
Os sete pecados capitais
Fandom: Bts
Criado: 14/09/2026
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O Pacto dos Condenados
O ar do mundo humano era pesado, impregnado de fuligem, ruído e uma solidão fria que nada lembrava a pulsação viva de Eldoria. Quando o portal estelar colapsou atrás das sete princesas, o estalo de energia cósmica ecoou como um trovão enjaulado dentro de uma mansão colossal e sombria, isolada no topo de uma colina esquecida pelo tempo.
Elara caiu de joelhos sobre o piso de mármore polido, mas logo soltou uma risada fraca e sem fôlego, sacudindo a poeira luminosa de seus vestidos cor de terracota. Ao seu lado, sua irmã gêmea, Alina, apoiou a mão trêmula em suas costas, pequenos brotos verdes nascendo espontaneamente entre as fendas do chão onde suas lágrimas caíam.
— Estamos vivas — sussurrou Alina, a voz doce embargada pelo horror do massacre que tinham deixado para trás. — O castelo... o céu simplesmente quebrou.
— Não temos tempo para lamentações — cortou Ivy, erguendo-se com rigidez. Os olhos da princesa do gelo eram duas pedras de safira gélida. Uma fina camada de geada rastejou pelas solas de suas botas, congelando o assoalho luxuoso. — Se as criaturas daquele reino profano nos seguiram, não duraremos dez minutos sem ajuda.
— Ajuda? Você chama o que viemos buscar de ajuda? — retrucou Sky, as pontas de seus cabelos avermelhados crepitando em pequenas fagulhas incandescentes. Ela revirou os olhos, impaciente, cruzando os braços cheios de cinzas. — Viemos nos jogar na jaula dos piores monstros que o cosmos já pariu. Se eles tentarem algo engraçado, eu queimo essa espelunca inteira antes de ser assassinada.
— Acalmem-se. Todas vocês — ordenou Melina. Sua voz possuía a autoridade cortante de um vendaval tempestuoso, mas seus olhos revelavam a dor de uma líder que carregava o peso de um reino agonizante. Ela se colocou à frente do grupo, alisando as vestes etéreas que flutuavam sob uma brisa invisível. — Celeste, as barreiras?
Celeste, mantendo o semblante sereno e focado, tocou as têmporas. Cristais translúcidos brotaram brevemente ao redor de suas mãos enquanto ela calculava as frequências mágicas do ambiente.
— O portal foi selado a tempo — respondeu Celeste com sua costumeira precisão métrica. — Mas este lugar... a densidade espiritual aqui é sufocante. Há sete assinaturas de poder absoluto adormecidas sob este teto.
— Não estão mais adormecidas — murmurou Sunny, recuando meio passo. A princesa do sol era de uma beleza quase dolorosa de se contemplar, dourada e pura, mas seus ombros delicados tremiam. Seu coração batia descompassado, e uma névoa tênue de luz dourada escapava por seus poros em resposta ao medo.
Das sombras do salão principal, passos lentos e deliberados começaram a ecoar.
Sete presenças avassaladoras emergiram da escuridão, quebrando o silêncio da mansão como uma lâmina rasgando seda. Eram eles. As lendas sussurradas em tom de pesadelo nas noites de Eldoria: os Sete Pecados Capitais.
À frente, caminhava Namjoon. Alto, imponente, com feições esculpidas em severidade e olhos escuros que pareciam carregar o peso de mil guerras perdidas. Ele segurava um livro antigo encadernado em couro, mas seus dedos apertavam a lombada com tanta força contida que o material começava a estalar. A Ira personificada não gritava; ela vibrava no ar como um terremoto prestes a rachar a terra. Quando seu olhar pousou sobre Melina, a taça de cristal esquecida sobre um aparador ao lado dele estilhaçou-se em milhares de pedaços sem que ele a tocasse.
— Quem profanou o nosso exílio? — perguntou Namjoon. O timbre de sua voz fez as janelas da mansão vibrarem. Ele olhou para os cacos de vidro no chão e franziu o cenho, irritado com a própria falta de controle. — Dê-me uma única razão para não esmagar a existência de vocês aqui mesmo.
