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Os sete pecados capitais

Fandom: Bts

Criado: 14/09/2026

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Entre Tronos de Sangue e Cinzas

O céu de Eldoria nunca havia conhecido o verdadeiro terror até que as muralhas de cristal do horizonte se romperam em estilhaços negros. O Reino Sombrio, aprisionado sob juramentos arcanos por mais de três séculos, havia encontrado uma brecha na própria carne da terra. Agora, as torres de alabastro ardiam em fogo púrpuro e o ar cheirava a enxofre e agonia.

— Mantenham a formação! — A voz de Melina cortou o estrondo das pedras que desabavam. A princesa do vento mantinha os pés firmes sobre a escadaria do Santuário Central, com os cabelos castanhos chicoteando no vendaval que ela própria invocava para conter a maré de criaturas cinzentas. Seus olhos verdes faiscavam com uma autoridade inabalável, embora o coração sangrasse ao ver seu lar em ruínas.

Logo abaixo dela, na primeira linha de contenção, Sky soltou uma risada rouca e debochada enquanto incinerava três demônios sombrios de uma só vez. Suas mãos canalizavam labaredas douradas tão intensas que o calor distorcia o ar ao redor.

— É só isso que esse bando de covardes tem a oferecer? — provocou Sky, limpando uma mancha de fuligem na bochecha com as costas da mão, revirando os olhos. — Eles demoraram trezentos anos para bolar uma invasão tão lenta? Francamente, quem me dera um oponente que não se movesse como lesma!

— Se você calasse a boca e guardasse energia, talvez não estivéssemos quase cercadas, sua irresponsável — resmungou Ivy com a voz tão afiada e cortante quanto as lanças de gelo que conjurava do chão. A princesa do gelo mantinha um semblante de perpétuo desprezo, mas sua pontaria era cirúrgica; cada estaca congelava o peito de um invasor instantaneamente. — Eu odeio calor, odeio monstros e odeio você gastando mana com piadas idiotas.

— Meninas, por favor, foquem na retaguarda! — pediu Alina, cuja voz doce contrastava com o caos. Raízes grossas e espinhosas brotavam da pedra por ordem de suas mãos gentis, formando uma barricada viva para proteger as irmãs. Ela estendeu a mão para ajudar um soldado caído, curando o corte em seu braço com folhas translúcidas antes de empurrá-lo em direção ao templo. — Não podemos perder ninguém!

— Deixa comigo, irmãzinha! — gritou Elara, a gêmea de Alina, saltando de um parapeito com um entusiasmo quase insano para quem estava no meio de um massacre. Seus punhos cobertos de rocha maciça colidiram contra o solo, criando uma fenda que engoliu dezenas de invasores. — Olha só isso! Aposto dez moedas de ouro que derrubo mais dez antes que o portal abra!

— Elara, a estrutura da nave principal não aguenta vibrações sísmicas dessa magnitude! — interveio Celeste, com a precisão fria de quem já havia calculado tudo mil vezes na mente. A princesa do cristal desenhava runas angulares no ar, erguendo um domo de prismas perfeitos que desviava as flechas sombrias que caíam como chuva. Ela ajeitou a postura, perfeccionista até mesmo coberta de poeira. — Se destruir a abóbada, você sela o portal antes de ativá-lo. Controle-se.

Encolhida logo atrás de Celeste, Sunny tremia da cabeça aos pés. Seus cabelos dourados pareciam fios de luz pura e seus traços eram tão delicados que parecia uma pintura intocada pelo horror. Ela mantinha as mãos unidas contra o peito, os olhos brilhando com lágrimas incontidas.

— Melina... eles não param de vir... — murmurou Sunny, assustada, sentindo a aura corrupta das sombras tentando sufocar sua pureza solar.

Uma criatura enorme, com mandíbulas duplas e olhos vazios, saltou subitamente por cima da barreira de cristal, mirando diretamente a fragilidade de Sunny.

— Sunny, cuidado! — gritou Alina.

O pavor na garota transformou-se em um choque de adrenalina pura. A raiva diante da ameaça iminente fez com que sua aura explodisse. Um clarão solar, insuportavelmente brilhante e quente como o núcleo de uma estrela, irrompeu do corpo de Sunny. O feixe de luz cegou instantaneamente o monstro, desintegrando-o em cinzas brancas e forçando até mesmo suas irmãs a cobrirem os olhos para não perderem a visão.

— Desculpem! Eu não queria... — soluçou Sunny, recobrando a compostura tímida enquanto a luz baixava.

— Bom tiro, raio de sol — riu Sky, aproveitando o momento.

