
DO VOLEI A VIDA (O CAOS PERFEITO)
Fandom: Vôlei
Criado: 12/09/2026
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Além da Rede
O ar no ginásio parecia rarefeito, carregado com a eletricidade pura de uma semifinal de tirar o fôlego. Do lado brasileiro da quadra, Julia Bergmann ajeitava a munhequeira, sentindo as palmas das mãos suarem frio. Não era apenas a pressão esmagadora de disputar uma vaga na grande final, mas também a presença imponente do outro lado da quadra.
Ekaterina Antropova. Dois metros e dois de pura envergadura, elegância e um voleibol cirúrgico.
No banco, durante as últimas instruções, a voz rouca e incisiva de Zé Roberto ecoava como um trovão sobre a prancheta tática:
— Temos que quebrar o ritmo dela! Julia, Carol, atenção redobrada no bloqueio. Subam juntas, fechem a diagonal da Antropova. Não deem ângulo para ela virar a bola!
Julia assentiu, apertando os lábios avermelhados, os olhos faiscando determinação. Durante o aquecimento oficial de ataque na rede, seus olhares se cruzaram. Antropova ajeitou os fios loiros com um sorriso provocador no canto dos lábios, sustentando o contato visual por longos e indiscretos segundos. Julia ergueu a sobrancelha, o temperamento orgulhoso e ligeiramente dramático fervilhando no peito.
Ao seu lado, Gabi Guimarães deu uma cotovelada sutil nas costelas da ruiva.
— Se você continuar secando a italiana desse jeito, Julia, vai faltar água na garrafinha antes do primeiro apito — sussurrou a capitã, rindo com malícia.
— Não estou secando ninguém, Gabriela — rebateu Julia, ajeitando o rabo de cavalo com uma seriedade fingida. — Estou apenas estudando o bloqueio adversário.
— Sei bem o que você está estudando...
O apito soou estridente, dispersando qualquer gracejo. As duas seleções ocuparam seus postos. O confronto começou a mil por hora, com o Brasil ditando o ritmo através de uma agressividade impressionante no saque e defesas inacreditáveis. Julia esteve brilhante, amortecendo os ataques potentes de Kate e convertendo contra-ataques precisos pela ponta. Cada bola bloqueada da russa-italiana vinha acompanhada de um grito vibrante de Julia na rede e, em resposta, Kate devolvia com uma piscadela irônica e desafiadora. O Brasil fechou o primeiro e o segundo set com autoridade.
Entretanto, quem conhecia a Azzurra sabia que não existia rendição fácil. Com Antropova soltando o braço na saída de rede e distribuindo largadas venenosas, a Itália renasceu no jogo. Kate zombava discretamente nas comemorações, sua postura abusada e confiante tirando Julia do sério. Dois a dois.
O tie-break foi uma verdadeira batalha sangrenta de nervos e técnica. O Brasil deixou a própria pele naquela quadra, cavando cada ponto no limite físico e emocional. Quando a bola final tocou o chão italiano, explodiu a celebração verde-amarela: três sets a dois. Julia caiu de joelhos com o time antes de se erguerem para o cumprimento esportivo na rede. Frente a frente, entre apertos de mão cansados, Julia parou diante de Kate. A oposta italiana exibiu um sorriso singelo, sem ressentimento amargo, e Julia devolveu com uma suavidade inesperada, deixando transparecer a admiração mútua.
Com a classificação garantida e a decisão contra a Turquia agendada para dali a dois dias, a comissão técnica brasileira decidiu adiar qualquer saída festiva. Foco total. A delegação italiana, eliminada, começava a organizar o retorno para as onze da manhã seguinte.
Por volta das dez da noite, Kate terminou de fechar suas malas e desceu para o saguão do hotel. Acomodou-se em uma das poltronas confortáveis diante da imensa vidraça panorâmica voltada para o mar escuro e infinito. A tranquilidade da noite parecia acalmar a adrenalina residual da derrota.
