
Oliver x Emmy
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 10/09/2026
Tags
Pó de Grafite e Obsessões em Tons Pastel
A noite na Paper School sempre trazia uma brisa fria e silenciosa, perfeita para aqueles que preferiam a escuridão para aprontar suas travessuras habituais. Oliver, no entanto, não estava apenas perambulando pelos corredores do colégio ou desenhando pegadinhas nos armários alheios com Zip e Edward. Ele tinha um objetivo muito mais audacioso e peculiar naquela madrugada: a residência isolada de Emmy, a aluna do terceiro ano cuja existência era um verdadeiro enigma coberto de laços e estética fofa.
Oliver apoiava os pés com firmeza nas saliências de tijolos do muro alto, impulsionando-se com a agilidade quase felina que só um delinquente acostumado a fugir da diretoria poderia ter. Para manter o equilíbrio, ele cravava ocasionalmente a ponta afiada de seu braço esquerdo — que nada mais era do que um enorme e perigoso lápis de grafite — nas frestas da alvenaria. Na boca, entre os dentes afiados e o sorriso cínico, ele mastigava distraidamente um pedaço quadrado de sabonete de lavanda, saboreando a espuma cerosa como se fosse a mais refinada iguaria.
Seus cabelos brancos como folhas de caderno sem pauta, longos o bastante para roçarem seus tornozelos, estavam amarrados em um rabo de cavalo baixo com uma fita preta desgastada. A grande mecha arrepiada no topo de sua cabeça balançava ao vento, enquanto seus chifres negros reluziam sob a luz da lua, acompanhados pela emblemática marca vermelha de "A+" carimbada no lado direito de sua franja.
Com um último impulso de suas botas pretas, ele alcançou o peitoril da janela do segundo andar. A vidraça estava entreaberta, deixando escapar uma fresta de luz arroxeada e sons no mínimo comprometedores.
Oliver apoiou o queixo no parapeito e espiou.
O quarto de Emmy parecia um campo de batalha entre uma loja de conveniência japonesa e um conto de fadas gótico em miniatura. Paredes adornadas com pôsteres brilhantes, pelúcias empilhadas até o teto e fitas cor-de-rosa criavam uma atmosfera quase sufocante. No centro de tudo aquilo, sentada em uma cadeira giratória acolchoada, estava Emmy.
Com seus modestos um metro e cinquenta e seis de altura, a garota parecia completamente alheia ao resto do universo. Seus longos cabelos brancos batiam na cintura, com uma mecha rebelde teimosamente levantada no topo da cabeça, próxima ao estranho símbolo circular azul-claro com a inscrição "6+" gravada em sua fronte. Uma presilha de coração em rosa pastel reluzia logo acima de sua orelha. Ela usava um moletom preto folgado com cordões e punhos cor-de-rosa, uma saia listrada nas mesmas tonalidades e meias pretas até as coxas estampadas com rostinhos de gatinhos sonolentos.
Na tela panorâmica do computador, um anime extremamente explícito — um hentai descarado de temática sobrenatural — rodava a todo vapor. Emmy estava grudada na tela, com os olhos vidrados, as bochechas coradas em um tom escarlate brilhante e os dentes cravados no próprio lábio inferior, completamente arrebatada e emocionada pela cena dramática e picante que se desenrolava. Seus pés, calçados com sapatos rosa pastel, balançavam freneticamente no ar.
Oliver engoliu o último pedaço do sabonete de lavanda, soltou uma pequena bolha iridescente pelo nariz e abriu um sorriso diabólico. Aquela oportunidade era boa demais para ser desperdiçada.
Ele deslizou para dentro do quarto sem fazer o menor ruído, a barra de sua camisa preta roçando o chão acarpetado. Caminhou nas pontas dos pés, mantendo o braço de lápis recolhido contra o peito. Enquanto se aproximava da cadeira desavisada, começou a cantarolar uma melodia desafinada e assustadora em tom de sussurro, avançando centímetro por centímetro como um predador de papel.
Quando estava a apenas um palmo das costas do moletom de Emmy, ele inclinou-se sobre o ombro dela e rugiu:
— Boo!
— Kyaaaaah! — gritou Emmy a plenos pulmões.
