
Oliver x ∆lice
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 11/09/2026
Entre Sombras e Corações de Papel
Os corredores da Paper School costumavam ser um campo de batalha diário, repleto de aviõezinhos de papel voando alto, compassos afiados e os gritos ecoantes da Professora Thavel ou da temível Miss Circle perseguindo alunos desatentos. No entanto, para Oliver, a escola não passava de um imenso parque de diversões feito de celulose e grafite.
Ele havia acabado de se despedir de seus parceiros inseparáveis de travessuras. Edward ainda estava rindo de alguma pegadinha idiota envolvendo cola na cadeira da Miss Emily, enquanto Zip tentava equilibrar réguas na ponta do nariz. Oliver, porém, tinha outros planos para aquele intervalo prolongado. Ele enfiou a mão no bolso de sua bermuda branca, puxando uma barra retangular de sabonete com cheiro de lavanda. Sem a menor cerimônia, deu uma mordida crocante, mastigando o bloco espumoso com um sorriso satisfeito no rosto, como se fosse o chocolate mais caro do mundo.
Limpando um pequeno vestígio de espuma azulada do canto da boca, Oliver ajustou a mecha espetada no topo de sua cabeça. Seu longo cabelo branco, que descia pelas costas até a altura dos tornozelos e balançava em um rabo de cavalo baixo preso por um laço preto, arrastava-se com leveza pelo chão quadriculado. O rapaz passou os dedos pelo lado direito da cabeça, certificando-se de que sua presilha vermelha em formato de "A+" estava perfeitamente alinhada. Seu braço esquerdo, inteiramente feito de um lápis de grafite apontado e firme, descansava confortavelmente enquanto ele caminhava em direção à ala proibida do colégio.
Aquele era o setor que ninguém ousava visitar. As paredes de papel branco ali pareciam mais envelhecidas, manchadas por respingos escuros e rabiscos de aviso. Portas trancadas com tábuas e fitas de isolamento sussurravam histórias de alunos que nunca mais voltaram. Mas para Oliver, aquele era o caminho mais doce do mundo. Ele estava indo ao encontro de sua garota.
Ao parar diante da porta imensa e pesada que dava acesso ao quarto de ∆lice, ele sentiu a costumeira brisa fria que escapava pelas frestas. O ar cheirava a ferro, tinta fresca e a algo primitivo e indomável. Oliver sorriu de canto, batendo de leve com a ponta de grafite de seu braço esquerdo na madeira.
— ∆lice? — chamou ele, com a voz despreocupada e jovial. — Amor? Tá aí dentro? Trouxe a sobremesa... quer dizer, eu já comi metade do sabão, mas ainda sobrou um pedaço se você quiser fingir que gosta!
Nenhuma resposta veio de dentro. Apenas o silêncio denso e pesado.
Oliver girou a maçaneta sem hesitar. A porta se abriu com um rangido arrastado, revelando a escuridão impenetrável do quarto da princesa demônio. O interior parecia engolir qualquer feixe de luz que tentasse entrar do corredor. Ele deu um passo para a frente, fechando a porta atrás de si para que nenhum professor xereta decidisse bisbilhotar.
O breu era total. As pupilas de Oliver tentaram se acostumar com a falta de iluminação, mas o quarto de ∆lice não obedecia às leis normais da física ou da ótica escolar. O chão parecia irregular, coberto por pilhas de folhas rasgadas, livros pesados e algo que parecia macio e estranhamente úmido.
— ∆lice? Qual é, não me dá um susto desses... — murmurou ele, tateando o ar com o braço de lápis. — Eu sei que você adora bancar a assustadora, mas eu sou imune ao seu charme aterrorizante, sabia?
Ele deu mais dois passos largos no escuro. Foi o suficiente para o desastre acontecer.
A bota preta de Oliver prendeu-se em algo volumoso e rígido no chão — provavelmente um dos enormes grimórios ou uma ossada que ∆lice guardava por puro capricho. O garoto perdeu o equilíbrio de forma desajeitada. Seu corpo inclinou-se para a frente, seu cabelo longo voou pelo ar e ele colidiu com força contra o chão frio.
Um baque surdo ecoou pelo quarto.
Oliver soltou um gemido abafado quando a testa bateu em uma pilha de cadernos. Pequenas faíscas pareceram dançar diante de seus olhos. Uma onda de tontura tomou conta de sua mente, fazendo com que o teto invisível girasse em uma espiral caótica. Sua visão embaçou, perdendo o foco, e a escuridão do quarto finalmente engoliu sua consciência por alguns instantes.
Tudo ficou preto.
Não durou muito tempo. Um toque gélido, afiado e ao mesmo tempo incrivelmente suave começou a deslizar pela lateral de sua bochecha. O toque veio acompanhado por uma respiração lenta e quente que cheirava a perigo absoluto.
