
Oliver x armitage
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 15/09/2026
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Sombras e Grafite Amarrado
A brisa suave soprava pelas janelas recortadas dos corredores da Paper School, trazendo consigo o cheiro familiar de celulose fresca, giz e poeira estática. Para a maioria dos estudantes daquela bizarra e perigosa instituição de papel, aquele era um horário de puro pavor, especialmente quando certas figuras rondavam os corredores sem a supervisão de professores rígidos. Mas, para Oliver, aquele era simplesmente o melhor momento do dia.
Caminhando com passos descontraídos e balançando ligeiramente a mecha arrepiada no topo de sua cabeça, o garoto de cabelos brancos desfrutava de sua costumeira tranquilidade travessa. Seus longos fios brancos, que desciam quase até a altura dos tornozelos, balançavam amarrados em um rabo de cavalo baixo por um laço preto impecável. O símbolo vermelho em forma de "A+" brilhava com nitidez na lateral de sua franja, um contraste vibrante com seus pequenos chifres negros e sua expressão relaxada de pura travessura.
Em sua mão de carne e osso, Oliver segurava uma barra de sabonete perfumado com essência de lavanda, com pequenas lascas metálicas de lâminas de barbear cravadas na superfície como se fossem confeitos crocantes. Ele levou o sabonete aos lábios e deu uma mordida generosa. O som foi de um estalo suave seguido pelo estalar metálico sob seus dentes afiados. Uma leve espuma branca se formou no canto de sua boca, mas ele apenas engoliu com um sorriso satisfeito. Comer sabonetes e lâminas era o seu lanche favorito, algo que assustava os outros alunos idiotas, mas que para ele e seus inseparáveis cúmplices, Zip e Edward, era motivo de risadas infinitas.
Ele olhou de relance para o seu braço esquerdo, o longo e afiado lápis de grafite resistente que substituía seu membro, girando-o casualmente no ar como se fosse uma baqueta invisível. Tudo parecia perfeito. Oliver planejava encontrar Zip e Edward perto do pátio traseiro para bolar uma pegadinha contra algum aluno ingênuo do primeiro ano.
No entanto, o ar ao redor de repente pareceu esfriar de maneira anormal. Uma pressão pesada, diferente da aura autoritária dos professores, começou a se formar bem atrás de suas costas. Os passos que se aproximavam não faziam o ruído comum de sapatos de sola de borracha batendo contra o chão texturizado; eram toques agudos, metálicos e pontiagudos, semelhantes a hastes finas perfurando uma folha.
Oliver parou no meio do passo, suas orelhas atentas captando o rangido sutil. Antes mesmo que pudesse virar a cabeça ou erguer seu braço pontiagudo de lápis em posição de defesa, uma silhueta alta e imponente projetou uma sombra imensa sobre o chão branco.
Um conjunto de garras negras, longas e sinistras, avançou em um movimento fulminante.
Em uma fração de segundo, as garras cobriram violentamente a boca de Oliver, abafando instantaneamente qualquer som que o garoto pudesse produzir. O sabonete caiu de sua mão direita, ricocheteando no piso limpo com um baque surdo enquanto algumas lâminas se soltavam.
— Mmph! — grunhiu Oliver, arregalando os olhos em choque absoluto.
Ele tentou morder as garras com seus dentes manchados de espuma, mas a carapaça das mãos que o seguravam era rígida demais, como ferro forjado. Seus chifres negros tremeram em pura indignação. Quem diabos tinha a ousadia de atacá-lo daquela forma em pleno território da Paper School?
— Shh... fique quieto, pedacinho de papel — sussurrou uma voz grave, melodiosa e perturbadoramente calma bem junto ao seu ouvido.
Oliver sentiu o toque gélido de um tecido fino contra suas costas. Quando forçou os olhos para o lado, vislumbrou a figura aterrorizante que o dominava. Não era nenhum dos professores e muito menos um aluno comum. Era Armitage.
