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Fandom: Eu vou te encontrar (netiflix)

Criado: 14/09/2026

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RomanceDramaMistérioHistória DomésticaPsicológicoSuspenseCrimeEstudo de PersonagemAngústia
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Marcas Invisíveis de uma Obsessão

O cheiro de biscoitos de canela ainda pairava no ar tépido da cozinha quando Clara retirou o avental de algodão. Ela passou a mão pela cintura larga, alisando a malha do vestido que se moldava às suas curvas fartas e generosas. Clara sempre fora uma mulher de corpo volumoso, de traços macios e quadris largos, uma figura que durante boa parte da juventude tentara diminuir para caber nos padrões alheios. Mas tudo mudara no instante em que Hayden entrara em sua vida.

Naquela tarde chuvosa de terça-feira, no entanto, a casa parecia ampla demais, silenciosa demais.

— Clara? — Uma voz miúda soou da sala de estar.

Clara sorriu, sentindo o calor instantâneo que sempre a invadia ao ouvir o menino. Caminhou em passos lentos e descalços sobre o assoalho de madeira até a sala, onde Leo, de apenas seis anos, estava sentado no tapete cercado por peças de blocos de montar.

— Diga, meu amor — respondeu ela, abaixando-se com a naturalidade de quem encontrava conforto no próprio peso. Seus joelhos tocaram o chão felpudo e ela se sentou ao lado do pequeno.

— O meu pai disse que voltava antes do escurecer. A janela já tá toda preta.

Clara olhou para o vidro embaçado pela garoa fina. A noite caíra depressa sobre a cidade. O relógio de parede marcava quase oito horas. Uma pontada de preocupação, misturada a uma sensação incômoda de estranheza que vinha crescendo nas últimas semanas, apertou-lhe o peito.

— Ele deve ter ficado preso no trânsito, anjo — mentiu ela com doçura, estendendo a mão macia para afagar os cabelos castanhos do menino, tão parecidos com os do pai. — Você sabe que ele está ajudando a sua tia Rachel. O primo Theo ainda não apareceu, e eles estão fazendo de tudo para encontrá-lo.

Leo franziu o narizinho, pensativo, e baixou os olhos para a torre de plástico que construía.

— A tia Rachel chora muito no telefone. Eu ouvi quando o papai atendeu ontem. Ele ficou bravo.

— É normal ela chorar, querido. Ela está muito triste com o sumiço do Theo. Mas o seu pai é forte, ele vai ajudar a resolver tudo. Que tal a gente comer aqueles biscoitos quentinhos e depois você me ajuda a escolher uma história para dormir?

Os olhos do garoto brilharam imediatamente.

— De chocolate também?

— Com certeza. — Clara riu, levantando-se e oferecendo a mão para puxá-lo.

Cuidar de Leo era a parte mais fácil e luminosa dos seus dias. A mãe biológica do menino havia partido quando ele ainda era um bebê de colo, uma ausência que nunca fora totalmente explicada por Hayden, que preferia trancar o passado a sete chaves. Quando Clara entrou na vida deles, Leo a adotara de imediato como seu porto seguro. Para Clara, que sempre carregara uma vocação quase instintiva para o afeto, ser a mãe daquele garotinho preenchia espaços que ela sequer sabia que existiam em sua alma.

Mas o silêncio da casa, quebrado apenas pela risada de Leo ao sujar o queixo de migalhas, logo voltava a trazer à tona a figura de Hayden.

Hayden. O homem que a desarmara por completo.

A lembrança do dia em que se conheceram veio nítida à sua mente enquanto ela lavava os pratinhos de plástico na pia. Fazia quase dois anos. Rachel, sua amiga de longa data, havia insistido para que almoçassem juntas num restaurante novo e elegante no centro. Clara fora relutante, sentindo-se insegura entre taças de cristal e mulheres esguias de alta costura, vestindo uma túnica florida que tentava disfarçar suas medidas.

Mas Hayden estava lá. Ele era irmão de consideração de Rachel, um homem de maxilar marcado, olhos penetrantes e uma postura contida, quase predatória. E no segundo exato em que pousou os olhos em Clara, tudo ao redor pareceu evaporar para ele.

