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Os sete pecados capitais

Fandom: Bts

Criado: 14/09/2026

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FantasiaAçãoIsekai / Fantasia PortalSombrioAventuraNoir GóticoDramaSobrevivência
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O Santuário dos Banidos

As torres de mármore branco de Eldoria estavam manchadas pelo breu viscoso que escorria das fendas dimensionais. O Reino Sombrio não pretendia apenas conquistar; pretendia exterminar a linhagem elemental até que nada restasse além de pó e cinzas.

— Mantenham a formação! — gritou Melina, a princesa do vento, cortando o ar tempestuoso com suas lâminas translúcidas. Suas correntes de ar desviavam as flechas de sombra que choviam sobre a grande praça do palácio. Sua postura era inabalável, o olhar firme de quem carregava o peso da sobrevivência de um império sobre os ombros. — Celeste, a barreira não vai aguentar muito tempo!

— Estou ciente da matemática da situação, Melina — respondeu Celeste, com a voz incrivelmente calma e focada, enquanto seus dedos desenhavam runas reluzentes no ar. Cristais gigantescos brotavam da terra, refratando a pouca luz que restava para selar a entrada principal, lapidados com uma perfeição milimétrica. — Mas os prismas estão sofrendo microfraturas. Temos três minutos antes do colapso total.

— Então por que estamos paradas conversando sobre geometria? — bufou Ivy, os olhos azuis faiscando de puro desdém e impaciência. Uma camada de geada cobria seus pulsos enquanto ela congelava uma horda de espectros invasores num piscar de olhos. — Se esses idiotas derreterem o meu gelo mais uma vez, eu mesma quebro a cara deles antes que nos matem!

— Ah, qual é, Ivy! Admite que a vista das trevas engolindo o castelo tem seu charme caótico! — riu Elara, os olhos castanhos brilhando de excitação pura. A princesa da terra deu um salto para trás, batendo os pés descalços contra as lajes trincadas, fazendo com que raízes petrificadas e rochas se erguessem para esmagar um monstro alado. — Vamos logo! Aposto dez moedas de ametista que o mundo dos humanos é muito mais divertido do que esse velório!

— Elara, por favor, não brinque numa hora dessas! — sussurrou Alina, sua irmã gêmea, as mãos gentis brilhando em verde-esmeralda enquanto fechava um corte profundo no ombro de Sky. A princesa da natureza olhou com compaixão para os jardins mortos ao redor, o coração apertado. — Tantas vidas perdidas... Não podemos falhar.

— Deixa eles virem, Alina! — esbravejou Sky, com um sorriso debochado dançando nos lábios carmesim, ignorando a dor. Chamas vívidas explodiam em suas palmas, incinerando uma criatura após a outra com pura arrogância. — Eu odeio quando essa escória interrompe meu sono de beleza. Gente apressada para morrer é o meu tipo favorito!

Atrás delas, encolhida contra uma coluna de cristal, estava Sunny. A princesa do sol tremia, a beleza estonteante destacada pelos cabelos dourados que quase pareciam fios de ouro vivo. Ela puxava a túnica de Melina com dedos trêmulos, assustada, mas seus olhos marejados começaram a pulsar em um amarelo tão violento que as sombras recuaram temerosas.

— Melina... eles estão quebrando o teto... — murmurou Sunny, com a voz frágil e doce, mas sua respiração curta anunciava o perigo: se ela perdesse o controle, uma supernova cegaria aliados e inimigos.

— Agora! — ordenou Melina, canalizando um vendaval violento que ativou o círculo mágico no chão. — Para o portal!

As sete guardiãs se jogaram contra a espiral de energia que rasgava a realidade. O vácuo engoliu o som, a dor e o cheiro de enxofre de Eldoria, cuspindo-as violentamente sobre o piso frio de madeira escura de uma mansão colossal, no coração da noite do mundo dos mortais.

A queda foi desajeitada. Elara caiu rolando e riu alto, sacudindo as folhas presas nos cabelos castanhos.

— Uau! Essa foi a aterrissagem mais desastrosa da história! Nota dez pela rotação, Ivy!

— Cale a boca, Elara, antes que eu congele a sua língua no chão — rosnou Ivy, levantando-se bruscamente e limpando a poeira de seu vestido de seda azulada, furiosa.

— Silêncio, todas vocês — sussurrou Melina, sacando o vento ao redor para sentir a atmosfera. Suas feições nobres endureceram. — Não estamos sozinhas.

O ambiente cheirava a livros antigos, cera de vela, vinho caro e um poder tão denso e corrupto que fazia a espinha arfar. A mansão gótica parecia congelada no tempo, cercada por sombras que não pertenciam àquele mundo.

— Olha só... — uma voz melodiosa, mas gélida como uma lâmina afiada, ecoou do alto da grande escadaria curva de mogno. — Ratos elementais invadindo o meu santuário. E ainda por cima trazendo lama para os meus tapetes persas.

