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Ciúmes

Fandom: Jogadores de Futebol

Criado: 10/09/2026

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Território Inegociável

O ar na sala subterrânea do galpão no porto de Antofagasta estava impregnado pelo cheiro acre de charuto barato e pólvora recente. Erick Pulgar permanecia impassível na cabeceira da mesa de carvalho maciço, com os nós dos dedos calejados tamborilando contra o coldre de couro preso ao peito. Noventa por cento do seu corpo era coberto por tinta negra e sombras desenhadas na pele — um mapa de guerras vencidas e vidas ceifadas que começava na linha da mandíbula e descia até os tornozelos. Ele era um pitbull no submundo chileno, um homem cujas ordens não admitiam hesitação, réplica ou desobediência.

À sua frente, Perez, o chefe do cartel rival que disputava as rotas do norte, limpava o sangue do lábio partido com a manga da camisa de seda, exibindo um sorriso insolente que Erick estava a um segundo de arrancar com uma coronhada.

— Você pode ficar com as docas, Pulgar — disse Perez, pigarreando e inclinando-se para a frente com um brilho venenoso nos olhos. — Mas não pense que venceu em tudo. Há coisas suas que eu já desfrutei muito antes de você colocar essa aliança ridícula no dedo.

Erick nem sequer piscou, mas sua postura congelou em uma tensão letal.

— Meça suas palavras, Perez, antes que eu decida arrancar sua língua.

— Só estou dizendo que o seu garoto de ouro tem um gosto refinado — desdenhou o rival, soltando uma baforada de fumaça. — Aquele colombiano bronzeado, cheio de sorrisinhos e tatuagens pelo peito... Ele se contorcia tão bem na minha cama há uns quatro anos, em Cáli. Você acha que é o único dono daquele corpo, mas Jorge sabe exatamente como me agradar.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Dois homens armados de Erick deram um passo involuntário para trás, temendo a explosão iminente do chefe. As veias do pescoço de Pulgar saltaram contra a tinta preta das suas tatuagens. Ele se levantou devagar, com a imponência de uma tempestade preste a desabar. Em um único movimento fluido, puxou a pistola e desferiu uma coronhada violenta na têmpora de Perez, que desabou inconsciente sobre a mesa.

— Guardem as armas e limpem essa merda — rosnou Erick, a voz rouca e gutural vibrando de uma fúria cega. — A reunião acabou.

Ele não esperou resposta. Deu as costas, entrou em seu SUV blindado e pisou fundo no acelerador, cortando as avenidas vazias da madrugada. O veneno de Perez havia entrado em sua corrente sanguínea como fogo líquido. O ciúme possessivo nublava seus sentidos.

Jorge Carrascal não era apenas seu marido. Por anos, fora seu braço direito mais leal, o soldado que cobria suas costas em tiroteios e que trazia luz para a escuridão da sua vida brutal. O relacionamento deles havia sido forjado na pólvora e no sangue, consolidando-se em um hospital clandestino, após uma emboscada em que ambos quase morreram abraçados, temendo que nunca mais se vissem. Naquele leito, com o cheiro de antisséptico e a dor dos ferimentos, eles haviam confessado o que reprimiam há anos. Jorge, com sua alegria contagiante, sua paixão por dança, sua gentileza espontânea e aquele sorriso aberto que derretia a frieza de Erick, tornara-se o centro absoluto da existência do mafioso.

Saber que as mãos asquerosas de Perez poderiam ter tocado aquela pele bronzeada fazia Erick querer queimar o mundo inteiro.

Quando chegou à mansão fortificada no alto da colina, o chileno bateu a porta da entrada com força suficiente para estremecer os lustres de cristal. O som de uma cumbia animada ecoava suavemente pelo andar de cima.

Erick subiu as escadas em passadas largas e pesadas, abrindo as portas duplas da suíte master com violência.

Jorge estava lá. Vestia apenas uma calça de moletom cinza baixa nos quadris, exibindo o abdômen trincado e as tatuagens intrincadas que cobriam seus ombros e braços. Ele segurava uma toalha pequena, secando os cabelos úmidos após o banho, e balançava os quadris no ritmo latino da música, com um sorriso radiante brincando nos lábios.

— Ei, meu amor... — disse Jorge, virando-se com os olhos brilhando em carinho assim que viu o marido. — Você demorou. Preparei algo para a gente com...

