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Vermelho e asas

Fandom: Kobayashi-san Chi no Maid Dragon

Criado: 13/09/2026

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O Peso de Uma Aliança Dourada

A noite na pacata cidade de Oborozuka havia descido com uma suavidade incomum. Pouco antes das oito, Kobayashi e Tohru haviam cumprido a primeira e mais importante missão daquela noite: deixar Kanna na residência da família Saikawa. Como esperado, a jovem Riko quase desmaiara de felicidade ao abrir a porta e perceber que teria sua melhor amiga para uma noite inteira de pijamas, videogames e conversas secretas. Kanna apenas acenara com sua habitual calma, prometendo se comportar antes de sumir pelo corredor iluminado.

O caminho de volta para casa fora feito em um silêncio confortável, quebrado apenas pelo estalar suave dos saltos baixos dos sapatos de Kobayashi no asfalto e pelo farfalhar do longo vestido vitoriano de Tohru. Mas não era um silêncio qualquer. Havia algo novo pairando entre as duas, materializado nos finos aros de metal reluzente que adornavam o anelar esquerdo de cada uma.

A cerimônia improvisada daquele fim de semana ainda parecia um sonho vívido para a mente de Kobayashi. Não havia sido um casamento tradicional — nada naquele apartamento jamais seria tradicional —, mas perante Lucoa, Fafnir, Elma, Kanna e Takiya, elas haviam firmado uma promessa. Tohru agora ostentava não apenas o papel de empregada residente, mas o de parceira. Uma esposa.

Quando a porta do apartamento se fechou atrás delas, o ambiente parecia vasto demais sem a presença da pequena Kanna correndo descalça pelos tatames.

— Ah, que alívio! — exclamou Tohru, descalçando os sapatos e girando os ombros com tanta energia que as pontas de seus chifres quase rasparam na moldura da porta. Seus olhos rubros faiscavam de pura euforia doméstica. — Kanna-chan com certeza vai se divertir bastante, mas agora a casa é só nossa, Kobayashi-san! Quer dizer, senhora Kobayashi! Minha esposa!

Kobayashi soltou um suspiro nasal, as bochechas corando de leve sob as lentes dos óculos finos.

— Não precisa dizer tudo isso em voz alta, Tohru... — murmurou a ruiva, desabotoando os primeiros botões da camisa social branca e afrouxando a gravata azul-escura com um movimento cansado do pulso. — Foi uma semana cheia no escritório e todo aquele evento com os outros dragões sugou minha energia vital. Eu só preciso relaxar.

— Deixe tudo comigo! — Tohru bateu uma das mãos no peito avantajado, enquanto a cauda verde e espessa brotava repentinamente sob a saia, sacudindo no ar com tanto entusiasmo que derrubou uma almofada do sofá. — Eu preparei um banquete nupcial para nós! Bem, a cauda de hoje foi temperada com ervas finas do outro mundo e cozida lentamente. Desta vez eu sei que você não vai resistir!

— Eu já disse que não vou comer sua cauda, Tohru — respondeu Kobayashi automaticamente, dirigindo-se à cozinha em passos lentos.

Ela abriu a geladeira. A luz fria revelou uma prateleira quase inteiramente dedicada ao seu maior refúgio pós-trabalho: latinhas de cerveja de malte encorpado e uma garrafa bojuda de saquê envelhecido que Takiya havia lhe dado de presente de casamento.

— Eu vou tomar um banho rápido primeiro, ou... não, vou beber logo — corrigiu-se a programadora, pegando a garrafa de saquê e três latinhas sem a menor cerimônia.

Tohru, que já havia colocado um avental branco por cima do traje habitual e acendido o fogão para finalizar o ensopado (tentando disfarçar os pedaços escamosos na panela), olhou de soslaio com um sorriso carinhoso.

— Tome cuidado para não exagerar antes do jantar, Kobayashi-san. A comida vai ficar pronta em vinte minutos!

— Uhum... vinte minutos — respondeu a ruiva de forma vaga, sentando-se à mesa da sala de jantar.

