
Puta
Fandom: C1
Criado: 15/09/2026
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Entre Cinzas e Seda
O calor da pele nua era a única certeza concreta em um mundo construído sobre mentiras, máscaras e sangue derramado. Não havia tabuleiros de xadrez dispostos sobre a mesa de mogno, nem ordens sussurradas através de comunicadores encriptados, nem o peso sufocante de uma capa que exigia milagres de um homem mortal. Ali, no refúgio escuro de quatro paredes isoladas do resto do império, restavam apenas dois corpos buscando desesperadamente uma âncora antes que a maré inevitável do destino os tragasse por completo.
A respiração de C.C. era um sopro entrecortado contra o pescoço de Lelouch. Seus longos cabelos verde-claros espalhavam-se como fios de seda vegetal sobre os lençóis desfeitos, emoldurando um rosto que a eternidade havia se recusado a envelhecer, mas que agora trazia a marca crua e humana da vulnerabilidade. Ela puxou o rapaz para mais perto pelas costas nuas, enterrando as unhas de leve na carne rígida, sentindo cada músculo tenso, cada cicatriz invisível deixada pela ambição desmedida dele.
— Você pensa demais — murmurou ela, a voz rouca deslizando rente ao ouvido dele, carregada de uma provocação languida. — Até mesmo quando deveria apenas sentir.
Lelouch travou os dentes, interrompendo o movimento suave de seus quadris por uma fração de segundo. Ele ergueu o tronco apoiando-se nos cotovelos, fitando-a através da penumbra cortada apenas pela réstia de luar que escapava pelas frestas das cortinas pesadas. Os olhos violeta faiscavam com uma intensidade febril, desprovidos de qualquer Geass, purificados pelo desejo genuíno e quase desesperado que o consumia.
— Não posso evitar — respondeu ele em voz baixa, as mãos firmando-se na curva estreita dos quadris dela. — Minha mente nunca para, C.C. Você sabe disso melhor do que qualquer um.
— Então cale a sua mente — rebateu ela, arqueando a coluna para encontrar novamente o peso dele. — Deixe que o resto de você faça o trabalho.
O atrito direto de seus corpos arrancou um suspiro rouco do peito de Lelouch. Ele desceu a boca até os lábios dela, silenciando qualquer ironia restante com um beijo faminto, profundo, que já não guardava o distanciamento analítico habitual. C.C. abriu a boca para recebê-lo, entrelaçando as pernas ao redor dele para puxá-lo ainda mais para o fundo de si, quebrando a barreira que séculos de imortalidade haviam erguido em volta de seu coração apático.
Para Lelouch, possuí-la e ser possuído por ela era uma experiência que beirava a vertigem. Durante meses, aquela mulher havia sido sua cúmplice, sua confidente, a testemunha de suas maiores fraquezas e de seus triunfos mais sangrentos. Ela o havia visto despencando no abismo do delírio e o sustentara quando o mundo inteiro exigia que ele caísse. Agora, despida de suas roupas austeras e de sua postura altiva, ela era macia, úmida, fervilhante de uma vida que ela mesma insistia em desdenhar.
As mãos de Lelouch vagaram pela extensão do torso pálido de C.C., contornando as costelas delicadas, subindo até envolver os seios firmes cujos mamilos endureciam contra as palmas quentes dele. Cada carícia provocava um arrepio visível na mulher, que inclinava a cabeça para trás, cravando os dedos nos ombros largos do jovem.
— Lelouch… — sussurrou ela, o nome escapando como uma prece profana em meio a um gemido afogado.
— Diga de novo — pediu ele, a respiração queimando contra o queixo dela enquanto ele retomava o ritmo lento e deliberado das investidas, afundando-se com uma precisão que a fazia tremer da cabeça aos pés.
— Você é insaciável com o seu orgulho — disse ela, semicerrando os olhos dourados, brilhantes de prazer —, até mesmo na cama.
— Não é orgulho — retrucou ele, avançando com mais força, sentindo as paredes internas dela apertarem-se ao redor de si num espasmo delicioso. — É a prova de que você está aqui. Comigo. Não como um fantasma ou uma bruxa… mas como mulher.
C.C. não respondeu com palavras. Em vez disso, puxou o rosto dele para baixo, capturando seus lábios com uma ferocidade inesperada, cravando os dentes de leve no lábio inferior dele até sentir o gosto ferroso e tênue de uma gota de sangue. Aquela dor breve acendeu uma faísca ainda mais violenta entre os dois. Lelouch intensificou os movimentos, guiado pelo compasso acelerado de dois corações que batiam em desespero, buscando uma união que desafiava a própria lógica da existência deles.