O sorriso do colombiano murchou no instante em que ele captou a expressão no rosto de Erick. O chileno parecia um animal selvagem encurralado, com os olhos negros faiscando em pura cólera e as mandíbulas tão travadas que os músculos saltavam na pele.

— Desliga essa porra agora — ordenou Erick, com uma frieza cortante que fez o ar do quarto cair vários graus.

Jorge franziu a testa, surpreso, mas manteve a calma. Ele caminhou até a mesa de cabeceira e desligou o aparelho de som.

— O que aconteceu com você? — perguntou Jorge, cruzando os braços e fitando o marido nos olhos. — A negociação deu errado?

— Não se faça de desentendido, Jorge! — explodiu Erick, avançando dois passos e invadindo o espaço pessoal do outro de forma intimidante. — Há quanto tempo você se deita com o Perez?

Jorge piscou, genuinamente atordoado, recuando meio passo não por medo, mas pelo choque da acusação.

— O quê? Ficou louco da cabeça, Erick?

— Não ouse mentir para mim! — vociferou o mafioso, erguendo o dedo tatuado a centímetros do rosto de Jorge. — Eu conheço quando um homem blefa e quando ele fala com conhecimento de causa. Ele abriu a boca no meio da reunião para falar da sua pele, das suas tatuagens, de como você se contorcia na cama dele em Cáli! Você foi meu braço direito por anos antes de nos casarmos. Você conhecia aquele desgraçado pelas minhas costas?

A incredulidade de Jorge rapidamente deu lugar a uma indignação furiosa. O sangue quente colombiano ferveu em suas veias. Ele nunca abaixava a cabeça para ninguém, nem mesmo para o homem que amava e que comandava um império de medo.

— Você perdeu a porra do juízo, Erick! — gritou Jorge de volta, dando um empurrão no peito maciço do chileno, que mal se moveu, mas vacilou no olhar diante da audácia. — Você escuta aquele verme imundo, aquele rato do caralho, e vem para dentro da nossa casa me acusar disso? Você me conhece melhor do que qualquer um nesta terra!

— Eu conheço o Jorge que estava ao meu lado, mas não sei o que você fazia quando viajava para a Colômbia! — rebateu Erick, com a respiração arfante, o peito subindo e descendo com violência. — Perez descreveu você! Ele falou do seu corpo com uma intimidade que nenhum homem além de mim deveria ter! Você acha que eu sou palhaço? Eu enterro qualquer um que me trair, Jorge. Qualquer um!

— Então pegue a sua arma e atire em mim agora! — desafiou Jorge, dando um passo à frente e colando o próprio peito tatuado contra o de Erick, as lágrimas de raiva e mágoa começando a arder no canto dos seus olhos castanhos. — Atire, Erick! Porque se você realmente acredita que eu seria capaz de me deitar com o homem que quase nos matou naquela emboscada, você nunca me conheceu de verdade. Você é cego por esse seu orgulho doentio e por essa merda de ciúme!

O peito de ambos subia e descia em sincronia descompassada. A respiração quente de Jorge batia no queixo de Erick. O chileno tremia de fúria e frustração, dividido entre o impulso de quebrar as paredes e o horror de ver a dor genuína estampada nos olhos da pessoa mais preciosa da sua vida.

— Ele deu detalhes, Jorge... — murmurou Erick, a voz falhando ligeiramente, deixando transparecer a vulnerabilidade oculta sob a casca de ferro. — Ele falou de quatro anos atrás. Um apartamento em Cáli. Disse que você ria de tudo, que dançava para ele... Eu quase o matei lá mesmo. A ideia de você... com ele...

Jorge parou de repente. As palavras do marido ecoaram em sua mente, desacelerando o turbilhão da raiva.

— Quatro anos atrás? — repetiu Jorge, com a testa vincada em profunda confusão. — Em Cáli?

— Foi o que ele disse antes de eu quebrar a cabeça dele na mesa.

Jorge levou as mãos ao rosto, respirando fundo enquanto sua mente juntava as peças de um quebra-cabeça bizarro. De repente, soltou uma risada amarga e desacreditada, sacudindo a cabeça.

— Você está rindo? — rugiu Erick, os punhos se fechando novamente. — Você acha graça nisso?

