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Desculpa

Fandom: A hipótese do amor

Criado: 12/09/2026

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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoHistória DomésticaEstudo de PersonagemRealismoTragédiaGravidez Não Planejada/IndesejadaConserto
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Ressonâncias do Passado

O auditório principal do departamento de Biologia da Universidade de Stanford estava incrivelmente lotado para uma tarde de quinta-feira. Até mesmo os alunos de graduação, que costumavam evitar seminários científicos como se fossem pragas medievais, preenchiam os assentos inclinados.

Olive Smith estava sentada na terceira fileira, ajustando os óculos e segurando um bloco de notas rabiscado com hipóteses sobre biomarcadores pancreáticos. Ao seu lado, Anh sussurrava algo animado sobre publicações em revistas de alto impacto, mas a atenção de Olive foi irremediavelmente atraída para o homem alto e de ombros largos parado perto da saída de emergência, no fundo da sala.

Adam Carlsen.

Seu falso namorado. O professor mais temido, intransigente e brilhante de Stanford parecia ainda mais inacessível do que o habitual. Ele usava a clássica camisa social preta com as mangas arregaçadas até os antebraços, mas sua postura não demonstrava a arrogância acadêmica rotineira. Pelo contrário: Adam estava completamente imóvel, rígido como uma estátua de granito, com os nós dos dedos brancos de tanto apertar um copo de café que parecia esquecido em sua mão. Seus olhos escuros estavam cravados no palco.

Olive olhou para a frente. O chefe de departamento estava terminando de introduzir a palestrante convidada de Harvard.

— É uma honra absoluta receber a Dra. Clara Bennett — disse o apresentador, provocando uma salva de palmas calorosa.

A mulher que subiu ao púlpito não correspondia ao estereótipo rígido e asséptico dos pesquisadores de elite da Costa Leste. Clara era exuberante de uma forma acolhedora e magnética. Tinha cabelos castanhos ondulados presos em um coque despojado, um rosto redondo e expressivo adornado por bochechas coradas, e um corpo bonito, com curvas generosas e cheias que ela não tentava esconder sob roupas largas; vestia um terno verde-escuro bem cortado que valorizava sua silhueta voluptuosa. Quando sorriu para a plateia, seus olhos amendoados brilharam com uma inteligência tão viva quanto gentil.

— Boa tarde a todos — a voz de Clara preencheu o ambiente pelo microfone, clara, melodiosa e desprovida de qualquer pedantismo. — Prometo que não vou entediá-los com gráficos redundantes por mais de cinquenta minutos.

Uma onda de risadas baixas varreu a sala. Olive imediatamente simpatizou com ela. A apresentação que se seguiu sobre imunologia tumoral foi nada menos que brilhante. Clara dominava a matéria com paixão palpável, gesticulando com elegância, respondendo a perguntas difíceis sem hesitar e tratando cada dúvida dos estudantes com respeito genuíno.

No entanto, por mais impressionante que a palestra fosse, Olive não conseguia parar de olhar para trás.

Adam parecia não respirar. Seu rosto estava desprovido de qualquer cor, a mandíbula tão cerrada que os músculos saltavam em sua pele pálida. Ele não fez anotações, não encarou o projetor e não se mexeu nem um milímetro. Parecia um homem diante de um fantasma — ou de uma ferida aberta que sangrava sem aviso.

Assim que a sessão de aplausos finais ecoou e a luz do auditório se acendeu por completo, Olive viu Adam virar-se bruscamente nos calcanhares e desaparecer pela porta dupla lateral antes que qualquer colega pudesse puxar conversa.

— O que deu nele? — murmurou Anh, guardando as coisas na mochila. — O Dr. Carlsen parecia que ia assassinar alguém. Ou desmaiar. Talvez os dois.

— Eu não sei — respondeu Olive, franzindo a testa, tomada por uma preocupação aguda e repentina que nada tinha a ver com as regras estipuladas no contrato do namoro falso.

