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A história

Fandom: Harry potter

Criado: 12/09/2026

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Entre Feitiços e Lençóis

A nevasca que desabara sobre as Terras Altas da Escócia parecia ter saído diretamente de uma maldição ancestral. Os ventos uivavam furiosamente contra os vitrais góticos da ala leste de Hogwarts, chacoalhando as pesadas molduras de chumbo e cobrindo os parapeitos com uma crosta espessa de gelo azulado. No corredor, a temperatura despencara a níveis quase insuportáveis, forçando os monitores a evacuarem as salas de estudo comuns.

Para a infelicidade de Isabelly, no entanto, o problema não era o frio lá fora. Era o fogo que parecia arder dentro daquele quarto isolado.

— Isso é uma piada de péssimo gosto. Tem que ser — praguejou ela, andando de um lado para o outro sobre o tapete felpudo com passadas firmes e impacientes.

Ela ainda usava o uniforme da escola, embora a gravata estivesse solta e a camisa branca de botões revelasse a curva graciosa de sua clavícula. Isabelly sempre tivera esse contraste irritante: quando estava zangada, suas bochechas ganhavam um tom rosado adorável, os lábios cheios formavam um bico involuntário que despertava qualquer coisa menos medo, mas a postura altiva e o brilho felino em seus olhos castanhos exalavam uma sensualidade crua, quase perigosa.

No meio do quarto, sentado confortavelmente na única cama de dossel com colchão de penas e cortinas de veludo verde-escuro, Yudi apenas a observava. Ele havia retirado as vestes pesadas de inverno, vestindo apenas uma calça escura e uma camisa de linho cinza com as mangas dobradas até os cotovelos. Seu braço repousava languidamente sobre os travesseiros enquanto ele girava a própria varinha entre os dedos, com uma serenidade que beirava a petulância.

— Você já tentou a porta cinco vezes nos últimos dez minutos, Bella — comentou ele com uma voz grave, mansa e aveludada, arrastando as sílabas com um deleite sutil. — A menos que tenha aprendido a conjurar um feitiço de desmaterialização nas férias, nós vamos continuar presos aqui até a nevasca passar e Filch destrancar o feitiço de contenção.

— Não me chame de Bella! — disparou ela, parando de supetão e apontando um dedo acusador na direção dele. — E pare de me olhar com essa cara cínica, Yudi. Você parece estar gostando da situação!

Yudi ergueu uma sobrancelha, um meio sorriso desenhando o canto de seus lábios.

— Talvez eu esteja — respondeu ele, inclinando ligeiramente a cabeça. — Ver você andando em círculos como um pelúcio histérico é o entretenimento mais fascinante que tive em semanas.

— Eu não sou um pelúcio histérico! — Ela bufou, marchando até o pé da cama. O tecido leve de sua saia plissada ondulou com o movimento brusco. — Nós temos apenas uma cama, Yudi. Uma. Nem sequer um sofá decente a professora McGonagall deixou neste anexo esquecido por Merlin!

— Se você reparar bem — disse ele, batendo com a palma da mão no colchão largo —, cabem três pessoas aqui sem encostar os cotovelos. Mas, se a sua imaginação já está trabalhando tão rápido a ponto de achar perigoso deitar do meu lado, o problema não é o tamanho do móvel.

Isabelly sentiu o calor subir pelo pescoço, tingindo sua pele de carmim. A calma insolente de Yudi sempre tivera o dom de desestabilizá-la. Durante as aulas de Poções, ele passava o tempo todo corrigindo suas medidas com aquele tom superior de quem não precisava de esforço para nada, enquanto ela se desdobrava entre frascos e anotações, lançando olhares fuzilantes que ele rebatia com sorrisos indolentes. Agora, enclausurados a sós sob o estalo distante da lareira encantada, as defesas que ela sustentava nos corredores pareciam finas demais.

— Não lisonjeie a si mesmo — rebateu ela, cruzando os braços sob o busto, um gesto defensivo que apenas ressaltou ainda mais o decote da camisa entreaberta. — Eu preferiria dormir no chão duro a dividir os lençóis com um idiota provocador como você.