— Eu estou rindo da sua estupidez e da arrogância daquele imbecil do Perez! — disparou Jorge, apontando para a gaveta da cômoda. — Abre a primeira gaveta. Pega o meu passaporte antigo. Anda, Erick! Você não é o grande chefe que manda em tudo? Abre e olha as datas!

Erick hesitou por uma fração de segundo, mas o olhar resoluto de Jorge o obrigou a se mover. Ele puxou a gaveta, encontrou o documento azul e folheou as páginas com rapidez. Há quatro anos, Jorge estivera com ele no Chile durante todo o outono e inverno, participando de operações ininterruptas em Santiago. Ele sequer havia pisado na Colômbia naquele ano.

— Eu não estava em Cáli há quatro anos, seu idiota — disse Jorge, a voz agora mais baixa, firme, mas carregada de uma decepção palpável. — Mas sabe quem estava morando lá naquela época? O Romário.

Erick paralisou, levantando os olhos do documento para encarar o marido.

— O seu irmão?

— O meu irmão gêmeo fraterno, Erick. Aquele que tem o mesmo tom de pele que eu, a mesma estrutura de rosto, o mesmo sotaque e o corpo quase todo tatuado com o mesmo estilo urbano que eu tenho. A única diferença é que ele é um pouco mais magro e tem o dobro da minha loucura.

O silêncio voltou a tomar conta do quarto, mas agora o peso era completamente diferente. A ficha de Erick caiu como uma tonelada de chumbo sobre seus ombros.

— Perez... — murmurou Erick, tentando processar.

— Romário teve centenas de casos inconsequentes naquela época em Cáli — explicou Jorge, cruzando os braços e desviando o olhar, visivelmente magoado. — Ele se envolvia com traficantes, mafiosos, com qualquer um que pagasse uma garrafa cara na boate. Perez conheceu o meu irmão. E por causa da nossa semelhança e do fato de Romário viver pulando de cidade em cidade sem deixar rastro, aquele cretino achou que tinha ficado comigo. Ele usou isso hoje só para entrar na sua cabeça, Erick. E você, como o cachorro raivoso que é, caiu direto na armadilha dele.

Erick engoliu em seco. A postura autoritária e rígida de mafioso inabalável desmoronou em questão de segundos. A certeza fulminante transformara-se em uma vergonha esmagadora. Ele olhou para o passaporte em suas mãos, depois para o homem à sua frente — o homem que havia levado um tiro por ele anos atrás, o único que curava suas cicatrizes e que trazia paz aos seus dias sangrentos.

— Jorge... — começou Erick, dando um passo hesitante na direção do colombiano.

— Não — cortou Jorge, virando as costas e caminhando até a varanda, com a respiração ainda trêmula. — Você duvidou de mim. Depois de tudo o que passamos, você ainda achou que eu me venderia para aquele lixo? Que eu quebraria o que temos por causa de um covarde qualquer?

Erick não suportou a distância. Ele fechou a porta da varanda, aproximou-se por trás de Jorge e envolveu a cintura do colombiano com seus braços fortes e tatuados, puxando-o contra o seu corpo. Jorge tentou se desvencilhar em um primeiro momento, empurrando os antebraços de Erick, mas o chileno era imensamente mais forte e se recusava a soltá-lo.

— Me solta, Erick. Eu estou com raiva de você.

— Não solto — sussurrou Erick contra a nuca de Jorge, pousando os lábios ásperos na pele bronzeada e macia, sentindo o tremor involuntário do marido. — Me perdoa, mi vida. Eu perdi a razão. Quando ele falou aquilo, o mundo sumiu. O medo de perder você, a ideia de que outro pudesse ter tocado no que é meu... Isso me cegou. Eu me transformei em um monstro.

Jorge soltou um suspiro pesado, seu corpo aos poucos cedendo contra o calor do peito maciço de Erick.

— Você é um brutamontes inseguro, sabia disso? — murmurou o colombiano, virando a cabeça de lado para encarar os olhos escuros do marido, ainda cheios de culpa.

— Eu sou um desgraçado que não vive sem você — confessou Erick, a voz rouca carregada de uma intensidade quase dolorosa. — Você sabe que o meu império não vale nada se você não estiver do meu lado. Eu queimo quem for preciso, mas a única pessoa no mundo que pode me destruir é você, Jorge.

