Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Trinta dias (Arthur)

Fandom: Peaky blinders

Criado: 10/09/2026

Tags

RomanceDramaAngústiaPWP (Enredo? Que enredo?)HistóricoCrimeCenário CanônicoLinguagem ExplícitaAbuso de ÁlcoolUso de Drogas
Índice

A Fúria e a Carne

Sete anos dividindo a mesma cama com Arthur Shelby eram suficientes para ensinar a qualquer homem como sobreviver a um terremoto. Eu conhecia cada cicatriz em seu peito, cada sombra que a guerra havia gravado em sua mente e o peso exato de sua mão quando ele procurava a minha no escuro. Mas, há quase um mês, aquela cama imensa e fria em nossa casa nos arredores de Birmingham parecia maior do que a porra da cidade inteira.

Uma briga idiota, daquelas em que o temperamento explosivo dele cruzava a linha da decência, tinha me esgotado. Arthur havia quebrado três cadeiras, me chamado de nomes que não admito nem mesmo de um Shelby e descarregado a fúria cega em cima de mim por causa de uma remessa clandestina que deu errado. Minha resposta não foram gritos nem socos. Minha vingança foi cirúrgica: greve. Nem um único beijo. Nem um mísero toque sob os lençóis. Trinta dias de abstinência total.

E aquilo, para um homem que funcionava à base de fumaça, uísque e posse física, era uma sentença de morte.

Nas primeiras duas semanas, Arthur tentou agir como se não se importasse. Andava pela casa empertigado, ajustando o colete de lã com força desnecessária, me lançando olhares carregados enquanto puxava o suspensório. Mas, na terceira semana, o homem virou uma fera enjaulada. As notícias chegavam até mim diariamente: Arthur havia arrebentado o nariz de um apostador no The Garrison sem motivo algum; Arthur tinha disparado um tiro no teto do escritório de apostas porque um rapaz derrubou tinta; Arthur estava fumando três maços de cigarros por hora e rosnando para qualquer um que cruzasse seu caminho.

A família não aguentava mais. Polly já havia me mandado dois recados sutis por intermédio de Ada, dizendo que Arthur estava "insuportável até para os padrões dos Shelby". Mas a gota d'água veio na manhã de uma terça-feira chuvosa, quando a porta da frente se abriu sem cerimônia.

Eu estava na cozinha, terminando uma xícara de chá forte, quando os passos medidos e lentos ecoaram pelo assoalho. Não era Arthur. Os passos de Arthur eram pesados, arrastados pela pressa e pelo ódio. Aqueles eram calculados.

Thomas Shelby entrou na cozinha, tirando a boina com a gilete costurada na aba e batendo as gotas de chuva contra a perna da calça. O casaco preto e pesado pingava no tapete. Ele me encarou com aqueles olhos gélidos, de um azul que parecia perfurar os ossos.

— Você está destruindo os negócios — disse Thomas, puxando a cadeira à minha frente e sentando-se sem esperar um convite.

— Bom dia para você também, Tommy — respondi, levando a xícara aos lábios com a mais absoluta calma.

Thomas apoiou os cotovelos na madeira da mesa e tirou uma cigarrilha do bolso do casaco, acendendo-a com um fósforo antes de soltar a fumaça cinzenta no ar limpo da minha cozinha.

— Arthur quase matou um italiano ontem à noite por causa de uma garrafa de gim vazia — Thomas continuou, a voz num tom monocórdico, quase cansado, mas com a autoridade de sempre. — E hoje de manhã ele jogou John contra a parede do depósito. O homem está incontrolável. Nem mesmo a droga da cocaína acalma aquele filho da mãe.

— Ele precisa aprender a controlar a própria língua — rebati com firmeza. — Sete anos casado com ele, Tommy. Eu tolero o sangue, tolero as ordens da companhia e tolero as noites em que ele volta fedendo a pólvora. Mas não tolero falta de respeito sob o meu teto.

Thomas soltou um suspiro pesado, tragando a fumaça até o fundo dos pulmões. Ele esfregou a ponte do nariz, parecendo visivelmente esgotado. Se Thomas Shelby estava admitindo cansaço, a situação na rua Water Street devia ser um verdadeiro inferno na terra.

