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Omegaverse

Fandom: Ethke

Criado: 15/09/2026

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OmegaversoDramaRomanceMistérioAçãoFatias de VidaDiscriminação
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O Veneno na Ponta da Língua e o Brilho do Enigma

Ethan sentia o sangue ferver, uma sensação familiar que subia pelo seu pescoço e fazia suas orelhas queimarem. Ele não era apenas um ômega com opiniões fortes; ele era uma tempestade em um corpo franzino de vinte e dois anos. Para Ethan, a vida era uma sucessão de batalhas, e ele nunca, sob hipótese alguma, aceitaria ser subjugado por um alfa, especialmente um que mal tinha saído da adolescência.

O boato tinha corrido rápido pelos corredores da universidade. Disseram que Mike, o alfa enigma de dezenove anos, aquele cara alto e estranhamente silencioso que parecia carregar o peso do mundo em seus ombros largos, andava dizendo que Ethan era "apenas um ômega histérico que precisava de uma coleira".

— Uma coleira? — Ethan rosnou para si mesmo, chutando uma pedra no caminho enquanto se dirigia ao pátio leste, onde Mike costumava ficar isolado. — Eu vou mostrar para ele quem é que precisa de uma coleira. Vou fazer ele engolir cada uma daquelas pintinhas que ele tem na cara.

Ethan era magro, pequeno, mas sua presença era magnética e agressiva. Ele sofria de crises de estresse que o deixavam à beira de um colapso, e descontar em alfas prepotentes era sua terapia favorita.

Mike estava sentado em um banco de pedra, sob a sombra de uma árvore antiga. Ele era o oposto de Ethan: calmo, frio e distante. Seus cabelos pretos caíam sobre os olhos, e as pequenas sardas em seu rosto pareciam constelações em uma pele morena e serena. Ele não interagia com quase ninguém. Era um enigma, literalmente e figurativamente.

— Ei! Você! — Ethan gritou, parando a poucos metros de Mike, as mãos nos quadris e o peito estufado.

Mike levantou os olhos lentamente. Ele não pareceu intimidado. Na verdade, um brilho de curiosidade surgiu em seu olhar gélido. Ele gostava de desafios, e Ethan parecia ser o maior deles.

— O que foi, Ethan? — A voz de Mike era baixa, estável, o que irritou Ethan ainda mais.

— O que foi? Você ainda tem a audácia de perguntar? — Ethan deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal do alfa. — Ouvi o que você andou dizendo por aí. Que eu sou histérico? Que eu preciso ser "domado"? Quem você pensa que é, seu moleque de dezenove anos?

Mike franziu a testa, fechando o livro que estava em seu colo.

— Eu não disse nada disso — respondeu Mike, calmamente. — Na verdade, eu mal falo com as pessoas. Por que eu gastaria meu fôlego falando de você?

— Ah, não venha com essa! — Ethan apontou o dedo para o peito de Mike. — O Leo me contou. Ele disse que você riu da minha última discussão com o professor e disse que eu era um desperdício de feromônios.

Mike se levantou. A diferença de altura era notável. Ele era muito mais alto, mas Ethan não recuou um milímetro sequer.

— O Leo? — Mike repetiu o nome, e um vinco se formou entre suas sobrancelhas. — Interessante. Porque o Leo veio me dizer, há menos de uma hora, que você estava espalhando que eu sou um "alfa defeituoso" que não consegue nem olhar nos olhos de alguém sem tremer.

Ethan parou. O insulto que ele estava prestes a lançar morreu em sua garganta.

— O quê? Eu nunca disse isso. Eu nem sabia que você existia direito até hoje de manhã!

— Exatamente — disse Mike, cruzando os braços. — E eu não disse nada sobre coleiras. Eu nem gosto de cachorros.

O silêncio caiu entre eles, apenas quebrado pelo som do vento nas folhas. Ethan, apesar do temperamento explosivo, não era burro. Ele olhou para Mike, analisando a expressão impassível do alfa. Não havia mentira ali. Havia apenas uma frieza calculada e uma ponta de irritação genuína.

