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Engel !!

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 12/09/2026

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O Prisioneiro do Vazio Cor-de-Rosa

A escuridão na Paper School nunca fora algo que assustasse Engel. Ele estava acostumado com os corredores mal iluminados após o horário das aulas, com o silêncio pesado que precedia algum surto de fúria da Senhorita Circle ou com a tensão constante de proteger Claire e seus outros amigos. No entanto, este lugar era diferente. Não era apenas a ausência de luz; era a ausência de tudo.

Engel piscou os olhos, sentindo o peso familiar de seu rabo de cavalo branco e despenteado cair sobre o ombro. Ele levou a mão aos cabelos, sentindo as duas penas, azul e vermelho-alaranjada, presas firmemente no topo de sua cabeça. Elas eram como um amuleto de sorte, mas, naquele momento, a sorte parecia ter abandonado o garoto de macacão preto.

— Onde... onde eu estou? — sussurrou ele, sua voz ecoando no vazio absoluto.

Ele tateou o ar com seus dedos pretos e afiados. Em sua outra mão, ele apertava o cabo de sua lupa, o objeto que sempre o ajudava a encontrar pistas e entender o mundo ao seu redor. Mas ali, a lupa não revelava nada além de sombras densas.

De repente, um brilho neon cortou a treva. Engel protegeu os olhos com o antebraço. A alguns metros de distância, algo começou a pulsar. Era um crucifixo imenso, de um rosa choque vibrante e doentio. O objeto flutuava no ar, emitindo um som de estática elétrica que fazia os pelos dos braços de Engel se arrepiarem. O que mais o aterrorizou, porém, foram as algemas metálicas presas nas extremidades superior e inferior da cruz, balançando levemente como se esperassem por alguém.

O coração de Engel disparou contra o peito. O instinto de proteção que ele sempre usava para defender os outros agora gritava para que ele se defendesse.

— Eu preciso sair daqui. Agora! — exclamou ele, virando as costas para a luz rosa e começando a correr.

Ele deu apenas três passos largos antes que o desastre acontecesse. O chão, que antes parecia sólido, subitamente mudou de textura. O som de seus sapatos de salto batendo no piso foi substituído por um ruído úmido e viscoso.

Slurp.

— Mas o quê...? — Engel tentou levantar o pé direito, mas ele estava colado.

Ele puxou com força, usando toda a força de seus braços, mas o chão parecia ter se transformado em uma goma extremamente pegajosa. O material cinzento e elástico prendia a sola de seu sapato com uma tenacidade sobrenatural. Engel grunhiu, agarrando a própria perna para tentar puxá-la para cima.

— Solta! Vamos, solta! — ele comandou, o pânico começando a nublar seu julgamento.

Com um puxão violento, ele conseguiu libertar o pé, mas o impulso o fez perder o equilíbrio. Ele tentou dar um passo para trás para se estabilizar, mas o outro pé mergulhou na substância pegajosa. Em um movimento desajeitado, ele tentou se soltar novamente, conseguindo por um breve segundo, apenas para tropeçar em sua própria cauda branca e cair de traseiro no chão.

Foi o erro fatal.

Agora, não eram apenas seus pés. O macacão preto e a parte de trás de suas pernas estavam completamente colados àquela superfície viscosa. Engel tentou se empurrar para cima com as mãos, mas seus dedos afiados apenas afundaram mais na gosma, que parecia subir por seus pulsos como se estivesse viva.

— Não, não, não! — Ele se debateu, o suor começando a brotar em sua testa sob a franja branca. — Isso não pode estar acontecendo! Claire! Alguém!

Ele tentou e tentou, seus músculos tensionados ao máximo, mas era inútil. Quanto mais ele se movia, mais o chão o abraçava. O silêncio foi quebrado pelo som da estática rosa ficando mais alta. Engel congelou. Ele sentiu uma presença atrás de si.

Lentamente, ele virou o pescoço. O crucifixo rosa choque estava agora a poucos centímetros de suas costas, flutuando silenciosamente, as algemas tilintando com um som metálico frio.

— Por favor... — Engel implorou, seus olhos arregalados de choque e desespero.