Oliver piscou devagar. A visão turva foi clareando aos poucos, ajustando o contraste do preto e branco característico de seu mundo.
Quando ele finalmente conseguiu focar, o ar quase fugiu de seus pulmões.
Diante dele, pairando a poucos centímetros de seu rosto na penumbra, estava ∆lice em sua forma demoníaca completa. Ela era colossal, fascinante e aterrorizante. Braços negros e compridos, garras afiadas que pareciam navalhas de nanquim puro, tentáculos de escuridão viva dançando ao redor de seus ombros e aqueles olhos brilhantes, selvagens e predatórios que fariam qualquer outro estudante da Paper School chorar e implorar pela vida.
Mas Oliver não era qualquer estudante.
Uma risada baixa, rouca e distorcida reverberou pelo peito da garota demônio, ecoando como um sussurro mortal pelas paredes do quarto. O som fez a espinha de Oliver estremecer, mas não de pavor.
— Ora, ora... — a voz de ∆lice soou como várias vozes sobrepostas, doces e aterrorizantes ao mesmo tempo. — O que temos aqui? Um invasor desajeitado rastejando no meu chão?
Com a ponta de uma de suas garras longas e escuras, ela levantou o queixo de Oliver com extrema lentidão, forçando-o a olhar diretamente para sua face monstruosa. O sorriso dela era largo, cheio de dentes pontiagudos e afiados, emanando pura malícia. No entanto, por trás daquela carcaça de pesadelo, havia um brilho inconfundível de pura adoração e carinho. Ela olhava para a carne macia e pálida dele como um predador faminto, mas também como uma garota perdidamente apaixonada.
— Você bateu a cabeça com tanta força assim, meu docinho? — provocou ela, inclinando a cabeça de lado, fazendo suas sombras ondularem. — Pensei que você fosse mais esperto com esses pezinhos compridos. Ou será que você só queria um motivo para eu vir cuidar de você?
Oliver piscou mais uma vez. A sensação de atordoamento desapareceu instantaneamente, sendo substituída por um calor repentino que subiu por todo o seu peito até as pontas de seus chifres pretos. Seus olhos se arregalaram e, em um piscar de olhos, as pupilas normais dele se transformaram completamente em dois corações vermelhos e brilhantes.
A expressão travessa de valentão simplesmente derreteu. Ele estava absoluta, irrevogavelmente hipnotizado.
— Caramba... — murmurou Oliver, com a boca meio aberta e um sorriso bobo se espalhando pelos lábios. — Você tá... tão incrivelmente linda assim. Quer dizer, você é perfeita de qualquer jeito, mas quando você vira um monstro gigante das trevas? Minha nossa.
∆lice soltou outra risadinha, deliciada com a reação dele. Ela adorava o fato de que, enquanto o resto da escola tremia de pavor só de ouvir seu nome, Oliver a olhava como se ela fosse a criatura mais radiante de todo o universo.
— Pobre garoto bobo... — ronronou ela.
Com uma facilidade descomunal, os braços sombrios de ∆lice envolveram a cintura de Oliver. Ela o ergueu do chão sem o menor esforço, fazendo o cabelo branco dele cair em cascatas reluzentes. Em um movimento fluido e elegante, ela o carregou até a enorme cama de dossel que dominava o centro do quarto, jogando-o com cuidado sobre o colchão macio coberto por lençóis de veludo escuro.
As molas rangeram suavemente. Antes que Oliver pudesse sequer se apoiar com o cotovelo de grafite, as sombras se condensaram e ∆lice subiu na cama logo em seguida.
Ela se posicionou sobre ele, prendendo o garoto entre seus joelhos e apoiando as mãos com garras afiadas em ambos os lados da cabeça dele, amassando os travesseiros. O peso sutil e a presença intimidadora da princesa demônio deixavam o ambiente elétrico. Seus cabelos negros caíam sobre o rosto de Oliver como uma cortina de trevas, isolando os dois do resto da realidade.
— Sabe, Oliver... — ela sussurrou, abaixando o tronco devagar, aproximando seus lábios escuros do ouvido dele. — Eu passei a tarde inteira pensando em você. Pensando em como a sua carne parece tão macia... tão deliciosa. Eu poderia simplesmente rasgar esse seu uniforme bonitinho e devorar você pedaço por pedaço agora mesmo.
Ela roçou uma das garras afiadas na gola preta da camisa dele, descendo lentamente até a barra listrada de branco, quase cortando o tecido com a precisão de um estilete. O arrepio que percorreu a espinha de Oliver foi tão intenso que seus dedos dos pés se curvaram dentro das botas pretas.
Ainda assim, Oliver era Oliver. O valentão provocador da escola não se deixaria subjugar tão facilmente sem dar o troco.