Olive despediu-se de Anh e caminhou em direção ao saguão, onde um pequeno banquete com café, frutas e biscoitos havia sido montado para a socialização pós-palestra. Vários pesquisadores cercavam Clara, tecendo elogios. Clara respondia a todos com uma paciência doce, embora Olive, atenta como era a detalhes humanos, notasse um traço sutil de cansaço ou melancolia sob o brilho de seus olhos.

— Procurando o nosso gigante taciturno preferido? — uma voz divertida soou ao lado de Olive.

Ela deu um pequeno salto, virando-se para encontrar Holden Rodrigues. Ele usava um suéter azul-claro elegante e exibia seu habitual sorriso charmoso, embora houvesse algo diferente em sua expressão — uma camada de cautela que Olive raramente via no amigo de Adam.

— Holden! — Olive suspirou, aliviada por ver um rosto amigo. — Você viu o Adam? Ele saiu correndo do auditório assim que as palmas começaram. Fiquei preocupada... ele parecia muito estranho.

O sorriso de Holden vacilou ligeiramente. Ele olhou por cima do ombro de Olive, na direção de Clara, que naquele momento ria educadamente do comentário de outro professor.

— Ele não vai voltar para o saguão hoje, Olive — disse Holden em voz baixa. Ele tocou o cotovelo dela suavemente. — Venha, vamos pegar um ar lá fora.

Eles caminharam até o pátio ensolarado de ladrilhos vermelhos de Stanford, afastando-se do burburinho da multidão. O vento da tarde soprava fresco entre as palmeiras. Olive esperou, cruzando os braços sobre o peito magro, sentindo a ansiedade latejar na garganta.

— O que está acontecendo? — perguntou ela sem rodeios. — Foi a palestra? O tema da pesquisa da Dra. Bennett tem algum problema ético ou algo assim?

Holden soltou uma risada curta, sem humor, e balançou a cabeça devagar.

— Não. A pesquisa dela é impecável. O trabalho de Clara sempre foi irretocável.

— Você a conhece? — Olive franziu o cenho.

— Conheço. Muito bem, na verdade. — Holden suspirou pesadamente, enfiando as mãos nos bolsos da calça. Ele olhou para Olive com um olhar carregado de empatia. — Olive, o Adam não te contou quem é a Clara, não é?

— Não. Eu só soube que ela vinha de Harvard apresentar os dados do laboratório dela. Por que ele me contaria?

Holden hesitou por um segundo, ponderando o peso do que estava prestes a dizer.

— Porque Clara é a ex-mulher dele.

As palavras pareceram flutuar no ar antes de colidirem contra Olive com o impacto de um vagão de trem. Ela piscou, atordoada, sentindo o estômago dar uma cambalhota inexplicável.

— Ex-mulher? — repetiu ela, com a voz quase sumindo. — O Adam foi... casado?

— Foi — confirmou Holden com gentileza. — Eles foram casados por quatro anos. Conheceram-se logo depois que Adam terminou o pós-doutorado. Ela estava começando a carreira docente. Eles eram incríveis juntos, Olive. Dois gigantes da ciência, mas em casa... eram apenas dois bobos apaixonados. Você deveria ter visto o Adam naquela época. Ele sorria. De verdade.

Olive sentiu um aperto doloroso no peito. O conceito de Adam Carlsen — o homem reservado, taciturno, que a protegia em reuniões de laboratório e comprava seus doces favoritos em silêncio — casado com alguém parecia de outro universo. E, ao mesmo tempo, fazia um sentido devastador.

— O que aconteceu? — perguntou Olive baixinho, quase temendo a resposta. — Se eles se amavam tanto... por que acabou?

Holden olhou para o chão de ladrilhos, e a sombra de uma dor antiga cruzou seu semblante.

