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Dark deus

Fandom: Marvel

Criado: 15/09/2026

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A Fome do Trovão

O peso do ar dentro daquela fortaleza de pedra negra era denso, saturado pelo cheiro elétrico de ozônio e chuva iminente. Helena estava sentada em uma poltrona forrada de veludo carmesim, com as costas apoiadas em almofadas macias, tentando controlar a respiração curta que acompanhava o avanço de sua gravidez. Ela pousou uma das mãos sobre o próprio ventre arredondado, sentindo o pequeno vulto sob sua pele se agitar com delicadeza, enquanto a outra mão sustentava a cabeça do bebê que mamava avidamente em seu seio farto.

Aquele não era o seu filho. Ainda não. O menino em seus braços pertencia a um deus.

Magni, o herdeiro do Trovão, era uma criatura inacreditável para os padrões humanos. Com apenas algumas semanas de vida, ele já demonstrava a força primordial da linhagem de Asgard. Seus pequenos punhos eram firmes, e os dedos minúsculos se cravavam na carne macia do decote de Helena com uma ferocidade possessiva que beirava a dor. O bebê sugava com um apetite insaciável, engolindo o leite doce que o corpo grávido dela passara a produzir antes da hora, como se a simples presença divina tivesse ordenado à sua biologia mortal que florescesse para servi-los.

Nenhuma outra mulher em toda a Terra fora capaz de alimentá-lo. As amas de leite contratadas fugiam aterrorizadas pela força da criança ou secavam de pavor. Helena, porém, fora encontrada por Thor quando estava desamparada, viúva e faminta nas ruas esquecidas de uma cidade devastada. Ele a acolhera, não por misericórdia pura, mas porque viu nela o sustento de que seu filho precisava.

E, muito rapidamente, algo muito mais sombrio tomara conta daquela casa.

O som de passos pesados quebrou o silêncio do aposento. O chão vibrou ligeiramente, uma reverberação constante que Helena aprendera a reconhecer no âmago de seus ossos. A porta de carvalho maciço se abriu sem ruído de dobradiças, revelando a silhueta monumental do Deus do Trovão.

Thor não usava sua armadura de batalha, mas apenas uma túnica escura de linho fino, entreaberta no peito largo coberto por cicatrizes e fios dourados. Seus cabelos loiros caíam revoltos sobre os ombros largos, e seus olhos, de um azul tão elétrico e violento quanto o céu rasgado por um raio, fixaram-se imediatamente nela.

Helena sentiu um arrepio violento correr por sua espinha. Seu coração disparou como o de um pássaro enjaulado. Ela abaixou os olhos de imediato, incapaz de sustentar o peso daquele olhar por muito tempo, sentindo o calor subir em ondas pelo pescoço até as bochechas.

— Ele está se alimentando bem? — A voz de Thor ecoou pelo quarto, um estrondo rouco e baixo que parecia vibrar diretamente no peito de Helena.

— Sim, meu senhor — respondeu ela, a voz frágil e trêmula, mantendo a postura recatada. — Ele... ele é muito forte. Tem um apetite imenso.

Thor aproximou-se devagar. O cheiro dele a envolveu antes mesmo de sua sombra cobri-la: metal, couro curtido, pinho e a eletricidade cortante de uma tempestade à espreita. Ele parou ao lado da poltrona, curvando-se o bastante para que Helena sentisse o calor abrasador irradiando da pele do deus.

— Olhe para mim, Helena — ordenou ele, o tom desprovido de qualquer rudeza, mas carregado de uma autoridade inquestionável.

Ela hesitou por um segundo, engolindo em seco, antes de erguer o queixo. Os olhos azuis dele estavam dilatados, famintos de uma forma que fazia seu ventre pulsar e sua razão fraquejar. Thor não olhava apenas para o filho. Ele olhava para ela.