O estalar do lacre de alumínio ecoou pelo apartamento silencioso. O primeiro gole de cerveja desceu pela garganta como um bálsamo, desfazendo a rigidez dos músculos dos ombros e dissolvendo as pilhas de códigos que Kobayashi passara oito horas depurando. Um suspiro profundo escapou de seus lábios.

Um gole virou uma lata vazia. A segunda foi aberta enquanto ela observava as costas de Tohru na cozinha.

A visão era fascinante e hipnótica: a figura loira, de curvas imponentes, movendo-se com agilidade quase sobrenatural entre panelas e tábuas de corte. A cauda verde balançava no ritmo de uma canção cantarolada em uma língua dracônica ancestral. Em uma mão, Tohru segurava uma colher de pau; na outra, uma faca que cortava legumes em velocidades imperceptíveis ao olho humano. E no dedo dela, brilhando sob a luz fluorescente da lâmpada da cozinha, estava a aliança.

Ela é minha esposa agora, pensou Kobayashi, apoiando o queixo na palma da mão direita enquanto abria a terceira latinha. Um dragão. Aquele ser colossal que caiu na floresta agora usa um anel igual ao meu e frita cebolas na minha cozinha.

O álcool começou a trabalhar com uma velocidade perigosa. O sangue quente subiu às têmporas de Kobayashi. Sua mente, normalmente governada por lógica pura, algoritmos e contenção social extrema, começou a se soltar dos cabos de contenção. A terceira lata acabou. Sem hesitar, ela puxou a garrafa de saquê de Takiya, encheu um copo de vidro grosso até a borda e bebeu de uma só vez.

O calor queimou-lhe o peito, trazendo à tona aquela faceta ruidosa, teimosa e desinibida que só aparecia nas noites de bebedeira nos bares de Tóquio. Só que, desta vez, não havia Takiya para ouvir discursos inflamados sobre empregadas domésticas. Havia apenas Tohru. Uma empregada real. Sua empregada. Sua esposa.

Tohru provou o caldo com a colher e deu um gritinho alegre.

— Ah, está perfeito! Kobayashi-san, você não vai acreditar no aroma que...

O som de uma cadeira arrastando com força pelo piso interrompeu a fala do dragão.

Tohru virou a cabeça e viu Kobayashi de pé. Os óculos estavam ligeiramente tortos no nariz empinado, os olhos escuros ardiam com uma névoa pesada de embriaguez obstinada e as bochechas pareciam duas maçãs maduras de tão vermelhas. A gravata estava frouxa, pendendo para o lado, e a camisa social tinha os três botões superiores abertos, expondo a pele clara de sua clavícula.

— Kobayashi-san? — Tohru piscou os grandes olhos vermelhos com pupilas verticais, inclinando a cabeça. — O que foi? O jantar já está...

Kobayashi não respondeu com palavras. Ela deu três passos pesados, decididos e um pouco trôpegos em direção à bancada estreita da cozinha. O espaço entre as duas se desfez em um segundo.

Antes que Tohru pudesse sequer processar a aproximação, Kobayashi estendeu os braços compridos e a agarrou.

Com uma força surpreendente para uma humana que passava o dia sentada digitando, Kobayashi enterrou as mãos na cintura da loira, puxando-a para frente com autoridade. O impacto abafado dos dois corpos fez o avental de Tohru amarrotar contra o tecido da camisa social de Kobayashi. A colher de pau caiu das mãos do dragão, tilintando inutilmente sobre a bancada.

— Ko... Kobayashi-san?! — O rosto de Tohru ardeu instantaneamente em um escarlate brilhante que rivalizava com a cor de seus olhos. Seus dentes afiados se mostraram em um sorriso em choque. — O que... o que você está fazendo? O ensopado vai queimar se eu não abaixar o...

— Deixa queimar — declarou Kobayashi, a voz surpreendentemente grave, arrastada pelo saquê, mas carregada de uma determinação que Tohru nunca tinha visto.

Kobayashi ergueu a mão direita e segurou a lapela do vestido da empregada, puxando o rosto da loira para baixo, diminuindo drasticamente a diferença de altura entre elas. O hálito quente, impregnado com o doce odor fermentado do arroz e do malte, atingiu diretamente os lábios de Tohru.