— Para o círculo, agora! — ordenou Melina, abrindo caminho com um tornado violento que varreu o pátio. — Eldoria caiu, mas nós não podemos cair com ela. O conselho dos sábios foi claro: nossa única chance está além do Véu.

— O mundo humano? — questionou Ivy, franzindo o cenho enquanto recuava, pisando com firmeza sobre as lajes congeladas. — Nós vamos nos rebaixar a pedir ajuda a monstros exilados? Aqueles desgraçados destruíram um império antes de serem banidos!

— Eles não são apenas monstros — corrigiu Celeste, posicionando-se no vértice do octógono rúnico gravado no centro do santuário. — São calamidades vivas. E são a única força bélica no universo capaz de confrontar a escuridão absoluta.

Elara sorriu, os olhos brilhando de pura empolgação.

— Sete demônios imortais que o próprio destino tentou apagar? Isso sim é o que eu chamo de uma aventura suicida de respeito!

Melina começou o cântico ancestral. As sete princesas uniram as mãos, combinando suas energias elementais — vento, natureza, terra, gelo, cristal, fogo e sol. Uma coluna de energia luminescente rasgou o teto do templo e perfurou o tecido da realidade. As forças sombrias investiram contra o santuário, quebrando as últimas portas, mas foi tarde demais: com um zumbido ensurdecedor, os corpos das sete guardiãs desapareceram no vácuo dimensional, deixando para trás um reino entregue às chamas.


A queda no mundo humano foi violenta.

O impacto arremessou as guardiãs sobre um piso de mármore negro e frio. O ar ao redor cheirava a carvalho antigo, fumaça de incenso caro, cera derretida e uma quantidade perturbadora de decadência e poder bruto. Elas não caíram em uma floresta humana ou em uma ruela lamacenta, mas no interior de uma fortaleza gótica colossal, oculta nas montanhas esquecidas daquele mundo mortal.

— Ai... minha cabeça — gemeu Elara, sacudindo a terra invisível de seus vestidos rasgados, levantando-se com a vitalidade de sempre. — Bom, o pouso podia ter sido pior. Podíamos ter caído de cara num lago de lavas.

— Fique quieta, Elara — sussurrou Melina, sacando sua adaga cerimonial de vento. A líder sentiu o peso da atmosfera imediatamente. Era uma pressão esmagadora, como se o oxigênio daquela sala estivesse contaminado por sete vontades titânicas.

— Mas que lugar horrível... — resmungou Ivy, abraçando o próprio corpo e inspecionando as sombras do salão com desconfiança evidente. — Não tem cor, não tem luz, não tem nada que preste.

— Tem muita coisa aqui, na verdade — murmurou Celeste, com os olhos fixos na arquitetura e nos artefatos raros espalhados pelas mesas laterais. Obras de arte inestimáveis, joias antigas empilhadas com descuido e tomos em línguas mortas. — E a julgar pela concentração de éter... nós não estamos sozinhas.

Sunny deu um passo para trás, instintivamente buscando refúgio atrás do ombro de Alina.

— Tem alguém olhando pra gente... — sussurrou a princesa do sol, seus sentidos sensíveis captando presenças magnéticas no escuro.

— Olha só o que o vento estúpido de Eldoria soprou para o meu tapete novo — uma voz arrastada, profundamente sarcástica e afiada ecoou das sombras de um estrado elevado.

Yoongi estava deitado de lado em um divã forrado de veludo escarlate. Seu olhar sonolento e apático mal se deu ao trabalho de examinar as sete figuras inteiras. Vestia roupas sóbrias, escuras, e segurava uma taça quase vazia com extrema lentidão. A preguiça personificada transpirava dele como um perfume entorpecente, mas as princesas podiam sentir: por trás daquela indolência, havia uma mente genial que já havia calculado três maneiras de aniquilá-las sem precisar levantar daquele sofá.

— Não sejam mal-educados, rapazes. Nós temos damas em nossa humilde residência — disse Jin, surgindo de uma arcada lateral com passos aristocráticos. Um sorriso caloroso e incrivelmente belo enfeitava seu rosto angelical, embora seus olhos castanhos examinassem as coroas e os trajes das princesas com uma inveja mal disfarçada. — Bem-vindas ao nosso exílio. Devo admitir... a seda do seu manto é esplêndida, princesa do cristal. Uma pena que ficaria infinitamente melhor nos meus próprios ombros.

— Não toque nela — advertiu Ivy, erguendo farpas afiadas de gelo ao redor das mãos.