O olhar do guerreiro desceu lentamente pelo rosto jovem e inocente de Helena, traçando a curva dos lábios entreabertos, descendo pelo pescoço esguio até o seio exposto, onde o pequeno Magni continuava a se alimentar com vigor. Uma gota de leite escorreu pela lateral da pele alva, e os olhos de Thor faiscaram com uma luz prateada e perigosa.

— Ele toma de você com tanta avidez — murmurou Thor, estendendo a mão gigantesca e calejada.

Com a ponta do polegar áspero, ele recolheu a gota de leite que escorria pela curva do seio dela. O contato foi elétrico. Literalmente. Pequenas faíscas estalaram contra a pele sensível de Helena, fazendo-a arquejar e puxar o ar ruidosamente. Antes que ela pudesse processar o choque, Thor levou o polegar à própria boca, saboreando a umidade com uma lentidão deliberada.

— Doce — disse ele, com um sorriso mínimo e sombrio nos lábios esculpidos. — Nutritivo. Adequado para alimentar a força de um príncipe... e para acalmar a tempestade de um rei.

— Vossa Graça... por favor — sussurrou ela, sentindo as pernas tremerem, embora estivesse sentada. — O senhor não deveria... eu sou apenas uma criada. A ama de seu filho.

Thor soltou uma risada baixa, um som gutural que fez o bebê parar de sugar por um breve instante. Magni soltou o mamilo de Helena com um estalo úmido e virou a cabecinha em direção ao pai. Os olhinhos da criança, idênticos aos de Thor, semicerraram-se em uma expressão de fúria quase cômica para alguém tão pequeno. O bebê soltou um grunhido agudo e cravou as unhas pequenas no vestido de Helena, puxando o tecido para si, como se tentasse reivindicá-la de volta, defendendo seu território contra o próprio pai.

Thor observou a atitude do filho com um misto de orgulho primitivo e impaciência ciumenta.

— Veja só ele — murmurou o deus, os olhos brilhando em desafio para o próprio rebento. — Acha que manda em você. Acha que o que é seu pertence exclusivamente a ele.

— Ele é apenas um bebê, senhor — defendeu ela debilmente, acariciando os raros fios loiros da criança para acalmá-la. — Ele depende de mim.

— Todos nós dependemos, Helena — retrucou Thor, inclinando-se ainda mais, invadindo completamente o espaço pessoal dela até que suas respirações se misturassem. — Mas ele é sangue do meu sangue. Aprende rápido o que significa posse. Ele sabe que a doçura que sai de você o mantém vivo. O que ele ainda não entende... é que eu o permito se alimentar apenas porque sou generoso.

O ar faltou nos pulmões de Helena. As palavras de Thor eram absurdas, assustadoras, e no entanto provocavam uma queimação febril no fundo de sua alma. Ela era uma jovem simples, criada sob preceitos rígidos e noções de modéstia humana. O homem que a havia engravidado fora um marido apagado, cuja memória parecia agora uma névoa sem vida diante da presença esmagadora do Deus do Trovão. Helena sabia que deveria temê-lo, que deveria implorar para ir embora, mas a verdade oculta em seus pensamentos a envergonhava: ela não queria partir. A obsessão dele a aprisionava, mas também a elevava a algo sagrado.

— O senhor... o senhor fala loucuras — balbuciou ela, tentando cobrir o seio com o xale de lã, mas a mão de Thor segurou seu pulso com uma firmeza avassaladora.

Não havia dor no aperto, apenas uma imutabilidade de pedra. Ele não a machucaria, ela sabia disso, mas jamais a soltaria.

— Não há loucura alguma na verdade — disse ele, a voz baixando para um sussurro aveludado que acariciou os ouvidos dela. — Eu a observei desde o primeiro dia em que pisou neste salão. Você tremia como uma folha. Pensei que você fosse quebrar sob o peso da minha linhagem. Mas você floresceu. Seu corpo acolheu meu filho, enquanto o seu próprio cresce aí dentro.

