
A herdeira Sinclair
Fandom: Harry Potter
Criado: 15/09/2026
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O Enigma de Prata e Ouro
O Salão Principal de Hogwarts estava mergulhado no caos habitual do café da manhã. Corujas mergulhavam sobre as mesas entregando o Profeta Diário, o cheiro de bacon e torradas pairava no ar e o burburinho de centenas de estudantes criava um ruído constante. Harry, no entanto, estava distraído. Seus olhos se fixaram na mesa da Sonserina, especificamente em uma garota que parecia emanar uma aura de elegância gélida e autoridade natural.
Ela tinha cabelos castanho-escuros, ondulados e volumosos, que contrastavam com sua pele pálida como porcelana. Seus olhos azul-gelo pareciam analisar tudo ao redor com uma mistura de tédio e inteligência aguda.
— Quem é aquela? — Harry perguntou, indicando a garota com um aceno discreto de cabeça.
Hermione mal precisou olhar.
— Aquela é Evangeline Sinclair — respondeu ela, em um tom que sugeria que Harry deveria saber disso. — Ela é a herdeira da família Sinclair. É uma das linhagens mais antigas e tradicionais do mundo mágico, Harry. Dizem que os Sinclair já eram influentes antes mesmo dos Malfoy chegarem à Grã-Bretanha. Ela é brilhante, uma das favoritas do Snape, e raramente se mistura com quem não é do círculo dela.
Harry ia perguntar o que uma Sinclair estaria fazendo sozinha em um canto da mesa, mas Rony, que estava ocupado empilhando salsichas em seu prato, interrompeu casualmente.
— Ah, a Eva? Ela é legal. É a namorada do Fred.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Harry e Hermione congelaram, as colheres paradas no ar.
— O quê? — Hermione exclamou, atraindo olhares de alguns alunos do segundo ano. — Fred? O nosso Fred? Fred Weasley?
— É, eles estão juntos faz um tempo — Rony deu de ombros, indiferente ao choque dos amigos. — Fred diz que ela é a única pessoa que consegue deixar ele sem resposta.
Harry olhou de Fred, que estava rindo alto na ponta da mesa da Grifinória, para Evangeline Sinclair, que agora fechava um livro de Poções Avançadas com um estalo seco. A ideia parecia impossível. Era como misturar fogo de artifício com nitrogênio líquido.
Algumas semanas depois, o choque inicial de Harry ainda não havia passado totalmente, mas ele teve a chance de ver a prova viva daquela união improvável. Ao chegar à Toca para o restante das férias de verão, Harry foi recebido pelo calor habitual da casa dos Weasley. No entanto, o cenário na cozinha era diferente de tudo o que ele esperava.
Sentada à mesa de madeira rústica, Evangeline Sinclair parecia perfeitamente à vontade. Ela segurava uma xícara de chá enquanto conversava animadamente com Molly e Arthur. Fred e George estavam encostados no balcão, observando.
— Oh, Harry, querido! Entre! — Molly exclamou, levantando-se para dar um abraço esmagador no garoto. — Você chegou bem na hora. Evangeline estava nos contando sobre a coleção de artefatos de prata da família dela.
— É um prazer finalmente conhecê-lo, Harry Potter — disse Evangeline. Sua voz era aveludada, mas carregava uma ponta de diversão. Ela não parecia nem um pouco a sonserina intimidadora que Harry vira no Salão Principal. — Fred fala muito de você. Geralmente sobre como você atrai problemas como um ímã de metal encantado.
Fred soltou uma risada, aproximando-se da mesa.
— Eu não disse mentira nenhuma, disse, ruiva? — Ele passou a mão pelo ombro dela, um gesto de carinho tão natural que Harry piscou várias vezes para ter certeza de que estava vendo certo.
— "Ruiva"? — Evangeline arqueou uma sobrancelha perfeitamente desenhada. — Meu cabelo é castanho, Fred. Suas faculdades mentais estão falhando ou o excesso de pólvora nas suas orelhas finalmente afetou sua visão?
Fred, que normalmente teria uma resposta rápida e sarcástica para qualquer um, apenas sorriu abertamente, parecendo encantado com a provocação.
— É o meu apelido carinhoso para você, já que você insiste em querer ser uma Weasley honorária — ele brincou, puxando uma mecha do cabelo dela.