A vulnerabilidade crua de um homem tão temido desarmou a última barreira de Jorge. O colombiano virou-se dentro do abraço, encarando a face severa e tatuada de Erick. O brilho afetuoso e quente que o chileno tanto amava começou a retornar aos seus olhos.

— Se você voltar a duvidar de mim dessa forma, Erick Pulgar, eu enfio uma bala na sua perna. Entendeu?

Um esboço de sorriso marrento finalmente surgiu no canto dos lábios de Erick, a adrenalina da briga se transformando rapidamente em uma onda densa de desejo acumulado.

— Sim, meu capitão. Sua ordem é uma lei.

Antes que Jorge pudesse responder, Erick capturou seus lábios em um beijo feroz e desesperado. Não havia hesitação ali. A boca de Erick tomou a de Jorge com uma fome voraz, a língua invadindo com possessividade, buscando reafirmar a posse de cada pedaço de pele que Perez ousara mencionar.

Jorge gemeu contra a boca do marido, entrelaçando os dedos nos cabelos curtos da nuca de Erick e puxando-o para mais perto. As mãos calejadas e cobertas de tatuagens do chileno desceram pelas costas bronzeadas de Jorge, apertando os quadris dele com força e erguendo-o do chão sem esforço. Jorge envolveu as pernas ao redor da cintura larga de Erick, que o carregou até a cama King size no centro do quarto, jogando-o sobre os lençóis escuros de cetim.

— Você é meu — rosnou Erick, retirando a camisa preta em um puxão rasgado, exibindo o peito completamente tomado por símbolos tribais, runas e cicatrizes de guerra. — Da raiz do cabelo até a ponta dos pés. Nenhum outro homem nunca vai saber o gosto disso.

— Prove — provocou Jorge com a respiração entrecortada, os olhos faiscando em desafio e desejo, abrindo os braços sobre a cama e exibindo seu sorriso brilhante, aquele mesmo que pertencia unicamente a Erick.

O mafioso desceu sobre ele com a voracidade de uma fera liberta. Seus lábios trilharam um caminho de fogo pelo pescoço de Jorge, descendo pela clavícula e mordendo de leve a tatuagem sobre o peito esquerdo do colombiano, exatamente onde o coração batia acelerado. Jorge arqueou as costas, enterrando as unhas nas costas largas de Erick, arranhando as tintas pretas enquanto seus corpos nus colidiam com fervor.

O sexo que se seguiu foi urgente, apaixonado e bruto na medida certa. Erick reivindicava cada centímetro do marido, sussurrando promessas ardentes e palavrões roucos em seu ouvido, enquanto Jorge respondia a cada investida profunda com gemidos altos e ritmados, os quadris bailando com a mesma fluidez hipnótica com que costumava dançar na sala. O suor misturava-se sobre as peles bronzeadas e tatuadas, o atrito ecoando no quarto silencioso, consumindo qualquer resquício de mágoa ou desconfiança que a mentira de Perez havia tentado plantar.

Quando ambos atingiram o clímax juntos, em um espasmo violento de prazer compartilhado, Jorge enterrou o rosto no ombro de Erick, mordendo a pele tatuada para abafar o grito que rasgava sua garganta. Erick segurou o colombiano com força esmagadora contra o peito, despejando toda a sua alma e alívio dentro do homem que era seu único e verdadeiro lar.

Minutos depois, com as respirações voltando lentamente ao normal, Erick permanecia deitado de lado, puxando Jorge para junto de si. A mão pesada acariciava os cabelos bagunçados do colombiano, enquanto o olhar do mafioso mantinha-se fixo nas feições serenas do marido.

— Amanhã cedo — disse Erick, com o tom de autoridade voltando suavemente —, eu vou pessoalmente ao esconderijo de Perez terminar o trabalho. Ninguém respira o mesmo ar que você pensando que pode inventar mentiras sobre a sua vida.

Jorge sorriu com preguiça, aninhando-se melhor no peito de Pulgar e passando os dedos sobre a tatuagem que cobria as costelas do marido.

— Só não faça muita bagunça, amor — murmurou Jorge, bocejando levemente. — E não demore. Você prometeu que ia me ensinar a cozinhar aquele prato chileno amanhã à noite.

Erick beijou a testa de Jorge, deixando escapar o mais raro dos seus sorrisos, reservado apenas para quatro paredes.

— O que você quiser, Jorge. Sempre o que você quiser.

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