A mão livre de Thor desceu, pousando com uma reverência assustadora sobre a barriga pontuda e redonda de Helena. O calor da palma dele penetrou o tecido do vestido, aquecendo a pele esticada. O bebê que Helena carregava, que normalmente se assustava com ruídos fortes, pareceu responder ao toque divino, chutando exatamente contra a mão de Thor.

O deus soltou um suspiro pesado, seus olhos azuis brilhando com uma intensidade que quase cegava.

— Ele se mexe para mim — constatou Thor, com um tom de triunfo indisfarçável. — O mortal que colocou essa semente em você está morto e esquecido nas cinzas. Esta criança nascerá sob a minha sombra. Ela respirará a minha tempestade. E você...

Ele deslizou a mão para cima, subindo pelas costelas dela, traçando a curva da cintura até segurar o queixo delicado de Helena, forçando-a a olhar diretamente em seus olhos.

— Você não é uma ama de leite, Helena. Você não é uma serva. Você é minha. Minha carne, meu fôlego, a fêmea que alimenta minha casa. Ninguém mais na face desta terra miserável colocará os olhos em você. Nem um único homem respirará o mesmo ar que o seu. Se algum deles tentar... eu farei com que os céus desabem sobre suas cabeças até que não reste nada além de pó.

— Thor... — O nome dele escapou dos lábios dela em um suspiro quebrado.

Era a primeira vez que ela o chamava pelo nome, despida de títulos formais. O som pareceu agir como um raio no sistema nervoso do deus. As narinas dele se dilataram.

No colo dela, o pequeno Magni começou a choramingar, insatisfeito por ter sido deixado em segundo plano. O bebê esticou o bracinho e agarrou o polegar de Thor com uma força extraordinária para o tamanho dele, mordiscando a pele dura do pai com a gengiva e os primeiros vestígios de dentes que começavam a despontar. Ele não queria Thor perto dela. O pequeno príncipe rosnava baixinho, um som gutural que lembrava o de um filhote de urso protegendo a mãe.

Thor olhou para o filho, um canto de sua boca curvado em desdém divertido.

— Chega de sua ganância por hoje, rapaz — disse Thor.

Com uma destreza surpreendente para mãos tão grandes e brutais, Thor ergueu o bebê do colo de Helena. Magni soltou um grito agudo de protesto, debatendo as pernas curtas e esticando os bracinhos rechonchudos na direção de Helena, seus dedinhos abrindo e fechando no ar, exigindo voltar para o peito da mulher. Seus olhos faiscavam pequenas faíscas azuis, uma manifestação precoce de seu poder.

— Ele quer ficar comigo... — Helena tentou se levantar, movida por aquele instinto cego e avassalador de mãe que agora se estendia irrevogavelmente àquela criança divina. — Por favor, dê ele para mim, ele ainda precisa de consolo...

— Ele teve o suficiente por agora — declarou Thor, caminhando até o berço esculpido em madeira de freixo asgardiano e forrado com peles de lobo branco. Ele deitou o menino ali. Magni berrou, chutando as mantas, seu olhar furioso cravado no pai, mas Thor apenas murmurou uma bênção rúnica antiga, fazendo com que o ar ao redor do berço ficasse suave e indutor do sono. Os olhos do bebê pesaram contra a sua vontade, e em poucos instantes ele caiu em um sono profundo, embora ainda segurasse com força um retalho do xale de Helena que conseguira arrancar.

Thor virou-se novamente para Helena. A atmosfera do quarto mudou de imediato. Não havia mais a barreira do filho entre eles. Havia apenas o predador e a presa que, em segredo, ansiava por ser capturada.

Helena estava de pé, respirando com dificuldade, as mãos entrelaçadas diante do ventre volumoso. Ela parecia tão frágil diante dele, uma criatura de carne mortal e emoções desmedidas, vestida em algodão simples no meio do luxo bárbaro de um refúgio celestial.

