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Hogwarts

Fandom: Original

Criado: 15/09/2026

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O Eco das Sombras em Mármore Branco

A névoa matinal de outubro abraçava as torres de Hogwarts como um sudário de seda cinzenta. Dez anos haviam se passado desde que os gritos de guerra cessaram e o cheiro de ozônio e morte foi substituído pelo aroma de grama cortada e pergaminho novo. A reconstrução fora impecável; as pedras pareciam mais brancas, os vitrais mais vívidos, como se o castelo estivesse tentando compensar as cicatrizes que ainda latejavam na memória dos sobreviventes.

No topo da Torre do Diretor, Lionel Dumbledore observava o Grande Lago. Aos vinte e oito anos, ele possuía uma elegância que beirava o sobrenatural. Seu terno de corte impecável, sob as vestes de veludo azul-meia-noite, conferia-lhe uma aura de modernidade que contrastava com os retratos empoeirados nas paredes. Ele não usava os óculos de meia-lua do pai, mas herdara o mesmo olhar penetrante, capaz de atravessar camadas de dissimulação.

— O senhor solicitou minha presença, Diretor? — A voz veio da porta, firme e polida.

Lionel virou-se lentamente, um sorriso enigmático brincando nos lábios.

— Ah, Victor. Entre, por favor. E, por favor, dispense as formalidades. Somos quase da mesma geração, embora este cargo insista em me envelhecer um século por dia.

Victor, o monitor da Grifinória e prodígio de Minerva McGonagall, caminhou com a postura de quem não tinha nada a esconder. Seu uniforme estava impecável, o distintivo de monitor brilhando no peito.

— A Professora McGonagall mencionou que o senhor gostaria de revisar os protocolos de segurança para o próximo Hogsmeade — disse Victor, mantendo a distância protocolar.

— Sim, também. Mas, na verdade, eu queria apenas parabenizá-lo — Lionel caminhou até a mesa, cujos instrumentos de prata giravam silenciosamente. — Minerva me disse que seu desempenho no Clube de Duelos foi... sem precedentes. Ela mencionou um contrafeitiço para a Maldição de Expulsão que ela mesma nunca tinha visto ser executado com tamanha precisão por um aluno.

Victor sentiu um leve tremor na base da espinha, mas seus olhos permaneceram calmos.

— Eu apenas leio muito, Diretor. A biblioteca de Hogwarts é um tesouro.

— É, de fato. Especialmente as prateleiras que exigem autorizações especiais — Lionel inclinou a cabeça, os cabelos castanhos caindo levemente sobre a testa. — Você tem um talento raro, Victor. Um entendimento da estrutura mágica que vai além da técnica. É quase... intuitivo.

— Agradeço o elogio, senhor.

— Pode ir agora. E Victor? — Lionel o chamou quando o jovem já estava na porta. — Tome cuidado com o que encontra nos livros antigos. Algumas palavras têm peso próprio.

Victor saiu da sala sentindo o peso do olhar de Lionel em suas costas. O Diretor sabia. Ou, pelo menos, suspeitava.


Enquanto Victor descia as escadarias móveis, o burburinho do Salão Comunal da Sonserina já fervilhava com o combustível favorito da escola: fofocas.

Sophia, sentada em uma poltrona de couro verde, folheava um exemplar do Profeta Diário, mas seus ouvidos estavam atentos a cada sussurro. Ela era a rainha não coroada das informações.

— Ele estava lá de novo — sussurrou uma aluna do quinto ano para uma amiga. — Vi o Victor saindo da ala leste às três da manhã. E ele não estava fazendo ronda.

— Dizem que ele tem um livro encadernado em pele humana — outra completou, baixando a voz. — Que ele consegue apagar luzes sem usar a varinha.

Sophia fechou o jornal com um estalo seco, fazendo as meninas pularem.

— Se Victor estivesse fazendo metade do que vocês dizem, McGonagall já o teria transformado em um tinteiro — disse Sophia, com um sorriso ácido. — Parem de inventar drama onde só existe um nerd da Grifinória tentando ser perfeito.

As meninas se dispersaram, mas Sophia estreitou os olhos. Ela sabia que os rumores tinham um fundo de verdade. Ela mesma vira Victor na biblioteca, na seção de História da Magia Negra, e ele não parecia estar estudando para um teste.

Perto dali, em um canto mais sombrio da sala, Kael observava Sophia. Ele não se importava com os livros de pele humana ou com as escapadas noturnas. Kael notava coisas menores. Ele notara, durante a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas, que quando o professor mencionou a Maldição Cruciatus, os dedos de Victor não tremeram de horror como os dos outros. Eles se moveram em um padrão específico, um movimento reflexo de quem conhecia a gestualidade necessária para lançá-la.

Kael se levantou e saiu da sala comunal, decidido. Ele precisava de provas, não de boatos.


No Grande Salão, o jantar estava sendo servido, mas a tensão era palpável em certas mesas. Noah, da Corvinal, estava cercado de pergaminhos e mapas antigos do castelo. Ele mal tocara em sua torta de rins.

— Você vai acabar tendo um colapso, Noah — disse Josh, sentando-se ao lado dele com uma montanha de batatas no prato.

— Olhe isto, Josh — Noah virou um pergaminho amarelado. — São os registros de acesso à Seção Restrita da década de 90. E estes aqui são os registros de Lionel Dumbledore quando ele estudou fora, na Suíça.