O quarto parecia ter encolhido. O ar estava denso com o cheiro almiscarado do sexo, o calor dos corpos entrelaçados e a umidade que cobria a pele de ambos como um orvalho de febre. Fora dali, exércitos marchavam, reis caíam e o futuro da humanidade era tramado em salas estéreis; mas ali dentro, sob a penumbra cúmplice, nada disso tinha importância. Existiam apenas o atrito compassado, o roçar suave dos joelhos, o gemido abafado contra a curva do ombro e a certeza de que a mortalidade de Lelouch e a eternidade de C.C. se cruzavam naquele ponto exato de combustão.
A bruxa ergueu as mãos e segurou o rosto dele, os polegares delineando as maçãs do rosto marcadas pelo cansaço das noites em claro. Ela o olhou nos olhos, não com a frieza impassível de quem observara milênios de tragédias humanas, mas com uma doçura ferida que pouquíssimas almas haviam vislumbrado.
— Não ouse morrer antes de mim, Lelouch — murmurou ela, as palavras perdendo a força à medida que o prazer a envolvia em ondas cada vez mais arrebatadoras.
— Eu já lhe disse uma vez — respondeu ele, a voz falhando ligeiramente quando ela contraiu os músculos ao redor dele, levando-o ao limiar do controle — e vou repetir: eu não vou perder para o destino. E não vou deixá-la sozinha.
— Uma promessa tola — sussurrou ela, arqueando o quadril para receber o impacto profundo de cada estocada, a respiração entrecortada transformando-se em murmúrios ininteligíveis. — Uma promessa arrogante de um garoto tolo…
— Uma promessa de imperador — afirmou ele, os olhos violeta escurecidos pelo clímax iminente.
O ritmo tornou-se frenético, desprovido de qualquer contenção. O som úmido do contato de suas peles preenchia o silêncio da noite, ecoando junto aos suspiros descompassados. C.C. agarrou os lençóis com uma mão enquanto a outra se enterrava nos cabelos escuros de Lelouch, puxando-o para que ele visse cada expressão de entrega em seu rosto. Ela não conseguia mais manter a máscara de apatia; seus lábios entreabertos soltavam gemidos agudos, seu corpo inteiro estremecia a cada investida precisa que encontrava o ponto mais sensível de sua intimidade.
Lelouch sentiu a vertigem puxá-lo. O controle absoluto que ele tanto prezava, a capacidade de calcular dez passos à frente, ruiu por completo diante do calor avassalador que o engolia. Ele enterrou o rosto na curva do pescoço dela, sentindo o pulsar violento da artéria sob a pele macia, e entregou-se ao ritmo que ela impunha com o vaivém faminto de seus próprios quadris.
— Lelouch… agora… — arquejou ela, as unhas arranhando as costas dele em um espasmo incontrolável.
O clímax atingiu C.C. como uma tempestade súbita, fazendo-a arquear o corpo em um arco tenso enquanto ondas espasmódicas de prazer a sacudiam por dentro, apertando-o com uma força quase dolorosa. Ao sentir a rendição total daquela mulher imortal, Lelouch perdeu o último resquício de lucidez. Com um grunhido rouco e profundo, ele desferiu as últimas estocadas, derramando-se inteiramente dentro dela em um jorro quente e prolongado que parecia drenar a própria essência de sua alma.
Eles permaneceram imóveis por longos minutos, colados um ao outro, o peso dele descansando sobre o corpo dela enquanto os peitos subiam e desciam em uma sincronia exausta. O suor colava seus corpos, tornando a separação quase impensável. Lelouch manteve os braços ao redor da cintura de C.C., enterrando a face na massa verde dos cabelos dela, inalando o perfume familiar que sempre parecia resistir a qualquer pólvora ou cinza.
Lentamente, o rapaz rolou para o lado, puxando-a consigo para que ela descansasse a cabeça sobre seu peito. C.C. acomodou-se sem protestar, traçando círculos abstratos com a ponta do indicador sobre a pele quente do tórax dele, ouvindo o tamborilar compassado do coração humano que batia ali dentro.
— Você ainda está acordado? — perguntou ela, quebrando a calmaria com uma voz preguiçosa.
— Dificilmente consigo dormir depois de algo assim — responde