— K-Kobayashi-san! — gaguejou o dragão, o coração gigantesco disparando em batidas ensurdecedoras. Sua cauda começou a chicotear o ar atrás de si, batendo contra os armários em um ritmo caótico. — Você bebeu demais de novo! Eu sabia que não devia ter deixado aquela garrafa na geladeira, você fica tão...

— Tohru — interrompeu a ruiva, dando um aperto firme na cintura da outra, as pontas dos dedos finos cravando-se no corpete do vestido. — Cale a boca por um segundo.

Tohru calou-se no mesmo instante, engolindo em seco. Suas pupilas dilataram até ocuparem quase toda a íris carmesim.

— Kanna não está aqui — continuou Kobayashi, os olhos semiabertos fixos nos lábios do dragão. — Nós levamos ela pra Saikawa justamente por um motivo, não foi?

— Foi... para ela ter uma noite divertida com as amigas humanas... — murmurou Tohru, os chifres quase soltando pequenas faíscas de pura sobrecarga emocional.

— Mentira — disse Kobayashi, empurrando o corpo de Tohru contra a borda da pia e dando mais um passo à frente, prensando a loira entre si e a bancada. — Nós nos casamos, não nos casamos?

Ela levantou a mão esquerda, estalando o anel contra a maçã do rosto de Tohru em um toque quase bruto, mas carregado de uma intimidade desavergonhada.

— Casamos! Sim! Para todo o sempre! — exclamou o dragão, incapaz de conter o tom choroso e eufórico.

— Pois é — a ruiva deu um sorriso de canto, uma expressão tão raramente vista em seu semblante comedido que parecia transformar toda a sua presença. — Então onde é que está a nossa lua de mel?

O cérebro milenar de Tohru simplesmente parou de funcionar. Todas as estratégias de batalha, feitiços de aniquilação e planos minuciosos de conquista humana colapsaram diante daquela frase.

— Lua... de mel...? — repetiu Tohru, o ar faltando em seus pulmões dracônicos.

— Isso mesmo. Lua de mel — Kobayashi puxou Tohru ainda mais para si, deslizando a mão até a nuca da loira e embrenhando os dedos compridos entre as mechas douradas do cabelo sedoso. — Você passou meses implorando pela minha atenção. Ficou dizendo que me amava dia e noite, querendo que eu te tocasse, querendo que eu fizesse coisas com você... Agora que nós estamos casadas e a Kanna foi dormir fora, você quer ficar cozinhando rabo de dragão? Que tipo de esposa faz isso?

Tohru sentiu um arrepio elétrico descer por toda a extensão de sua espinha, até a ponta de sua cauda. A postura dominadora e irracionalmente confiante de Kobayashi embriagada era o seu maior ponto fraco.

— E-eu só queria alimentar minha esposa primeiro! — defendeu-se Tohru, as mãos finalmente criando coragem para tocar os ombros da ruiva, sentindo a fragilidade deliciosa daquela estrutura mortal. — Mas se você quer... se a senhora quer a sua lua de mel...

— Eu não quero esperar — rosnou a ruiva, subindo a mão pelo rosto de Tohru e puxando com delicadeza a ponta de um dos seus chifres curvados.

O contato repentino na parte mais sensível do corpo do dragão fez Tohru soltar um gemido rouco, as pernas vacilando ligeiramente sob o vestido comprido. Os chifres eram terminações mágicas repletas de nervos; ninguém jamais havia ousado tocá-los daquela maneira, exceto aquela humana míope e atrevida.

— Kobayashi-san... isso é trapaça... — murmurou Tohru, os olhos marejados de puro deleite.

— Não é trapaça se você é minha — sentenciou Kobayashi com a firmeza absoluta dos bêbados mais obstinados.

E sem dar espaço para qualquer resposta, a humana avançou.

Kobayashi fechou os olhos e selou os lábios de Tohru em um beijo profundo e desajeitado. Não era um beijo delicado de conto de fadas; era quente, urgente, com o gosto acre e doce do álcool misturando-se à saliva morna do dragão. Kobayashi pressionou todo o seu corpo magro contra a imponência de Tohru, as mãos exigindo passagem, acariciando os cabelos dourados, os ombros largos e apertando a cintura com uma posse possessiva que ela jamais admitiria ter em plena sobriedade.