Um jovem de postura régia descia os degraus com passos lentos e perfeitos. Jimin, a personificação viva do Orgulho, vestia cetim preto sob medida, o queixo erguido e um olhar que exigia adoração imediata. Cada fio de seu cabelo parecia ter sido esculpido por deuses, e o desdém sutil em seus lábios deixava claro que qualquer presença ali era uma ofensa à sua perfeição.

— Que grosseria, Jimin-ah — disse outra voz, vinda de uma poltrona reclinável coberta de veludo vermelho. Hoseok, a Gula, segurava uma taça de cristal transbordando com um líquido rubro que cheirava a néctar e poder puro. Ele sorria de orelha a orelha, um sorriso radiante e magnético que escondia um abismo sem fundo nos olhos. — Eu acho adorável. Tanta energia fresca... tanta vitalidade... Dá até vontade de devorar tudo de uma vez. O ar aqui estava tão entediante, tão silencioso... Não odeiam o silêncio?

— Se você não calar a boca, Hoseok, eu faço o silêncio durar para sempre na sua cabeça — resmungou uma voz rouca e arrastada, vinda do canto mais escuro da sala.

Yoongi, a Preguiça, estava deitado em um divã gasto, com um livro cobrindo os olhos. Ele sequer se moveu para olhar as intrusas.

— Vocês fizeram muito barulho ao cair. O trabalho de expulsar intrusos deveria caber a quem tem disposição. Namjoon, quebre o pescoço delas logo para eu poder voltar a dormir.

— Ninguém vai quebrar o pescoço de ninguém sem avaliar o valor do que trouxeram — rebateu um quarto homem, surgindo por trás de uma vitrine repleta de relíquias antigas e joias cintilantes. Taehyung, a Ganância, tinha olhos profundos e calculistas, observando as princesas como se precificasse suas almas. Seu olhar pousou sobre Sunny, que se encolheu imediatamente atrás de Alina. — A loira tem um brilho raro. Isso não se encontra em museu nenhum da Terra. Quanto você quer por ela, princesa do vento? Podemos fechar um bom negócio.

— Toque nela e eu reduzo a cinzas cada uma dessas suas quinquilharias velhas, seu idiota arrogante! — explodiu Sky, dando um passo à frente com os punhos envolvidos em labaredas ardentes, encarando Taehyung com pura insolência.

— Cuidado com o fogo, garotinha — sussurrou uma voz quente e perigosamente próxima.

Antes que Sky pudesse piscar, Jungkook, a Luxúria, já havia fechado a distância entre eles. Ele era alto, imponente, com tatuagens serpenteando pelo pescoço e um olhar faminto que parecia despir a mente e a alma de quem fitava. Ele segurou o pulso flamejante de Sky sem vacilar, a pele dele resistindo ao calor enquanto um sorriso perverso surgia no canto de seus lábios.

— Tão irritada... tão vibrante — murmurou Jungkook, inclinando-se perto demais, desafiando-a com uma intensidade predatória. — Eu amo coisas que queimam antes de quebrar. Você vai ser um desafio delicioso.

Sky puxou o braço com força, o coração disparado pela audácia daquele homem, mas manteve o queixo erguido, debochada:

— Tente a sorte, aberração. Você não aguenta cinco minutos no meu inferno.

— Por favor, meus caros, onde estão os modos de vocês? — Uma risada suave e melodiosa cortou a tensão. Seokjin, a Inveja, aproximou-se com um sorriso acolhedor e passos impecáveis. Ele parecia o mais gentil de todos, os olhos brilhando com um calor convidativo enquanto olhava para Melina e suas irmãs. — Elas acabaram de escapar de um massacre. Olhem para o estado dos vestidos delas... quase tão bonitos quanto os meus, mas cobertos de fuligem. Deixem-nas falar. Adoro saber o que os outros têm que nós perdemos.

— Já chega — trovejou uma voz autoritária que fez a própria estrutura da mansão tremer.

Das sombras de uma biblioteca colossal no mezanino, desceu o líder. Namjoon, a Ira, avançou com a solenidade de um imperador amaldiçoado. Sua presença era tão pesada que o ar pareceu rarear. Ele segurava um tomo de capa de couro grosso, mas sua mandíbula estava tão trincada de fúria contida que, ao apoiar a mão sobre o corrimão de mármore, a pedra rachou em uma teia de estilhaços sob sua força monumental.

Os olhos de Namjoon cruzaram a sala e pousaram sobre Melina. Não havia gritos nele, apenas uma frieza destrutiva que prometia a aniquilação de mundos.

