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My dear little bully

Fandom: EngLot

Criado: 15/09/2026

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RomanceDramaAngústiaSombrioPsicológicoViolência GráficaCiúmesEstudo de Personagem
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Marcas de Propriedade e Labirintos de Dor

O corredor do quarto andar da St. Mary’s Academy estava silencioso, mergulhado naquele vácuo opressor que precedia o sinal da última aula. Para a maioria dos alunos, aquele era apenas um setor administrativo pouco frequentado. Para Charlotte Austin, era o palco de seu martírio particular e, paradoxalmente, o lugar onde ela se sentia mais viva.

O som dos passos rítmicos e pesados ecoou atrás dela. Charlotte não precisou se virar para saber quem era. O perfume amadeirado caro, misturado com o cheiro metálico de fluido de isqueiro e algo que lembrava couro novo, preencheu o ar. Engfa Waraha estava por perto.

— Fugindo tão cedo, Lotte? — A voz de Engfa era um ronronar perigoso, carregado de um sarcasmo que cortava mais que navalha. — Achei que tivéssemos um horário marcado entre as prateleiras de história e o seu desespero.

Charlotte parou diante da porta do banheiro feminino, os dedos apertando a alça da mochila. Ela respirou fundo, sentindo a irritação costumeira borbulhar, misturada a uma antecipação que ela se odiava por sentir.

— Eu não tenho horários com você, Engfa — Charlotte respondeu, virando-se finalmente. — Tenho livros para ler e uma vida que não gira em torno dos seus caprichos de herdeira mimada.

Engfa deu um passo à frente, diminuindo a distância. Ela era dois centímetros mais alta, mas a aura de poder que emanava a fazia parecer um gigante. O cabelo castanho-escuro estava perfeitamente desalinhado, e as pequenas cicatrizes nos nós dos dedos — lembranças de brigas de rua que sua família rica pagava para abafar — brilhavam sob a luz fluorescente.

— Engraçado você mencionar livros. — Engfa sorriu, um sorriso que nunca chegava aos olhos astutos. — Terminei "O Morro dos Ventos Uivantes" ontem. Heathcliff é um idiota amador. Ele deveria ter apenas trancado Catherine em um quarto e jogado a chave fora. Teria poupado trezentas páginas de lamentação.

— Você só leu porque eu disse que era meu favorito — rebateu Charlotte, arqueando uma sobrancelha, as sardas em seu nariz franzindo-se em desafio. — E você não entendeu nada. Você não entende o amor, Engfa. Você só entende de posse.

O olhar de Engfa escureceu instantaneamente. Em um movimento rápido e fluido, ela segurou o braço de Charlotte e a empurrou para dentro do banheiro, chutando a porta para fechar atrás delas. O baque surdo da madeira contra o batente selou o mundo exterior.

Engfa prensou Charlotte contra a parede de azulejos frios. Uma mão subiu para o pescoço da garota, não apertando o suficiente para sufocar, mas o bastante para impor domínio.

— Posse é a forma mais pura de adoração, Charlotte — sussurrou Engfa, aproximando o rosto. — Eu sei que você trocou a ração do Phalo hoje de manhã. Sei que você pintou aquela tela abstrata em tons de azul porque estava triste com a nota de matemática. Eu sei até o ritmo da sua respiração quando você está com medo... ou excitada.

Charlotte sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Era a dualidade monstruosa de Engfa: a stalker obsessiva que conhecia seus hábitos mais íntimos e a bully sádica que encontrava prazer em sua resistência.

— Você é doente — Charlotte cuspiu as palavras, embora seu corpo estivesse traindo-a, inclinando-se para o calor de Engfa.

— E você é meu brinquedo favorito. — Engfa soltou um riso seco e, sem aviso, desferiu um tapa estalado no rosto de Charlotte. Não foi forte o suficiente para derrubá-la, mas o impacto fez a cabeça de Charlotte virar para o lado.

A dor latejou, aguda e quente. Charlotte sentiu o gosto metálico familiar. O dente havia cortado a parte interna do lábio inferior. Ela voltou o rosto para Engfa, os olhos brilhando com uma fúria selvagem.

— Isso é tudo o que você tem, Waraha? — Charlotte desafiou, limpando o sangue com o polegar.

Engfa a observou com uma fascinação quase religiosa. Ela estendeu a mão, pegando o queixo de Charlotte com força, forçando-a a olhar no espelho acima das pias.

— Olhe para você — Engfa ordenou, a voz trêmula de uma emoção distorcida. — Olhe como você fica linda sangrando para mim. O vermelho combina com a sua pele, Lotte. É a minha marca em você.

Charlotte olhou para o próprio reflexo. O lábio inchado, o fio de sangue escorrendo pelo queixo, os olhos castanho-claros nublados de uma mistura de ódio e desejo. Ela se odiava por achar a imagem poderosa. Ela se odiava por saber que, naquele momento, Engfa a olhava como se ela fosse a única coisa que importava no universo.

— Você quer marcas? — Charlotte sibilou.

Num surto de força, Charlotte se desvencilhou do aperto no pescoço e avançou. Suas unhas, bem cuidadas mas afiadas, cravaram-se nos braços de Engfa, rasgando o tecido fino da camisa de uniforme cara e alcançando a pele por baixo. Ela puxou com força, sentindo a resistência da carne.

Engfa soltou um ganido que foi metade dor, metade êxtase. Ela não recuou. Pelo contrário, empurrou Charlotte contra a pia, deixando que os arranhões sangrassem livremente.