— Fique à vontade — murmurou Yudi, sem se alterar nem por um segundo. — O chão de pedra deve estar a uns três graus negativos. Tenho certeza de que seus ossos vão adorar a experiência. Mas, se mudar de ideia, ainda tem metade da cama livre. Prometo tentar não morder. A menos, é claro, que você peça.

— Você é insuportável! — exclamou ela, pegando a varinha do bolso e apontando-a para a lareira com um floreio rápido. — Incendio!

As chamas ganharam força, crepitando em tons de dourado e laranja, espalhando ondas de calor pelo ambiente rústico de pedra. O contraste entre o frio do lado de fora e o calor crescente do quarto apenas tornava o ar mais denso, quase sufocante.

Isabelly tentou ignorar a presença dele. Puxou a cadeira de madeira perto da lareira, sentou-se e cruzou as pernas, apoiando o queixo na mão enquanto encarava o fogo. No entanto, o silêncio que se instalou não trouxe paz. Ela conseguia sentir o peso do olhar de Yudi queimando em suas costas, mais intenso do que qualquer chama mágica.

Passaram-se vinte minutos agonizantes. Seus pés começavam a formigar pelo frio que subia pelas frestas do piso, e suas costas reclamavam da madeira rígida da cadeira. Um pequeno arrepio percorreu seus ombros.

— Bella — chamou ele, a voz soando mais baixa, despojada da provocação habitual, carregando um tom quase suave.

Ela não se virou, mas os ombros tensionaram.

— O que é?

— Você está tremendo. Deixe de ser teimosa e venha para cá.

— Já disse que estou bem aqui.

Yudi soltou um suspiro lento, o som do colchão rangendo indicando que ele havia se levantado. Isabelly estanqueu, o coração dando um salto inesperado quando ouviu os passos calmos dele se aproximando por trás de sua cadeira. As sombras projetadas pela lareira dançavam nas paredes de pedra. Quando ele parou bem atrás dela, o calor de seu corpo pareceu envolvê-la antes mesmo que qualquer toque acontecesse.

Yudi inclinou-se ligeiramente. Suas mãos firmes pousaram nos ombros dela, os dedos massageando de leve a tensão acumulada ali.

Isabelly soltou um arquejo baixo, pegando-se desprevenida com a sensação agradável, mas logo tentou se esquivar.

— O que você pensa que está fazendo? — murmurou ela, a respiração vacilando.

— Cuidando para que minha parceira de Poções não congele até amanhã — respondeu ele, próximo ao ouvido dela. A respiração quente de Yudi roçou a curva sensível de seu pescoço, fazendo os pelos de seus braços se arre حرiarem. — Você é muito esquentada para fingir que não precisa de um pouco de conforto, Isabelly.

A forma como ele pronunciou o nome dela, por inteiro, com aquela voz rouca e sem pressa, fez o estômago de Isabelly despencar em uma vertigem deliciosa. Ela virou a cabeça para encará-lo, decidida a expulsá-lo com alguma resposta ferina, mas cometeu o erro de olhar diretamente em seus olhos escuros.

Yudi estava muito perto. O suficiente para que ela sentisse o aroma amadeirado de sua loção, mesclado ao cheiro limpo de chuva e magia. Ele não parecia mais apenas o garoto irritante que roubava suas penas de coruja nas mesas da biblioteca; havia uma intensidade predatória e paciente em sua postura que a paralisou por completo.

— Você adora me tirar do sério, não adora? — sussurrou ela, os lábios entreabertos, a impaciência dando lugar a uma urgência diferente.

— É a melhor parte do meu dia — confessou ele, com os olhos fixos na boca dela. — Especialmente quando você fica com essa cara... metade furiosa, metade querendo me beijar.

— Eu não quero te beijar — mentiu ela, a voz saindo mais fraca do que pretendia, traída pelo tremor involuntário dos lábios.

— Então por que seu pulso está batendo tão rápido aqui? — Yudi deslizou uma das mãos pelo ombro dela, descendo lentamente pela lateral do pescoço até que as pontas de seus dedos repousassem suavemente sobre a veia pulsante na base da garganta de Isabelly.