O temido líder da máfia dos valentões parecia uma aberração saída dos cantos mais escuros do mundo exterior. Quatro chifres que imitavam patas de aranha se curvavam ameaçadoramente no topo de sua cabeça, ladeando uma elegante cartola branca adornada com dois olhos carmesins vigilantes. Abaixo da cartola, seus cabelos longos e brancos estavam amarrados com perfeição, enquanto uma franja peculiar dividida ao meio — metade branca, metade negra — caía sobre quatro olhos vermelhos que brilhavam com crueldade maliciosa. Suas mandíbulas escuras de aracnídeo estalaram com um som seco perto da bochecha de Oliver.
Com uma facilidade insultante, os outros braços negros e compridos de Armitage se moveram. Um deles imobilizou o braço de lápis de Oliver, travando a ponta afiada contra seu próprio tórax para anular qualquer contra-ataque, enquanto os outros membros o ergueram sem esforço do chão.
Oliver debateu-se com fúria histérica. Suas botas pretas chutavam o ar, as pernas brancas sob as bermudas curtas se contorciam, e seu rabo de cavalo balançava desordenadamente. Ele tentou gritar por socorro, tentou berrar pelos nomes de Zip e Edward, mas tudo o que saía através das garras pretas eram gemidos abafados e desesperados.
— Mmmff! Nnn-ghhh! — protestava o garoto, seu rosto ficando vermelho de pura raiva.
Armitage soltou uma risada baixa, rouca e cheia de escárnio. Em vez de soltá-lo, o mafioso puxou Oliver para o próprio colo com uma força descomunal, segurando-o contra o terno branco imaculado e a gravata listrada em cinza e preto.
— Tão agitado... — zombou Armitage, suas mandíbulas estalando quase em um tom afetuoso e venenoso. — Dizem por aí que você manda nesta escola, garotinho. Mas aqui fora, na cadeia alimentar real, você não passa de um rascunho esperando para ser amassado.
Oliver tentou golpear para trás com a nuca, tentando quebrar o nariz do homem, mas Armitage apenas inclinou a cabeça com elegância, desviando com facilidade de inseto. Sem dar a Oliver qualquer chance de escapar, o homem de quatro braços o apertou ainda mais contra o peito, usando um aperto de ferro que roubou o ar dos pulmões do menino, enquanto seus pés pontiagudos em formato de diapasão começaram a se mover velozmente pelas sombras, carregando Oliver para longe dos corredores iluminados.
Quando a consciência de Oliver retornou em foco total, a primeira coisa que sentiu foi a rigidez incômoda sob seu corpo.
Ele estava sentado em uma cadeira de madeira pesada e áspera, posicionada no centro de uma sala úmida, fria e completamente desconhecida. Suas pernas estavam firmemente atadas aos pés da cadeira por grossas cordas de náilon que queimavam sua pele alva sobre as meias até o joelho. Seu pulso direito estava puxado para trás, preso com voltas e voltas de corda amarrada com nós perfeitos de marinheiro. E seu precioso braço de lápis, sua única arma letal, fora completamente imobilizado: a madeira e o grafite estavam cobertos de amarras reforçadas, prendendo o membro de maneira tão esticada contra o encosto da cadeira que ele mal conseguia mover um milímetro.
Para piorar sua agonia, uma fita adesiva preta, grossa e sufocante, fora colada com brutalidade sobre seus lábios, esticando suas bochechas e silenciando qualquer palavra inteligível.
— Mmmph?! Mmm-mmmph!! — Oliver começou a se debater loucamente.
A cadeira rangeu contra o concreto áspero. O relógio no pulso de seu braço esquerdo pressionava a madeira, deixando uma marca vermelha na pele. Os chifres pretos de Oliver batiam contra o encosto enquanto ele tentava desesperadamente inclinar o corpo para frente, buscando usar o peso do próprio tronco para tombar a cadeira e quebrar as cordas, mas a estrutura era maciça demais.