— Isso... — Engfa arquejou, os olhos fixos nos sulcos vermelhos que agora adornavam seus braços. — Sim, Charlotte. Me marque. Mostre que você também está obcecada.

— Eu odeio você — Charlotte disse, embora suas mãos agora subissem para a gola da camisa de Engfa, puxando-a para perto. — Eu odeio o jeito que você entra na minha cabeça. Eu odeio como você estraga tudo o que eu gosto.

— Você não odeia — Engfa retrucou, o sarcasmo voltando, mas agora tingido de uma urgência carnal. — Você adora ser o centro do meu mundo caótico. Você adora saber que eu queimaria esta escola inteira só para ver você brilhar nas cinzas.

Engfa tirou um cubo mágico do bolso da calça com a mão livre, embaralhando-o com uma velocidade maníaca enquanto mantinha o corpo colado ao de Charlotte. Era um tique nervoso, uma forma de processar a sobrecarga sensorial que Charlotte lhe causava.

— Resolva — Engfa comandou, colocando o cubo entre elas. — Se resolver em menos de trinta segundos, eu deixo você ir para casa sem mais hematomas hoje.

Charlotte olhou para o quebra-cabeça, depois para os olhos provocadores de Engfa. Ela sabia que era um jogo. Engfa adorava puzzles, e Charlotte era o maior deles.

— Eu não sou seu projeto de laboratório — Charlotte disse, pegando o cubo e jogando-o com força contra a porta do banheiro. O estalo do plástico batendo na madeira ecoou no recinto. — E eu não vou a lugar nenhum até você admitir que é tão dependente de mim quanto diz que eu sou de você.

Engfa paralisou. A arrogância vacilou por um microssegundo, revelando a possessividade crua que a movia. Ela avançou novamente, prensando Charlotte contra o mármore frio da pia. Suas mãos, marcadas pelos arranhões recentes, seguraram o rosto de Charlotte com uma delicadeza súbita e aterrorizante.

— Eu admito tudo, Charlotte. Eu sou louca por você. Eu leio seus livros idiotas, eu sigo seus passos, eu decoro o brilho das suas sardas sob o sol. E eu vou destruir qualquer um que ouse olhar para você da forma que eu olho.

Engfa inclinou a cabeça, a respiração quente batendo no lábio cortado de Charlotte.

— Você é minha. — O tom era final, uma sentença de prisão perpétua.

— E você é minha ruína — Charlotte respondeu, fechando os olhos.

O beijo que se seguiu não teve nada de romântico. Foi uma colisão de dentes, lábios e línguas, com o sabor de sangue e a urgência de quem está se afogando. Engfa beijava com a mesma brutalidade com que batia, mas havia um desespero subjacente, uma necessidade de ser consumida por Charlotte.

As mãos de Charlotte se enroscaram no cabelo castanho-escuro de Engfa, puxando as mechas com força, retribuindo a dor que recebia. Ela sentia o coração de Engfa batendo freneticamente contra o seu peito, um ritmo descompassado que falava de uma obsessão que ultrapassava a lógica.

Engfa separou o beijo por apenas um segundo, seus lábios manchados com o sangue de Charlotte.

— Diga — Engfa exigiu, a voz rouca. — Diga que você não quer estar em nenhum outro lugar.

Charlotte olhou para a garota rica, inteligente e perversa à sua frente. Ela viu as cicatrizes nas mãos de Engfa, os arranhões que ela mesma causou nos braços dela, e sentiu aquela familiar e doentia sensação de pertencimento.

— Eu não quero estar em nenhum outro lugar — Charlotte confessou, a voz falhando. — Mas eu ainda vou te fazer sangrar por isso.

Engfa sorriu, um sorriso genuíno e predatório, enquanto voltava a atacar os lábios de Charlotte.

— Eu não esperaria nada menos da minha garota.

Naquele banheiro esquecido, entre azulejos frios e segredos violentos, a hierarquia da St. Mary’s não existia. Não havia bullying ou vítimas. Havia apenas duas almas quebradas que encontraram na toxicidade uma forma de se sentirem inteiras. E enquanto o sol começava a se pôr, projetando sombras longas pelo corredor, Engfa e Charlotte continuavam ali, presas em um ciclo de dor e prazer do qual nenhuma delas, no fundo, desejava escapar.

Engfa afastou-se minimamente, limpando o canto da boca de Charlotte com o polegar, um gesto de carinho que contrastava violentamente com o tapa de minutos atrás.

— Vamos — Engfa disse, recuperando sua máscara de controle e arrogância. — Meu motorista está esperando. Vou te levar para casa e você vai me mostrar aquela pintura nova.

— Eu não te dei permissão para ver — Charlotte retrucou, ajeitando a mochila, embora já estivesse seguindo Engfa em direção à porta.

— Você não precisa dar permissão, Lotte — Engfa disse, abrindo a porta e saindo para o corredor com a confiança de quem era dona do mundo. — Eu já vi através da janela. Mas quero que você me explique cada pincelada enquanto eu cuido desse seu lábio.

Charlotte revirou os olhos, sentindo a ardência no rosto e o fogo nas veias. Ela sabia que amanhã haveria mais jogos, mais provocações e, possivelmente, mais marcas. Mas, enquanto caminhava ao lado de Engfa, sentindo a mão da outra roçar a sua de forma possessiva, ela aceitou a verdade que tentava esconder.

O ódio era apenas a capa de um livro que elas reescreviam todos os dias com sangue e beijos roubados. E Charlotte Austin sempre foi uma ávida leitora.

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