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Fogo da Forja

Fandom: Genshin Impact

Criado: 13/09/2026

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O Ponto de Fusão

O ritmo compassado do martelo pesado contra a bigorna preenchia cada canto da oficina subterrânea. Fagulhas alaranjadas e douradas saltavam no ar a cada golpe preciso, iluminando o suor que escorria pelo pescoço e pelas têmporas de Xilonen. Seus cabelos loiros estavam presos em um coque apressado e desgrenhado, algumas mechas coladas à sua pele levemente bronzeada pelo calor constante das brasas de Phlogiston.

A lâmina diante dela estava em um estado crítico de têmpera. Faltava pouco, muito pouco para que a liga especial absorvesse a ressonância ancestral que os guerreiros da tribo haviam encomendado com tanta urgência. Suas orelhas felinas giravam a cada estalo de carvão, captando as vibrações do ambiente, enquanto a ponta de sua cauda de leopardo chicoteava o ar de um lado para o outro com impaciência metódica.

— Só mais algumas marteladas... — resmungou ela para si mesma, ajustando a tenaz com a mão esquerda enquanto erguia o martelo com a direita. — Só mais dez minutos de paz e esse metal maldito vai estar pronto.

O destino, no entanto, raramente respeitava os prazos de uma ferreira.

Um estrondo abafado ecoou na entrada da forja. A pesada cortina de couro trançado que bloqueava a poeira da caverna foi empurrada com força desmedida, seguida pelo rangido desconjuntado da porta de madeira batendo contra o batente de pedra.

Xilonen nem precisou virar a cabeça para reconhecer a presença avassaladora que invadia seu santuário de trabalho. O ar da oficina, que já era quente, pareceu subir instantaneamente vários graus. Uma onda de calor denso, perfumado com o cheiro inconfundível de aguardente de cactos fermentada e especiarias doces, inundou o espaço de trabalho.

— Olha só... quem ainda está acordada batendo ferro no meio da noite... — Uma voz rouca, arrastada e perigosamente alegre ecoou pelas paredes de pedra.

Xilonen cerrou os dentes, ignorando deliberadamente a intrusa. Desceu o martelo sobre a lâmina com um golpe sonoro que fez as fagulhas explodirem como fogos de artifício.

— Mavuika, eu estou ocupada — avisou Xilonen, sem desviar o olhar do brilho incandescente do metal. — Não posso perder a temperatura dessa peça. Saia ou fique quieta em um canto.

Passos pesados e ligeiramente cambaleantes se aproximaram. Mavuika, a soberana do fogo, a Arconte de Natlan cuja mera presença costumava inspirar reverência inabalável em multidões, caminhava com a postura solta de quem havia passado as últimas quatro horas esvaziando jarros de barro cheios da bebida mais potente das tribos.

Seus longos cabelos ruivos, volumosos e flamejantes como labaredas vivas, caíam desalinhados sobre os ombros largos. A túnica preta e vermelha estava frouxa, revelando boa parte do colo bronzeado coberto por tatuagens geométricas reluzentes, traçadas em reverência ao sol ancestral, que agora pulsavam em um tom avermelhado preguiçoso sob a pele quente.

— "Fique quieta em um canto"? — Mavuika soltou uma risada baixa, rouca e cheia de deleite ébrio. — Desde quando a minha ferreira favorita dá ordens para a sua deusa?

— Desde que a minha deusa resolveu aparecer na minha forja cheirando a destilado de milho e sem um pingo de juízo na cabeça — retrucou Xilonen secamente, levantando o martelo mais uma vez.

Antes que o golpe pudesse descer, dois braços fortes e bronzeados envolveram a cintura de Xilonen por trás, colando-se às suas costas com um peso firme e possessivo. O martelo parou no ar, vacilante.

— Pelos arcontes... Mavuika, me solta! — protestou a loira, sentindo o calor quase abrasador do corpo da ruiva pressionado contra o seu.

— Não quero soltar — murmurou Mavuika contra a nuca de Xilonen, depositando ali um beijo úmido e quente que fez um arrepio involuntário descer pela espinha da ferreira. — O festival acabou, todo mundo foi dormir... e você não estava lá para dançar comigo.