Pouco depois, o elevador se abriu. Julia desceu de calça de moletom e tênis para buscar uma encomenda de aplicativo que Gabi havia pedido. Ao passar pela recepção com o pacote em mãos, a silhueta inconfundível de cabelos loiros chamou sua atenção.
Julia hesitou por um segundo, engoliu em seco e caminhou com passos firmes até o sofá.
— Boa noite, Antropova — pronunciou, com a voz um tom mais suave do que o habitual.
Kate virou o rosto com calma, reconhecendo o timbre antes mesmo de encará-la. Um sorriso divertido e relaxado iluminou seus traços esculpidos.
— Boa noite, Julia. O que faz por aqui? Pensei que você e o time estivessem comemorando a vitória lá fora.
— Adiaram a comemoração — Julia sentou-se na beirada de uma poltrona vizinha. — Decidiram guardar toda a energia para a final contra a Turquia. E... bem, parabéns pelo jogo de hoje. Você jogou absurdos, Kate. Foi insano tentar te parar.
— Obrigada — respondeu Kate, a voz aveludada carregando aquela paciência irônica peculiar. — Mas não foi o suficiente para vencer vocês. Seu bloqueio estava afiado demais hoje, ruiva.
Antes que Julia pudesse rebater o apelido atrevido, o som de passos apressados revelou a presença de Gabi. A ponteira estacou ao ver a cena, abrindo um sorriso travesso imediato.
— Ah, então é por isso a demora para pegar o meu lanche? — implicou Gabi, apontando o dedo. — Ficar de papo furado com a crush?
— Gabriela! — exclamou Julia, sentindo o rosto queimar instantaneamente num tom quase idêntico ao de seus cabelos.
Kate apenas soltou uma risada baixa e elegante, visivelmente entretida com a espontaneidade brasileira. Gabi aproximou-se sem o menor pudor, apoiando-se no encosto do sofá.
— E aí, Antropova? Como está a vida? Solteira na pista? Curtindo muito as noites italianas ou o foco é cem por cento na bola?
Julia cobriu o rosto com uma das mãos, querendo se afundar no estofado, enquanto Kate cruzava as pernas longas com total desenvoltura.
— Focada como sempre, Gabi. Mas a pista nunca é totalmente ignorada — brincou a loira, piscando na direção de Julia, que tentava manter uma expressão neutra, embora o coração batesse num compasso estranho e acelerado.
— Bom saber — continuou Gabi, rindo. — Você vai embora amanhã cedo mesmo?
— Sim, meu voo sai pela manhã. Volto para o meu apartamento na Itália para descansar o corpo e a mente por alguns dias.
— Justíssimo. Bom, meninas, vou subir para comer isso aqui antes que esfrie — Gabi pegou o pacote das mãos de Julia. — Julia, você vem comigo agora ou vai ficar aí filosofando?
— Já subo, Gabi. Dois minutos — pediu a ruiva, evitando encarar a capitã para não levar outro deboche.
Assim que Gabi sumiu pelas portas do elevador, Julia suspirou e ajeitou a postura, sentando-se agora mais próxima no sofá onde Kate repousava o braço.
— Desculpe por ela. A Gabi não tem filtro nenhum.
— Eu achei engraçado — pontuou Kate, observando o perfil de Julia com um olhar calmo e profundo. — Você fica adorável quando está sem graça, Bergmann.
Julia sentiu um arrepio gostoso percorrer sua espinha, mas manteve sua imponência dramática:
— Não mude de assunto. Se você quiser... nós poderíamos sair amanhã à noite para tomar algo antes de você ir. Digo, para espairecer um pouco.
Kate ponderou por um instante, com um brilho misterioso nos olhos claros.
— Se eu não estiver muito ocupada amanhã, passo no seu quarto para te dar a resposta pessoalmente. O que acha?
— Combinado — sorriu Julia, levantando-se. — Tenha uma boa noite, Kate.
— Boa noite, Julia.
