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Trisal (melhoria)

Fandom: Peaky blinders

Criado: 11/09/2026

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RomanceDramaHistóricoCrimeSombrioAbuso de ÁlcoolLinguagem ExplícitaEstudo de PersonagemNoir
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O Fogo sob a Névoa de Small Heath

Small Heath não era um lugar feito para pessoas delicadas. A fumaça preta que saía das chaminés das fundições manchava as roupas, impregnava a pele e tornava o ar pesado, com gosto de carvão e ferro fundido. Quando cheguei àquela parte sombria de Birmingham, sem dinheiro no bolso e apenas com a roupa do corpo, sabia que precisava encontrar trabalho rápido antes que o inverno cortasse a carne até os ossos.

Tive sorte ao entrar no The Garrison. O proprietário, Harry Fenton, estava desesperado por alguém que soubesse lidar com barris pesados, limpar mesas engorduradas e manter a compostura diante de homens embriagados e violentos. Quando me olhou dos pés à cabeça, Harry arqueou as sobrancelhas, surpreso com o que viu. Eu sabia o efeito que causava; meu rosto tinha traços marcantes, olhos atentos e uma postura firme, além de um corpo moldado pelo trabalho duro que raramente passava despercebido, mesmo coberto por panos simples.

— Você tem porte, rapaz — disse Harry, limpando as mãos num avental cinzento e me avaliando com seriedade. — Vou te dar uma chance atrás do balcão. Mas escute com atenção o que vou dizer, porque só aviso uma vez.

Ele se inclinou sobre o balcão de madeira carcomida, baixando o tom de voz como se as paredes tivessem ouvidos.

— Há uma família que manda nesta cidade. Os Shelby. Se eles entrarem por aquela porta, você serve o que pedirem, não faz perguntas, não olha torto e, acima de tudo, não se mete nos assuntos deles. Entendeu bem?

— Entendi perfeitamente, Harry — respondi, com a voz calma.

Contudo, nenhum conselho de Harry poderia ter me preparado para o impacto de conhecê-los de perto.

A primeira vez que Arthur e Thomas Shelby entraram no The Garrison durante o meu turno, o ar no pub pareceu rarear. O barulho de conversas, copos batendo e risadas ásperas cessou quase instantaneamente. Arthur vinha na frente, com o passo largo, a postura imponente e aquele olhar imprevisível de quem estava sempre a um segundo de desferir um soco ou quebrar uma garrafa. Thomas vinha logo atrás, silencioso como um espectro, a boina pontiaguda lançando uma sombra sobre os olhos azuis gélidos, vestindo um terno escuro impecável e com um cigarro fumegando entre os lábios.

Arthur foi até o balcão e bateu a mão pesada na madeira.

— Uísque, Harry! O de costume! — bradou Arthur, a voz rouca ecoando pelas vigas de madeira.

Foi quando os olhos castanhos e selvagens de Arthur caíram sobre mim. Ele parou no meio do movimento, piscando devagar, como se tentasse decifrar se eu era real. Thomas, ao lado dele, tirou o cigarro da boca, soltando uma fita de fumaça cinzenta. Os olhos azuis do irmão mais novo percorreram meu rosto, desceram pelos meus ombros largos e se fixaram demoradamente em mim enquanto me virava para pegar a garrafa no suporte superior.

Eu senti o peso dos dois olhares queimando as minhas costas, descendo pela curva da minha cintura e se demorando na curvatura justa das minhas calças de brim. Não me apavorei; curvei-me deliberadamente devagar, peguei os copos e retornei com um sorriso de canto.

— Aqui está, senhores — falei, servindo o líquido âmbar com mãos firmes.

Thomas inclinou a cabeça levemente para o lado, soltando o ar pelo nariz.

— Quem é o novo rapaz, Harry? — perguntou Thomas, sem tirar os olhos do meu rosto. A voz dele era baixa, aveludada, carregada de um controle quase assustador.

— É... é o novo ajudante, Sr. Shelby — gaguejou Harry, suando frio atrás de mim. — Começou esta semana.