— Aquele desgraçado... — Ethan murmurou, a raiva agora mudando de alvo. — O Leo está tentando fazer a gente se matar. Mas por quê?

— Leo é o braço direito do grupo do Kaio — Mike explicou, sua voz voltando ao tom monótono, mas com um toque de intriga. — Eles gostam de controlar o fluxo social da faculdade. Um ômega rebelde como você e um alfa isolado como eu somos... variáveis que eles não controlam. Se brigarmos, nos desgastamos. Se nos desgastarmos, ficamos vulneráveis.

Ethan soltou uma risada seca, nervosa.

— Vulneráveis? Ele não me conhece. Eu vou lá agora mesmo quebrar a cara daquele idiota.

— E vai provar que ele está certo — Mike interveio, dando um passo curto para frente. — Se você for lá e fizer um escândalo, vai confirmar o boato de que é instável. E eu vou parecer o alfa que não sabe lidar com a situação. É exatamente o que eles querem: nos rotular.

Ethan bufou, passando a mão pelo cabelo bagunçado. O estresse estava começando a subir novamente, aquela pressão no peito que o fazia querer gritar.

— Então o que você sugere, gênio? Que a gente sente aqui e tome chá enquanto eles riem da nossa cara?

Mike olhou para os lados, certificando-se de que ninguém estava ouvindo. Um sorriso minúsculo, quase imperceptível, surgiu no canto de seus lábios.

— Eles querem briga? Vamos dar o oposto.

Ethan arqueou uma sobrancelha, confuso.

— O oposto?

— Se o Leo disse que nos odiamos, vamos mostrar que, na verdade, estamos juntos — propôs Mike. — Se formos um "casal", teremos uma desculpa para nos aproximar do grupo deles. Eles vão baixar a guarda porque vão achar que ganharam, que nos "uniram" pelo destino ou algo assim. E aí, descobrimos o que o Kaio realmente está planejando.

Ethan soltou uma gargalhada genuína, embora carregada de sarcasmo.

— Você quer que eu finja namorar você? Um alfa enigma que mal abre a boca? Eu prefiro lamber o chão do banheiro!

— É por isso que vai funcionar — Mike disse, seus olhos brilhando com uma inteligência afiada. — Ninguém esperaria isso. Você é barulhento, eu sou silencioso. É o caos perfeito. E admita, Ethan... você adora uma confusão.

Ethan cruzou os braços, olhando para Mike de cima a baixo. O garoto era bonito, ele tinha que admitir, de um jeito misterioso e irritante. E a ideia de enganar o grupo do Kaio era tentadora demais para ignorar.

— Tudo bem — Ethan cedeu, apontando o dedo novamente para Mike. — Mas se você tentar qualquer gracinha de "alfa protetor", eu te chuto onde o sol não bate. Entendido?

— Perfeitamente — Mike respondeu, estendendo a mão. — Temos um acordo?

Ethan olhou para a mão de Mike e, em vez de apertá-la, deu um tapa leve nela.

— Temos um plano. Agora, como a gente começa essa palhaçada?

Mike olhou para o refeitório, onde o grupo de Leo e Kaio costumava se reunir a essa hora.

— Vamos entrar lá. Juntos. E você vai ter que parecer... menos propenso a me morder.

— Vai ser a maior atuação da história do cinema — Ethan resmungou, mas começou a caminhar ao lado de Mike.

Enquanto atravessavam o campus, Ethan sentia os olhares. Ele era conhecido por ser o ômega que não abaixava a cabeça para ninguém, e ver Mike, o alfa mais recluso da instituição, caminhando tão perto dele que seus ombros quase se tocavam, estava causando um burburinho imediato.

— Relaxa os ombros — Mike murmurou, sem mover os lábios. — Você parece que vai atacar um javali.

— Eu estou relaxado! — Ethan sibilou entre dentes, com um sorriso forçado que parecia mais uma careta.

— Tente parecer que gosta de mim. Só um pouco.

