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Em 4 paredes

Fandom: Peaky blinders

Criado: 10/09/2026

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Trinta Noites de Chumbo

Small Heath inteira parecia estar pisando em ovos, mas a culpa não era dos italianos, nem da polícia e muito menos de algum complô político vindo de Londres. O motivo do terror que assolava as ruas enfumaçadas de Birmingham era bem mais doméstico e tinha nome, sobrenome e um bigode impecavelmente aparado: Arthur Shelby.

Tudo havia começado trinta dias antes. Uma discussão tola, daquelas que Arthur adorava alimentar quando misturava uísque barato com cocaína e teimosia. Ele havia ultrapassado todos os limites, quebrado metade dos móveis da nossa sala em um acesso de raiva desmedido e colocado a segurança de nós dois em risco por pura imprudência. Quando a poeira baixou e a sobriedade forçada bateu à porta dele, decretei a sentença: trinta dias de greve. Sem toques, sem carícias, e, principalmente, sem sexo. Nem uma única vez.

Arthur achou que era blefe. Riu com aquela risada rouca e debochada, achando que na primeira noite fria eu cederia ao peso do seu corpo e ao calor dos seus lençóis.

Ele estava redondamente enganado.

O resultado da minha determinação foi uma catástrofe para a família Shelby. Sem a válvula de escape habitual, a energia caótica de Arthur acumulou-se como vapor em uma caldeira prestes a explodir. Ele andava pelos escritórios da Water Street chutando cadeiras, espancando apostadores que atrasavam meros cinco minutos e gritando até perder a voz no The Garrison. Polly já não aguentava mais ouvir as reclamações dele, John evitava cruzar seu caminho para não levar um soco sem motivo e os homens de confiança tremiam só de ouvir os passos pesados das suas botas.

No vigésimo quinto dia de greve, a campainha da minha casa tocou com uma batida ritmada e metálica. Abri a porta e me deparei com Thomas Shelby. O sobretudo escuro, o chapéu de feltro inclinado e a fumaça azulada de um cigarro que nunca parecia se apagar.

Thomas não esperou convite. Entrou tirando as luvas de couro, caminhou com calma até a pequena mesa lateral e serviu-se de um dedo de uísque.

— Você precisa parar com isso — disse Thomas, com sua costumeira voz rouca e baixa, sem rodeios.

— Não me lembro de ter te chamado aqui para opinar sobre a minha vida, Tommy — respondi, cruzando os braços e encostando-me no batente da cozinha.

— Isso deixou de ser a sua vida no momento em que ele quase quebrou o maxilar de um dos contadores da fábrica ontem à tarde — retrucou Thomas, tragando o cigarro e me encarando com seus olhos gélidos. — Ele está incontrolável. Já quebrou três mesas no Garrison, perdeu a paciência com clientes importantes e o humor dele está custando dinheiro à família.

Soltei uma risada cínica, balançando a cabeça.

— Ele quebrou a minha casa antes de tudo isso, Tommy. Ele precisa aprender que não manda em mim só porque carrega o sobrenome Shelby.

— Eu não me importo com quem manda em quem entre quatro paredes — rebateu Thomas, dando mais um passo em minha direção, o semblante impassível, mas com uma centelha de exaustão visível nas olheiras. — O que me importa é que meu irmão mais velho está parecendo um cão raivoso porque você fechou as pernas. Termine com isso. Faça o que tiver que fazer com ele na cama, deixe-o exausto, arranque essa loucura da cabeça dele, mas resolva. Hoje.

— Faltam cinco dias — declarei com firmeza, sustentando o olhar cinzento e calculista de Thomas. — E eu não volto atrás na minha palavra. Se eu ceder agora, ele vai achar que pode fazer o que quiser e que tudo se resolve com um estalar de dedos. O Arthur precisa aguentar as consequências.

Thomas me encarou por longos segundos, medindo forças silenciosamente. Por fim, soltou o ar com força, apagando a ponta do cigarro no cinzeiro sobre a mesinha.

— Cinco dias — disse ele, ajeitando a lapela do casaco. — Se na manhã do trigésimo primeiro dia ele continuar com esse humor dos infernos, eu mesmo venho aqui arrastar você pelos cabelos até a cama dele.

— Diga ao seu irmão para manter as mãos no bolso até lá — encerrei, apontando para a porta.

Thomas foi embora sem dizer mais uma palavra, deixando para trás apenas o cheiro acre de tabaco e a certeza de que a contagem regressiva havia se tornado uma questão de sobrevivência para Small Heath.

Os cinco dias seguintes foram uma tortura mútua. Eu via Arthur passar pela rua com seu terno escuro, a boina puxada sobre a testa, as mãos enterradas nos bolsos e os olhos claros queimando de frustração toda vez que ele me via na janela. Ele não ousou quebrar o acordo, mas sua postura exalava puro desespero. Ele me desejava, e a abstinência estava consumindo o pouco de juízo que ainda lhe restava.