— Ora, tão nervosa... — riu Hoseok, descendo por um corrimão de ébano com uma agilidade teatral perturbadora. O pecado da gula não trazia gordura, mas uma fome incessante que brilhava em seus olhos magnéticos e famintos. Ele sorria de orelha a orelha, irradiando uma presença extravagante que parecia sugar todo o calor do ar para preencher o vazio infinito em seu peito. — Visitas! Finalmente, estímulo! Vida! O tédio deste lugar estava literalmente comendo minhas entranhas! Quem é a mais doce de vocês? Quem vai me alimentar com a sua essência primeiro?

— Afaste-se — Sky deu um passo à frente, faiscando labaredas vivas ao redor dos punhos, um sorriso zombeteiro brotando em seus lábios apesar do perigo iminente. — Se der mais um passo, palhaço de circo, eu vou assar você tão bem que vai virar banquete de corvo. Eu detesto gente espalhafatosa.

— Uma mulher de fogo? — Um sussurro rouco e carregado de perigo fez o ar vibrar no centro do salão.

Jungkook surgiu das sombras com a velocidade de um predador implacável. Ele usava vestes pretas justas que revelavam braços fortes e uma postura de ataque pronta para qualquer desafio. O pecado da luxúria não piscava; seus olhos escuros e vorazes percorreram cada uma das princesas com um apetite feroz por adrenalina e posse, demorando-se em Melina e depois na insolência desafiadora de Sky.

— Que temperamento fascinante... — Jungkook deu um passo lento para a frente, inclinando a cabeça, os lábios entreabertos num meio sorriso lascivo e competitivo. — Adoraria ver quanto tempo esse fogo todo queima antes que você implore para se render.

— Nem nos seus maiores delírios, garoto — rebateu Sky, estreitando os olhos, embora um calafrio involuntário tivesse descido por sua espinha diante da intensidade brutal que emanava do rapaz.

— Silêncio. Todos vocês.

A voz de Jimin não foi alta, mas o efeito foi imediato. O pecado do orgulho descia a grande escadaria central como se estivesse marchando em seu próprio palácio celestial. Sua túnica de seda pura e detalhes dourados eram impecáveis; nem uma única partícula de poeira ousava tocar suas botas polidas. Jimin carregava um porte régio e altivo que fazia a própria realeza de Eldoria parecer improvisada. Seu olhar fulminou as princesas, exigindo uma reverência tácita que elas recusaram a ceder.

— Vocês invadem o nosso santuário, trazem a sujeira do sangue de uma guerra fracassada para o meu chão e ainda ousam ladrar? — Jimin parou no último degrau, erguendo o queixo esculpido com desdém sublime. — Reconheçam a superioridade dos seres diante dos quais vocês respiram, ou eu farei questão de quebrar seus espíritos antes de quebrar seus ossos.

— Não temos tempo para o seu narcisismo barato — rebateu Melina com firmeza, recusando-se a baixar a cabeça. A princesa do vento avançou, seu porte de líder sustentando a pressão. — Viemos falar com aquele que comanda este exílio.

— Tudo o que ela carrega... é tão fascinante — murmurou uma voz profunda, aveludada e misteriosa vinda de uma poltrona no canto da sala.

Taehyung estava cercado por relíquias brilhantes, segurando uma taça de safira pura entre os dedos compridos. Seus olhos hipnóticos observavam a tiara reluzente de Sunny e a pureza quase divina que a princesa do sol emanava. O pecado da ganância parecia querer devorar a beleza dela não com a fome de Hoseok, mas com o desejo possessivo de um colecionador que encontrou a peça que faltava para completar sua galeria definitiva.

— Diga-me, doce sol... — sussurrou Taehyung, com um sorriso enigmático que prometia barganhas arriscadas. — O que você daria para que nós salvássemos o seu mundo? Sua luz? Sua coroa? Sua alma? Eu aceito qualquer coisa... desde que pertença irrevogavelmente a mim.

Sunny recuou ainda mais, o coração batendo descompassado sob a intensidade daquele olhar possessivo, enquanto Alina firmava um galho espinhoso entre o demônio e sua irmã.

— Chega de joguetes — ecoou a sétima voz, e com ela, um estalo de rachadura ecoou pelo salão.

Namjoon caminhou para o centro do círculo. O pecado da ira não gritava; sua fúria residia em uma corrente subterrânea, uma pressão sísmica tão aterrorizante que fazia os pelos dos braços de Celeste e Elara se arrepiarem instantaneamente. Ele segurava um livro antigo de capa de couro na mão esquerda, e seus nós dos dedos estavam brancos pela força com que o segurava. Sob seus pés pesados, uma das placas de mármore trincou em teias perfeitas, um reflexo do rancor destrutivo que ele passava milênios tentando conter através do cálculo e da estratégia.