Ethan revirou os olhos e, num impulso de pura audácia, enganchou o braço no de Mike. Ele sentiu o músculo do alfa retesar por um segundo antes de relaxar. O cheiro de Mike — algo que lembrava floresta úmida e ozônio antes da chuva — atingiu os sentidos de Ethan, fazendo seu coração errar uma batida.

— Melhor assim, "querido"? — Ethan ironizou, aumentando o tom de voz para que as pessoas ao redor ouvissem.

Mike soltou um suspiro baixo, mas não se afastou.

— Ótimo. Agora, ali estão eles.

Leo estava sentado em uma mesa central, cercado por outros três alfas e um beta. Quando ele viu a dupla se aproximando, sua expressão de deboche foi substituída por um choque genuíno. Ele cutucou Kaio, o líder do grupo, que levantou os olhos do celular com uma sobrancelha erguida.

Ethan e Mike pararam diante da mesa. Ethan sentiu a adrenalina disparar.

— Ora, ora — Leo disse, recuperando a compostura. — O que é isso? Achei que o Ethan estava vindo para arrancar sua cabeça, Mike.

— É — Ethan disse, forçando uma voz doce que soava completamente errada em sua boca. — Eu também achei. Mas sabe como é... a gente começou a conversar e percebemos que tínhamos... muita coisa em comum. Especialmente o que pensamos sobre pessoas que gostam de fofoca.

Mike colocou a mão levemente na cintura de Ethan. O toque era possessivo, mas suave. Ethan teve que se esforçar muito para não pular de susto, mas manteve o olhar fixo em Leo.

— O Ethan é um pouco intenso — Mike disse, sua voz fria agora carregando um tom de falsa afeição que era assustadoramente convincente. — Mas eu gosto de pessoas que dão trabalho. Torna tudo mais interessante.

Kaio, que até então estava em silêncio, inclinou-se para frente.

— Namorando? Vocês dois? Isso é... inesperado.

— A vida é cheia de surpresas, Kaio — Ethan respondeu, dando um passo mais perto da mesa, puxando Mike consigo. — Mas e você? Ouvimos dizer que você estava muito interessado na nossa "discussão". Por que tanto interesse na minha vida amorosa?

Leo riu, mas parecia desconfortável.

— Só queríamos garantir que o clima no campus continuasse... equilibrado.

— Equilibrado — Mike repetiu a palavra, como se a estivesse saboreando. — Sei. Bom, agora que está tudo resolvido, acho que vamos passar mais tempo com vocês. Afinal, amigos do Leo são meus amigos, certo?

O grupo trocou olhares incertos. O plano de Mike estava funcionando. Eles haviam quebrado a lógica do inimigo.

— Claro — Kaio disse, forçando um sorriso. — Sentem-se. Estávamos prestes a discutir a festa de sexta à noite.

Ethan sentou-se, sentindo o olhar de Mike sobre ele. Por um breve momento, ele esqueceu que era tudo mentira. O peso da mão de Mike em seu ombro, o calor que emanava do alfa e a forma como Mike o defendia silenciosamente contra aqueles idiotas... era uma sensação nova.

— Então — Ethan começou, apoiando os cotovelos na mesa e olhando diretamente para Leo. — Conte-nos mais sobre essa festa. Eu adoro uma boa festa. E o Mike... bem, ele faz tudo o que eu quero.

Mike deu um leve aperto no ombro de Ethan, um aviso silencioso para não exagerar, mas Ethan apenas sorriu largo. A caçada tinha começado, e ele não pararia até descobrir por que o grupo de Kaio estava tão interessado em manipular as peças do tabuleiro daquela universidade.

— Isso vai ser divertido — Mike murmurou no ouvido de Ethan, sua respiração quente fazendo os pelos da nuca do ômega se arrepiarem.

— Vai ser um inferno — Ethan corrigiu baixinho, mas seus olhos brilhavam com a antecipação da briga que estava por vir.

Pela primeira vez em muito tempo, Ethan não estava lutando sozinho. E Mike, o alfa que preferia o silêncio, descobriu que a voz de Ethan era o barulho mais fascinante que ele já ouvira. O teatro estava montado, e as cortinas acabavam de se abrir.

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