Na penumbra da sala, iluminada apenas por uma lâmpada nua e amarelada que balançava no teto por um fio desencapado, passos pontiagudos ecoaram no chão.
— Ora, veja só. A bela adormecida finalmente acordou — ecoou a voz zombeteira.
Armitage emergiu das sombras que cobriam os cantos da sala. Ele ajustou os punhos de sua camisa branca por baixo do paletó impecável, caminhando com a elegância predatória de uma aranha cercando sua presa na teia. Seus quatro olhos vermelhos brilhavam com um divertimento sádico enquanto encaravam o garoto amarrado.
Oliver fuzilou o líder mafioso com o olhar. Seus olhos transbordavam uma mistura fervente de ódio mortal e humilhação. Ele era Oliver! Ele empurrava novatos nos armários, fazia piadas cruéis, ria na cara do perigo e comia metal no café da manhã! Como alguém se atrevia a colocá-lo naquela posição humilhante?
— Mmph! Mmm-fhh-duu! — rugiu Oliver por baixo da fita preta, projetando todo o fôlego que podia, seus dentes cerrados por trás da fita em uma tentativa inútil de articular um xingamento.
Armitage parou bem diante dele. O contraste entre a postura impecável do mafioso e a agitação febril de Oliver era gritante. O homem inclinou o corpo ligeiramente para a frente, apoiando duas de suas garras pretas no queixo de Oliver, forçando a cabeça do garoto a se erguer.
— Sabe, Oliver... Benedict e Bullyseye me contaram maravilhas sobre sua atitude desrespeitosa — disse Armitage, deslizando uma garra pontiaguda pela bochecha pálida do menino, quase cortando o papel liso de sua pele. — Sean-landis até sugeriu que déssemos uma utilidade para esse seu lápis ridículo. Mas eu preferi ver com meus próprios olhos. Queria ver se a lenda dos corredores era realmente feroz... ou apenas uma criança barulhenta implorando por limites.
Oliver tentou cuspir contra a mão do homem, mas a fita apenas recolheu sua saliva quente e a manteve contra seus lábios. Ele soltou um rosnado abafado e tentou desferir uma cabeçada para cima, mas Armitage apenas soltou seu queixo com um riso desdenhoso, recuando meio passo.
— Olhe para você — continuou Armitage, cruzando três de seus quatro braços e ajeitando a gravata listrada com o quarto. — Tão valente quando está acompanhado daquela garota barulhenta com chifres e daquele menino de óculos com braço de bússola... Mas e agora? Onde estão eles, garotinho? Onde estão os seus amigos para salvar você?
As palavras atingiram Oliver como um golpe físico no estômago. O ódio cego que queimava em seu peito começou a sofrer uma terrível mutação. O calor da fúria foi gradualmente substituído pelo gelo cortante do medo. Seus olhos se arregalaram ainda mais.
Zip. Edward.
Eles não sabiam onde ele estava. Ninguém sabia. Ele havia desaparecido no intervalo, sem deixar nenhum rastro além de um pedaço de sabonete quebrado no chão.
— M-mmph... — o som agora saiu trêmulo, perdendo a força agressiva anterior.
Armitage percebeu a mudança instantaneamente. As mandíbulas de aranha se abriram em um esgar cruel, e seus pequenos olhos secundários se contraíram em pura satisfação sádica.
— Isso mesmo. Ninguém virá — sussurrou o homem, dando as costas com indiferença teatral. — Você gosta de fazer os outros se sentirem indefesos, não gosta? Então aproveite a sensação. Ela pertence todinha a você agora.
Armitage caminhou lentamente até a porta pesada de metal no fundo do cômodo. Ele parou com a mão na maçaneta e olhou por cima do ombro. Seus olhos vermelhos pareceram queimar no escuro.
— Tenha uma boa noite, Oliver.