Seus olhos fixaram-se nos de Melina. Não havia zombaria neles, nem luxúria, nem preguiça. Havia apenas uma frieza analítica temperada pelo ressentimento profundo contra o universo que o havia acorrentado àquele purgatório.

— As sete herdeiras dos elementos — constatou Namjoon, a voz retumbante preenchendo o silêncio que se instalara entre os outros seis pecados. — Os cães de guarda de Eldoria, de joelhos no mundo mortal. Para vocês terem rastejado até os monstros que seus ancestrais expulsaram... o Reino Sombrio finalmente acordou, não é?

— Eldoria está sendo consumida pelas cinzas — respondeu Melina, sustentando o olhar tempestuoso do líder dos pecados sem piscar. — Nossas defesas ruíram. Nossos soldados morreram. Nós somos a última linha de resistência, mas não temos força bélica suficiente para expulsar as legiões das trevas sozinhas.

— E por que, em sã consciência, nós deveríamos nos importar? — Yoongi perguntou do sofá, fechando os olhos com tédio absoluto. — Que aquele reino ridículo apodreça. Nos jogaram aqui para sermos esquecidos. Se os demônios queimarem tudo até o chão, nos poupam o trabalho de fazê-lo nós mesmos.

— Porque se Eldoria cair, o Véu se despedaça por completo — Celeste interveio, dando um passo à frente com passos medidos e frios. — O Reino Sombrio não vai parar nas nossas fronteiras. Este mundo humano será o próximo banquete deles. E até onde sei, imortais não podem governar um cemitério de almas vazias.

Jimin soltou uma risada baixa e melodiosa, acariciando os anéis de prata em seus dedos.

— Uma garota de cristal com respostas afiadas. Admirável. Mas salvar reinos é trabalho para heróis, princesinha. E nós fomos banidos justamente por sermos o veneno da criação.

— Nós não estamos pedindo que sejam heróis — disse Melina, a voz carregada de uma determinação inquebrável. O vento ao seu redor agitou seus cabelos, enquanto suas irmãs se posicionavam ao seu lado, formando a linha inquebrável das guardiãs. — Estamos propondo uma aliança de sangue. Uma guerra onde vocês terão a liberdade de liberar toda a destruição que guardam há milênios. Uma batalha contra um inimigo que não pede clemência e que vocês poderão aniquilar sem rédeas.

Jungkook deu um passo à frente, com um brilho faminto de excitação nos olhos escuros, atraído pelo cheiro do perigo e pela promessa de uma carnificina sem limites.

— Isso soa tentador... — murmurou o rapaz da luxúria, olhando de soslaio para Namjoon. — Faz séculos que não temos uma caçada descente, líder.

Jin inclinou a cabeça, mantendo as mãos atrás das costas, avaliando as fraquezas de cada guardiã com um olhar que guardava segredos letais.

— E qual será o preço que Eldoria pagará pelo nosso serviço, caso sobrevivamos? — perguntou Jin, o tom melodioso escondendo o veneno de sua inveja cósmica. — Nós não sangramos por caridade.

Namjoon deu um passo à frente, diminuindo a distância até parar a apenas alguns centímetros de Melina. A tensão entre o líder da Ira e a princesa do Vento era quase palpável, um choque invisível de tempestades e destruição contida. O livro que ele segurava estalou novamente sob a pressão de sua mão.

— O preço será cobrado dia após dia — disse Namjoon, sua voz grave ressoando como um trovão distante. Seus olhos varreram as sete irmãs, descendo desde a altivez de Ivy e Celeste até o tremor delicado de Sunny e o sorriso atrevido de Elara e Sky. — Vocês não estão nos recrutando para salvar o seu mundo. Vocês estão convidando os próprios pesadelos da história para marcharem ao lado de vocês. Quando essa guerra acabar, se restarem pedras em Eldoria... nós exigiremos o nosso próprio quinhão de tudo o que vocês amam.

Melina ergueu o queixo, sentindo a gravidade irresistível e fatal que cercava aqueles sete homens. Ela sabia o risco. Sabia que caminhar com o pecado era assinar a própria condenação, mas entre a morte certa de seu povo e um pacto com os demônios do exílio, a escolha já havia sido selada pelo destino.

— Que assim seja — respondeu a princesa, selando o acordo sob os olhares atentos, perigosos e ardentes dos Sete Pecados Capitais. — Aos portões do inferno, então.

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