A noite pareceu se arrastar para a brasileira. Deitada na cama do quarto que dividia com Gabi, as brincadeiras e provocações da capitã sobre seu interesse evidente na oposta italiana mal surtiram efeito. O que realmente tirava o sono de Julia era a lembrança vívida daqueles olhos claros sustentando os seus na recepção.
Na manhã seguinte, o tempo correu veloz. Durante uma rápida descida ao restaurante para pegar frutas, Gabi cruzou casualmente com Antropova no saguão carregando uma pequena sacola e descobriu que o voo da jogadora havia sido remanejado para o dia posterior por problemas de conexão. A capitã subiu correndo os degraus para contar a novidade:
— Julia! A sua loira gigante só vai embora amanhã à tarde! Se isso não for o destino armando para vocês, eu não sei o que é!
Julia tentou esconder o entusiasmo súbito atrás de uma almofada, mas o sorriso denunciou tudo.
Entretanto, as preocupações voltaram com força ao anoitecer. Às oito em ponto, o juiz apitou o início da grande final entre Brasil e Turquia. A partida começou disputada ponto a ponto, mas aos poucos o jogo foi se tornando pesado, denso e repleto de tensão tática. A pressão adversária desestabilizou a linha de passe brasileira, e o bloqueio turco se ergueu como uma muralha impenetrável. Julia sentia o peso de cada erro, um receio doloroso paralisando sua habitual explosão em quadra.
Nas arquibancadas superiores, sentada quase anonimamente entre a multidão com um boné discreto, Kate Antropova assistia a cada rali, o semblante cerrado em visível torcida silenciosa pelo sucesso da brasileira.
Quando a última bola resvalou para fora da quadra, confirmando o título turco, o baque foi devastador. Cumprimentos protocolares, medalhas penduradas com olhares vazios e um silêncio fúnebre no vestiário verde-amarelo. Kate levantou-se da cadeira no momento em que as jogadoras deixaram a quadra e desapareceu pelos corredores.
De volta ao hotel, o clima era desolador. Julia subiu para o quarto e encontrou-se completamente sozinha; Gabi havia saído sem dizer para onde, provavelmente buscando consolo com outras atletas ou familiares.
Sentada na beirada da cama, Julia não resistiu. O choro reprimido desabou em soluços dolorosos, as mãos escondendo o rosto enquanto o sentimento de frustração a consumia por inteiro.
Às dez e meia da noite, batidas firmes e compassadas soaram na porta.
Enxugando apressadamente o rastro úmido nas bochechas avermelhadas, Julia abriu a porta com o olhar carregado de tristeza e olhos vermelhos. Para sua surpresa total, era Kate quem estava parada ali no corredor, vestindo jeans escuros e uma jaqueta casual.
Ao ver o estado frágil da ruiva, a expressão irônica habitual de Kate desapareceu por completo. Sem pedir licença, a loira deu um passo à frente e envolveu Julia em um abraço longo, firme e protetor. Julia afundou o rosto no peito de Kate, permitindo-se fraquejar enquanto braços calorosos a sustentavam.
— Não se sinta culpada por nada, me ouviu? — murmurou Kate, pousando uma mão suave sobre a cabeça ruiva. — Você jogou com a alma inteira nesse campeonato. É errando que a gente descobre o caminho para evoluir e ser ainda maior amanhã. Eu sei o quanto dói, Julia, mas essa derrota não define quem você é.
Julia fungou, afastando-se minimamente para fitá-la:
— Eu... eu cometi erros bobos hoje, Kate. Era para ser nosso.
— Não vou deixar você aqui trancada desse jeito se martirizando — declarou Kate, com aquele tom paciente, porém impositivo que não aceitava recusas. — Minha viagem ficou para amanhã à tarde. Nós vamos sair agora. Quero ver você respirar um pouco de ar puro, sem essa cara murcha.
— Agora? Está tarde...
— Coloque um casaco e venha comigo. Isso não foi um pedido, foi uma intimação.
