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PULGARRASCAL

Fandom: Jogadores de Futebol

Criado: 11/09/2026

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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoHistória DomésticaCiúmesLinguagem ExplícitaDiscriminaçãoPWP (Enredo? Que enredo?)
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Entre Raízes e Cicatrizes

O salão do hotel cinco estrelas em Copacabana transbordava opulência. Lustres de cristal derramavam uma luz dourada sobre ternos sob medida, vestidos de alta-costura e taças de champanhe cujos valores pagariam meses de aluguel no subúrbio. Jorge Carrascal ajustou o paletó de veludo escuro sobre a camisa entreaberta, onde as tatuagens de seu peito e pescoço espreitavam com elegância. O topete com mechas douradas estava impecável, e o sorriso ladino nunca deixava seus lábios enquanto conversava com investidores. Ele era o economista brilhante da Pulgar Holdings, mas sua ginga e malemolência entregavam a alma caribenha que nenhum terno italiano poderia esconder.

Do outro lado do salão, imponente como uma fortaleza, estava Erick Pulgar. Quase todo o corpo talhado em tinta preta, o olhar penetrante de um predador dos negócios, sério e temido. Mas bastava Jorge cruzar seu campo de visão para que o maxilar travado do chileno se suavizasse imperceptivelmente. Eram cinco anos de casamento, uma cumplicidade construída a ferro e fogo, além do amor compartilhado pelo pequeno Santino, de sete anos, que ficara em casa com a babá naquela noite.

Tudo corria conforme o script até o som estridente de uma taça se espatifando contra o mármore ecoar pelo ambiente.

Jorge virou a tempo de ver a cena. Um rapaz alto, visivelmente embriagado, empurrara um garçom franzino que carregava uma bandeja com vinho tinto. O líquido escarlate manchou de alto a baixo o vestido de seda champanhe de uma mulher loira e altiva. A mulher, Gabriela, soltou um grito histérico que paralisou a festa.

— Seu inútil! Animal desastrado! — berrou ela, a voz fina e venenosa rasgando o silêncio. — Você sabe quanto custa esse vestido? Mais do que você ganharia em três vidas inteiras, seu pedaço de lixo!

O garçom, pálido e trêmulo, tentava gaguejar um pedido de desculpas, enquanto uma senhora da equipe de limpeza se aproximava correndo com panos para conter os cacos e ajudar.

— Senhora, por favor, me perdoe... ele esbarrou em mim... — implorou o jovem.

— Cale a boca! — Gabriela avançou, erguendo a mão como se fosse estapeá-lo, mas a faxineira se colocou no meio, tentando apaziguar.

— Moça, calma, ele não teve culpa, foi um acidente...

— E quem pediu sua opinião, sua faxineira imunda? Sai da minha frente antes que eu faça os dois serem chutados daqui a pontapés! Exijo a demissão sumária desses dois incompetentes! Agora!

O estômago de Jorge revirou com tanta força que o sangue pareceu ferver instantaneamente. Aquilo não era apenas falta de educação; era o tipo de crueldade que ele conhecia de perto. Jorge já fora aquele garçom humilhado em festas de bacana. Já fora o entregador que recebia olhares de nojo no elevador de serviço. E, acima de tudo, dona Olga, sua mãe, passara a vida inteira de joelhos no chão, limpando banheiros para colocar comida na mesa dele e dos irmãos.

Sem pensar em diplomacia ou negócios, Jorge avançou a passos largos. A ginga descontraída deu lugar a uma postura rígida, a mandíbula trincada.

— Baixa o tom de voz para falar com quem tá trabalhando — Jorge cortou o ar com a voz firme, parando bem na frente da loira. Seus olhos castanhos brilhavam de cólera. — Você tá num evento público, não na senzala. Limpe sua boca antes de se dirigir a pessoas decentes dessa forma.

Gabriela arregalou os olhos azuis, incrédula com a ousadia.

— Como você se atreve? Sabe com quem está falando? Meu pai é um dos maiores investidores do Chile!

— Me importa uma merda quem é o seu pai — retrucou Jorge, sem piscar. — Ninguém aqui vai ser demitido por causa de um capricho mimado seu. Quem foi esbarrado foi o garçom, por aquele babaca ali atrás. Se seu vestido estragou, compra outro. Educação, pelo visto, nem com todo o dinheiro do mundo você consegue comprar.

Um homem mais velho, de terno cinza e semblante arrogante, se aproximou bufando.