— Eu não estava lá porque tenho prazos reais para cumprir, diferente de você, que passa a noite bebendo com os anciãos — disse Xilonen, tentando se desvencilhar usando os cotovelos, mas o aperto de Mavuika era de ferro puro, digno de uma divindade bélica, mesmo com a mente nublada pelo álcool. — Me larga logo. O aço vai esfriar, e se eu tiver que reaquecer isso no fole, vou perder horas de trabalho!

— Deixe o aço esfriar, gatinha... — sussurrou a Arconte, a voz vibrando diretamente contra a pele sensível logo abaixo da orelha de leopardo de Xilonen.

Mavuika soprou um hálito quente e embriagado que fez as orelhas felinas da loira se contraírem bruscamente para baixo. Com um gemido abafado de frustração, Xilonen baixou o martelo sobre a bigorna, desistindo por um breve segundo de golpear antes que acabasse acertando o próprio pé.

— Mavuika, estou falando sério — advertiu Xilonen, a voz ligeiramente falha. — Você está bêbada demais. Vá para os seus aposentos dormir.

— Não estou com sono — cantarolou a deusa ruiva, esfregando o nariz carinhosamente no pescoço suado da outra. — Estou cheia de energia. O fogo aqui dentro está queimando alto demais...

Para enfatizar suas palavras, as mãos calejadas e firmes de Mavuika abandonaram a cintura de Xilonen e começaram a subir. Uma delas deslizou com audácia por baixo do avental de couro grosso, espalmando-se contra a barriga firme da loira, enquanto a outra subiu sem qualquer cerimônia em direção ao seu peito, cobrindo o seio esquerdo por cima do tecido fino do corpete e apertando-o com uma posse descarada e firme.

Xilonen soltou um arquejo pesado, fechando os olhos por uma fração de segundo enquanto uma onda de calor que nada tinha a ver com a forja subia por suas veias.

— Ei! O que você pensa que está fazendo?! — exclamou a ferreira, tentando puxar a mão atrevida para longe, mas Mavuika apenas riu, pressionando o quadril para a frente, encaixando-se perfeitamente contra as nádegas de Xilonen.

Mesmo através das camadas de couro e tecido, era impossível não sentir a pressão deliberada, quente e faminta do corpo da ruiva. Mavuika começou a rebolar sutilmente contra ela, um movimento lento, ritmado e pecaminoso que tirou o restante do ar dos pulmões de Xilonen.

— Você trabalha demais, sabia? — Mavuika mordiscou de leve o lóbulo da orelha felina de Xilonen, arrancando dela um sobressalto visível. — Sempre com essa cara fechada, batendo metal, ouvindo engrenagens... Por que você não olha um pouco para mim? Eu sou muito mais interessante que um pedaço de ferro bruto.

— Você é uma inconveniente, isso sim — rosnou Xilonen, embora o tom tivesse perdido grande parte de sua firmeza inicial. Sua respiração tornara-se curta, entrecortada. — Para com isso... Eu preciso terminar essa espada.

— Não precisa, não — retrucou a ruiva com a teimosia típica dos bêbados apaixonados.

A mão de Mavuika que apertava o peito de Xilonen desceu abruptamente, deslizando pela curva do quadril até apertar a bunda da ferreira com força suficiente para fazê-la engolir em seco. A deusa empurrou o quadril mais uma vez, roçando-se sem pudor algum, soltando um gemido rouco e baixo que reverberou na nuca da loira.

— Olha só como você está tensa... — murmurou Mavuika, sua boca descendo para a curva do ombro descoberto de Xilonen, beijando e sugando a pele suada com fervor faminto. — Eu posso te relaxar. Você sabe que posso.

— Mavuika... solta... — pediu Xilonen, mas a ordem soou mais como um suspiro suplicante do que como uma exigência real.

Sua cauda dourada com manchas escuras traíra seus instintos, enrolando-se de forma involuntária e possessiva ao redor da coxa musculosa de Mavuika. Ao notar o movimento do rabo felino, a Arconte soltou uma risada triunfante. Com agilidade surpreendente para alguém em estado etílico, Mavuika deslizou os dedos ao longo da base da cauda de Xilonen, acariciando o ponto exato de maior sensibilidade nervosa.