Meia hora depois, as duas caminhavam pelos corredores iluminados de um shopping center aberto que ainda funcionava até a meia-noite nos arredores da cidade. A presença descontraída, as tiradas cômicas e os comentários leves de Kate surtiram um efeito milagroso sobre o humor abatido de Julia. Logo, a tristeza opressiva foi sendo substituída por risadas sinceras.
Parando diante de uma área de jogos repleta de luzes coloridas, Kate apontou para uma máquina de garra cheia de pelúcias.
— Duvido que você consiga tirar algum dali — provocou Julia, cruzando os braços, trazendo à tona seu lado competitivo.
— Está me desafiando, Bergmann? — Kate arqueou as sobrancelhas com petulância. — Observe uma especialista em ação.
Após duas tentativas falhas que renderam gargalhadas sonoras de Julia, Kate concentrou-se com a precisão de quem vai sacar para fechar um jogo. A garra metálica desceu, prendeu firmemente e ergueu um ursinho de pelúcia fofo que segurava um coração vermelho de veludo entre as patas. O brinquedo caiu direto na bandeja de saída.
Kate pegou o urso com um ar de triunfo teatral e estendeu para Julia:
— Para você nunca esquecer que até nos piores dias você merece algo para sorrir.
Julia pegou o pequeno urso contra o peito, os olhos brilhando com uma emoção nova e delicada.
— Obrigada, Kate. De verdade... você não imagina o quanto precisava disso.
Elas passaram quase três horas passeando, comendo waffles em uma cafeteria tranquila e conversando sobre a vida além das quatro linhas de uma quadra de vôlei. Julia descobriu o quanto Kate era acolhedora por trás daquela pose inabalável de craque europeia, e Kate parecia fascinada pelo temperamento passional, ciumento e vibrante da brasileira.
Quando retornaram ao hotel, a madrugada já avançava calma. Paradas diante da porta do quarto de Julia, o silêncio confortável tomou conta do espaço entre elas.
Julia deu um passo à frente, ergueu-se ligeiramente nas pontas dos pés e depositou um beijo suave e demorado na bochecha macia de Kate. Mantendo o rosto a centímetros do da loira, Julia envolveu seu pescoço num abraço apertado e sussurrou rente ao seu ouvido:
— Obrigada por ter salvo a minha noite. Você foi maravilhosa.
Kate fechou os olhos momentaneamente, absorvendo o calor daquele contato. Quando Julia girou a maçaneta para entrar, Kate segurou levemente seu pulso:
— Espere. Quase esqueci.
A italiana tirou do bolso da jaqueta um envelope pequeno lacrado e um chaveiro de metal trabalhado com o desenho sutil de asas de pássaro.
— Uma carta com algumas palavras que queria te dizer e uma lembrança para carregar na sua mala.
Julia recebeu os presentes com um sorriso iluminado, sentindo uma pontada de ansiedade possessiva querendo saber tudo que estava escrito ali:
— Boa viagem amanhã, Kate. Não suma.
— Não tenho intenção nenhuma de sumir de você, Julia.
Assim que a porta foi trancada, uma almofada voou pelo ar, caindo nos pés de Julia. Gabi estava acordada na cama, de braços cruzados e um sorriso malicioso de orelha a orelha.
— Saindo às escondidas com a crush, né, safada? Sabia que esse sumiço tinha nome e sobrenome!
Julia deu uma risada alta, jogando outro travesseiro de volta na amiga:
— Para com isso, Gabi! Ela foi a salvação da minha noite, sério. A Kate é uma pessoa incrível, foi tão atenciosa, tão cuidadosa comigo...
Gabi relaxou o semblante, abrindo um sorriso compreensivo e cúmplice:
— Fico feliz em ver você sorrindo de novo, Ju. Agora vai dormir, você merece esse descanso.
Aquela madrugada custou a passar não mais pelas dores da derrota, mas pela enxurrada de pensamentos que cercavam aquela loira marcante. Com o chaveiro e o ursinho pousados na mesa de cabeceira e as palavras afetuosas da carta guardadas no coração, Julia adormeceu embalada por uma paz doce.