Josh mastigou devagar, franzindo a testa.

— E daí? O Diretor é um gênio, todo mundo sabe disso.

— O problema não é o que está aqui, é o que se repete — Noah apontou para uma sequência de símbolos. — Estes feitiços de contenção de alma... Victor os descreveu perfeitamente em um ensaio opcional na semana passada. Mas esses registros foram selados pelo Ministério. Como um aluno da Grifinória tem acesso a algo que nem os professores deveriam discutir?

Josh perdeu o apetite. Ele era o melhor amigo de Victor, o cara que o ajudava a treinar Quadribol e com quem dividia sapos de chocolate.

— O Victor é apenas talentoso, Noah. Ele é o cara mais legal que eu conheço. Ele me ajudou com Transfiguração quando eu estava prestes a bombar.

— Eu não estou dizendo que ele é ruim, Josh — Noah baixou o tom. — Estou dizendo que ele está conectado a algo que Lionel também está. E se você olhar para a mesa dos professores agora...

Josh olhou. Lionel Dumbledore estava conversando com Minerva, mas seu olhar estava fixo em Victor, que comia silenciosamente na mesa da Grifinória. Kael, na mesa da Sonserina, também não tirava os olhos de Victor. E Sophia, por sua vez, observava Kael.

Era uma teia invisível de suspeitas.


Mais tarde naquela noite, o corredor do terceiro andar estava mergulhado em sombras. Victor caminhava sem lanterna, seus olhos já acostumados à escuridão. Ele sentia a magia pulsando nas paredes, um zumbido constante que a maioria dos bruxos ignorava, mas que para ele era como uma orquestra.

Ele parou diante de uma tapeçaria antiga e tocou a pedra fria. Com um movimento fluido da varinha, ele murmurou:

Vulnera Sanentur.

Não era um ferimento físico que ele tentava curar, mas a barreira mágica da parede. O feitiço, normalmente usado para curar cortes profundos, reagiu de forma estranha à pedra, revelando uma passagem oculta.

— Você sabe que essa é uma variação proibida de um feitiço de cura, não sabe? — A voz de Kael ecoou no corredor vazio.

Victor não se virou. Ele suspirou, guardando a varinha na manga da veste.

— O que você quer, Kael?

O sonserino saiu das sombras, os braços cruzados.

— Quero saber por que o "menino de ouro" da McGonagall está usando magia de sangue para abrir portas secretas. E quero saber o que você e o Diretor Dumbledore estão escondendo.

Victor virou-se finalmente. Seu rosto, geralmente gentil, estava gélido.

— Você não tem ideia do que está acontecendo nesta escola, Kael. Acha que a guerra acabou porque Voldemort morreu? As trevas não são uma pessoa. São uma frequência. E Hogwarts está começando a vibrar nela novamente.

— E você é o quê? O nosso salvador sombrio? — Kael desdenhou, mas deu um passo atrás quando viu a faísca nos olhos de Victor.

— Eu sou o único que consegue ler os sinais sem se queimar — Victor deu um passo à frente. — Lionel sabe disso. Ele me trouxe para cá por um motivo. Mas ele não esperava que eu fosse mais rápido que ele.

De repente, um grito agudo ecoou pelas masmorras, seguido por um estrondo que fez o chão de pedra tremer. As luzes das tochas ao longo do corredor se apagaram simultaneamente.

— O que foi isso? — perguntou Kael, a arrogância desaparecendo.

— O motivo pelo qual eu não durmo à noite — respondeu Victor, já correndo em direção ao som.

No topo da escadaria, Sophia e Noah se encontraram, ambos pálidos. Josh vinha logo atrás, ofegante.

— A biblioteca... — Noah apontou para baixo. — Algo saiu da Seção Restrita. Algo que não era um livro.

Uma névoa negra, densa e fria, começou a subir pelos degraus. Não era um dementador, nem uma maldição comum. Era algo antigo, uma forma de magia que Hogwarts tentara esquecer sob camadas de reconstrução.

No centro do corredor, a figura de Lionel Dumbledore apareceu. Ele não parecia surpreso. Ele parecia... satisfeito.

— Mantenham-se juntos, crianças — disse Lionel, sua voz ecoando com uma autoridade que fez o ar vibrar. — A primeira lição da nova era está prestes a começar.

Victor chegou ao lado de Lionel, sua varinha em punho. Por um breve momento, o diretor e o aluno se olharam. Não havia o calor de um mestre e aprendiz, mas o reconhecimento de dois jogadores em um tabuleiro perigoso.

— Você o acordou, não foi? — sussurrou Victor para Lionel.

Lionel sorriu, um brilho perigoso nos olhos.

— Eu apenas abri a porta, Victor. Você é quem tem a chave para fechá-la. Ou para nos liderar através dela.

Ao redor deles, os cinco estudantes — o prodígio, o investigador, a informante, o cético e o leal — viram-se cercados não apenas pelas sombras, mas pela percepção de que suas vidas em Hogwarts haviam sido uma mentira cuidadosamente tecida. A guerra não havia terminado dez anos atrás. Ela apenas tinha mudado de face. E, desta vez, as linhas entre a luz e as trevas estavam tão borradas que ninguém saberia quem era o herói até que o primeiro feitiço proibido fosse lançado.

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