
Me or me
Fandom: Alien stage
Criado: 09/09/2026
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Rumores e Ressoar de Armários
O sol da manhã batia contra as janelas de vidro da Anakt Academy, iluminando a poeira que dançava nos corredores movimentados. Era o início de mais uma semana no terceiro ano, e o som metálico de armários batendo formava a trilha sonora habitual, pontuada por risadas e o burburinho constante de fofocas.
Mizi caminhava pelo corredor principal com uma confiança que parecia vir de fábrica. Hoje, ela vestia um cardigã lilás curto, que deixava uma pequena faixa da barriga à mostra, combinado com um short jeans de cintura alta e um cinto de couro preto com fivela prateada. Nos pés, botas de cano curto pretas que faziam um barulho rítmico no chão. O cabelo rosa com pontas azuis estava solto, caindo em ondas perfeitas sobre os ombros.
Ao seu lado, Lyn, usando uma jaqueta bomber colorida e jeans rasgados, falava sem parar sobre o show que queria ver no final de semana. Do outro lado, Vivian, em um vestido leve azul marinho com um suéter fino por cima, apenas sorria, embora seus olhos estivessem, como sempre, fixos em Mizi.
— Puta merda, Mizi, você viu como o pessoal da entrada ficou olhando? — Lyn riu, ajeitando a mochila. — Acho que o capitão do time de basquete quase deslocou o pescoço.
Mizi soltou um suspiro baixo, revirando os olhos dourados.
— Que se fodam, Lyn. Eles olham pra qualquer coisa que brilha um pouco mais — a voz de Mizi saiu naquele tom baixo e aveludado, que soava provocante mesmo quando ela estava apenas reclamando. — Às vezes eu queria vir de saco de batata só pra ver se paravam de secar.
— Você ficaria linda até num saco de batata — Vivian comentou suavemente, sentindo o rosto esquentar logo em seguida.
Mizi riu e passou o braço pelo ombro de Vivian, puxando-a para perto de brincadeira.
— Você é um doce, Viv. Por isso eu te amo.
Vivian forçou um sorriso, o coração martelando contra as costelas. Ela sabia que, para Mizi, aquilo era apenas o jeito dela de ser carinhosa, mas a dorzinha no peito de quem guarda um segredo era difícil de ignorar.
Enquanto isso, perto da sala de química, o grupo que costumava dominar aquele canto do corredor estava reunido. Ivan estava encostado nos armários, usando sua jaqueta varsity do time de futebol americano sobre uma camiseta preta básica e calças largas cinzas. Ele girava a chave do carro no dedo, com um sorriso cínico no rosto enquanto observava Till.
Till parecia ter saído de um videoclipe de rock alternativo dos anos 2000. Vestia uma camiseta preta larga com uma estampa desgastada de uma banda underground, munhequeiras de pano nos dois pulsos e várias correntes penduradas na calça cargo escura. O cabelo cinza estava mais bagunçado que o normal, e ele rabiscava furiosamente em um caderno de desenho.
— Ei, Till — Ivan chamou, a voz carregada de diversão. — Se você continuar encarando o papel desse jeito, vai acabar pegando fogo. Tá desenhando a Mizi de novo?
Till travou a mão no papel, os olhos verdes faiscando de ódio enquanto ele olhava para cima.
— Vai se foder, Ivan. Cuida da tua vida, caralho.
— Só estou dizendo — Ivan deu um passo à frente, diminuindo a distância, adorando ver a veia na testa de Till saltar. — Todo mundo sabe que você baba por ela. Mas sabe, né? Ela e eu... a gente tem aquela coisa.
— Vocês não namoram, porra! — Till rosnou, fechando o caderno com força. — Ela já disse isso mil vezes.
— Ela diz isso pra manter o mistério — Ivan piscou, soltando uma risada curta. — Mas se você quiser dicas de como falar com uma garota daquele nível, eu posso te ensinar. Primeiro passo: tenta não parecer que você mora em um porão.
— Eu vou te quebrar a cara, seu merda! — Till deu um passo à frente, mas foi interrompido por uma mão pequena, porém firme, em seu ombro.
Sua, a irmã de Ivan, estava ali com uma expressão de cansaço. Ela usava uma camisa branca impecável por baixo de um colete de tricô cinza, uma saia xadrez em tons de roxo e meias altas pretas. Trazia uma pasta do conselho estudantil contra o peito.
— Ivan, deixa ele em paz — Sua disse, a voz calma, mas autoritária. — A gente tem aula de física em cinco minutos e eu não quero ter que relatar uma briga no corredor pro diretor. De novo.
— Ela começou, Sua! — Ivan apontou para Till, fingindo inocência.
— Eu não quero saber quem começou — Sua suspirou, ajustando os óculos. — Só parem. Till, ignora ele. Você sabe que ele só faz isso porque é um idiota.
Hyuna, que estava encostada na parede ao lado com os olhos fixos no celular, finalmente olhou para cima. Ela vestia um cropped laranja vibrante, calças jeans extremamente largas e muitos colares de miçangas coloridas.