Na noite do trigésimo dia, o relógio de pêndulo na minha sala bateu as doze badaladas. Meia-noite.

Trinta dias completos.

Antes mesmo que a última badalada silenciasse, passos pesados subiram apressados os degraus de madeira da escada externa. A maçaneta rangeu, e a porta foi empurrada com força, batendo contra a parede.

Lá estava ele. Arthur. O cabelo castanho-escuro úmido de suor e chuva fina, puxado para trás, a respiração curta e descompassada, o peito subindo e descendo por baixo do colete elegante. Ele parecia um animal enjaulado que acabara de ver as grades se partirem.

— O tempo acabou — rugiu Arthur, com a voz embargada, grave, rouca até o limite. — Trinta dias, porra. Trinta dias inteiros!

— Boa noite para você também, Arthur — murmurei, mantendo a calma aparente, embora meu coração já batesse contra as costelas diante da eletricidade crua que emanava dele.

Ele não esperou. Cruzou a sala em passadas largas, chutou a porta para fechá-la num estrondo seco e me prensou contra a parede mais próxima antes que eu pudesse formular outro pensamento. Suas mãos calejadas e firmes seguraram meu rosto com uma brutalidade contida, quase trêmula de tanta necessidade.

— Eu quase enlouqueci — rosnou ele contra a minha boca, colando seus lábios nos meus com uma urgência violenta.

O beijo de Arthur tinha gosto de uísque, tabaco e uma fome insaciável que havia sido reprimida por semanas. Ele me engoliu, invadindo minha boca com a língua quente e possessiva, soltando gemidos abafados contra a minha garganta enquanto arrancava meu casaco e rasgava dois botões da minha camisa no processo.

— Arthur, calma... — tentei dizer, sem fôlego, mas ele apenas apertou ainda mais meu quadril contra o dele.

— Calma é o caralho! — disse ele, a voz falhando em puro desejo. — Eu esperei trinta noites por você. Trinta noites pensando no seu corpo, na sua pele, no jeito que você geme o meu nome. Você não sabe o que fez comigo.

Ele não me deu espaço para respirar. Empurrou-me em direção ao quarto, tropeçando nos próprios sapatos enquanto tirava o paletó e soltava os suspensórios. Nós caímos sobre o colchão em uma confusão frenética de tecidos e membros entrelaçados.

Arthur me desnudou com as mãos trêmulas de ansiedade, admirando cada centímetro da minha pele à luz parca da lamparina. Ele desceu os beijos ardentes pelo meu pescoço, mordiscando a curva do meu ombro, deixando marcas arroxeadas onde quer que sua boca tocasse. Ele estava faminto, feroz, mas completamente entregue.

A primeira rodada foi uma tempestade de impulsividade pura. Ele mal esperou que eu me ajustasse; ajoelhou-se entre minhas coxas, usando a saliva e o óleo que guardávamos na gaveta com pressa desajeitada, preparando-me com dedos grossos e firmes que me fizeram arquear as costas de imediato. Quando seus dedos afundaram dentro de mim, puxei seu cabelo para trás com força, deixando escapar um gemido sôfrego.

— Porra... você é tão apertado — sussurrou ele, os olhos febris fixos nos meus enquanto alargava a passagem com movimentos rápidos e calculados. — Meu. Você é meu.

Quando ele finalmente alinhou o quadril e empurrou sua ereção espessa para dentro de mim de uma só vez, a sensação foi avassaladora. Arfei alto, cravando as unhas nas costas largas de Arthur, sentindo cada centímetro quente preencher meu corpo de um jeito que havia feito uma falta dolorosa durante todo aquele mês.

Arthur soltou um urro rouco, enterrando o rosto no meu pescoço enquanto começava a estocar com força e cadência implacável. O rangido da cama velha de madeira acompanhava o ritmo violento dos seus quadris batendo contra os meus. O suor colava nossos peitos, o cheiro de sexo e pele queimando preenchia o ar abafado do quarto. Ele não aguentou muito naquela primeira investida; o acúmulo de trinta dias cobrou seu preço, e com uma série de estocadas desordenadas e profundas, Arthur derramou-se dentro de mim enquanto gemia meu nome com uma devoção quase religiosa.

Ele desabou sobre o meu peito, o coração dele disparado como o galope de um cavalo de corrida.

— Você quase me matou — sussurrou ele, ofegante, beijando o suor da minha testa.

— Você mereceu cada segundo — provoquei, sorrindo de lado, ainda recuperando o fôlego.

Arthur levantou o rosto, os olhos azuis brilhando na penumbra com uma faísca perigosa.