— Termine logo com isso — pediu Tommy, e a palavra "pediu" era o mais próximo de um favor que aquele homem já havia chegado em toda a vida. — Vá até o Garrison. Puxe ele para um dos quartos dos fundos. Foda a cabeça daquele homem até ele voltar a raciocinar direito. A família não suporta mais vinte e quatro horas com Arthur Shelby de pau duro e mente vazia andando por Small Heath.

Soltei uma risada baixa, sem humor.

— Faltam dois dias para completar o mês, Thomas.

— Eu não me importo com o seu calendário — Tommy retrucou, estreitando os olhos. — Nós temos um carregamento para entregar em Londres na sexta-feira. Preciso do meu irmão mais velho com a cabeça no lugar, não atirando nas próprias sombras porque você decidiu colocá-lo de castigo.

— Então diga a ele para vir para casa e pedir desculpas como um homem civilizado — respondi, sustentando o olhar dele sem pestanejar. — Não vou abrir as pernas só porque você quer a sua arma mais eficiente calibrada. Ele vai esperar até o último segundo.

Thomas me encarou em silêncio por um longo minuto. Vi o cálculo frio passando por sua mente, pesando se valia a pena insistir ou aceitar a derrota. Por fim, ele apagou a ponta da cigarrilha na borda de um pires velho, colocou a boina de volta sobre a cabeça e levantou-se.

— Dois dias — disse Tommy, virando as costas. — Se na quinta-feira ele não estiver calmo, eu mesmo trago ele amarrado até essa porta.

Thomas foi embora, deixando para trás o cheiro amargo de tabaco e a certeza de que a contagem regressiva havia começado.


A quinta-feira chegou fria, escura e pesada. O relógio de pêndulo na sala de estar marcava quase onze horas da noite quando a maçaneta girou com violência. O rangido da porta de entrada avisou que a tempestade finalmente havia entrado na casa.

Arthur jogou a boina na mesinha de canto, fazendo um vaso chacoalhar. Ele usava o terno risca de giz surrado, o colete desabotoado no topo e a gravata frouxa. O cabelo castanho-escuro, cortado curto nas laterais e longo no topo, estava desgrenhado, fios caindo sobre a testa úmida de suor e chuva. Ele tinha a barba por fazer, os olhos claros injetados de sangue e uma fúria contida que emanava de cada poro.

Eu estava encostado no batente que dividia a sala do corredor, vestindo apenas uma camisa de linho branco e calças folgadas, descalço. Olhei para o relógio.

— Meia-noite em ponto — murmurei, cruzando os braços. — O mês acabou, Arthur.

Ele congelou no meio da sala. O peito largo subia e descia em respirações entrecortadas. Seus punhos se fecharam ao lado do corpo, as juntas dos dedos esbranquiçadas, cheias de escoriações antigas e recentes. Ele me encarou como se estivesse diante de uma miragem no deserto, um animal faminto que acabava de ver a carne ser jogada no chão da jaula.

— Você quase me fez perder a porra da cabeça — a voz de Arthur saiu rouca, arranhada, um rosnado grave que vibrou nas paredes da sala.

— Você fez por merecer — provoquei, mas não dei um passo para trás.

Arthur não respondeu com palavras. Em dois passos largos, ele cruzou a distância que nos separava. Suas mãos calejadas e ásperas agarraram a gola da minha camisa com uma força brutal, rasgando o tecido fino sem hesitação enquanto me empurrava contra a parede de madeira do corredor. O impacto soltou o ar dos meus pulmões, mas antes que eu pudesse respirar de novo, a boca dele colidiu contra a minha.

Não foi um beijo de reencontro carinhoso; foi um assalto.

A língua de Arthur invadiu minha boca com desespero, gosto de uísque barato, fumo de corda e a fome acumulada de quatro semanas de inferno. Seus dentes morderam meu lábio inferior com força suficiente para tirar o gosto metálico de sangue, enquanto uma de suas mãos desceu para a minha cintura, apertando a carne com tanta intensidade que certamente deixaria hematomas roxos no dia seguinte.

Eu gemi contra a boca dele, agarrando seus cabelos úmidos e puxando-o para mais perto. O calor do corpo dele era abrasador. Arthur soltou um rosnado gutural, prensando o quadril contra o meu. Ele estava duro feito pedra, o volume volumoso sob o tecido grosso do terno pressionando diretamente contra a minha virilha, arrancando de mim um suspiro trêmulo de pura necessidade acumulada.

— No quarto — murmurei com dificuldade entre beijos afoitos. — Arthur... na cama.