— O Luka tá vindo aí — Hyuna anunciou, apontando com a cabeça para o final do corredor. — E ele tá com aquela cara de quem vai falar sobre termodinâmica por meia hora. Alguém me mata.
Luka se aproximou caminhando devagar, a mochila parecendo pesada demais para seus ombros. Ele usava uma camisa xadrez verde sobre uma camiseta bege e óculos de aro fino.
— Bom dia, pessoal — Luka saudou, a voz educada e tranquila, embora estivesse levemente ofegante. — Hyuna, você conseguiu terminar o exercício de física? Eu achei a terceira questão fascinante, embora a lógica do autor seja um pouco arcaica.
Hyuna deu um sorriso amarelo, guardando o celular no bolso da calça.
— Luka, querido, eu nem abri o livro. Eu tava ocupada... existindo.
— Eu posso te explicar antes da aula começar — Luka ofereceu, os olhos brilhando de sinceridade. — É realmente simples se você olhar pelo prisma da conservação de energia.
— Você é um anjo, Luka — Hyuna riu, dando um tapinha no ombro dele, o que fez o garoto corar instantaneamente.
Ivan observou a cena e depois olhou para Sua, que parecia distraída. Ele seguiu o olhar da irmã e percebeu que ela estava olhando para o outro lado do corredor.
Lá estava Mizi, rindo de algo que Lyn havia dito. A luz da janela fazia o cabelo rosa de Mizi brilhar. Sua olhava para ela com uma intensidade que poucas pessoas notariam, mas Ivan a conhecia bem demais. Ele viu o jeito que os dedos de Sua apertaram a pasta de plástico, o jeito que ela mordeu o lábio inferior por um milésimo de segundo.
Ivan se inclinou para perto da orelha da irmã.
— Ela é bem bonita hoje, não é? — sussurrou ele.
Sua deu um pulo, o rosto ficando vermelho como um pimentão.
— Do que você está falando? — ela tentou recuperar a compostura, ajeitando o colete.
— Você sabe muito bem — Ivan sorriu, mas desta vez não era um sorriso de deboche. Era algo mais cúmplice. — Por que você não vai lá falar com ela? Ela é gente boa.
— Eu sou do conselho estudantil, Ivan. E ela... ela é a Mizi — Sua sussurrou de volta, a voz falhando um pouco. — A gente não tem nada em comum. E ela provavelmente nem sabe que eu existo. Além disso, ela é hétero. Todo mundo sabe disso.
Ivan soltou uma risada abafada, lembrando-se das conversas que tinha com Mizi quando estavam sozinhos, longe dos olhares curiosos da escola. Se Sua soubesse...
— Você se surpreenderia, maninha.
— Fica quieto — Sua murmurou, voltando a olhar para os próprios pés.
Nesse momento, Mizi passou pelo grupo. O perfume doce de baunilha e algo cítrico pareceu flutuar atrás dela. Ela parou por um segundo, olhando para Ivan.
— E aí, estorvo — Mizi disse, com um sorriso de canto que fez metade dos garotos no corredor prenderem a respiração. — Vai ter treino hoje ou você vai ficar só desfilando essa jaqueta por aí?
— Vai ter treino, Mizi. Alguns de nós realmente trabalham duro — Ivan respondeu, devolvendo o sorriso.
Mizi soltou uma risada baixa, aquele som que parecia vibrar no ar. Seus olhos dourados, por um breve momento, desviaram de Ivan e pousaram em Sua.
Sua sentiu o mundo parar. Mizi não disse nada, mas deu um pequeno aceno de cabeça para ela, um reconhecimento silencioso, antes de continuar andando com suas amigas.
— Puta que pariu — Till murmurou, encostado no armário, parecendo que tinha acabado de ver uma divindade.
— Fecha a boca, Till, tá escorrendo baba — Ivan provocou, empurrando o ombro do cinzento.
— Vai se ferrar, Ivan! — Till gritou, mas o rosto estava vermelho.
O sinal tocou, o som estridente ecoando pelas paredes de metal. O caos do corredor começou a se dissipar enquanto os alunos se dirigiam às salas.
Mizi, já longe dali, sentiu um pequeno sorriso brincar em seus lábios. Ela gostava de como Sua sempre parecia tão organizada, tão... correta. Havia algo naquela garota de cabelos curtos e olhos roxos que a intrigava muito mais do que os jogadores de futebol que viviam mandando mensagens para ela. Mas, claro, Mizi nunca diria isso em voz alta. Pelo menos, não ainda.
No intervalo, o cenário mudou para o refeitório barulhento. Mizi estava sentada em uma mesa central com Lyn, Vivian e Luan. Luan, o namorado de Lyn, estava com um braço passado pelos ombros dela, usando uma camiseta de time e rindo das histórias da namorada.
— Eu juro, Mizi — Luan disse, pegando uma batata frita do prato de Lyn —, o pessoal do time ainda acha que você e o Ivan se pegam no vestiário.