— O que está acontecendo aqui? Quem é esse sujeito insolente, Gabriela?

— Papai! Esse homem está defendendo esses serviçais nojentos e me ofendendo!

A roda de curiosos aumentava quando passos pesados se fizeram ouvir. Erick abriu caminho pela multidão. Os ombros largos e as tatuagens no pescoço conferiam-lhe uma aura esmagadora de autoridade.

— O que está acontecendo aqui? — a voz grave de Pulgar fez o salão silenciar.

Ao vê-lo, a máscara furiosa de Gabriela se desmanchou em um biquinho dengoso. Ela deu um passo em direção a Erick, com uma familiaridade nauseante.

— Erick! Amor, olha o que fizeram comigo! — Ela apontou para o vestido manchado, fazendo uma manha descarada, exatamente o tipo de jogo manipulador que sempre usava no passado. — Esses empregados arruinaram a minha noite. E esse selvagem veio me ameaçar! Faz alguma coisa, Erick. Mande demitir esses dois agora mesmo e coloque esse homem para fora!

Jorge congelou no lugar. O peito subia e descia ritmadamente.

Amor?

— Do que ela te chamou, Erick? — Jorge disparou, virando o olhar penetrante na direção do marido.

Erick parecia dividido entre a surpresa e a tensão. Ele deu um passo para trás, tentando manter a compostura corporativa diante do pai de Gabriela, um sócio essencial.

— Gabriela, controle-se — disse Erick, a voz tensa, evitando o contato visual direto com a mulher. — Aqui não é lugar para escândalos.

— Mas Erick, você me prometeu que essa recepção seria perfeita... — ela continuou com o tom manhoso, tentando tocar o braço dele.

Jorge sentiu o sangue subir às têmporas. A peça do quebra-cabeça se encaixou com a violência de um soco.

— Você conhece ela? — perguntou Jorge, a mágoa e a raiva disputando espaço na garganta.

— Jorge, ela... Gabriela é filha do Don Roberto. Nós nos conhecemos há muito tempo, no Chile — tentou explicar Erick, com cautela excessiva.

— Nós namoramos por dois anos, querido — Gabriela disparou com um sorriso cínico, olhando de cima a baixo para as tatuagens e o estilo de Jorge. — E pelo visto o Erick decaiu bastante de nível se anda se misturando com qualquer um.

A humilhação picou o orgulho de Jorge como brasa viva. Cinco anos de casamento e ele nunca soubera da existência de uma noiva ou namorada de longa data com aquele perfil. Mas a prioridade moral gritava mais alto.

— Não muda de assunto — Jorge encarou o marido, os olhos faiscando. — Esses dois trabalhadores não vão perder o ganha-pão por causa dessa mulherzinha. Você vai ceder a essa chantagem barata, Erick?

Gabriela cruzou os braços, apelando novamente:

— Erick, ou você despede esses dois e bota ordem no seu evento, ou o contrato de investimentos do meu pai termina hoje. Você decide.

O silêncio pesou no salão. Erick hesitou. Não porque quisesse punir os funcionários, mas porque sua mente calculista tentava encontrar uma saída diplomática que salvasse a negociação milionária sem gerar um processo civil. Mas aquela fração de segundo de dúvida nos olhos de Pulgar foi tudo o que Jorge precisou ver.

— Se você abrir a boca para punir quem não fez nada além de trabalhar com dignidade — sussurrou Jorge, aproximando-se de Erick, a voz perigosamente baixa —, você nunca mais olha na minha cara. Escolhe, Pulgar. A sua ex mimada ou a sua dignidade.

Sem esperar a resposta, Jorge deu meia-volta, pegou a mão da faxineira que chorava silenciosamente e a conduziu para a área de serviço, longe dos olhares abutres da alta sociedade.


A cobertura na Lagoa Rodrigo de Freitas parecia um campo de batalha. O silêncio que reinara no carro explodiu assim que a porta da frente se fechou.

— Que porra foi aquela, Erick? — Jorge explodiu, jogando a chave do carro no aparador com força. — Cinco anos! Cinco anos e eu nunca ouvi a merda do nome Gabriela sair da sua boca!

— Jorge, pelo amor de Deus, ela é passado! Isso aconteceu quando eu tinha vinte anos em Santiago! — Erick tirava a gravata com rispidez, os olhos escuros ardendo de frustração. — Eu estava tentando administrar a situação! Don Roberto é dono de quarenta por cento do consórcio que fechamos hoje!