Arthur soltou uma risada grave, um som áspero que vibrava no peito, enquanto dava um gole generoso no uísque.

— Belo achado, Harry. Um sujeito bonito demais para este pardieiro, não acha, Tommy?

Thomas não respondeu de imediato. Apenas levou o copo aos lábios, medindo cada respiração minha com um cálculo meticuloso. Aquele foi o início.

A partir daquele dia, a presença dos irmãos Shelby no Garrison deixou de ser apenas rotina de negócios para se tornar um cerco constante. Eles vinham quase todas as noites. Muitas vezes não trocavam uma palavra de negócios com ninguém; apenas sentavam-se no canto ou encostavam-se ao balcão, observando cada movimento que eu fazia. Arthur gostava de fazer comentários atrevidos, elogiando meu corpo abertamente e me puxando pelo braço com uma possessividade bruta quando ninguém olhava. Thomas era mais sutil, mas infinitamente mais penetrante; quando me pedia um copo, seus dedos roçavam deliberadamente nos meus, e seus olhos azuis prometiam tempestades.

A atração entre nós três cresceu como fogo em pólvora seca. Não demorou para que os olhares carregados se transformassem em encontros clandestinos na sala dos fundos do pub, entre caixas de bebidas e cheiro de serragem, e logo depois nos quartos privativos que eles mantinham.

A primeira vez que nos deitamos juntos foi uma colisão avassaladora de fúria e desejo. Arthur era fogo puro, descontrolado e forte, enquanto Thomas conduzia as coisas com uma intensidade metódica, possessiva, fazendo questão de marcar cada centímetro da minha pele. Mas logo após aquela primeira noite, Thomas tirou um maço de notas grossas do bolso do paletó e colocou sobre a mesa de cabeceira, enquanto Arthur observava, ajeitando o suspensório.

Aquilo me atingiu como um tapa no rosto.

Olhei para o dinheiro e depois para os dois, sentindo o sangue ferver de indignação.

— Guardem essa porcaria — disse eu, a voz firme enquanto vestia minha camisa.

— Todo homem tem um preço em Birmingham — comentou Thomas com tranquilidade, tragando o cigarro com desdém fingido. — Não seja tolo. Pegue.

— Não estou aqui pelo dinheiro de vocês — retruquei, dando um passo à frente e encarando Thomas olho no olho, sem recuar um milímetro. — Se eu quisesse ser uma rameira de rua, teria ido aos bordéis do cais. Estou com vocês porque quero. Porque sinto atração por vocês, seus malditos idiotas. Se acham que podem me comprar, procurem outro homem.

Arthur arregalou os olhos, surpreso pela minha audácia, e depois soltou uma gargalhada genuína, enquanto o olhar de Thomas mudava por completo. Aquele cinismo calculista se desfez, dando lugar a um respeito raro e perigoso. Thomas guardou as notas de volta no casaco sem dizer uma palavra, mas a partir daquele momento, a dinâmica mudou para sempre.

Eu não era um capricho pago; eu era deles, e eles eram meus.

Logo, as ruas de Small Heath começaram a perceber. Os homens que antes ousavam assobiar ou fazer piadas quando eu passava pelos becos agora abaixavam a cabeça e me davam passagem. O respeito que os Peaky Blinders impunham pelo medo agora se estendia a mim. Nos sussurros das esquinas, todos sabiam: eu era o parceiro dos dois irmãos mais perigosos da cidade.

No entanto, conviver com dois homens voláteis nunca foi uma tarefa simples.

A crise estourou numa noite chuvosa de terça-feira. Arthur chegou ao Garrison transtornado, carregado pelo uísque e pelas lembranças da guerra que sempre o assombravam. Por um motivo fútil — um cliente que ousou me cumprimentar de forma um pouco mais calorosa —, Arthur perdeu a cabeça, quebrou mesas, avançou contra o rapaz e, quando tentei intervir para acalmá-lo, ele me empurrou contra a parede e gritou palavras duras, acusando-me de desafiar a autoridade dele na frente dos outros.