Com um estalo seco, Armitage bateu a mão contra o interruptor da parede.
A lâmpada amarela apagou-se instantaneamente. Em seguida, a porta pesada de ferro foi fechada com um estrondo ensurdecedor, acompanhado pelo som de trincas mecânicas se travando por fora.
A escuridão caiu sobre Oliver como um bloco maciço de concreto.
Não era apenas a ausência de luz. Era um breu tão profundo, absoluto e impenetrável que parecia físico, sufocando seus sentidos e prensando o ar contra seu corpo amarrado. Ele não conseguia enxergar as próprias mãos, não conseguia enxergar a cadeira, não conseguia distinguir o chão do teto. Apenas o nada.
O silêncio era tão denso que o garoto conseguia ouvir as batidas aceleradas e descontroladas do seu próprio coração, como um tambor frenético martelando em seus ouvidos.
O pânico tomou conta de sua mente de uma só vez, visceral e incontrolável.
— MMMMPH!! MMM-PPHHH!! — Oliver começou a se sacudir em desespero total.
Ele puxou os braços com tanta força que as cordas cortaram o tecido de suas mangas pretas, raspando sua pele e arrancando lascas microscópicas de papel. Ele bateu as pernas contra os suportes de madeira, arqueou as costas, forçou a ponta do seu braço de lápis contra as amarras até que o grafite rangesse perigosamente, mas nada cedeu. A cadeira apenas tremia e dava pequenos saltos barulhentos no chão, mantendo-o firmemente aprisionado.
— MMMPH! SOC--- MMPHH!! — ele tentava gritar, mas a fita adesiva segurava cada palavra, devolvendo o som para sua garganta em um eco abafado e angustiante.
A respiração de Oliver começou a se tornar rasa, entrecortada e desesperada. Respirando apenas pelas narinas, o ar frio entrava queimando seus pulmões enquanto o cheiro da cola sintética da fita invadia sua cabeça, tornando a sensação de asfixia quase insuportável.
As imagens do rosto cruel de Armitage continuavam piscando em sua memória na escuridão. O tamanho das garras, a facilidade com que fora subjugado, a humilhação de ter sido carregado como uma boneca de pano. Pela primeira vez em toda a sua vida na Paper School, Oliver se sentiu verdadeiramente fraco. Não havia piada, não havia risada travessa, não havia nenhum sabonete para mascarar a dor. Havia apenas terror puro e cru.
Uma queimação ardida subiu por seus olhos. Contra a sua vontade, lágrimas quentes e involuntárias começaram a brotar, escorrendo por suas bochechas pálidas até tocarem as bordas superiores da fita preta que lacrava sua voz. Ele cerrou os olhos com força, tentando impedir o choro, mas as lágrimas continuaram descendo, lavando a marca do "A+" em seu rosto na escuridão invisível.
Sua mente começou a ecoar em um turbilhão caótico, uma tempestade de vozes interiores que gritavam para as paredes vazias:
Zip! Por favor, Zip! Onde você está?! Edward! Me tirem daqui! Alguém me ajude!
Por favor... Edward... Zip... Venham logo...
A voz em seus pensamentos gritava tão alto que parecia ensurdecedora dentro de seu crânio, ecoando pelos labirintos daquela sala vazia em um apelo desesperado que jamais alcançaria os ouvidos de seus amigos. O medo do escuro, o medo do que Armitage e sua máfia fariam a seguir, e o sentimento esmagador de total solidão se fundiram em um peso sufocante que o paralisou lentamente.
Exausto de se debater, com as cordas queimando seus membros e o lápis preso contra a madeira, Oliver tombou a cabeça para frente. Seu rabo de cavalo desabou sobre o ombro, e ele apenas continuou ali, tremendo no meio da escuridão absoluta, soltando soluços abafados por baixo da fita preta enquanto o tempo parecia parar naquele pesadelo sem fim.