O toque foi como uma faísca em pólvora. Isabelly ergueu-se da cadeira de supetão, mas não para recuar. Pelo contrário: ela deu um passo à frente, empurrando o peito de Yudi até que ele desse um passo para trás em direção à cama.

— Você se acha muito esperto, não é? — disparou ela, as bochechas coradas, a respiração curta contra o peito dele. A postura antes acuada transformou-se em puro desafio sensual. Suas mãos subiram pela camisa de linho dele, segurando as lapelas com firmeza. — Acha que me controla só porque tem essa paciência irritante.

Yudi não recuou mais. Pelo contrário, apoiou os pés no chão e envolveu a cintura dela com um dos braços, puxando-a contra o próprio corpo até eliminar qualquer espaço restante entre os dois. Isabelly sentiu a firmeza do abdômen dele contra o seu, o calor compartilhado fazendo o ar do quarto parecer subitamente escasso.

— Eu não quero controlar você, Isabelly — disse ele, a calma de sua voz quebrando-se ligeiramente, revelando a fresta de desejo que ele mantivera tão bem guardada. — Eu só cansei de fingir que não passo as aulas inteiras olhando para a sua boca e imaginando quanto tempo levaria para você esquecer todo esse orgulho e vir para a minha cama.

A confissão direta atingiu Isabelly com força de um feitiço desarmante. Seus olhos se arregalaram por uma fração de segundo, a fofa surpresa estampada no rosto delicado, antes de sua expressão se suavizar em algo decididamente provocador. Ela ergueu o queixo, aproximando o rosto do dele até que seus narizes quase se tocassem.

— Pois você fala demais, Yudi.

Foi Yudi quem quebrou a distância restante. Ele colou os lábios nos dela com uma firmeza que varreu qualquer resquício de hesitação do quarto. Não houve a cautela de um primeiro beijo formal; havia semanas de provocações reprimidas, notas trocadas em pergaminhos, cotovelos roçados na mesa do Grande Salão e olhares furtivos sob a luz de velas.

Isabelly soltou um gemido abafado contra a boca dele, enroscando os dedos nos cabelos escuros da nuca de Yudi, puxando-o para mais perto com a mesma impaciência que regia tudo o que fazia. O beijo aprofundou-se, quente, ritmado e faminto. Yudi a ergueu ligeiramente do chão pelo quadril, girando os dois com facilidade e caindo sobre o colchão macio.

Eles afundaram nas cobertas pesadas. Yudi pairava sobre ela, sustentando o próprio peso com os antebraços, enquanto os olhos brilhavam no reflexo do fogo da lareira. Isabelly olhava para ele de baixo, o cabelo escuro espalhado pelos travesseiros de seda verde, o peito subindo e descendo em arfadas descompassadas.

— Ainda está reclamando da cama? — provocou ele em voz baixa, deslizando o polegar pelos lábios avermelhados e inchados dela.

Isabelly deu uma risadinha entrecortada, um som surpreendentemente doce que contrastava com a audácia de suas pernas que agora se enlaçavam na cintura dele.

— Cala a boca, Yudi — ordenou ela, com uma autoridade sem peso nenhum.

— Faça-me calar — desafiou ele, com aquele meio sorriso irresistível que ela passara o ano inteiro odiando e desejando ao mesmo tempo.

Ela não pensou duas vezes. Puxou-o pela gola da camisa, colando os lábios novamente nos dele, sentindo as mãos de Yudi descerem por sua cintura, afastando as dobras do tecido da saia e buscando a pele quente de sua coxa. As meias de inverno já não serviam para nada contra o calor que queimava entre eles. Cada toque desajeitado pela pressa transformava-se em carícias lentas e deliberadas à medida que Yudi ditava o ritmo, calmo o suficiente para fazê-la implorar, mas desesperado o suficiente para perder o fôlego a cada beijo que descia da mandíbula dela até o vale dos seios.

Lá fora, a tempestade de neve continuava a uivar contra as velhas pedras de Hogwarts, enterrando o castelo em um silêncio gélido e intransponível.

Dentro daquele quarto esquecido, porém, não havia feitiço no mundo capaz de resfriar os dois corpos que se perdiam entre lençóis revirados, transformando meses de guerra silenciosa na rendição mais ardente que aquelas paredes já tinham testemunhado.

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