— Eu não insisto em nada, Weasley — rebateu ela, dando um tapinha na mão dele, mas sem afastar o toque. — Eu venho aqui pela comida da sua mãe e pela conversa civilizada do seu pai. Você é apenas um efeito colateral infeliz.
George soltou uma gargalhada, dando um tapinha nas costas do irmão.
— Viu só, Harry? Ela o mantém na coleira curta. É uma beleza de se ver. O grande Fred Weasley, domado por uma sonserina que nem tem metade do peso dele.
— Cala a boca, George — disse Fred, mas não havia irritação em sua voz. Ele se inclinou e, para a surpresa total de Harry, pegou a xícara de chá da mão de Evangeline. — Você já bebeu demais disso. Está ficando muito afiada.
— Devolva, Fred — ordenou ela, estendendo a mão.
— O que eu ganho em troca?
Evangeline estreitou os olhos azul-gelo.
— Ganha a chance de não acordar amanhã com as sobrancelhas permanentemente tingidas de verde-sonserina.
Fred hesitou por um segundo, olhou para George, olhou para o sorriso desafiador de Evangeline e devolveu a xícara imediatamente.
— Justo. Eu gosto das minhas sobrancelhas.
Harry, Rony e Hermione se acomodaram em um canto da cozinha, observando a interação como se assistissem a uma peça de teatro fascinante.
— Eu ainda não consigo processar — sussurrou Hermione. — Ela é uma Sinclair. O pai dela é um dos bruxos mais influentes do Ministério, e ela é... bom, ela é Fred-dependente?
— É o contrário, Mione — Rony murmurou de volta, pegando um biscoito da cesta. — Ele é que faz tudo o que ela quer. Outro dia, ela disse que ele estava muito barulhento enquanto ela estudava, e o Fred... o Fred! — simplesmente ficou em silêncio por duas horas. Eu achei que ele tinha sido atingido por um feitiço de emudecimento.
Na mesa, Arthur Weasley parecia fascinado.
— E você diz, Evangeline, que sua família possui um relógio que não marca as horas, mas sim a pureza do ar? — perguntou o patriarca dos Weasley, os olhos brilhando de curiosidade.
— Exatamente, Sr. Weasley — respondeu ela, voltando sua atenção para Arthur com um respeito genuíno. — É um objeto antigo, embora eu ache que um medidor de pressão trouxa seja muito mais prático. Meu pai detesta quando eu digo isso.
— Ora, que fascinante! — Arthur exclamou. — Fred, meu filho, você realmente encontrou uma jovem extraordinária.
Fred inflou o peito, parecendo genuinamente orgulhoso.
— Eu tenho bom gosto, pai. Diferente do George, que ainda acha que vai casar com uma vassoura.
— Ei! — George protestou.
Evangeline soltou uma risadinha e, de forma quase impercebível, inclinou a cabeça para trás, encostando-a levemente no braço de Fred, que ainda estava apoiado em sua cadeira. Fred, por sua vez, baixou a mão e começou a brincar com os dedos dela sobre a mesa. Era um momento de carinho discreto, mas que dizia muito sobre a conexão entre os dois.
— Fred — disse ela suavemente, sem olhar para ele.
— Sim, milady?
— Suas mãos estão cheias de graxa de sapo. Se você manchar meu vestido, eu vou transformar você em um furão e dar para o Malfoy de presente.
Fred olhou para as próprias mãos, deu um sorriso travesso e, em vez de se afastar, limpou levemente os dedos no avental de cozinha que estava pendurado ali perto antes de voltar a segurar a mão dela.
— Melhor agora?
— Aceitável — ela respondeu, embora o brilho em seus olhos mostrasse que ela estava se divertindo.
Molly Weasley observava tudo com um sorriso materno, claramente aprovando a nora em potencial.
— Ela faz bem para ele — Molly comentou baixinho para Harry enquanto passava para servir mais chá. — Fred sempre foi muito... impetuoso. Evangeline tem essa calma de aço que o faz parar para pensar. E, claro, ela é a única pessoa que consegue vencê-lo em uma guerra de palavras.
Harry observou Fred se inclinar para sussurrar algo no ouvido de Evangeline. Ela revirou os olhos, mas não conseguiu conter um sorriso genuíno que iluminou seu rosto, tornando-a muito menos parecida com uma herdeira intocável e muito mais com uma adolescente apaixonada.