— Administrar? Você hesitou! — Jorge apontou o dedo no peito tatuado do chileno. — Aquela cadela humilhou pessoas inocentes na frente de todo mundo! Falou como se eles fossem lixo! Minha mãe limpou chão a vida inteira para me criar, Erick! Eu já estive naquele lugar, segurando uma bandeja e sendo pisoteado por gente que nem aquela vaca! E você ficou lá, calado, engolindo "amorzinho" de ex-namorada com medo de perder a porra de um contrato!

— Não me desrespeite na minha casa! — Erick rugiu, a postura imponente de pitbull assumindo o controle. — Você fez um barraco na frente de todos os meus acionistas! Eu não ia demitir ninguém, caralho! Mas você precisa aprender a jogar o jogo corporativo! Você é meu sócio e meu marido, não pode agir como um moleque esquentado da rua!

Jorge deu uma risada amarga, balançando a cabeça. O maxilar tremia de indignação.

— Moleque de rua? É isso que você pensa de mim quando as coisas apertam? — Jorge recuou dois passos, o peito apertado pela dor da desilusão. — Pois fique sabendo que foi esse "moleque de rua" que você jurou amar. Só que eu tenho raízes, Pulgar. Eu não vendo minha alma por conveniência.

— Jorge, não distorce as coisas... — Erick deu um passo à frente, baixando o tom ao perceber que havia passado dos limites.

— Cala a boca — Jorge ergueu a mão, os olhos rasos d’água. — Chega. Eu cansei. Cinco anos engolindo a sua pose de intocável, mas hoje você me enojou. Eu quero um tempo.

O ar sumiu dos pulmões de Erick. O homem temido pelo mercado financeiro pareceu encolher.

— O quê? Um tempo? Ficou louco? Nós somos casados, Jorge! Não existe "tempo"!

— Existe sim. E começa agora — Jorge virou as costas rumo ao quarto. — Vou arrumar minhas coisas e as do Santino. Nós vamos pra casa da minha mãe, em Madureira.

— Você não vai levar o meu filho! — Erick o seguiu, desesperado, tentando segurar seu braço, mas Jorge se desvencilhou com violência.

— Ele é MEU filho antes de tudo, Erick! E ele não vai ficar numa casa onde o pai hesita em defender quem trabalha duro! — Jorge bateu a porta do closet, as lágrimas caindo sem controle enquanto jogava roupas numa mala de viagem.

Meia hora depois, com o pequeno Santino sonolento no colo e uma mala no porta-malas do táxi chamado às pressas, Jorge deixou a cobertura. Erick permaneceu parado no hall de entrada, estátua de sal cercada por luxo e vazio, sentindo pela primeira vez na vida o gosto amargo do verdadeiro desespero.


O sol do meio-dia fritava o asfalto do subúrbio do Rio de Janeiro. A rua em Madureira estava fechada por cavaletes improvisados, com bandeirolas e fumaça de churrasqueira subindo ao som alto de um pagode contagiante. Era aniversário de Dona Darcy, a vizinha mais velha da rua, e o bairro inteiro celebrava.

O Porsche preto e blindado de Erick destoava absurdamente daquele cenário de cadeiras de plástico da Skol e latinhas de cerveja. O chileno desligou o motor, com o coração tamborilando contra as costelas. Vestia apenas uma regata preta que deixava à mostra cada centímetro de seus braços e peito cobertos de tatuagens, calça jeans e tênis. Parecia intimidador, mas por dentro estava à beira de um colapso. Passara a noite inteira em claro, bebendo uísque e encarando o lado vazio da cama.

Assim que abriu a porta do carro, os olhares curiosos se voltaram para ele.

— Ei, olha lá! Não é o genro da Olga? — gritou alguém.

Dona Olga, uma mulher de sorriso acolhedor e olhos gentis idênticos aos de Jorge, saiu de trás da churrasqueira secando as mãos no avental. Ao ver o genro, seu rosto se iluminou.

— Erick, meu filho! — Ela avançou sem cerimônia e o envolveu num abraço apertado e maternal, beijando-lhe o rosto. — Menino, você demorou! Pensei que não vinha pro aniversário da Darcy. Vem, entra, vem tomar uma cerveja gelada!

— Dona Olga... — Erick tentou falar, desarmado pelo carinho genuíno da mulher que ele tantas vezes ajudara a cuidar, mas que nunca o tratara com base no dinheiro que possuía. — O Jorge tá aqui?