— Porque vocês precisam de Eldoria tanto quanto nós precisamos do seu poder — respondeu Melina sem pestanejar, dando um passo adiante enquanto o vento ao seu redor formava um escudo invisível, sustentando a pressão esmagadora da presença dele. — O Reino Sombrio quebrou os selos. O cosmos está desmoronando, e se nosso mundo queimar, o exílio de vocês se tornará uma prisão eterna no vazio.
Um riso debochado e rouco surgiu de uma poltrona de veludo mais afastada. Deitado de forma totalmente desleixada, Suga quase parecia inofensivo à primeira vista, se não fosse pelo olhar entediado e analítico que despia as almas das princesas em segundos. A Preguiça observava o caos sem mover um músculo desnecessário.
— Que drama comovente — murmurou Suga, sua voz arrastada e cortante como vidro afiado. — Vocês vêm até a nossa porta, fedendo a desespero e fogo de batalha, exigindo que a gente levante a bunda do sofá para salvar fadinhas mimadas? Que perda de tempo.
Ivy deu um passo à frente, os olhos faiscando com um desprezo palpável.
— Ninguém está exigindo nada de um parasita que parece incapaz de segurar a própria cabeça — sibilou a princesa do gelo, sua frieza desafiando a apatia dele. — Se prefere apodrecer na sua própria mediocridade enquanto o universo queima, fique à vontade. Poupará o oxigênio de quem realmente tem valor.
Suga ergueu uma sobrancelha, um brilho de interesse sádico dançando em suas pupilas escuras. Ele não se moveu, mas o canto de seus lábios se curvou de forma zombeteira.
— Você fala demais para alguém que veio rastejando pedir socorro, picolé. Cuidado para não congelar o pouco de juízo que lhe resta.
— Ora, não seja tão rude, Yoongi! — exclamou J-Hope, irrompendo no centro da sala com uma energia tão extravagante e deslumbrante que o ambiente pareceu girar. Ele vestia roupas opulentas e carregava nos lábios um sorriso imenso e brilhante, mas por trás daquela exuberância havia um abismo sem fundo, uma fome insaciável que parecia sugar as emoções ao redor. — Olhe para elas! Temos visitas! Cores novas, problemas novos, um banquete inteiro de desespero cósmico! Havia tanto tempo que nada de excitante acontecia nesta tumba!
Elara piscou, surpresa, e soltou uma gargalhada genuína, quebrando parte da tensão pesada do salão.
— Finalmente alguém com um pouco de sal nessa casa fúnebre! — disse a princesa da terra, os olhos castanhos brilhando de entusiasmo caótico. — Gostei de você, barulhento. Se você gosta de banquetes, vai adorar o banho de sangue que os demônios de Eldoria estão preparando. É uma festa e tanto, cheia de adrenalina!
J-Hope inclinou a cabeça para o lado, o sorriso alargando-se de forma quase predatória. Ele sentiu a vibração radiante e impulsiva da garota alimentando seu próprio vazio.
— Adrenalina, minha querida? — Ele deu um passo em direção a ela, os olhos brilhando em âmbar faminto. — Eu nunca recuso uma boa dose de caos.
— Mantenha a compostura, Hoseok — uma voz aveludada, impregnada de uma autoridade vaidosa e letal, cortou o ar.
Jimin descia as escadas curvas como um imperador inspecionando seus súditos. Ele vestia seda pura, cada fio de seu cabelo perfeitamente alinhado, os movimentos exalando uma elegância que exigia reverência instantânea. O Orgulho não tolerava desordem. Seu olhar desdenhoso varreu as princesas até pousar, inevitavelmente, sobre Sunny.
Houve uma pausa no ar. Sunny, intimidada pela intensidade daquela figura impecável, deu um passo tímido para trás, baixando a cabeça. Mas o simples gesto pareceu ofender o orgulho de Jimin, que achava inaceitável alguém tentar se esconder de sua presença.
— Que criatura patética — disse Jimin com uma suavidade venenosa, aproximando-se com passos silenciosos. — Tão luminosa por fora, mas tremendo como uma folha seca diante de mim. É essa a grande reencarnação do Sol? Uma boneca de vidro que mal consegue sustentar meu olhar?