Xilonen arqueou as costas contra o peito da deusa, soltando um gemido agudo que ecoou pela câmara de pedra. Suas mãos perderam o controle; a tenaz de ferreiro escapou de seus dedos, caindo ruidosamente sobre as pedras do chão. A lâmina em brasa, abandonada sobre a bigorna, começou a perder seu tom dourado, escurecendo para um vermelho opaco e frio. O trabalho estava arruinado para aquela noite, e Xilonen sabia disso.

— Viu só? — sussurrou Mavuika, vitoriosa, usando a mão livre para puxar a cabeça de Xilonen para trás pelos cabelos, forçando a ferreira a expor a garganta completamente para seus lábios. — Sua cauda não mente. Você quer isso tanto quanto eu.

— Você é insuportável... — murmurou Xilonen, os olhos entreabertos brilhando com um misto de irritação derrotada e luxúria despertada.

— E você adora — retrucou Mavuika contra os lábios dela, sem dar tempo para réplica.

A Arconte tomou a boca de Xilonen em um beijo abrasador, carregado do gosto picante da aguardente tribal e do calor puro que parecia queimar nas profundezas da divindade. Era um beijo exigente, bêbado e desordenado, mas que carregava a força inegável de Natlan. A língua de Mavuika invadiu a de Xilonen com uma intensidade faminta, explorando cada canto, sugando e reivindicando tudo com a arrogância de quem sabia que não seria rejeitada por muito tempo.

Xilonen tentou manter os braços caídos ao lado do corpo por mais três segundos, lutando contra a maré inevitável de sensações, mas o toque firme das mãos de Mavuika — agora puxando as amarras de seu corpete e apertando sua cintura sem piedade — quebrou a última barreira de sua disciplina ferrenha.

Com um rosnado baixo e gutural que vibrou no fundo da garganta, Xilonen girou o corpo nos braços da Arconte.

Num movimento rápido, impulsionado pela frustração acumulada e pelo desejo represado, a loira empurrou Mavuika com força para trás. A deusa, pega de surpresa pelo ímpeto, tropeçou alguns passos e acabou batendo as costas com um baque sonoro contra a pesada mesa de madeira maciça onde ficavam as ferramentas manuais de Xilonen. Alicates, limas e cinzéis tilintaram e rolaram para o chão, mas nenhuma das duas se importou.

Xilonen deu um passo à frente, plantando-se entre as pernas abertas de Mavuika, as mãos apoiadas firmemente na borda da mesa, encurralando a deusa do sol.

— Satisfeita agora? — perguntou Xilonen, o peito subindo e descendo com força, os olhos semicerrados e dourados fixos no rosto ruborizado da mulher à sua frente. — Você acabou de estragar cinco horas de têmpera contínua.

Mavuika soltou uma gargalhada genuína, jogando a cabeça para trás, as mechas ruivas espalhando-se sobre a mesa de madeira rústica. Suas tatuagens solares pareciam brilhar com mais vivacidade agora, refletindo a excitação crua estampada em seu rosto.

— Eu compro outra forja inteira para você amanhã se for preciso — disse Mavuika, os olhos vermelhos e dourados semicerrados em puro deleite, fitando Xilonen com uma luxúria que beirava o animalesco. Ela levantou as duas pernas longas e fortes, cruzando os tornozelos atrás das costas de Xilonen, puxando a ferreira para ainda mais perto de si. — Agora cala essa boca e faz o que você sabe fazer de melhor, ferreira. Molda esse fogo.

Xilonen bufou, mas um sorriso enviesado e lascivo finalmente despontou no canto de seus lábios. Suas mãos subiram pelas coxas grossas e bronzeadas de Mavuika, empurrando as fendas do tecido da túnica para os lados com impaciência, expondo a pele macia e ardente da Arconte.

— Você fala demais quando bebe — murmurou Xilonen, baixando o corpo sobre o dela.

— E você pensa demais quando trabalha — devolveu Mavuika, agarrando a nuca de Xilonen com força e puxando-a para outro beijo voraz.

Desta vez, não houve hesitação. Xilonen respondeu na mesma moeda, mordiscando o lábio inferior da deusa até sentir o gosto metálico e quente da paixão pura. Suas garras afiadas rasgaram a paciência e os nós restantes das roupas, decidida a esquecer completamente as espadas, os prazos e a disciplina.

Naquela noite, a única coisa que seria forjada sob o calor sufocante da oficina seria o desejo indomável da deusa e de sua ferreira, consumindo-se mutuamente até que não restasse nada além de cinzas e êxtase.

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