
Blitzo! :3
Fandom: Helluva Boss
Criado: 12/09/2026
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O Silêncio Amargo do Escritório
A luz neon vermelha do lado de fora da janela piscava ritmicamente, banhando o escritório da I.M.P. em um tom sangrento e intermitente. Blitzo estava com os pés em cima da mesa, as botas pretas pontudas descansando perigosamente perto de uma pilha de documentos que ele deveria ter assinado há três dias. O relógio na parede marcava quase meia-noite. O silêncio era absoluto, algo raro naquele prédio onde gritos, explosões e insultos criativos eram a trilha sonora padrão.
— Que tédio do caralho... — Blitzo resmungou para as paredes, sua voz ecoando no vazio. — Onde está todo mundo quando eu preciso de atenção? O Moxxie deve estar polindo as armas ou fazendo massagem nos pés da Millie... E a Loona, provavelmente em alguma festa gótica onde eu não fui convidado. De novo.
Ele bufou, ajustando o pingente de caveira vermelha no pescoço. O cristal asmodiano em sua luva esquerda brilhou levemente, um lembrete constante de sua conexão complicada com o Príncipe Stolas. Blitzo sentia um formigamento de inquietação. Ele não era bom com o silêncio. O silêncio trazia pensamentos, e pensamentos traziam memórias de circo, chamas e rostos que ele preferia esquecer.
Decidido a espantar o marasmo, ele se levantou com um salto ágil, suas pernas longas e finas movendo-se com a graça caótica de um arlequim. Ele caminhou até a porta do escritório e a abriu, saindo para o corredor escuro que dava para a sacada externa do prédio comercial no Anel do Orgulho.
O ar do Inferno estava pesado e quente, cheirando a enxofre e lixo queimado. Blitzo se apoiou no parapeito, olhando para as ruas distantes onde pecadores se matavam por migalhas.
— É, Blitzo, você é o rei dessa merda toda — ele disse para si mesmo, gesticulando dramaticamente para o nada. — Dono da própria empresa, matador de aluguel profissional, um ícone de estilo. Quem precisa de amigos quando se tem um ego desse tamanho, não é?
Ele soltou uma risada seca, mas seus olhos vermelhos não acompanharam o sorriso. Ele continuou falando sozinho, inventando diálogos imaginários onde ele humilhava seus inimigos e era adorado por multidões, uma tática comum para preencher o vazio em seu peito.
— E então eu disse: "Escuta aqui, seu monte de merda, eu sou o Blitzo, o 'O' é mudo, mas a minha arma não!" — Ele riu de sua própria piada interna.
Foi nesse momento que o ar atrás dele mudou. Não houve som de passos, apenas um deslocamento sutil de pressão. Antes que Blitzo pudesse se virar, algo branco e pesado surgiu em sua visão periférica.
— Mas que porra é...
Um pano branco, impregnado com um cheiro químico adocicado e nauseante, avançou como uma serpente e se prendeu firmemente contra sua boca e nariz. Blitzo arregalou os olhos, o susto sendo rapidamente substituído por uma fúria incandescente. Ele tentou agarrar o braço do agressor, mas suas mãos encontraram apenas o vazio do tecido.
— Mmmph! Mmmph! — Ele tentou gritar, seus dentes cravando-se nas gengivas vermelhas enquanto ele lutava desesperadamente.
Ele se debateu, os espinhos em suas costas roçando contra o agressor invisível, mas o produto químico era potente demais. Sua visão começou a girar, as luzes da cidade lá embaixo transformando-se em borrões psicodélicos. A força fugiu de seus antebraços largos. Suas pernas fraquejaram e, com um último pensamento carregado de xingamentos, Blitzo desabou no chão, a escuridão o engolindo antes mesmo que ele pudesse ver quem o havia atacado.
O agressor não perdeu tempo. Com um movimento fluido, agarrou Blitzo pelos calcanhares e o arrastou para dentro do prédio, o corpo do imp deixando um rastro de poeira no tapete surrado.
...
A consciência voltou para Blitzo como um soco no estômago. A primeira coisa que ele sentiu foi a dor de cabeça latejante. A segunda foi a restrição.
Ele tentou abrir a boca para reclamar, mas suas mandíbulas estavam presas. Uma fita cinza, grossa e industrial, cobria sua boca, estendendo-se até as bochechas e prendendo-se atrás de sua cabeça longa. Ele abriu os olhos bruscamente, a respiração acelerada e ruidosa pelo nariz.