Não havia sido um olhar comum de cortesia. Fora um choque de intensidade. Hayden a olhara com uma fome crua, fascinada, que a fizera queimar dos pés à cabeça. Durante todo o almoço, ele mal tocou na comida, ignorando solenemente os comentários sociais de Rachel para focar cada palavra, cada riso, cada movimento dos lábios de Clara.

— Você é a mulher mais deslumbrante que já pisou nesta cidade, Clara — dissera ele mais tarde naquele mesmo dia, quando a encurralara educadamente contra a mureta do estacionamento, oferecendo-se para levá-la embora.

Clara, acostumada com a invisibilidade ou com os elogios mornos de homens que tentavam não encarar seu excesso de peso, gaguejara. Mas ele segurara suas mãos gordinhas com uma reverência quase sagrada, beijando o dorso de seus dedos com uma devoção que beirava a insanidade.

A paixão fora fulminante. Hayden a cobrira de presentes, atenções, telefonemas a cada hora. Ele era possessivo, sim, mas de uma maneira que no início parecia um romance avassalador. Ele adorava seu corpo, adorava afundar o rosto em suas curvas à noite, sussurrando o quanto ela era perfeita, macia, intocável. Casaram-se pouco tempo depois.

Contudo, nas últimas três semanas, o mundo parecia ter saído dos trilhos.

O sobrinho de Rachel, um adolescente de dezesseis anos, desaparecera após sair de uma festa perto do bosque. O caso ganhara os jornais locais da pior forma possível. E, de repente, Hayden transformara-se no guardião de Rachel. Começara a sumir por horas a fio. Dizia que estava seguindo pistas, que estava conversando com informantes, que estava garantindo que a polícia não arquivasse as buscas.

Mas o olhar dele... o olhar de Hayden quando voltava para casa não parecia o de um homem consolando uma amiga em luto. Parecia o olhar de alguém que escondia um abismo.

O estalo do trinco da porta da frente arrancou Clara de suas memórias.

O relógio marcava quase onze da noite. Leo já dormia profundamente no quarto decorado com naves espaciais.

Clara secou as mãos no pano de prato e caminhou em direção ao hall de entrada. O vento frio entrou com violência antes que a porta pesada de carvalho se fechasse com um baque surdo.

Hayden estava ali.

Ele usava um sobretudo escuro, ensopado pela chuva torrencial que desabara nos últimos minutos. Seus cabelos negros pingavam na gola da camisa, e o rosto exibia olheiras profundas, arroxeadas, destacando os olhos febris. Ele parecia exausto, caçado, mas quando levantou a cabeça e viu Clara parada no corredor sob a luz amarela, um brilho familiar e desconcertante iluminou sua expressão.

— Clara... — A voz dele soou rouca, quase sem ar.

— Hayden, você está encharcado — murmurou ela, dando dois passos à frente, o instinto de cuidado falando mais alto que o medo que começava a germinar em seu peito. — Onde você estava? Eu tentei ligar três vezes, caía direto na caixa postal.

Hayden não respondeu de imediato. Em vez disso, deu passos rápidos até ela, desvencilhou-se do casaco molhado, jogando-o no chão sem a menor consideração pelo piso de madeira, e a envolveu em seus braços.

O abraço foi tão forte que quase tirou o ar dos pulmões de Clara. Ele a apertou contra si, enterrando o rosto molhado na curva do pescoço dela, inspirando profundamente o perfume doce de baunilha e canela que emanava de sua pele. As mãos dele desceram pelas costas largas de Clara, segurando-a pelos quadris com aquela possessividade crua que sempre a desestabilizava.

— Eu preciso de você — sussurrou ele contra sua pele, a voz tremendo ligeiramente. — Céus, Clara... como eu precisei voltar para cá. Para você.

— Hayden, calma... — Ela tentou recuar ligeiramente para poder olhar nos olhos dele, mas os dedos de Hayden cravaram-se com mais firmeza em sua carne, recusando-se a soltá-la. — Você está tremendo. O que aconteceu? Notícias do Theo?

Ele demorou a responder, mantendo a testa apoiada no ombro macio dela por longos segundos. Quando finalmente se afastou o bastante para encará-la, seus olhos pareciam dois poços sem fundo.

— Nada ainda — disse ele, a voz assumindo uma frieza mec

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