— O que você teme tanto, Helena? — perguntou ele, avançando com passos silenciosos até encurralá-la contra a parede de pedra adornada por tapeçarias pesadas.

— Eu temo... o que o senhor está fazendo comigo — confessou ela, as lágrimas brilhando em seus olhos castanhos, a voz sumindo. — Eu não consigo pensar em mais nada. Quando o senhor não está aqui, eu sinto que o ar não entra em meus pulmões. Eu vejo seus olhos no céu cinzento lá fora. Eu sinto o gosto de metal na minha língua... e eu sei que isso é errado. O senhor é um deus. Eu sou apenas uma mortal insignificante, grávida de outro...

— Não ouse — rugiu ele baixinho, apoiando as duas mãos na parede, uma de cada lado da cabeça dela, prendendo-a completamente sob sua sombra colossal. — Nunca mais use essa palavra para se referir a você. Insignificante? Você sustenta o sangue do trovão. Você carrega uma nova vida que eu protegerei como se fosse gerada em minhas próprias entranhas. O homem que a tocou antes está morto. O passado não existe.

Thor inclinou o rosto, aproximando os lábios da curva do pescoço dela. Helena fechou os olhos, a cabeça tombando para trás contra a pedra fria, emitindo um gemido involuntário quando a barba áspera dele roçou sua pele sensível.

— Diga-me que você me quer — exigiu ele contra a garganta dela, sentindo a pulsação frenética da veia sob seus lábios. — Diga-me que, quando você fecha os olhos à noite, não é no fantasma do seu marido que você pensa.

Helena mordeu o lábio inferior com tanta força que sentiu o gosto de ferro. Ela queria mentir. Queria manter a santidade de sua antiga vida pacata, a segurança da insignificância. Mas o calor de Thor a consumia como fogo sobre palha seca. A pureza de sua mente havia sido totalmente invadida pela violência avassaladora daquele amor sombrio e possessivo.

— É você — sussurrou ela, as lágrimas finalmente rolando por suas faces quentes. — É sempre você. Em cada pesadelo, em cada prece... eu só vejo você.

Thor soltou um rosnado de satisfação que reverberou nas paredes da câmara. Ele tomou a boca dela com uma fúria controlada, um beijo profundo e avassalador que roubou qualquer vestígio de ar que restava nos pulmões da jovem. A língua dele invadiu seu espaço com maestria bárbara, saboreando a rendição doce e inocente que ela lhe oferecia.

Helena levou as mãos ao peito dele, agarrando o linho da túnica de Thor com a mesma força possessiva que o pequeno Magni demonstrara minutos antes. Ela não conseguia evitar. Seus dedos se cravaram no tecido, puxando-o para si, desejando se fundir àquela imensidão de poder e tempestade.

Thor desceu as mãos até os quadris dela, erguendo-a suavemente contra a parede para aliviar o peso de sua postura, tendo o cuidado infinito de não pressionar o ventre gravídico. Ele a beijou até que ambos estivessem ofegantes, até que o gosto de leite, chuva e submissão dominasse completamente o quarto.

Quando ele finalmente partiu o beijo, seus olhos brilhavam com um azul quase ofuscante, e trovões distantes rugiram nas montanhas além das muralhas da fortaleza.

— Você é minha, Helena — sussurrou ele, roçando os lábios úmidos na testa dela, nos olhos marejados, nas bochechas coradas. — E de mais ninguém. Nem deste mundo, nem de nenhum outro.

Helena encostou a testa no ombro largo do deus, ouvindo as batidas fortes e ritmadas do coração imortal dele. Ela sabia que estava perdida. Sabia que as correntes invisíveis que a prendiam àquele deus e ao seu filho jamais seriam quebradas.

Mas, enquanto o som suave da respiração de Magni preenchia o berço e as mãos de Thor a sustentavam contra o mundo, Helena percebeu, com um desespero apaixonado, que não havia outro lugar no universo onde ela preferisse estar.

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