— Tá ali na calçada, com os meninos. Vem! — Ela o puxou pela mão com orgulho, apresentando-o aos vizinhos como se ele fosse um troféu familiar, ignorando completamente qualquer clima pesado.

Quando Erick dobrou a esquina da calçada, seus olhos encontraram Jorge.

O colombiano estava radiante. Usava bermuda de tactel, chinelos de dedo e uma camisa florida aberta. As mechas douradas do cabelo brilhavam sob o sol forte. Ele estava sentado ao redor de uma mesa de lata, rindo às gargalhadas enquanto dava tapas nas costas de seus velhos amigos de infância: Samuel Lino, Gonzalo Plata e Kevin Castaño. Jorge gesticulava, imitava alguém com sua malandragem nata, absolutamente leve, livre e feliz. Alguns metros adiante, Santino corria descalço pela rua, soltando pipa com outras crianças, a risada infantil ecoando pura e limpa.

O peito de Erick se apertou de uma forma quase dolorosa. Aquele era o Jorge real. O homem que ele se apaixonara, despido da pompa fria e vazia do mundo corporativo.

Jorge notou a aproximação e o sorriso morreu em seus lábios, dando lugar a uma expressão fechada e emburrada. O colombiano cruzou os braços e desviou o olhar.

Lino e Plata trocaram olhares discretos e se levantaram.

— A gente vai pegar mais carne ali, Jorginho — avisou Castaño, dando uma piscadela cúmplice e afastando o grupo, deixando os dois a sós.

Erick parou diante da mesa, engolindo em seco. O temido pitbull não passava de um homem acuado pelo amor.

— Jorge... — chamou em voz baixa.

— O que você tá fazendo aqui, Pulgar? — Jorge respondeu sem olhar, o tom ríspido, mas os olhos traindo a carência e a saudade que sentia daquele corpo maciço.

— Vim buscar minha família — Erick puxou uma cadeira de plástico e se sentou ao lado dele, ignorando a postura defensiva do outro. — Cancelei o contrato com o Don Roberto hoje de manhã. E exigi que ele e a Gabriela emitissem um pedido formal de desculpas aos dois funcionários, além de dobrar o bônus de toda a equipe do hotel por conta própria.

Jorge piscou, surpreso, fitando o marido pela primeira vez.

— Você fez isso? E os quarenta por cento do negócio?

— Que se foda o negócio — Erick soltou um suspiro pesado, estendendo a mão grande e áspera para tocar a coxa nua de Jorge. O colombiano estremeceu, mas não recuou. — Nada naquele mundo vale a pena se eu não tiver você do meu lado quando chegar em casa. Eu errei, meu amor. Errei feio por não ter te contado da Gabriela, e errei em mil vezes mais por hesitar. Eu me acostumei tanto a ser frio nos negócios que esqueci o que realmente importa. Eu nunca teria vergonha do seu passado, Jorge. Eu tenho orgulho de cada pedaço da sua história. Você é a melhor coisa que já me aconteceu. Me perdoa?

Jorge fez um biquinho dengoso, as feições suavizando aos poucos. Ele queria continuar bravo, queria fazer Erick rastejar um pouco mais, mas seu coração bobo derretia com as palavras do chileno.

— Você foi um idiota — murmurou o colombiano, com manha na voz.

— Eu fui. Um completo idiota — concordou Erick, aproximando o rosto, a respiração quente tocando o pescoço de Jorge. — Volta pra casa comigo?

Jorge mordeu o lábio inferior, fazendo um charme irresistível.

— Só se você me compensar muito bem... e fizer tudo o que eu quiser hoje à noite.

Erick sorriu de canto, a chama ardente renascendo em seu olhar penetrante.

— Suas ordens são leis, meu bem.


Assim que a porta da cobertura se fechou atrás deles — tendo deixado Santino para dormir na casa da vovó Olga com os primos —, o verniz de civilidade desmoronou por completo.

Erick prensou Jorge contra a madeira maciça da porta, arrancando um gemido rouco do menor. Suas bocas colidiram com desespero selvagem, línguas quentes duelando com a urgência de vinte e quatro horas de abstinência e sofrimento. Os beijos eram molhados, profundos, calientes, cheios de fome e posse.

— Senti tanta a sua falta, porra... — rosnou Erick contra os lábios de Jorge, as mãos grandes e calejadas descendo pelas costas do colombiano, apalpando as nádegas firmes sob o tecido fino da bermuda.

