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entre bombas e folhas

Fandom: próprio nalbert

Criado: 14/09/2026

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Sob o Peso da Camuflagem

A sala de aula de redação estava impregnada com o cheiro característico de giz, papel antigo e o aroma amadeirado e terroso que parecia emanar de cada poro do professor Ronaldo. Robert, sentado na terceira fileira, tentava desesperadamente se concentrar na estrutura de uma dissertação argumentativa, mas seus olhos teimavam em desviar para a figura imponente à frente do quadro negro.

Ronaldo era uma presença que preenchia o ambiente. Com seus 1,83m de altura, o corpo definido por anos de disciplina militar e a postura ereta de quem já carregou fuzis e responsabilidades pesadas, ele era o oposto absoluto da delicadeza. Naquele dia, ele usava seu inseparável casaco de estampa militar oversized, cujas mangas ele dobrava até os antebraços, revelando veias saltadas e a pele negra de tom quente. O cabelo crespo, raspado rente à cabeça, dava-lhe um ar severo, mas Robert sabia que havia algo mais sob aquela fachada de ex-militar.

Robert, por outro lado, sentia-se minúsculo. Com seus 1,67m e uma estrutura óssea fina, ele era a própria definição de fragilidade física. Seus cabelos cacheados 3a, volumosos e bem cuidados como um afro majestoso, moldavam um rosto pardo de traços suaves. As sobrancelhas eram cheias e escuras, combinando com os cílios longos que conferiam ao seu olhar uma profundidade quase melancólica. Como um ômega, Robert era sensível às nuances de feromônios no ar, e o cheiro de Ronaldo — um alfa dominante, porém controlado — o deixava constantemente em um estado de alerta suave e reverente.

— A coesão textual não é apenas sobre conectivos, pessoal — a voz de Ronaldo ecoou, profunda e firme, como um comando. — É sobre estratégia. Se você não sabe para onde está indo, sua tropa... ou melhor, seus argumentos, vão se dispersar no campo de batalha.

Robert soltou um suspiro baixo, que acabou saindo mais audível do que pretendia. Ronaldo parou de escrever no quadro e virou-se lentamente. O olhar do professor cruzou com o de Robert, e por um segundo, o mundo pareceu parar.

— Algum problema, senhor Robert? — perguntou Ronaldo, arqueando uma sobrancelha fina.

— Não, senhor... quer dizer, professor — Robert gaguejou, sentindo o rosto esquentar. Ele mexeu nervosamente no brinco pequeno que usava na orelha esquerda. — Eu só estava... pensando na conclusão.

Ronaldo caminhou em direção à mesa de Robert. O som de suas botas pesadas contra o piso de madeira era rítmico. Quando ele parou ao lado da carteira, a sombra de seu corpo alto cobriu o aluno quase por completo. O cheiro de alfa tornou-se inebriante — uma mistura de sândalo, suor limpo e o tecido pesado do casaco militar.

— A conclusão é o fechamento do cerco — Ronaldo disse, baixando um pouco a voz, apenas para Robert ouvir. — Você precisa garantir que não deixou nenhuma ponta solta para o leitor escapar. Entendeu?

Robert olhou para cima, encontrando os olhos escuros e intensos do professor. Ele se sentia tão pequeno, tão vulnerável sob aquele olhar, mas não era um sentimento ruim. Era como se, na presença de Ronaldo, ele estivesse seguro, protegido por uma muralha intransponível.

— Entendi, professor — sussurrou Robert.

Ronaldo assentiu, mas não se afastou imediatamente. Ele notou como os cachos de Robert balançavam levemente com o movimento da cabeça e como os cílios do rapaz tremiam. Havia algo naquele ômega que desarmava Ronaldo, algo que o fazia querer baixar a guarda e esquecer a rigidez dos seus anos de serviço.

O sinal tocou, anunciando o fim da aula. Os alunos começaram a guardar seus materiais apressadamente, mas Robert moveu-se com lentidão proposital. Ele queria que o tempo dilatasse.

— Robert, fique um momento — pediu Ronaldo, voltando para sua mesa para organizar as pilhas de redações.

O coração de Robert deu um salto. Ele esperou que a sala esvaziasse, sentindo o peso do silêncio se instalar entre eles. Ronaldo sentou-se na beira da mesa, cruzando os braços fortes sobre o peito, o casaco militar fazendo-o parecer ainda mais largo.

— Suas notas estão excelentes — começou o professor —, mas notei que você anda disperso. O que está acontecendo?

Robert engoliu em seco, aproximando-se da mesa com passos tímidos. Ele apertou as alças da mochila contra o peito, como um escudo.

— Eu só... tenho tido dificuldade em focar, professor. A pressão do vestibular, eu acho.

Ronaldo soltou um riso curto, seco, mas não desprovido de humor.

— Pressão é algo que aprendemos a gerenciar, Robert. Mas até o soldado mais treinado precisa de um momento de descanso. Você parece que vai quebrar se o vento soprar mais forte.

— Eu não sou tão frágil quanto pareço — retrucou Robert, uma ponta de ousadia surgindo em sua voz.