Na manhã de despedidas, os ônibus das delegações partiram em direções opostas. Pela janela, Julia mirava o horizonte, imaginando como seriam os próximos passos da sua carreira e ansiando, no fundo da alma, pelo dia em que seus caminhos se cruzariam novamente.
Poucos dias após o fim dos torneios continentais, uma notificação no celular fez seu pulso disparar: ekaterineantropova começou a seguir você. O follow back foi instantâneo, acompanhado por mensagens esporádicas e flertes sutis nas caixas diretas que se estenderam por semanas.
O destino, porém, guardava jogadas ainda mais audaciosas.
Meses depois, em meio às negociações da janela internacional de transferências, o empresário de Julia enviou uma proposta formal irrevogável: o Savino Del Bene Scandicci, potência da liga italiana, queria a ponteira brasileira como peça fundamental do seu elenco para a nova temporada.
A primeira coisa que cruzou a mente acelerada de Julia foi inevitável: O clube da Antropova.
No centro de treinamento em Scandicci, a notícia da contratação correu antes do anúncio oficial. Kate estava sentada no banco ao lado da central Sarah Fahr, amarrando os cadarços, quando a informação caiu como uma bomba. A loira paralisou as mãos, arregalando os olhos em choque genuíno.
— Não brinca comigo, Sarah... — disse Kate, encarando a colega de seleção e clube. — É oficial? Ela assinou?
— Está quase tudo fechado pelo que ouvi da diretoria — riu Sarah, observando a expressão atônita da amiga. — O que foi, Antropova? Ficou nervosa por acaso? Será que a sua ruivinha brasileira vem mesmo jogar no nosso quintal?
— Ela não é "minha ruivinha" — retrucou Kate com falsa indiferença, embora a mente girasse em turbilhões de expectativa. — Mas isso vai ser... interessante. Muito interessante.
Duas semanas depois, Julia Bergmann desembarcava em Florença. Instalada em um apartamento charmoso providenciado pelo clube perto das colinas toscanas, ela acordou cedo, preparou o café e vestiu o uniforme de treino com o coração martelando forte contra as costelas.
Ao atravessar as portas de vidro do ginásio do Savino Del Bene Scandicci, o som estridente dos tênis cantando na quadra ecoava familiar. O restante das companheiras de equipe parou as atividades para recepcioná-la com aplausos e calorosas boas-vindas. No entanto, encostada no poste da rede, segurando uma bola sob o braço, Kate Antropova mantinha uma postura contida, séria, quase intimidadora em sua concentração profissional.
Julia engoliu o nó na garganta, sustentando o olhar. Seu lado ciumento e possessivo já queria exigir a mesma atenção calorosa daquela noite no hotel, mas conteve os ânimos.
O treinamento inicial de entrosamento foi dinâmico, rápido e intenso. Julia mostrou sua habitual garra sul-americana, enquanto Kate distribuía ataques potentes que faziam o chão tremer.
Assim que a comissão técnica liberou o elenco para hidratação e alongamento, Kate jogou a bola em um cesto e caminhou decidida na direção de Julia. A loira estancou a poucos passos de distância, os olhos faiscando com aquela ironia magnética e o sorriso travesso que Julia jamais esquecera.
— Seja bem-vinda à Itália, Bergmann — pronunciou Kate com a voz grave e pausada. — Espero que esteja pronta, porque eu não pretendo pegar leve com você nos treinos.
Julia sentiu o coração saltar diretamente para a boca, o calor subindo instantaneamente por suas veias.
— Eu nunca te pedi para pegar leve, Antropova — rebateu a ruiva, erguendo o queixo com um sorriso desafiador.
Ali, sob o teto daquele ginásio italiano, Julia teve a certeza inabalável de que aquela conexão iria muito além de qualquer bloqueio ou rivalidade esportiva. E a única resposta que sua mente procurava entender era o motivo de seu coração bater tão absurdamente descompassado toda vez que o assunto envolvia Ekaterina Antropova.