— Há cerca de dois anos, eles estavam esperando um bebê. — Ele fez uma pausa dolorosa. — Foi uma gravidez muito desejada. O Adam... Céus, você não imagina como ele estava feliz. Ele leu todos os livros de obstetrícia e pediatria existentes, montou o berço sozinho, passava horas falando sobre como a criança seria brilhante. Mas as coisas deram errado. No final do segundo trimestre, houve complicações graves. Eles perderam o bebê. Uma menininha.

O coração de Olive despencou. O ar pareceu faltar em seus pulmões. Ela levou a mão à boca, tomada por uma onda avassaladora de tristeza por aquele homem que ela fingia namorar, mas por quem nutria sentimentos reais e profundos.

— Meu Deus... — sussurrou ela, com lágrimas pinicando os cantos dos olhos. — Isso é horrível.

— Foi destruidor — continuou Holden em tom sombrio. — Destruiu os dois. Mas Clara... Clara caiu em uma depressão pós-parto e em um luto profundos. Ela se culpava de todas as formas imagináveis. Olhar para o Adam tornou-se uma tortura para ela, porque ver o sofrimento dele refletido todos os dias a fazia acreditar que ela estava destruindo a vida dele também. Ela achava que era um fardo, que o estava arrastando para um poço sem fundo.

— E o Adam?

— Adam não queria o divórcio. Nem por um segundo — afirmou Holden categoricamente. — Ele queria ficar. Queria cuidar dela, queria segurar a mão dela no escuro pelo tempo que fosse necessário. O Adam teria movido oceanos para não deixá-la ir. Mas a psicóloga da Clara interveio. Disse que, pelo estado emocional em que Clara se encontrava, a dinâmica entre eles havia se tornado um ciclo de culpa e gatilho constante. A terapeuta recomendou que a separação seria a única chance real de Clara conseguir se reconstruir do zero, sem o peso daquele espelho de dor diário.

Uma lágrima escapou pelos olhos de Olive, que ela limpou rapidamente com as costas da mão.

— E ele aceitou?

— Ele a amava tanto que fez a única coisa que ela implorou que ele fizesse: deixou que ela fosse — concluiu Holden, com um suspiro que parecia carregar o peso do mundo. — Clara aceitou uma oferta de cátedra em Harvard e se mudou para o outro lado do país. Já faz dois anos. Eles quase não se falam desde então. Adam nunca fala sobre isso com ninguém. Para ele, ainda é uma ferida aberta, crua. Por isso ele fugiu hoje. Ver Clara de novo, tão viva, tão cheia de presença, enquanto tudo o que ele lembra é do quarto vazio que eles planejaram... é demais para ele suportar.

Olive ficou em silêncio, processando a magnitude da tragédia que moldara a armadura impenetrável de Adam Carlsen. Sua frieza, seu isolamento, sua aversão a demonstrar fraqueza... tudo ganhava contornos dolorosamente humanos.

— Holden?

A voz suave e feminina fez ambos se virarem. Clara estava parada a poucos metros de distância, segurando sua pasta de couro. Ela olhava para Holden com um sorriso afetuoso e genuíno, embora seus olhos guardassem aquela névoa indelével de quem havia caminhado pelo inferno.

— Clara! — Holden abriu os braços imediatamente, quebrando a tensão.

Clara deu um passo à frente e o abraçou com força. Era um abraço apertado, longo, daqueles que amigos de longa data trocam quando compartilham cicatrizes invisíveis.

— É tão bom ver você, Holden — disse ela ao se afastar, tocando o ombro dele com carinho. — Você continua o homem mais elegante deste campus.

— E você continua roubando a cena acadêmica em todos os lugares por onde passa — respondeu Holden com ternura. — Sua palestra foi impecável.

— Obrigada. — Clara sorriu, mas então seu olhar desviou-se para Olive. A expressão de Clara suavizou-se em pura curiosidade amigável. — Olá.

Holden limpou a garganta suavemente.

— Clara, esta é Olive Smith. Ela é doutoranda aqui no departamento, no laboratório de biologia celular. Olive, esta é a Dra. Clara Bennett.