— Não aguento chegar até a porra da cama — ele grunhiu contra o meu pescoço, mordendo o ponto sensível logo abaixo da minha mandíbula.

Mesmo assim, com passos desajeitados e mãos que arrancavam roupas em pleno movimento, ele me empurrou pelo corredor até o quarto. A camisa dele voou para longe, os botões do colete estalaram ao cederem à pressa dos meus próprios dedos, e em poucos segundos os suspensórios dele foram descartados.

A cama gemeu sob o peso de nossos corpos quando desabamos sobre o colchão.

A primeira rodada foi puro desespero. Não houve preliminares delicadas. Arthur subiu por cima de mim, arrancando minhas calças com uma voracidade que me deixou nu diante de seu olhar devorador. Ele pegou um pote de unguento oleoso na gaveta de cabeceira com as mãos trêmulas, espalhando uma quantidade generosa entre os dedos. A respiração dele era tão ruidosa quanto a fornalha de uma fábrica.

— Olha pra mim — ele ordenou, a voz quebrada pela urgência enquanto abria minhas coxas com os joelhos largos. — Olha pra mim, seu desgraçado. Sabe o que é passar trinta noites sonhando com isso aqui?

— Mostra, Arthur — pedi, a voz falhando enquanto sentia seus dedos grossos e quentes me invadirem sem muita espera, preparando o caminho de forma rápida, mas precisa o suficiente para que a dor desse lugar à vertigem do prazer. — Mostra logo.

Ele não esperou mais nada. Alinhou-se entre as minhas pernas abertas, apoiou as mãos ao lado da minha cabeça e empurrou o quadril para a frente de uma vez só.

Um grito abafado escapou da minha garganta quando o tamanho imponente dele preencheu meu corpo até o limite. Senti cada centímetro da carne quente e pulsante de Arthur esticando minhas paredes internas, uma invasão profunda que fez minhas costas arcarem contra o lençol. Arthur fechou os olhos com força, a mandíbula travada, soltando um gemido rouco que pareceu ser arrancado do fundo de sua alma.

Ele começou a se mover imediatamente. Estocadas fundas, pesadas, quase violentas no ritmo. O som da nossa pele colidindo com força ecoava pelo quarto silencioso, misturando-se aos meus gemidos descompassados e aos xingamentos sujos que Arthur despejava ao meu ouvido. Suas mãos seguravam meus quadris com firmeza, puxando-me de encontro a cada investida, ditando uma cadência que me deixava tonto.

Eu entrelacei minhas pernas ao redor de sua cintura forte, recebendo cada golpe com o mesmo fervor. O suor colava nossos peitos; o peito cabeludo e marcado de Arthur deslizava contra o meu a cada descida. Não durou muito. A privação havia cobrado seu preço. Em menos de dez minutos daquele ritmo brutal, Arthur desferiu três investidas desesperadas, seus dedos cavando minha pele, e derramou-se fundo dentro de mim com um urro longo, enquanto eu gozava livremente entre nossos ventres, a mente em branco pela intensidade do choque.

Ele desabou com a testa contra o meu ombro, o coração batendo como um tambor de guerra descompassado.

— Uma — sussurrei com a voz trêmula, rindo entre o cansaço e o êxtase.

Arthur ergueu a cabeça. Os olhos claros brilhavam na penumbra, sem qualquer vestígio de sono ou rendição. Um sorriso torto e perigoso surgiu em seus lábios suados.

— Nem comecei, meu bem — ele sussurrou, a respiração quente queimando meu queixo.

A segunda rodada começou antes mesmo que a primeira esfriasse por completo. Ele me virou de bruços sem qualquer cerimônia, puxando meus quadris para cima até que eu ficasse apoiado sobre os joelhos. Suas mãos grandes espalharam mais unguento pela minha entrada latejante antes de me penetrar por trás em um único golpe certeiro. O ângulo atingiu meu ponto mais profundo com força devastadora, arrancando um grito agudo que rasgou o silêncio da noite. Arthur segurou meus cabelos com uma das mãos, puxando minha cabeça para trás para morder meu ombro enquanto marcava um ritmo impiedoso, castigando minha próstata a cada investida até que minhas pernas tremessem sem sustento.