As algemas inferiores, presas por correntes que pareciam feitas de luz sólida, avançaram em direção aos seus pés. Engel começou a chutar freneticamente, tentando afastar o metal, mas a substância pegajosa no chão restringia seus movimentos. Em um movimento rápido e preciso, as algemas se fecharam em torno de seus tornozelos, acima das polainas listradas.

Click.

O som foi definitivo. Antes que ele pudesse processar a captura, as algemas superiores desceram como serpentes.

— Não! Parem! — gritou Engel, tentando esconder as mãos, mas o crucifixo parecia ler seus movimentos.

As correntes envolveram seus pulsos pretos, prendendo seus dedos afiados em uma posição vulnerável acima de sua cabeça. Assim que o último fecho se trancou, a viscosidade do chão desapareceu instantaneamente, tornando-se sólida e seca novamente. No entanto, Engel não caiu. Ele foi puxado para trás com uma força magnética irresistível, sendo içado até que suas costas batessem contra a superfície rígida e brilhante do crucifixo rosa.

Ele estava preso. Disposto como um espécime em uma vitrine.

— Por que isso está acontecendo? — Engel soluçou, tentando puxar os braços, mas as algemas estavam agora juntas, mantendo seus membros em uma posição fixa e desconfortável.

Ele tentou se debater, cada músculo de seu corpo magro se retorcendo contra as amarras, mas o crucifixo era inabalável. Foi então que ele ouviu um zumbido mecânico.

Vindo da escuridão, uma pequena câmera flutuante, equipada com uma lente vermelha brilhante, aproximou-se lentamente. Engel sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele tentou virar o rosto, mas a câmera era persistente. Ela começou a circular seu corpo, pairando perigosamente perto.

A lente focou primeiro em seu rosto, capturando o terror em seus olhos, e então desceu. Engel prendeu a respiração quando a câmera parou exatamente ao lado de seu braço erguido, focando na área exposta de sua axila, onde a camisa polo branca terminava e o design de seu corpo se revelava.

O rosto de Engel esquentou instantaneamente, uma tonalidade rubra subindo por suas bochechas.

— O que... o que você está fazendo? — Ele gaguejou, sentindo-se violado pela atenção intrusiva do aparelho. — Saia daí! Pare de filmar!

A câmera ignorou seus protestos. Ela se moveu lentamente, quase com curiosidade, mapeando o contorno de seu braço, descendo pelo peito protegido pelo macacão e voltando a focar intensamente na axila do garoto. Engel sentiu-se traumatizado. Ele nunca tinha estado em uma posição tão vulnerável, tão exposta. O herói da Paper School, aquele que enfrentava monstros para salvar os amigos, agora era apenas um objeto de observação para uma lente fria.

Ele começou a se debater com mais violência, seus pés algemados batendo contra a base do crucifixo, o rabo de cavalo balançando de um lado para o outro.

— Me solta! Isso não tem graça! — Ele gritou, a voz falhando.

A câmera deu um "zoom" ruidoso, capturando cada detalhe de seu desconforto, antes de voar para baixo em um arco rápido. Engel soltou um suspiro de pavor quando o dispositivo parou em frente à sua virilha, pairando ali por vários segundos.

O desespero atingiu seu ápice. Engel estava suando agora, o suor escorrendo por suas têmporas e molhando a gola de sua camisa branca. Ele tentou fechar as pernas, tentou se encolher, tentou qualquer movimento que pudesse restaurar um pingo de sua dignidade, mas as algemas e a estrutura do crucifixo o mantinham perfeitamente aberto e imóvel.

— Por favor... pare... — ele sussurrou, fechando os olhos com força, as lágrimas de frustração e medo ameaçando cair.

A câmera continuou seu trabalho silencioso, registrando cada centímetro de sua imobilidade forçada, enquanto Engel, o gentil e amigável protetor da escola, percebia com horror que, naquele lugar escuro e rosa, ele não tinha poder algum. Ele tentou e tentou se mover, mas era inútil. Ele era apenas um prisioneiro daquela luz neon, esperando por um fim que não parecia chegar.

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