O susto foi tão monumental que ela saltou da cadeira como uma mola estragada. Seus fones de ouvido felinos e iluminados voaram longe, ricocheteando contra a pilha de almofadas. Seus braços giraram desgovernados no ar antes de suas costas atingirem o tapete felpudo em um baque estrondoso. Na confusão, o cabo de alimentação do computador foi puxado com força, fazendo a tela escurecer instantaneamente em um clique seco.
O silêncio reinou no quarto por três segundos completos, quebrado apenas pela respiração ofegante da garota caída.
Oliver começou a rir alto, cruzando as pernas e segurando a barriga enquanto apontava o indicador direito para ela.
Emmy piscou, atordoada. O pânico inicial esvaiu-se como fumaça, sendo substituído por uma onda eletrizante de euforia pura. Ela ergueu o tronco rapidamente, pressionando as duas mãos contra as bochechas coradas, com a boca aberta em puro choque e deslumbramento. Seus olhos brilharam com um fascínio obsessivo digno de uma heroína de shoujo que acaba de encontrar seu nêmesis do destino.
— U-um invasor?! — exclamou ela, a voz fina e melódica oscilando entre o delírio e a paixão teatral. — Quem... quem é você, criatura das sombras que ousa profanar os meus aposentos secretos?!
Oliver parou de rir no mesmo instante. A expressão divertida em seu rosto desfez-se, dando lugar a uma carranca de puro nojo e desdém. Ele esperava lágrimas, gritos de socorro ou um choro patético, não aquele teatro barato de desenho animado.
— Que porra de conversa é essa, sua aberração esquisita? — rosnou Oliver, os dentes trincados de irritação. — Cala a boca antes que eu use a minha ponta para furar essa sua cara de pamonha!
Furioso com a falta de medo da garota, Oliver avançou em um bote rápido, erguendo o pesado braço de lápis com a intenção clara de desferir um golpe violento contra a cabeça dela.
No entanto, antes que o grafite pontiagudo pudesse atingi-la, um brilho carmesim pulsou intensamente sob o tecido do moletom de Emmy. Em volta de seu pescoço, o medalhão de metal negro — o lendário amuleto protetor Akuma no Otto — ardeu como brasa viva. Uma barreira invisível de pura energia mística se expandiu em uma fração de segundo, repelindo a investida com a força de um aríete.
O impacto arremessou Oliver de volta contra a parede oposta. Ele caiu sentado no chão, soltando um grunhido de dor e segurando o pulso do braço de lápis, que vibrara dolorosamente com o ricochete.
— Mas que caralho foi isso?! — praguejou o garoto, bufando de raiva enquanto massageava os ombros e fuzilava o peito da garota com o olhar. — Essa porcaria de colar deu choque?! Você tá morta, sua pirralha ridícula! Morta!
Longe de se assustar, Emmy quase explodiu de contentamento. Ver o agressor caído aos seus pés depois de uma manifestação mágica evidente era a realização máxima de todas as suas fantasias literárias.
— Ah! A barreira ancestral respondeu ao toque impuro das trevas! — gritou ela, saltando de pé com uma agilidade surpreendente e dando uma pirueta rodopiante no meio do quarto, fazendo a saia plissada flutuar.
Ela parou a rotação em uma pose dramática, apontando um dedo trêmulo e delicado em direção a Oliver.
— Diga-me, espírito rebelde! — exigiu ela, respirando com dificuldade pela emoção. — Qual é o nome que os ventos da desgraça sussurram quando você caminha?! Como devo chamá-lo em minhas preces proibidas?!
Oliver revirou os olhos com tanta força que quase pôde enxergar os próprios miolos. Apoiou-se no chão para se levantar, com a mecha arrepiada tremendo de puro ódio.
— Meu nome é Oliver, sua idiota desmiolada! — cuspiu ele, sacudindo a poeira das bermudas brancas. — E você vai se arrepender de ter nascido assim que essa porcaria de feitiço parar de funcionar!
Ao ouvir o nome, Emmy levou as mãos ao coração e soltou um suspiro entrecortado.
— Oliver... — sussurrou ela, com a voz embargada em falso sofrimento.
Sem qualquer aviso, ela correu em direção ao guarda-roupa de madeira maciça e se jogou contra as portas com toda a força, batendo as costas ali de forma dolorosamente teatral. Ela escorregou lentamente pela madeira até o piso, mordendo o lábio com força e mantendo os olhos semicerrados em puro transe dramático.
— O poder... a aura maligna dele é avassaladora! — gaguejou ela, encarando as próprias mãos como se sentisse uma maldição invisível queimando sob a pele. — Ele me enfeitiçou! Ele lançou um encantamento arcano sobre os meus pensamentos mais puros!