Ele não estava em um calabouço úmido ou em uma dimensão paralela. Ele estava no chão do seu próprio escritório, bem no centro da sala.
— Mmm-mmph! — Ele tentou gritar, mas o som saiu abafado e ininteligível.
Blitzo tentou se levantar, mas percebeu que estava completamente imobilizado. Cordas cinzas apertadas envolviam seus braços contra o tronco, e suas pernas estavam amarradas juntas na altura dos tornozelos, impedindo qualquer movimento eficaz. Ele começou a se debater freneticamente, como um peixe fora d'água, o suor começando a brotar em sua testa, logo acima do símbolo de caveira em forma de coração.
Ele olhou ao redor, o pânico subindo por sua garganta. Onde estavam suas armas? Onde estava seu celular? Ele tentou usar a força bruta para romper as cordas, mas quem quer que o tivesse amarrado conhecia bem a anatomia de um imp. Cada movimento apenas fazia as cordas apertarem mais contra sua pele vermelha e suas marcas de queimadura.
— Mmmph! Socorro! — Ele tentou articular por baixo da fita, mas o resultado foi apenas um grunhido desesperado.
Ele estava suado, o calor do escritório parecendo ter aumentado dez vezes. O medo, um sentimento que ele costumava mascarar com sarcasmo e bravata, agora brilhava intensamente em suas íris vermelhas. Ele estava vulnerável. Ele estava preso no lugar que deveria ser seu santuário de poder.
De repente, o som de passos lentos e pesados ecoou no corredor. Blitzo congelou, seus chifres listrados batendo contra o chão enquanto ele tentava ver quem se aproximava.
Uma silhueta se projetou na porta. O sequestrador não disse uma palavra. Ele caminhou calmamente até Blitzo, que se debatia com renovado vigor, as unhas arranhando o chão de madeira. Sem qualquer aviso, o indivíduo levantou o pé e pisou com força na lateral da cabeça de Blitzo, pressionando sua bochecha contra o piso frio.
— MMMMMPH! — Blitzo soltou um som de dor e indignação, o impacto fazendo seus dentes chocalharem.
O peso do sapato era opressor. Blitzo conseguia sentir o cheiro do couro e da sujeira da sola. Ele tentou sacudir a cabeça, tentou morder, tentou qualquer coisa, mas a pressão apenas aumentou, mantendo-o pregado ao chão como um inseto em uma coleção.
— Fique quieto, Blitzo — a voz do sequestrador soou, distorcida e fria. — Você fala demais quando está acordado. Eu prefiro você assim... em silêncio.
Blitzo sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A raiva borbulhava em seu peito, misturada com um terror genuíno. Ele era o chefe da I.M.P., ele era o cara que matava humanos e demônios sem piscar, e agora ele estava ali, humilhado no próprio tapete, recebendo ordens de uma sombra.
Ele respirava de forma pesada, as narinas dilatando enquanto ele tentava recuperar o fôlego. Seus olhos se moveram freneticamente pela sala, procurando por qualquer objeto, qualquer vantagem. O cristal em sua luva estava fora de alcance, pressionado contra seu próprio corpo pelas cordas.
— Mmmph-nnn! — Ele rosnou por trás da fita, os olhos injetados de sangue fixos no agressor.
— Não adianta lutar — disse a figura, retirando o pé da cabeça de Blitzo apenas para se agachar à sua frente, observando o sofrimento do imp com um prazer clínico. — Ninguém vem te buscar. O seu pequeno imp de estimação e a esposa dele estão ocupados demais... e a sua filha? Bem, ela tem coisas melhores a fazer do que salvar um pai fracassado.
Aquelas palavras doeram mais do que a pressão física. Blitzo sentiu uma pontada de ódio puro. Ele se debateu novamente, as cordas queimando sua pele, os espinhos da cauda chicoteando inutilmente contra o ar. Ele queria gritar que eles não eram fracassados, que ele era importante, que ele ia estripar quem quer que fosse aquele sujeito.
Mas a única coisa que saiu foi o som abafado de sua própria impotência. Ele estava sozinho, suado, amarrado e a mercê de alguém que parecia conhecer todas as suas fraquezas. O brilho das luzes de neon lá fora continuava a piscar, indiferente ao drama que se desenrolava no escritório da I.M.P., enquanto Blitzo tentava, desesperadamente, encontrar uma saída para o pesadelo que acabara de começar.