Thomas estava presente e, em vez de acalmar o irmão, limitou-se a apoiar a postura autoritária da família, exigindo que eu me recolhesse e abaixasse a cabeça.

Eu não abaixei. Limpei as mãos no avental, tirei-o diante de todos, olhei friamente para os dois e declarei que estava farto.

— Se querem um cachorro que obedece a latidos, comprem um — disse eu, com a respiração curta de raiva. — Mas de mim vocês não terão mais nada. Nem um copo d'água, nem um olhar, e muito menos a minha cama.

Virei as costas e fui embora para o meu pequeno quarto alugado perto do canal.

Os dias seguintes foram um inferno na terra para Small Heath. Minha recusa em vê-los, tocá-los ou responder aos seus chamados desencadeou o caos. Privados do alívio e da estabilidade que eu lhes dava, Arthur e Thomas tornaram-se duas feras desgovernadas. Arthur andava pelos galpões quebrando mandíbulas por qualquer tropeço de seus homens; Thomas mal dormia, fumava até os dedos ficarem amarelos e distribuía punições cruéis a qualquer credor atrasado. Os negócios estavam sofrendo porque a fúria cega dos irmãos Shelby estava chamando atenção indesejada da polícia.

No quarto dia da minha greve, a porta do meu modesto aposento se abriu sem aviso.

Polly Gray entrou, vestindo um sobretudo de lã fina e segurando sua bolsa de couro com a firmeza de uma rainha. Ela olhou para o meu quarto humilde, fechou a porta atrás de si e me encarou com seus olhos escuros e astutos.

— Já chega dessa palhaçada — disse Polly, sem rodeios, sentando-se na única cadeira de madeira do quarto.

— Não tenho nada para falar com você, Polly — respondi, cruzando os braços junto à janela embaçada.

— Não precisa falar, apenas ouça — cortou ela, tirando um cigarro da bolsa. — Arthur quase matou um dos nossos melhores corretores ontem por nada. E Tommy está tão intratável que nem mesmo os advogados conseguem ficar na mesma sala que ele. Aquele pub parece um velório e a família inteira está pagando o preço pelo seu orgulho ferido.

— Arthur passou dos limites, e Thomas foi cúmplice — retruquei, com a voz carregada de rancor. — Eles precisam aprender que não sou posse deles.

— E eles aprenderam, seu tolo — disse Polly, soltando a fumaça com elegância. — Aqueles dois estão apodrecendo por dentro porque precisam de você. Eu nunca vi o Tommy perder o controle desse jeito por ninguém, e o Arthur parece um cão raivoso esperando pelo dono. O recado foi dado. Agora engula o que sobrou da sua raiva e termine essa greve antes que eles toquem fogo na cidade inteira.

Polly se levantou, deu duas batidinhas de aviso no meu ombro e saiu, deixando para trás apenas o aroma de lavanda e tabaco caro.

Eu sabia que ela tinha razão. O ponto havia sido provado.

Naquela mesma noite, decidi retornar aos fundos do Garrison, onde sabia que eles estariam depois do expediente. A chuva caía lá fora, tamborilando forte contra os vitrais do bar vazio. Quando abri a porta do escritório privado, o ar estava espesso de fumaça de charuto e uísque barato.

Arthur estava encostado na lareira, com a garrafa pela metade na mão, a camisa desabotoada no peito e as olheiras profundas. Thomas estava sentado atrás da mesa de mogno, o olhar fixo na porta, como se já soubesse que eu viria.

O silêncio caiu entre nós três, pesado e elétrico.

— Você voltou — murmurou Arthur, a voz embargada, um misto de alívio desesperado e fúria contida.

— Voltei — respondi, dando um passo para dentro e trancando a chave na fechadura atrás de mim. — Mas não para aceitar ordens.

Thomas levantou-se lentamente. Ele contornou a mesa com passos calculados, os olhos azuis faiscando sob a luz bruxuleante dos lampiões a gás. Ele parou a poucos centímetros de mim, erguendo a mão enluvada para segurar meu queixo com uma pressão firme, mas sem violência.