Ronaldo descruzou os braços e inclinou-se para a frente, diminuindo a distância entre eles. O ar ficou eletrizado. A diferença de tamanho era gritante; Robert precisava inclinar o pescoço para trás para manter o contato visual.

— Eu sei que não é — disse Ronaldo, sua voz agora um barítono suave que vibrava no peito de Robert. — Eu vejo o fogo nas suas palavras quando escreve. Você é resiliente. Mas isso não significa que não precise de alguém para vigiar sua retaguarda.

Robert sentiu os joelhos fraquejarem. A natureza de sua dinâmica como ômega e alfa estava gritando ali, naquele espaço reduzido. Ele podia sentir a proteção emanando de Ronaldo, uma força que não era agressiva, mas possessiva e acolhedora.

— E quem vigiaria a minha, professor? — perguntou Robert, a voz quase sumindo.

Ronaldo estendeu a mão, hesitante por um breve segundo antes de tocar em um dos cachos volumosos de Robert. A pele negra de Ronaldo contrastava lindamente com o tom pardo de Robert. O toque era leve, quase reverente, uma contradição vinda de um homem tão robusto.

— Eu poderia fazer isso — respondeu Ronaldo, a voz carregada de uma promessa implícita. — Se você permitir que eu saia do posto de comando por um instante.

Robert fechou os olhos, inclinando o rosto levemente para o toque. O calor da mão de Ronaldo era como um bálsamo.

— O senhor sempre usa esse casaco — comentou Robert, tentando mudar de assunto para não desmoronar sob a intensidade do momento. — É como se fosse sua armadura.

Ronaldo deu um meio sorriso, puxando a gola da estampa militar.

— É um lembrete de quem eu fui. E de que, mesmo fora do exército, a vida é uma batalha. Mas... — ele pausou, olhando para Robert com uma ternura que raramente mostrava — ...às vezes, a gente encontra algo pelo qual vale a pena depor as armas.

Robert abriu os olhos e, movido por um impulso de coragem, deu um passo à frente, entrando no espaço pessoal de Ronaldo. Ele era tão pequeno perto do professor que sua cabeça mal chegava ao peito do homem. Ele apoiou as mãos espalmadas no casaco áspero de Ronaldo, sentindo os músculos firmes por baixo do tecido.

— Então deponha — pediu Robert. — Só por agora.

Ronaldo soltou um suspiro pesado, uma exalação de rendição. Ele envolveu a cintura de Robert com seus braços poderosos, puxando-o para perto. Robert sentiu-se envolto pela camuflagem, pelo cheiro e pela força de Ronaldo. Era como ser abraçado por uma montanha.

— Você é uma distração perigosa, Robert — murmurou Ronaldo contra o cabelo afro do rapaz. — Um general nunca deveria se distrair assim.

— Eu não sou uma distração — disse Robert, escondendo o rosto no peito de Ronaldo, sentindo o coração do alfa bater forte e constante. — Eu sou o seu porto seguro.

Ronaldo riu baixo, um som vibrante que Robert sentiu contra o ouvido. O professor afastou-se apenas o suficiente para olhar o rosto de Robert, passando o polegar pela sobrancelha cheia e depois descendo pelos cílios que ele tanto admirava.

— Um porto seguro... — repetiu Ronaldo. — É, talvez você tenha razão.

Ele se inclinou, e Robert ficou na ponta dos pés, buscando o encontro. O beijo foi como o encontro de dois mundos opostos: a força bruta de Ronaldo encontrando a delicadeza fluida de Robert. Era um beijo que provava que, apesar das diferenças de altura, de classe e de dinâmica, havia uma harmonia perfeita ali.

Ronaldo segurou o rosto de Robert com as duas mãos, tratando-o como se fosse a joia mais preciosa e frágil de seu tesouro, enquanto Robert se agarrava aos ombros largos do professor, sentindo-se, pela primeira vez, completamente invencível.

Quando se separaram, Ronaldo encostou sua testa na de Robert.

— Eu tenho que terminar de corrigir esses relatórios — disse Ronaldo, embora não fizesse menção de soltá-lo.

— E eu tenho que ir para a biblioteca — respondeu Robert com um sorriso travesso.

— Vá — disse Ronaldo, dando-lhe um último aperto carinhoso na cintura antes de soltá-lo. — Mas Robert?

O rapaz parou na porta, olhando para trás.

— Sim, professor?

Ronaldo ajeitou o casaco militar nos ombros, recuperando sua postura de comando, mas seus olhos brilhavam com algo novo.

— Mantenha a guarda alta lá fora. Mas aqui dentro... a retaguarda é minha.

Robert assentiu, o rosto iluminado por um brilho que nenhuma aula de redação jamais conseguiria explicar. Ele saiu pelo corredor, sentindo-se mais alto do que seus 1,67m, enquanto Ronaldo voltava para seus papéis, finalmente entendendo que a maior vitória não se conquistava no campo de batalha, mas na rendição a um par de olhos castanhos e um cabelo que desafiava a gravidade.

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