Tohru estremeceu por inteiro. Um ronronar profundo e gutural ressoou no peito do dragão. Ela respondeu ao beijo com fervor absoluto, envolvendo os braços fortes em volta da cintura de Kobayashi e erguendo-a do chão alguns centímetros, como se a humana não pesasse absolutamente nada. Os dentes afiados de Tohru rasparam de leve no lábio inferior de Kobayashi, arrancando-lhe um suspiro trêmulo que ecoou pela cozinha.

Quando o ar se fez necessário, Kobayashi recuou minimamente, encostando a testa na de Tohru. Seus óculos estavam quase caindo e a respiração saía curta, quente e entrecortada.

— O fogão... — sussurrou Kobayashi, semicerrando os olhos enquanto tentava focar o rosto da loira.

Tohru estalou os dedos de uma das mãos. Um pequeno estalo mágico no ar apagou instantaneamente a chama da panela, enquanto um escudo translúcido envolveu o alimento para que não esfriasse.

— Resolvido — disse Tohru, a voz agora rouca, os olhos vermelhos brilhando no escuro da cozinha como duas brasas ardentes. — Mais algum obstáculo, minha esposa?

Kobayashi abriu um sorriso preguiçoso e desafiador.

— O quarto fica muito longe?

— Não para mim — respondeu o dragão.

Em um movimento fluido e gracioso, Tohru ajeitou Kobayashi em seus braços, carregando-a no estilo noiva com a facilidade com que seguraria um buquê de flores. A cabeça ruiva descansou pesadamente contra o ombro da maid, e os braços de Kobayashi se enrolaram em volta do pescoço de Tohru sem a menor hesitação.

Tohru caminhou pelo corredor com passos firmes e silenciosos, a cauda arrastando pelo chão em uma dança de triunfo absoluto. Ao entrar no quarto principal — onde apenas dois futons lado a lado aguardavam sob a luz prateada que entrava pela janela —, ela depositou Kobayashi com uma delicadeza quase reverente sobre os lençóis macios.

A ruiva rolou de costas, tirando os óculos com uma mão instável e jogando-os na direção da mesinha de cabeceira. Eles caíram tortos, mas ela não se importou. Sem as lentes, seus olhos pareciam ainda mais profundos, fixos na figura de Tohru que se ajoelhava diante dela.

— Você fala muito, Tohru... — murmurou Kobayashi, a voz amolecendo à medida que o calor da cama começava a abraçar seu corpo cansado, mas a chama teimosa do saquê ainda brilhava forte. Ela puxou a ponta do laço do avental de Tohru. — Vem cá. Cumpre o que você prometeu no altar.

Tohru sentiu as lágrimas pinicarem nos cantos dos olhos. Não eram lágrimas de tristeza, mas da mais pura e avassaladora realização. Durante tanto tempo ela sonhara em ser aceita por aquela humana indiferente; durante tanto tempo temera que o abismo entre dragões e mortais fosse intransponível.

Mas ali, sob a luz suave da lua que banhava o quarto, não havia abismos. Havia apenas a pele quente de Kobayashi, o cheiro de cerveja misturado ao sabão em pó, o brilho da aliança idêntica à sua e um pedido irrecusável.

— Sim, Kobayashi-san — sussurrou Tohru, desatando o laço do próprio avental e debruçando-se sobre ela, os longos cabelos dourados caindo como uma cortina em volta de ambos os rostos. — Eu vou te dar a melhor lua de mel de toda a história deste mundo.

— Menos conversa... — protestou Kobayashi com um sorriso suave nos lábios, puxando o rosto da loira para mais um beijo profundo e sem pressa. — Mais ação, Tohru.

E naquela noite sem Kanna, sem prazos de entrega e sem as amarras da timidez habitual, o pequeno apartamento em Oborozuka testemunhou a consumação do juramento mais improvável e verdadeiro que duas almas — uma humana e uma dracônica — poderiam ter feito.

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