— Muito prazer, Olive — disse Clara, estendendo uma mão macia e de aperto caloroso. — Eu vi você na terceira fileira. Você parecia genuinamente interessada nos dados de microambiente tumoral. É a sua área?

— É... é sim, em parte — gaguejou Olive ligeiramente, tocada pela doçura da mulher. — Sua palestra foi incrível, Dra. Bennett. O uso dos marcadores fluorescentes para mapear a resposta dos macrófagos foi simplesmente genial.

Clara riu, um riso caloroso que desenhou covinhas suaves em seu rosto rechonchudo.

— Por favor, me chame de Clara. E muito obrigada. É sempre revigorante ver estudantes apaixonados pela bancada.

O silêncio caiu entre eles por um instante, pontuado apenas pelo farfalhar do vento. Clara olhou de soslaio para os corredores do departamento, uma hesitação visível em sua postura relaxada.

— Ele não vem, não é? — perguntou ela em voz baixa, dirigindo-se a Holden.

Holden apenas balançou a cabeça em uma negativa suave e compassiva.

— Acho melhor não, Clara. Pelo menos não hoje.

Clara assentiu lentamente, engolindo em seco. Havia dor ali, mas também uma imensa e resignada aceitação.

— Eu entendo — murmurou ela. Então, seus olhos voltaram-se para Olive. Um lampejo de reconhecimento brilhou no olhar de Clara. — Sabe, Olive... as fofocas acadêmicas viajam rápido, até mesmo entre a Costa Oeste e Boston. Meus colegas mencionaram que o Adam... finalmente encontrou alguém. Disseram que ele está namorando uma jovem pesquisadora brilhante.

O coração de Olive deu um solavanco de pânico culposo. A mentira de repente parecia pesada demais, quase profana diante da história daquela mulher.

— Eu... nós... — Olive tentou balbuciar, incapaz de mentir descaradamente nos olhos de Clara, mas também proibida de revelar o contrato.

Clara, contudo, interrompeu o desconforto de Olive com um sorriso terno, completamente desprovido de ciúmes, rancor ou amargura. Havia apenas uma torcida pura e desinteressada em seu semblante.

— Não precisa ficar envergonhada — disse Clara suavemente, dando um passo mais perto de Olive. — Eu fico feliz. De verdade. O Adam é... ele é um homem extraordinário, Olive. Às vezes ele parece feito de gelo e padrões impossíveis, mas por dentro ele é leal até o fim do mundo. Ele merece ser feliz. E merece alguém que o faça querer viver no presente de novo. Cuide bem dele, sim?

Olive sentiu a garganta se fechar por completo. Ela não conseguiu formular uma resposta elaborada, limitando-se a assentir com convicção solene:

— Vou cuidar. Eu prometo.

Clara apertou a mão de Holden uma última vez, despediu-se com um aceno delicado e caminhou em direção ao carro que a levaria de volta ao aeroporto, elegante, forte e inteira em sua própria reconstrução.

Holden soltou um longo suspiro ao lado de Olive.

— Você está bem? — perguntou ele.

— Não — admitiu Olive com sinceridade, virando-se imediatamente na direção do prédio de laboratórios. — Eu preciso achar o Adam.

Ela não correu, mas caminhou o mais rápido que suas pernas permitiram, subindo as escadas até o quarto andar. O corredor estava silencioso, com as salas de aula vazias naquele fim de tarde. A porta do escritório de Adam Carlsen estava entreaberta apenas alguns centímetros.

Olive aproximou-se devagar, com o coração aos saltos. Ela empurrou a porta suavemente.

A sala estava na penumbra. As persianas estavam semicerradas, cortando a luz do entardecer em listras douradas e cinzentas sobre o chão. Adam estava sentado atrás de sua mesa de mogno, inclinado para a frente, com os cotovelos apoiados sobre a madeira e o rosto completamente enterrado nas palmas das mãos grandes. A xícara de café jazia intocada ao lado de uma pilha de artigos científicos.