— Guardiãs de Eldoria — disse Namjoon, sua voz grave ressoando como um julgamento final. — Vocês cruzaram o limiar proibido. Sabem muito bem por que fomos exilados neste mundo patético. E sabem o que fazemos com quem perturba nosso cárcere. Dê-me uma única razão lógica para não espalhar as cinzas de vocês pelo oceano agora mesmo.

Melina deu um passo firme à frente. Sentia o vento ao redor agitado pela aura esmagadora de Namjoon, mas recusou-se a baixar a cabeça. Como líder das princesas, o medo era um luxo que ela não possuía.

— Eldoria caiu — declarou Melina, com a voz límpida e inquebrantável ecoando pelo salão. — As portas do Abismo se abriram. O Reino Sombrio quebrou o selo milenar. Se vocês ficarem aqui fingindo que esse mundo humano é o bastante para saciar seus pecados, eles virão atrás de vocês em seguida. Quando Eldoria queimar por completo, as correntes dimensionais cairão. Vocês não terão um reino para governar, joias para cobiçar, nem silêncio para dormir.

Yoongi soltou um suspiro entediado do divã, abrindo uma fresta de um olho:

— Ela tem razão sobre o barulho. Se monstros vierem para cá, vai ser péssimo para a minha rotina.

— Isso é problema de Eldoria — desdenhou Jimin, inspecionando as unhas impecáveis enquanto dava passos lentos ao redor de Ivy, que o encarava como se quisesse empalá-lo com uma estaca de gelo. — Por que os deuses banidos deveriam se curvar para salvar as princesinhas que desfrutaram do trono enquanto éramos jogados na lama? Isso fere o meu bom senso.

— Porque vocês não vão lutar de graça, pavão vaidoso — retrucou Celeste, ajustando a postura com precisão régia, o tom de voz analítico cortando a soberba de Jimin. — Se nos ajudarem a retomar Eldoria e destruir o Reino Sombrio, quebraremos o feitiço de banimento que os prende a esta dimensão. Vocês terão sua liberdade de volta. Um pacto de sangue e poder.

Taehyung inclinou a cabeça, os olhos faiscando de ganância pura. Ele tocou o queixo, avaliando Celeste e depois Sunny.

— Um pacto com as guardiãs... O preço da liberdade é alto, princesa de cristal. Mas o que mais vocês nos dariam em troca? O sangue real é uma moeda muito valiosa.

— Não abuse da sorte, negociante — advertiu Elara, cruzando os braços e abrindo um sorriso travesso que desafiava a aura sombria do lugar. — A gente veio pedir ajuda para uma guerra épica, não vender nossas almas para um bando de monstros mimados num casarão velho!

Hoseok gargalhou alto, um riso histérico que drenou temporariamente um pouco do brilho das chamas de Sky, deixando a sala momentaneamente sufocada:

— Ela é divertida! Namjoon, por favor, vamos ficar com elas! O tédio estava me matando de fome!

Jungkook não tirava os olhos de Sky, mordendo o lábio inferior com um interesse quase selvagem:

— Eu voto a favor. Fazia séculos que eu não encontrava alguém com tanta vontade de me queimar vivo.

Namjoon caminhou até parar a poucos centímetros de Melina. A diferença de altura era intimidadora, mas ela sustentou o olhar furioso do líder dos pecados sem piscar. Ele podia ver o reflexo das tempestades nos olhos dela; ela via o ódio absoluto e a genialidade tática escondidos na escuridão dele.

Sem querer, os dedos de Namjoon apertaram com força excessiva o livro que segurava, e a lombada de couro estalou, quase se partindo sob a tensão palpável entre os dois.

— Vocês acham que conhecem a escuridão porque enfrentaram monstros na sua terra mágica — murmurou Namjoon, a voz baixa, perigosa como o prelúdio de um terremoto. — Mas vocês não têm ideia do que libertaram ao entrar por aquela porta. Nós somos os monstros que o universo preferiu esquecer.

— Então seja o monstro que Eldoria precisa — retrucou Melina, firme como uma montanha contra o vendaval. — Ou continue apodrecendo no escuro como uma lenda patética e derrotada.

Um silêncio sepulcral caiu sobre a mansão. Yoongi sentou-se devagar no divã, subitamente interessado. Jimin ergueu uma sobrancelha, incrédulo com a audácia. Jin soltou um leve assobio satisfeito, enquanto Taehyung sorria diante do caos iminente.

Namjoon sustentou o olhar de Melina por longos segundos. A ira que sempre ardia em suas veias encontrou, pela primeira vez em séculos, uma faísca à sua altura.

— O pacto está feito — disse ele, a voz selando o destino de dois mundos. — Mas se falharem em entregar a nossa liberdade... Eldoria será o menor dos seus problemas, princesa.

Na penumbra do grande salão, entre olhares carregados de rancor, fome e um fascínio irresistivelmente proibido, a aliança mais perigosa de toda a existência acabava de nascer.

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