O sangue de Sunny ferveu. A timidez deu lugar a um reflexo protetor ancestral. Seus olhos castanhos acenderam-se em chamas douradas incandescentes, e uma onda de calor insuportável e luz pura explodiu de seu corpo, forçando até mesmo Jimin a erguer a mão para proteger a visão, com a respiração presa pelo choque momentâneo daquele esplendor devastador.
— Não confunda a minha delicadeza com fraqueza, pecado — sussurrou Sunny, a voz doce agora carregada do poder cortante de mil alvoradas. — Eu posso iluminar o seu mundo, mas também posso queimar seus olhos até que você nunca mais contemple a própria vaidade.
Jimin abaixou a mão devagar, piscando contra os pontos brilhantes que ainda cegavam sua visão. Em vez de raiva, um sorriso perigoso e fascinado desenhou-se em seu rosto. Pela primeira vez em séculos, alguém havia ousado desafiar sua grandeza com pura magnificência.
— Interessante — murmurou ele, ajeitando a lapela com lentidão calculada. — Talvez você não seja completamente inútil afinal.
A poucos metros dali, encostado em uma pilastra coríntia, Jungkook assistia à cena com os olhos escuros ardendo em volúpia e desafio. A Luxúria transbordava de sua postura atlética, predatória e intensamente magnética. No entanto, sua atenção não estava na princesa do sol; seus olhos estavam cravados em Sky. Ele a observava como um lobo observa a presa que finge ser caçadora.
Sky notou o olhar indiscreto e cerrou os punhos, faíscas estalando ruidosamente em suas luvas de couro.
— Perdeu alguma coisa aqui, garoto? — provocou ela, com um sorriso insolente. — Se olhar demais, vai virar churrasco.
Jungkook deu uma risada baixa, rouca e densa, empurrando-se para longe da pilastra e dando dois passos lentos na direção dela. A aura dele era um convite perigoso ao pecado, prometendo perigo e arrebatamento.
— Você tem a língua afiada, princesinha de fogo — disse Jungkook, diminuindo o espaço entre eles a ponto de Sky sentir o calor da respiração dele contra sua pele. Ele inclinou-se ligeiramente, os olhos cravados nos dela com uma intensidade devoradora. — Mas eu tenho uma tolerância muito alta para queimaduras. Na verdade... adoro ver até onde a chama aguenta queimar antes de se entregar.
Sky sentiu um arrepio elétrico descer por sua espinha, algo que ela jamais admitiria em voz alta. Ela ergueu o queixo, recusando-se a vacilar.
— Continue brincando com fogo, garotinho — sussurrou ela —, e você vai descobrir que eu não me entrego a nada. Eu consumo tudo o que toco.
— É exatamente isso o que eu quero ver — respondeu ele, piscando em um desafio irresistível.
Enquanto isso, Taehyung caminhava lentamente em círculos ao redor de Celeste. O pecado da Ganância parecia uma pintura viva, cercado por anéis preciosos, tecidos ricos e uma aura misteriosa e possessiva. Ele inclinou a cabeça, observando os reflexos que os cristais de Celeste projetavam na escuridão.
— Fascinante... — murmurou Taehyung, a voz grave como um violoncelo no fundo de uma cripta. Ele estendeu os dedos longos, adornados com esmeraldas, quase tocando a cascata de prismas que flutuava ao redor dos ombros da guardiã. — Uma perfeição geométrica tão rara. Uma joia viva que não pertence a este mundo mundano. Quanto custaria para ter você permanentemente adornando a minha galeria?
Celeste não se moveu um milímetro. Seus olhos calcularam a distância exata, a densidade da ganância dele e o risco iminente.
— Eu não sou uma antiguidade para enfeitar a sua sala, criatura — disse ela com uma voz cristalina, imperturbável e afiada como diamante. — E mesmo que tentasse pagar o meu preço, sua fortuna inteira não compraria um único fragmento da minha lealdade. Mantenha as mãos onde eu possa vê-las, se não quiser que eu transforme o sangue nas suas veias em quartzo maciço.
Taehyung suspirou, um brilho de adoração avarenta cintilando em seu olhar excêntrico.
— Tão afiada. Tão preciosa. Coisas intocáveis sempre foram as minhas favoritas. O preço só a torna mais tentadora.
