campo de força? — Zip riu. — Oliver, você andou comendo sabonete fora da validade?

— Eu estou falando sério! — Oliver insistiu. — E não é só isso. Ela começou a me chamar de "Olivy-kun" e a dizer que eu era o "senpai" dela. Ela se jogou no armário, começou a falar japonês e disse que me amava antes de eu fugir.

Edward soltou uma gargalhada alta, quase engasgando com o salgadinho.

— Cara, você arrumou uma fã oficial. Uma yandere!

— Eu não quero uma fã! — Oliver exclamou, pegando um sabonete que estava na sua mesa de cabeceira e dando uma mordida irritada para se acalmar. — Eu sou o valentão! Eu deveria ser temido, não... "Sugoi"!

— "Sugoi"? — Zip provocou, rolando de rir na cama. — Você até aprendeu as gírias dela!

Oliver mastigou o sabonete com força, sentindo o gosto de lavanda limpar sua frustração, mas o rosto de Hineko e aquele brilho dourado não saíam de sua cabeça.

— Se algum de vocês contar isso para alguém na escola — Oliver ameaçou, apontando o lápis afiado para os amigos —, eu juro que o próximo desenho que eu fizer vai ser na cara de vocês.

— Relaxa, Olivy-kun — Zip disse, piscando para ele.

Oliver rosnou, jogando um travesseiro nela. Ele sabia que aquela noite tinha mudado algo. Ele tinha entrado naquele quarto para ser o predador, mas, de alguma forma, acabou saindo como o protagonista de uma história que ele definitivamente não queria escrever. E o pior de tudo? Ele ainda conseguia ouvir o eco da voz dela chamando seu nome.

A Paper School nunca pareceu tão perigosa quanto agora. E o perigo não vinha dos professores com compassos gigantes, mas de uma garota otaku com um pingente dourado e um vocabulário japonês limitado.

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