Mizi bufou, encostando a cabeça na mesa. Ela estava com sono, a primeira aula de literatura tinha sido um convite ao cochilo.
— O Ivan é como um irmão idiota que eu nunca quis ter — Mizi murmurou contra o tampo da mesa. — O povo dessa escola tem muita imaginação e pouco o que fazer.
— É porque vocês combinam visualmente — Vivian disse, mexendo em sua salada com desânimo. — Dois populares, bonitos... as pessoas gostam de simetria.
— Pois eu odeio simetria — Mizi levantou a cabeça, os olhos dourados brilhando com um toque de rebeldia. — Eu gosto do inesperado.
Ela olhou para a mesa do canto, onde o grupo de Ivan estava sentado. Ivan estava jogando uma bolinha de papel em Till, que tentava ignorá-lo enquanto conversava com Luka. Hyuna estava com os pés em cima da cadeira, digitando furiosamente no celular enquanto comia um sanduíche.
E Sua... Sua estava lendo um livro grosso, parecendo completamente alheia ao caos ao seu redor.
Mizi sentiu um aperto estranho no peito. Ela queria saber o que Sua estava lendo. Queria saber se ela gostava de rock ou de música pop chiclete. Queria saber se o jeito certinho dela era apenas uma fachada ou se ela realmente seguia todas as regras.
— Mizi? Terra chamando Mizi — Lyn estalou os dedos na frente do rosto da amiga.
— Oi, que foi? — Mizi piscou, voltando à realidade.
— Você viajou legal agora — Lyn riu. — A gente estava falando sobre a festa na casa do Theo na sexta. Você vai, né?
— Se não tiver nada melhor pra fazer, tipo dormir, eu vou — Mizi deu de ombros, voltando a se encostar na cadeira.
Do outro lado do refeitório, a conversa era igualmente caótica.
— Eu estou dizendo, Hyuna — Luka falava, gesticulando com a mão livre —, se você usar o método de dedução lógica para a prova de amanhã, você não precisa decorar as fórmulas.
— Luka, meu cérebro não funciona com lógica, ele funciona com base em memes e cafeína — Hyuna respondeu, sem tirar os olhos da tela. — Mas valeu a tentativa.
Till soltou um suspiro pesado, olhando para o prato de comida.
— Vocês viram o jeito que ela falou com o Ivan no corredor? — Till perguntou, a voz baixa e cheia de insegurança.
— Till, pelo amor de Deus — Ivan revirou os olhos. — A Mizi fala com todo mundo assim. É o jeito dela. Ela é sarcástica, ela é debochada. Não significa que ela quer casar comigo.
— Mas ela sorriu pra você — Till insistiu.
— Ela sorri pra parede e a parede se apaixona, Till — Sua interveio, fechando o livro com cuidado. — Não leva pro lado pessoal.
Ivan olhou para a irmã e depois para Till. Ele sentiu aquela vontade familiar de provocar, mas também algo mais profundo. Ele queria que Till olhasse para ele daquele jeito que olhava para Mizi. Mas Ivan sabia esconder seus sentimentos sob camadas de sarcasmo e jaquetas de time.
— Sabe o que você precisa, Till? — Ivan disse, esticando as pernas por baixo da mesa. — Você precisa parar de projetar seus sonhos de fã nela e começar a viver a realidade.
— E qual é a realidade, "gênio"? — Till retrucou, estreitando os olhos.
— A realidade é que você está perdendo tempo — Ivan disse, o tom de voz mudando levemente, ficando mais sério por um breve segundo antes de voltar ao normal. — Agora, me dá um pedaço desse seu brownie antes que eu conte pra todo mundo que você tem uma playlist chamada "Músicas para desenhar a Mizi".
— Você não se atreveria! — Till exclamou, protegendo o doce.
— Tenta a sorte — Ivan piscou.
O dia na Anakt Academy continuou entre aulas de química, treinos no campo e encontros rápidos nos armários. Para a maioria, era apenas mais um dia de ensino médio. Mas para aquele grupo de jovens, cada troca de olhar, cada provocação e cada segredo guardado era um universo inteiro prestes a colidir.
Mizi saiu da escola naquele dia sentindo o peso dos olhares, mas sua mente estava longe. Ela pensava na pequena Sua e em como o roxo dos olhos dela combinava com a saia xadrez.
Sua, por sua vez, caminhava para casa ao lado de Ivan, ouvindo-o reclamar do treinador, enquanto guardava na memória o exato segundo em que Mizi a notou no corredor.
E no quarto escuro de sua casa, Till abria o caderno de desenho, o grafite deslizando pelo papel para criar contornos que ele ainda não tinha coragem de mostrar a ninguém, enquanto Ivan, em sua própria casa, olhava para uma foto do time onde Till aparecia ao fundo, bagunçado e irritado, e sorria sozinho.
A escola era um palco, e as cortinas estavam apenas começando a se abrir.