Oliver parou no meio do caminho, com o queixo ligeiramente caído diante de tamanha demência. Ele encarou o próprio braço de grafite, depois olhou para a garota encolhida no armário.
— Eu não lancei poder nenhum, sua maluca! Eu tentei te quebrar no meio! Você é surda ou só tem estrume dentro desse crânio?!
Ignorando completamente a lógica do mundo real, Emmy desabou de bruços no tapete felpudo, estendendo os braços para frente em uma rendição teatral absoluta.
— Oh, céus... se o castigo supremo é o que você deseja de mim... se você quer isso de verdade... mestre~ — sussurrou ela, com a voz arrastada, dengosa e carregada de uma submissão adocicada de heroína derrotada.
Mas o clima não durou nem dois segundos.
Emmy subitamente jogou os longos cabelos brancos para trás em um movimento brusco, arqueou as sobrancelhas e, alterando a voz de maneira grotesca para um tom cavernoso, rascante e inacreditavelmente grosso, bradou para o teto:
— SIM, PAPAI!
Oliver arregalou os olhos, dando um passo involuntário para trás. Aquele contraste bizarro causou-lhe um calafrio genuíno na espinha.
— Que porra foi essa?! — soltou ele, perplexo.
Antes que ele pudesse raciocinar, Emmy começou a engatinhar pelo chão em sua direção. Seus movimentos eram lentos, sinuosos e exageradamente dramáticos, como uma criatura possuída de filme de terror que tentava ao mesmo tempo parecer uma cortesã apaixonada. As meias de gato arrastavam-se no tapete enquanto ela murmurava palavras desconexas em japonês arcaico.
Oliver permaneceu paralisado, dividido entre o impulso de usar seu lápis para perfurá-la de vez e a pura curiosidade de ver até onde ia a insanidade da garota.
Ela finalmente alcançou os pés dele. Ergueu o tronco com elegância, recuperando a postura calma, serena e angelical, como se nenhuma daquelas palhaçadas tivesse acabado de acontecer. Ela respirou fundo, piscou os olhos azuis com docilidade e...
BAM!
Com a velocidade de uma serpente, a mão espalmada de Emmy atingiu em cheio a bochecha direita de Oliver, estalando um tapa sonoro que ecoou pelo quarto silencioso.
A cabeça do garoto virou com o impacto. A marca vermelha de "A+" em seu cabelo pareceu arder em sincronia com o ferrão avermelhado que se formava em sua pele pálida.
— Mas que caralho você acabou de fazer?! — berrou Oliver, a voz finalmente quebrando em puro desespero e ódio assassino. — Sua vadia lunática, eu vou arrancar seus olhos e comer fatiados!
Emmy inflou as bochechas, ficando instantaneamente furiosa. Seus braços cruzaram-se sobre o peito em uma birra infantil.
— Baka! Você não sabe apreciar o ritmo de uma narrativa épica! — reclamou ela, virando as costas com total desdém para a fúria dele.
Ela marchou decidida de volta para a escrivaninha, apertou o botão do gabinete do computador com força e esperou que os monitores se acendessem novamente. Mal o sistema operacional carregou a área de trabalho, seus dedos começaram a martelar as teclas em uma velocidade aterradora. O som do teclado mecânico parecia uma metralhadora disparando sem controle.
— "Oliver... Paper School... aluno... ficha criminal... tendências violentas..." — murmurava ela enquanto digitava, os olhos saltando freneticamente pelas linhas dos registros digitais e fóruns escolares clandestinos.
À medida que lia sobre as brigas, o sadismo com os outros estudantes, as notas perfeitas forjadas com grafite e o fato notório de que ele devorava barras de sabonete durante os intervalos, a expressão de Emmy começou a sofrer uma mutação bizarra.
A raiva desapareceu por completo.
Suas pupilas dilataram-se tanto que assumiram o formato literal de dois corações brilhantes e reluzentes. As bochechas tornaram-se incandescentes, e seus lábios abriram-se em uma perfeita e exagerada forma de "O", mesclando choque paralisante e o mais puro êxtase romântico que um ser humano poderia manifestar.
— Não pode ser... — arquejou ela, os dedos congelados sobre o teclado. — Ele é... o arquétipo definitivo do valentão sádico com tendências canibais e paladar excêntrico! É ele! O protagonista do meu mangá proibido!