A terceira rodada nos encontrou na beirada da cama. Arthur sentado no colchão, puxando-me para o seu colo, fazendo-me cavalgar sobre o membro dele que parecia incansável, recuperado por uma adrenalina que só a violência ou a paixão doentia poderiam alimentar. Eu tinha as mãos apoiadas em seus ombros largos, dravando minhas unhas em suas costas enquanto subia e descia em seu pau rígido, sentindo-o entrar tão fundo que parecia tocar minhas costelas. Nós nos beijávamos entre arfadas e gemidos grossos, trocando a saliva e o calor sufocante de uma noite que parecia não ter fim.

Quando a quarta rodada começou, as velas na cômoda já haviam derretido por completo. Meus músculos ardiam, o interior do meu corpo estava completamente sensível, inundado pelo calor dele. Mas não havia espaço para trégua. Arthur me deitou de lado, puxando uma das minhas pernas para cima do seu ombro em um abraço possessivo, entrando lentamente, cada movimento lento e deliberado arrastando-se até o fundo, como se quisesse gravar seu nome em cada terminação nervosa minha.

— Diga que você nunca mais vai fazer isso — ele rosnou, o suor pingando de sua testa em meu peito enquanto estocava devagar, torturantemente fundo. — Diga, porra.

— Eu nunca mais... nunca mais vou deixar você sem isso — confessei, arfando, arqueando o quadril em busca de mais atrito, incapaz de resistir ao domínio daquele homem.

A quinta rodada foi a mais longa, quando as primeiras luzes azuladas e cinzentas do amanhecer começaram a invadir as frestas da janela. Nós dois já estávamos exaustos, as vozes completamente roucas, cobertos de suor e marcas avermelhadas de dentes e dedos.

Arthur me puxou de volta para baixo de si. Desta vez, seus toques carregavam uma reverência que ele só demonstrava a quatro paredes, onde ninguém em Birmingham podia ver o monstro dos Peaky Blinders se desfazer em afeto. Ele beijou minhas pálpebras, o canto dos meus lábios, o lóbulo da minha orelha, enquanto se enterrava devagar em meu corpo dolorido e receptivo. Movia-se em um ritmo constante, hipnótico, os olhos fixos nos meus, sustentando uma intimidade crua e avassaladora que fazia o prazer queimar lento sob a pele.

Quando atingimos o ápice juntos pela última vez, foi como se o ar do quarto tivesse sido sugado. Eu me derramei completamente, exausto, trêmulo, enquanto Arthur gemia meu nome com a voz rasgada, depositando a última gota de sua força dentro de mim antes de cair exausto ao meu lado.

O sol já despontava sobre os telhados e chaminés de fumaça de Small Heath quando a calmaria finalmente se instalou.

Os lençóis estavam emaranhados aos nossos pés, ensopados de suor e dos fluidos da nossa longa madrugada. O cheiro de sexo pesado e almíscar preenchia cada canto daquele quarto. Meus membros pareciam feitos de chumbo, pesados demais para que eu movesse um único dedo.

Arthur esticou o braço longo e pesado, puxando-me contra o peito dele até que minhas costas colassem em sua barriga morna. Ele enterrou o nariz em meus cabelos desgrenhados, soltando uma expiração longa, a primeira respiração verdadeiramente em paz que eu ouvia daquele homem em trinta dias.

— Amanhã eu mato o Tommy — Arthur resmungou baixinho, a voz quase inaudível de tão gasta.

Virei o rosto um pouco para trás, fitando o perfil dele banhado pela luz pálida da manhã.

— Por que diabos você mataria o Tommy agora?

Arthur deu um beijo desajeitado no topo da minha cabeça, os dedos calejados descansando possessivamente sobre o meu quadril ainda dolorido.

— Porque ele sabia exatamente o que estava fazendo quando mandou você terminar com essa porra — murmurou Arthur, fechando os olhos pesados. — E o desgraçado estava certo. Eu não funciono sem você.

Fechei os olhos também, sorrindo contra o travesseiro bagunçado enquanto o calor de seu corpo me envolvia, deixando que o cansaço finalmente vencesse o barulho da cidade que começava a despertar lá fora.

Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic

Novidades do Fanfy

Um novo modelo para suas histórias

Atualizamos o modelo de geração para deixar suas histórias ainda melhores. O novo modelo já está ativado.

Se preferir a versão anterior, escolha «Anterior» no menu do perfil: clique no seu avatar no canto superior direito.

Seus capítulos já escritos serão mantidos. Sua escolha vale para as próximas gerações.