Ele recuperou o fôlego e, com um sorriso de canto carregado de audácia, levantou o braço esquerdo — aquele substituído por um lápis comprido e afiado. Ele usou a ponta de grafite para cutucar de leve o queixo afiado de ∆lice, empurrando o rosto dela ligeiramente para cima.
— Devorar, é? — retrucou Oliver, com a voz carregada de uma provocação cheia de charme. — Vai com calma aí, vossa alteza demoníaca. Você fala muito de me comer, mas todo mundo sabe que você não vive sem mim. Quem é que vai te trazer fofocas do Edward e da Zip? Quem vai te deixar pentear esse cabelo enorme aqui?
Com a mão de carne direita, Oliver segurou uma mecha solta das sombras escuras de ∆lice, enrolando-a no dedo.
— Além disso — continuou ele, arqueando uma sobrancelha e rindo baixinho —, se você me morder agora, vai ficar com gosto de sabonete de lavanda na boca o dia inteiro. E eu sei muito bem que você odeia quando minhas bolhas de sabão grudam nos seus dentes afiados.
∆lice estreitou os olhos brilhantes, fingindo uma irritação que durou menos de dois segundos. Suas garras se retraíram ligeiramente, suavizando-se em toques quase humanos.
— Você é um idiota insolente, Oliver — sussurrou ela, embora o tom de sua voz transbordasse puro carinho. — O idiota mais insuportável desse colégio inteiro.
— E você é a garota mais assustadora e perfeita desse mundo de papel — respondeu ele, as pupilas de coração brilhando com ainda mais intensidade no escuro. — Agora para de falar da minha carne como se eu fosse um bife e me beija logo.
A criatura das sombras soltou um suspiro trêmulo, incapaz de resistir àquela audácia que tanto amava. As formas monstruosas de seu corpo suavizaram-se um pouco, ajustando-se para envolvê-lo em um abraço firme e possessivo. Ela desceu o rosto, eliminando a pouca distância que restava entre eles.
Quando seus lábios finalmente se encontraram, todo o frio do quarto pareceu desaparecer.
O beijo começou intenso, quase voraz, movido pela fome predatória de ∆lice e pela paixão desmedida de Oliver. Os lábios dela eram frios como mármore, mas esquentavam rapidamente em contato com a boca quente e atrevida do garoto. Havia uma leve pontada metálica, o contraste perfeito com o resquício suave e perfumado de lavanda que Oliver ainda carregava consigo.
Oliver levou a mão direita até a nuca dela, afundando os dedos nos fios escuros, enquanto mantinha o braço de lápis repousado sobre as costas cobertas de sombras da garota. ∆lice gemeu baixinho contra a boca dele, pressionando seu corpo ainda mais contra o dele, querendo fundir suas existências de papel e tinta em uma coisa só. As garras dela acariciavam o peito de Oliver, subindo para suas bochechas pálidas com uma delicadeza surpreendente para um demônio capaz de destruir metade da escola.
O beijo se aprofundou, desacelerando para um ritmo doce, íntimo e cheio de promessas silenciosas. Era a colisão perfeita entre o caos e a devoção, entre um garoto travesso que não temia o perigo e um monstro terrível que só encontrava paz nos braços dele.
Quando finalmente se separaram em busca de ar, suas respirações estavam descompassadas e misturadas no ar gélido do quarto.
Oliver abriu os olhos devagar. As pupilas em forma de coração continuavam ali, cintilando na penumbra. Seus cabelos brancos estavam completamente desgrenhados sobre os travesseiros escuros, e o laço preto de seu rabo de cavalo havia se afrouxado.
∆lice ainda estava sobre ele, com um sorriso suave desenhado nos lábios e os olhos fixos nos dele, acariciando os chifres pretos do rapaz com a ponta dos dedos.
— Nada mal para um garoto que acabou de cair de cara no chão — murmurou ela, zombeteira.
— Eu caí de propósito — Oliver deu uma piscadela convencida, passando a mão pela cintura dela. — Sabia que era o único jeito de você me colocar na sua cama. Sou um gênio estrategista, você deveria saber.
∆lice riu — uma risada pura, cristalina e apaixonada, que afastou qualquer resquício de escuridão assustadora daquele quarto. Ela enterrou o rosto na curva do pescoço de Oliver, aspirando o cheiro dele, sentindo as batidas firmes de seu coração de papel.
— Cala a boca, Oliver — sussurrou ela contra a pele dele, mordiscando de leve seu ombro com seus dentes pontiagudos. — Só... fica aqui comigo.
— Sempre, minha princesa — respondeu ele com ternura, entrelaçando seus dedos com as sombras dela, deixando-se afundar confortavelmente naquele abraço proibido.
Ali, escondidos do restante da Paper School e de todas as regras do mundo, nada mais importava além daquele amor bizarro, caótico e perfeitamente deles.