Com as pernas amolecidas por uma onda repentina de paixão avassaladora, Emmy jogou-se para trás da cadeira mais uma vez, aterrissando no chão em outra queda teatral perfeitamente ensaiada. Ela deslizou de joelhos até os pés de Oliver, juntando as mãos em prece diante do queixo e olhando-o de baixo para cima com os olhos lacrimejantes de veneração.
— Oliver-sama! — declarou ela aos prantos de pura felicidade melodramática. — Meu coração de papel agora pertence unicamente a você! Tome minha alma, manche meus cadernos com seu grafite impiedoso, faça de mim o seu rascunho eterno! Eu te amo com a força de dez mil tempestades shoujo!
Oliver ficou parado por alguns instantes, processando aquela avalanche de absurdos. Lentamente, um sorriso cruel, condescendente e profundamente zombeteiro começou a se desenhar em seus lábios. Ele soltou uma risada nasalada e fria, inclinando a cabeça para o lado enquanto seus chifres negros projetavam sombras pontiagudas sobre a parede.
— Se declarar pra mim? — debochou ele, a voz gotejando veneno. — Você realmente tem merda na cabeça, garota. Eu não quero o seu coração de papel. Eu não quero os seus cadernos idiotas. O que eu vou fazer... é estraçalhar esse seu corpo até você virar confete no chão. Eu vou te matar aqui mesmo, sua praga inútil.
Ele deu um passo à frente, erguendo o braço de lápis e apontando a ponta afiada e enegrecida diretamente para a garganta dela.
Emmy arregalou os olhos, respirando de forma entrecortada. Ela levou a mão ao peito, cambaleando levemente no chão como se tivesse sido atingida por um raio de tragédia grega.
— O quê?! Você quer... me...?! — soltou ela em um sussurro dramático, a voz trêmula de pavor teatral.
Mas, no milissegundo seguinte, sua expressão suavizou-se em uma doçura açucarada e quase maníaca. Ela inclinou a cabeça para o outro lado, piscando um dos olhos com um charme doentio.
— Me matar~? — ronronou ela, a voz fina e melíflua como xarope de cereja. — Ah, que romance sangrento e poético! Um amor que transcende a própria barreira da vida e da morte!
A garota levantou-se num salto, mais exaltada e teatral do que em qualquer momento anterior daquela noite insana. Ela esticou o braço em direção à gaveta superior da escrivaninha e puxou de lá uma adaga ornamental de lâmina cintilante e pontiaguda — claramente uma réplica colecionável de algum anime de fantasia sombria, mas que mantinha um fio de corte surpreendentemente afiado.
Segurando a lâmina brilhante com as duas mãos, ela começou a entonar uma canção fúnebre e desafinada em um idioma incompreensível, girando a adaga no ar em arcos deliberados e solenes.
Oliver franziu a testa, recuando meio passo, genuinamente incerto sobre o que aquela louca pretendia fazer com uma arma branca real.
Com um movimento repentino e certeiro, Emmy enganchou a ponta da adaga sob o cordão resistente que sustentava o medalhão Akuma no Otto em seu pescoço. Em vez de atacar o invasor, ela puxou o cabo da arma para cima com toda a força de seus braços franzinos.
O cordão rompeu-se com um estalo seco.
A adaga arremessou o pingente negro para o alto. O amuleto descreveu uma parábola no ar antes de colidir contra o chão de madeira maciça. Ao atingir o piso sem a proteção da carne de sua portadora, a pedra central do artefato estilhaçou-se em dezenas de fragmentos escuros e inertes, liberando um último fiapo de fumaça carmesim que se dissipou no ar frio da madrugada.
A barreira estava desfeita. A proteção mágica fora aniquilada pelas próprias mãos da dona.
Emmy soltou a adaga, que caiu com um baque surdo sobre o carpete. Ela deu dois passos trôpegos em direção a Oliver, os braços abertos em cruz, o peito completamente desprotegido e os olhos arregalados brilhando em uma mistura doentia de êxtase, devoção e pura insanidade pastel.
— Agora não há mais barreiras, meu amor das sombras! — sussurrou ela, com a voz embargada e um sorriso febril nos lábios. — O feitiço foi quebrado! A minha vida está em suas mãos de grafite! Faça isso... Oliver! Me mate! Mostre-me o quão doce pode ser o fim pelas suas mãos!