Ele parecia desolado. Destroçado pelo peso das lembranças que não podiam ser apagadas por equações ou dados experimentais.

— Adam? — chamou Olive bem baixinho, com medo de assustá-lo.

Ele estremeceu de leve ao som da voz dela. Levantou a cabeça devagar, e o peito de Olive doeu fisicamente ao ver a vulnerabilidade exposta em seu rosto. Os olhos escuros de Adam estavam avermelhados, a expressão vazia e exausta de uma forma que ela nunca testemunhara antes. Ele parecia ter envelhecido dez anos em uma hora.

— Olive — a voz dele saiu rouca, áspera. Ele imediatamente tentou endireitar a coluna e erguer sua costumeira barreira de frieza. — O que está fazendo aqui? Achei que estivesse no evento do departamento.

Olive não respondeu com desculpas nem tentou manter a distância profissional e fingida de costume. Ela entrou na sala, fechou a porta atrás de si para isolar o mundo exterior e caminhou até a mesa dele.

— O Holden me contou — disse ela com honestidade pura, sem rodeios ou julgamentos.

Adam fechou os olhos com força, respirando fundo, como se esperasse um golpe. Seus ombros caíram em rendição silenciosa.

— Ele não deveria ter feito isso — murmurou Adam com amargura contida. — Não é da conta de ninguém.

— Ele me contou porque se preocupa com você — Olive rebateu mansamente, parando ao lado da cadeira dele. — E eu vim aqui porque me preocupo com você também.

Adam ergueu o olhar para ela. Havia uma dor tão profunda naqueles olhos escuros que Olive não suportou vê-lo carregar tudo sozinho. Quebrando qualquer regra tácita do namoro falso, ela estendeu a mão e pousou os dedos pequenos e quentes sobre a mão gélida e tensa dele que repousava sobre a mesa.

O contato fez Adam estremecer. Ele não puxou a mão. Em vez disso, seus dedos longos viraram-se devagar e se entrelaçaram aos dela com uma força quase desesperada, como um náufrago agarrando-se a uma tábua de salvação em meio a uma tempestade violenta.

— Ela parecia tão bem, Olive — sussurrou Adam, e a quebra em sua voz quase partiu o coração dela ao meio. — Ela estava viva de novo. Saudável. Inteira.

— Ela estava — concordou Olive com infinita doçura, dando um passo a mais e colocando sua outra mão sobre o ombro largo dele. — Ela foi incrível hoje, Adam. E ela falou de você com muito amor e respeito.

Adam abaixou a cabeça novamente, apoiando a testa contra o pulso de Olive, permitindo-se fraquejar pela primeira vez em anos na presença de outra pessoa.

— Eu tentei tanto salvá-la — confessou ele em um murmúrio sufocado. — Tentei salvar nós dois. Mas eu era o lembrete diário de tudo o que tínhamos perdido.

— Você a salvou quando permitiu que ela encontrasse a própria cura, Adam — disse Olive com firmeza, sentindo as lágrimas molharem suas próprias bochechas. — Holden me contou o que você fez. Isso não foi fraqueza ou fracasso. Foi o ato de amor mais altruísta e corajoso que alguém poderia cometer.

Adam respirou trêmulo, mantendo os olhos fechados enquanto a presença de Olive ancorava sua dor no mundo real. Ele apertou os dedos dela mais uma vez, como se precisasse se certificar de que ela continuava ali.

Eles ficaram assim por longos minutos, no silêncio protegido daquele escritório na penumbra. Nada foi consertado magicamente, as cicatrizes do passado continuavam ali, cravadas fundo na alma de Adam Carlsen. Mas, enquanto segurava a mão de Olive e sentia o calor de sua proximidade sincera, o peso do luto pareceu, pela primeira vez em dois anos, um fardo que ele não precisava carregar inteiramente sozinho.

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