— Sentimos sua falta — confessou Thomas em voz baixa, despindo-se de todo o orgulho na penumbra daquele quarto. — Os dois sentiram.

Arthur aproximou-se por trás de mim, seu corpo emanando um calor brutal. Senti a respiração pesada dele contra a minha nuca antes que suas mãos calejadas me puxassem pela cintura com uma possessividade feroz.

— Eu quase enlouqueci sem você — rosnou Arthur contra meu ouvido, beijando a linha do meu pescoço com desespero. — Não faça isso de novo. Nunca mais se afaste de nós.

— Queremos você agora — disse Thomas, com o olhar escurecido pela luxúria reprimida durante dias. — Os dois. Ao mesmo tempo.

Olhei de Thomas para Arthur. O desejo que ardia neles encontrava eco dentro de mim. O ressentimento dos últimos dias dissolveu-se instantaneamente no calor acumulado daquela sala. Eu nunca havia estado com os dois simultaneamente daquela maneira, mas a ideia fez meu sangue pulsar nas têmporas.

— Então venham pegar — respondi, com a respiração já curta.

O que se seguiu foi uma entrega febril e desmedida que consumiu cada gota de energia que tínhamos. Não houve pressa, mas houve uma fome insaciável que parecia não ter fim. Thomas me despiu com uma precisão cirúrgica, beijando cada parte do meu torso enquanto Arthur me dominava por trás, suas mãos firmes cravando-se nos meus quadris, exigindo tudo de mim.

A cama de veludo no canto da sala tornou-se o nosso único mundo. Nós nos encontramos em uma cadência quase brutal de corpos suados e gemidos abafados contra a névoa fria da noite. Arthur era a força bruta, empurrando-me contra o colchão com uma paixão avassaladora, cobrando cada segundo de ausência com investidas profundas e possessivas, enquanto Thomas mantinha minhas mãos presas entre as dele, beijando meus lábios com uma sofreguidão que raramente demonstrava diante do mundo.

Alternamos posições e ritmos, explorando cada limite físico sem trégua. Quando Arthur se afastava para respirar, Thomas ocupava seu lugar com uma intensidade ritmada e implacável, fazendo-me perder a noção de tempo e espaço. Houve momentos em que os dois compartilhavam cada centímetro do meu corpo, cobrindo-me de toques, mordidas e promessas murmuradas na escuridão. Rodada após rodada, o cansaço era varrido pela adrenalina e pelo desejo acumulado de quase uma semana de separação. Cada vez que chegávamos ao clímax, o alívio durava apenas alguns minutos antes de um novo toque ou um sussurro áspero de Arthur acender a chama novamente.

Foram horas intermináveis de êxtase puro, onde as barreiras entre nós desapareceram por completo. Eu os acolhia com a mesma força com que me tomavam, exigindo tanto deles quanto eles tiravam de mim, provando que éramos iguais naquele pacto de carne e lealdade.

Quando as primeiras luzes pálidas da alvorada começaram a romper a névoa espessa de Small Heath, filtrando-se pelas cortinas empoeiradas do escritório, nós finalmente caímos exaustos sobre os lençóis desfeitos. Mais de oito vezes tínhamos nos levado ao limite absoluto, e o quarto cheirava a suor, uísque e pele quente.

Arthur estava deitado de lado, um braço pesado jogado protetoramente sobre meu peito, a respiração finalmente calma e o rosto desanuviado daquela fúria que o consumia. Do outro lado, Thomas mantinha os dedos entrelaçados aos meus, olhando para o teto enquanto tragava um último cigarro com a tranquilidade recuperada.

Thomas virou o rosto para mim, os olhos azuis agora límpidos, exibindo um vislumbre raro de satisfação absoluta.

— A cidade pode queimar lá fora — murmurou Thomas, a voz rouca pelo esforço da noite, dando um leve beijo nos meus nós dos dedos —, mas aqui dentro, você é nosso. E ninguém vai mudar isso.

Sorri, sentindo o calor dos dois me cercando por completo, sabendo que, naquela cidade fria e brutal, eu havia encontrado o meu lugar no próprio centro da tempestade.

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