— Acha que terminou? Nós mal começamos.

E ele não estava brincando.

Vinte minutos depois, quando a pulsação mal havia se normalizado, Arthur já estava rígido outra vez, a frustração acumulada transformando-se em uma energia aparentemente inesgotável. Dessa vez, ele me virou de bruços contra os lençóis amassados, puxando meu quadril para cima com firmeza.

Na segunda rodada, a pegada foi diferente. Foi possessiva, compassada e impiedosa. Ele me abriu novamente com os polegares antes de deslizar para dentro devagar, preenchendo-me até o limite. Cada estocada que Arthur dava acertava meu ponto mais sensível lá dentro, arrancando de mim gemidos altos e desavergonhados que ecoavam pelas paredes finas da casa. Ele segurava meu quadril com tanta força que eu sabia que ficariam as marcas de seus dedos no dia seguinte.

— Grita mais alto — murmurou ele, curvando-se sobre as minhas costas para morder o lóbulo da minha orelha —, quero que os vizinhos e que a porra de Small Heath inteira saiba que eu voltei para onde pertenço.

A terceira rodada nos pegou no chão do quarto, sobre o tapete gasto. Eu o montei, assumindo o controle enquanto Arthur jogava a cabeça para trás, as mãos firmes na minha cintura enquanto eu subia e descia em seu membro latejante, ditando um ritmo alucinante que o fazia rosnar palavrões a cada descida. A sensação de tê-lo tão fundo, de ver a vulnerabilidade e o prazer estampados naquele homem tão temido nas ruas de Birmingham, me levou ao ápice rapidamente, fazendo-me gozar sobre nossos estômagos antes que ele me puxasse para baixo para me beijar com fúria e atingir seu próprio clímax logo em seguida.

A noite parecia suspensa no tempo. Não havia guerras de gangues, não havia Thomas Shelby cobrando lucros, não havia sombras do passado. Éramos apenas dois homens exaustos de saudade, devorando um ao outro para compensar cada dia de distância.

Na quarta vez, o cansaço começou a se misturar com a luxúria. Foi um ato mais lento, dolorosamente íntimo. Deitados de lado, com as pernas entrelaçadas, ele me penetrou com calma, olhando fundo nos meus olhos enquanto sussurrava promessas roucas e juras que ele jamais admitiria em voz alta diante dos irmãos. Cada movimento era suave, quase uma reconciliação silenciosa, curando as feridas da briga que nos havia afastado. Nossos corpos deslizavam um no outro sem pressa, até que o prazer nos consumiu mais uma vez em uma onda densa e quente.

Quando a quinta rodada começou, as primeiras luzes cinzentas da alvorada de Birmingham já começavam a filtrar através das cortinas empoeiradas. Arthur me puxou contra o peito na beirada da cama, levantando uma das minhas pernas sobre o seu ombro largo.

— Eu não me canso de você — sussurrou ele, beijando a parte interna da minha coxa enquanto se alinhava mais uma vez para entrar. — Nunca vou me cansar.

— Então me mostra — desafiei, a voz rouca pelo uso excessivo e pelo cansaço que pesava nos meus músculos, mas com o desejo ainda aceso no peito.

Ele entrou com tudo, arrancando um último grito abafado da minha garganta. As estocadas finais foram viscerais, impulsionadas pelo restinho de adrenalina da noite, até que nós dois alcançamos o êxtase juntos, colapsando nos lençóis empapados de suor e entrega mútua.

O silêncio finalmente reinou no quarto, quebrado apenas pela nossa respiração entrecortada e pelo apito distante das fábricas que anunciavam o início de mais uma jornada de trabalho. Cinco rodadas completas. Mais do que qualquer homem comum aguentaria, mas Arthur nunca fora um homem comum.

Ele me puxou para os seus braços, envolvendo meu corpo completamente, colando minhas costas ao seu peito quente. Arthur enterrou o nariz nos meus cabelos bagunçados, suspirando com um alívio genuíno, a agressividade e a irritação dos últimos trinta dias finalmente evaporadas de seus ombros.

— Nunca mais — murmurou ele contra o meu pescoço, com a voz pesada de sono. — Nunca mais invente uma greve dessa, pelo amor de Deus. Eu quase queimei a cidade.

Sorri de canto, sentindo o peso do braço dele me protegendo, o calor reconfortante de tê-lo de volta por inteiro.

— Se você se comportar, Arthur — respondi baixinho —, não vai precisar passar por isso de novo.

— Eu me comporto — prometeu ele, fechando os olhos enquanto o sono finalmente o vencia. — Ao menos até amanhã à noite.

Lá fora, Small Heath começava a acordar, e Arthur Shelby finalmente estava em paz. E, por consequência, o resto do mundo também.

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