— Você trouxe aquilo que eu pedi? — perguntou Evangeline, voltando à sua postura habitual de comando.
— O protótipo dos Caramelos Incha-Língua? — Fred perguntou, com um brilho de conspiração nos olhos. — Está no meu quarto. Por quê? Pretende testar no seu pai?
— Não seja ridículo, Fred. Meu pai me deserdaria — ela sorriu de forma maliciosa. — Eu quero testar no Pansy Parkinson. Ela tem falado demais sobre como a linhagem dos Sinclair deveria ser mais "seletiva" com quem se associa.
Fred soltou um assobio longo, impressionado.
— George, ouviu isso? Ela é brilhante. Cruel, mas brilhante.
— Eu sempre soube que ela tinha um lado Grifinória escondido sob essa seda verde — George comentou, piscando para ela.
— Não se atreva, George — rebateu Evangeline. — Sou Sonserina até a medula. Eu apenas aprecio uma boa execução de caos planejado. O que vocês fazem é arte, embora falte um pouco de... refinamento.
— Refinamento! — Fred colocou a mão no coração, fingindo estar ofendido. — Eu sou o ápice do refinamento, Eva.
— Fred — disse ela, olhando-o de cima a baixo —, você está usando uma meia de cada cor e tem uma mancha de geleia na bochecha.
Fred rapidamente passou a mão na bochecha, percebendo que ela estava brincando quando não encontrou nada. Ele riu, puxando-a para um abraço rápido de lado.
— Você me pegou. De novo.
— Eu sempre pego você, Weasley — ela murmurou, e por um breve segundo, o olhar que trocaram foi carregado de uma ternura que fez Harry desviar os olhos, sentindo que estava invadindo algo privado.
A tarde continuou com risadas e histórias. Harry percebeu que, embora Evangeline Sinclair fosse de fato a herdeira de uma das famílias mais ricas e tradicionais do mundo bruxo, ali na Toca, ela era apenas a garota que fazia Fred Weasley, o eterno brincalhão, agir como se tivesse encontrado o seu porto seguro.
Enquanto Fred e George começavam a demonstrar um novo truque com cartas que explodiam, Evangeline se aproximou de Harry, Rony e Hermione.
— Então — disse ela, cruzando os braços e observando Fred tentar (e falhar) não rir de uma piada de George. — Eu sei que vocês estão tentando entender como isso aconteceu.
— Para ser sincero — começou Rony —, a gente ainda está esperando o feitiço de confusão passar.
Evangeline soltou uma risada curta e cristalina.
— Não é um feitiço, Rony. É só que... — ela olhou para Fred com uma suavidade que Harry nunca imaginou ver em uma sonserina. — O mundo das famílias tradicionais é muito silencioso. Muito sério. Muito... cinza. Fred é como viver dentro de um Penseiro cheio de cores. Ele é impossível, irritante e não tem um pingo de etiqueta.
— Ei! Eu ouvi isso! — gritou Fred do outro lado da sala.
— Era para ouvir mesmo! — ela gritou de volta, antes de voltar a falar com os três em voz baixa. — Mas ele me faz rir. E, surpreendentemente, ele é a única pessoa que não tem medo de mim. Nem do meu sobrenome.
— Ele não tem medo de nada — Harry comentou, sorrindo. — Às vezes isso é um problema.
— Eu cuido para que não seja um problema fatal — disse ela com uma piscadela. — Agora, se me dão licença, preciso impedir que o namorado de vocês coloque fogo na cortina da sua mãe. Fred! Tire essa varinha de perto do tecido!
— Sim, senhora! — Fred respondeu prontamente, guardando a varinha com um sorriso largo, enquanto George revirava os olhos.
Harry olhou para Hermione, que deu de ombros, parecendo finalmente aceitar a situação.
— É — disse Harry —, acho que eles combinam perfeitamente.
— Quem diria? — Rony murmurou, pegando outro biscoito. — O Fred sendo mandado por uma garota. O mundo realmente está mudando.
Naquele momento, Fred passou correndo por eles, sendo perseguido por uma Evangeline que ameaçava transformá-lo em um sapo, enquanto Molly gritava para eles terem cuidado com o vaso de Arthur. Era o caos Weasley de sempre, mas agora, com um toque de elegância sonserina que, estranhamente, parecia ter encontrado o seu lugar.