No canto oposto, Jin observava toda a interação com uma expressão serena, polida e protetora. O mais velho dos irmãos exibia a beleza calma de uma escultura sagrada, mas sob o verniz daquela elegância residia a Inveja: o ressentimento silencioso contra a perfeição alheia, a capacidade de sorrir enquanto arquitetava a ruína dos deuses.
Ele se aproximou de Alina com um passo gracioso, notando os pequenos ramos floridos que brotavam involuntariamente sob os pés dela, curando as rachaduras da mansão.
— Você deve estar exausta, pequena flor — disse Jin com uma gentileza tão pura que parecia quase maternal, estendendo a mão para ajudá-la a se equilibrar. — É triste ver tanta pureza sendo manchada pela guerra. Os deuses deram a você um dom tão belo... e, no entanto, aqui está você, à beira da ruína, implorando por monstros. Não lhe parece injusto que aqueles com corações tão bondosos sofram tanto, enquanto os cruéis prosperam?
Alina olhou para Jin, sentindo uma pontada estranha no peito. Havia carinho nas palavras dele, mas havia também um sussurro venenoso, uma faísca que quase a fazia lamentar sua própria sina. Ela tocou a mão dele timidamente, sentindo a frieza por trás da pele perfeita.
— O mundo é imperfeito — respondeu Alina com doçura resiliente —, mas a dor não tira a beleza de proteger quem amamos. Se eu tiver que sangrar para salvar meu povo, farei isso com um sorriso.
Jin estreitou os olhos por uma fração de segundo, tocado por uma inveja amarga daquela pureza inabalável, mas ao mesmo tempo tomado por um instinto visceral e inexplicável de protegê-la da escuridão que se aproximava.
— Nobreza tola — murmurou ele suavemente —, mas fascinante.
— Chega de teatro! — a voz de Namjoon explodiu pelo salão, silenciando todas as conversas paralelas em um microssegundo. O chão rangeu sob seus pés enquanto a Ira contida ameaçava romper as barreiras de sua disciplina de ferro.
Ele caminhou até parar a centímetros de Melina. A princesa do vento não recuou, embora a pressão do ar estivesse tão densa que seus pulmões ardiam. O líder dos pecados sustentou o olhar da líder das guardiãs, duas forças implacáveis colidindo em um teste silencioso de vontades.
— Vocês querem a nossa força para marchar de volta àquele reino esquecido e banhar nossas mãos no sangue do exército sombrio — disse Namjoon, cada palavra pesando como chumbo. — Mas nós não somos heróis. Não somos seus servos. E nada neste universo se move sem um preço.
— Qual é o preço dos Sete Pecados Capitais? — perguntou Melina, a voz firme cortando a tempestade iminente.
Namjoon sorriu, um sorriso sem humor, repleto do rancor ancestral de séculos de exílio injusto.
— Nossa liberdade absoluta após a vitória. O fim definitivo do banimento cósmico — respondeu ele, inclinando-se para perto do ouvido dela. — E enquanto durar esta guerra, nós lutamos juntos. Nossas almas estarão entrelaçadas pelo pacto de sangue. Se nós sangrarmos, vocês queimarão conosco. Se nós cairmos, Eldoria afundará no abismo.
Melina encarou os olhos dele, sentindo a fúria devastadora que ele reprimia, mas também vislumbrando a dor de um estrategista incompreendido, condenado a ser um monstro aos olhos do universo.
— Que assim seja — declarou Melina, estendendo a mão espalmada para selar a barganha. — Pelo sangue, pela terra e pelas cinzas de dois mundos.
Namjoon segurou a mão dela com força. No exato instante em que suas peles se tocaram, um raio de energia negra e vento cortante estalou entre eles, enviando uma onda de choque que percorreu toda a mansão, selando irrevogavelmente o destino dos quatorze sobreviventes.
Ali, no limiar entre a luz e as trevas, a guerra não era apenas contra as sombras que devoravam Eldoria. O perigo mais devastador já caminhava entre eles, disfarçado sob os toques, as promessas e os olhares tentadores de um amor condenado que nenhum dos mundos seria capaz de deter.