— Hum... Erick... — Jorge gemeu manhoso, enlaçando o pescoço do marido, mas ainda mantendo aquele biquinho emburrado de quem exigia carinho redobrado. — Não pensa que eu já te desculpei cem por cento... você ainda tem que me mimar muito.

— Vou te foder até você esquecer como se fica bravo comigo — Erick prometeu em um sussurro sujo no ouvido de Jorge, mordiscando o lóbulo e arrancando-lhe um suspiro trêmulo. — Minha marrentinha gostosa...

Erick arrancou a regata de si mesmo e rasgou a camisa florida de Jorge, expondo a pele bronzeada, quente e cheia de tatuagens. O contraste das tintas na pele dos dois criava uma dança visual hipnótica. As mãos de Jorge, nada inocentes, foram direto para o cós da calça de Erick, apertando o volume impressionante que já pulsava sob o tecido.

— Fala mais... fala que eu sou seu — Jorge provocou, rebolando o quadril lentamente contra a ereção do marido, os olhos semicerrados pelo tesão que incendiava suas veias.

— Você é meu, caralho. Só meu — Erick agarrou Jorge pelas coxas, levantando-o do chão sem esforço algum. Jorge prendeu as pernas ao redor da cintura larga do chileno, rindo entre beijos afoitos enquanto era carregado até o sofá de couro da sala.

As roupas voaram pelo tapete persa. Não houve delicadeza fingida, apenas a brutalidade honesta da paixão reconciliada. Erick preparou Jorge com dedos ágeis e saliva quente, ouvindo o colombiano choramingar de volúpia, chamando seu nome em espanhol, implorando pela invasão.

— Anda, Erick... mete logo, por favor... me fode todinho — Jorge suplicava com manha, empurrando o quadril para cima, o corpo suado brilhando sob a penumbra da sala.

Erick não se fez de rogado. Alinhou-se e empurrou para dentro de uma vez só, enterrando-se até o talo nas profundezas quentes e apertadas de Jorge. O colombiano jogou a cabeça para trás soltando um grito rouco, os dedos cravando-se nas costas tatuadas de Pulgar, deixando marcas vermelhas sobre as homenagens à família chilena.

As estocadas começaram pesadas, firmes, ritmadas pelo barulho úmido do impacto das peles. O sofá chiava sob o peso dos dois corpos. Erick puxava o cabelo descolorido de Jorge para trás, forçando-o a olhar em seus olhos enquanto o preenchia com violência e devoção.

— Olha pra mim — comandava o chileno, a voz embargada pelo tesão sujo. — Diz de quem é essa raba gostosa. Fala, Jorge!

— É sua... toda sua, amor... ahn, mais fundo, Erick, isso! — Jorge gemia descarado, rebolando em cada investida, os lábios entreabertos num espetáculo de pura entrega.

O ritmo aumentou até se tornar frenético, beirando a loucura. Cada estocada parecia exorcizar o fantasma de Gabriela, as brigas e o orgulho ferido, restando apenas a certeza visceral daquele laço inquebrável. Jorge atingiu o clímax primeiro, desmanchando-se em espasmos incontroláveis enquanto seu abdômen se contraía, sujando a própria pele de sêmen. Poucos segundos depois, sentindo as paredes internas de Jorge ordenhando-o impiedosamente, Erick rosnou como um animal e derramou-se profundamente dentro dele, caindo sobre o peito arfante do marido.

Ficaram ali por longos minutos, colados pele a pele, os corações batendo no mesmo compasso acelerado.

Erick beijou a ponta do nariz de Jorge, puxando a mecha loira rebelde que caía sobre os olhos do colombiano.

— Ainda tá emburrado comigo, vida? — perguntou Erick, com um sorriso raro e bobo que só Jorge conhecia.

Jorge fez um bico falso, cruzando os braços finos sobre o peito dele, manhoso até o último fio de cabelo.

— Talvez um pouquinho... — sussurrou, aninhando o rosto na curva do pescoço cheia de tinta de Erick, sentindo-se, finalmente, no lugar mais seguro do mundo. — Mas se você fizer um cafuné e me levar pra tomar banho no colo, eu penso em te perdoar de vez.

Erick riu baixo, uma gargalhada solta e genuína que ecoou pela sala vazia, abraçando com força o único homem no universo capaz de amansar a fera.

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