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Oliver x armitage

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 15/09/2026

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A Teia de Couro e Silêncio

A escuridão daquela sala esquecida da Paper School parecia ter peso próprio, uma substância viscosa feita de poeira antiga e grafite moído. No centro do cômodo úmido e mal iluminado por uma fresta solitária entre tábuas podres, a respiração de Oliver ecoava em arquejos truncados. Cada terminação nervosa de seu corpo gritava em alerta, mas ele ainda mantinha, em algum canto desesperado de sua mente, a ilusão infantil de que continuava no controle.

Ele era o terror dos corredores. Ele mastigava pedaços de sabão e lâminas afiadas apenas para assustar os novatos. Ninguém ousava encostar nele.

Pelo menos, era nisso que acreditava até a cadeira onde estava sentado tombar violentamente para o lado.

Com um puxão seco e impiedoso, Armitage chutou os pés de madeira do assento, arremessando Oliver diretamente contra o chão de concreto gelado. O impacto foi surdo. O corpo amarrado do rapaz bateu com força, raspando a lateral do rosto e fazendo sua franja volumosa e a mecha arrepiada se espalharem em desordem. O longo cabelo branco, que quase alcançava seus calcanhares com o laço preto agora frouxo, espalhou-se pela sujeira. Seu braço esquerdo, o rígido e afiado cilindro de lápis, chocou-se contra o piso, incapaz de amortecer a queda devido às cordas que o prendiam firmemente contra o tronco.

A cadeira foi afastada com um arranhão estridente, empurrada por uma daquelas pontiagudas garras negras de Armitage.

Oliver rosnou por baixo da fita adesiva, os olhos brilhando em puro ódio e pavor reprimido. Ele tentou se contorcer, dobrando as pernas e chutando o ar, mas sua mobilidade era ridícula. Era como um inseto que tivera as asas arrancadas.

Armitage deu dois passos lentos e calculados. O som de seus pés finos e bifurcados como diapasões estalava no chão a cada movimento. Vestido em seu terno imaculadamente branco, que contrastava de maneira grotesca com a penumbra do cativeiro, o líder da máfia parecia uma aparição desenhada em pesadelos. Ele ajeitou a cartola branca com seus dois olhos escarlates decorativos, antes de dobrar os joelhos com elegância perturbadora e se agachar ao lado do garoto caído.

Com uma de suas quatro mãos pretas e esguias, Armitage segurou o queixo de Oliver. O toque não era suave; as pontas afiadas dos dedos pressionavam a pele de papel com uma força calculada, erguendo a cabeça do jovem valentão para que seus olhares se cruzassem. As mandíbulas de aranha de Armitage estalaram em um tique quase imperceptível ao redor de seus lábios, enquanto seus quatro olhos vermelhos — os dois menores brilhando logo acima dos principais — fixavam-se em Oliver com um prazer sádico inegável.

Oliver tentou desviar a cabeça, mas o aperto se fechou em um torno de ferro. Seus pequenos chifres negros tremiam.

— Que temperamento fascinante — murmurou Armitage, sua voz arrastada, suave e pesada como chumbo derretido. — Tanta rebeldia em uma casca tão frágil.

Sem aviso, outra mão negra avançou em direção ao rosto de Oliver. Os dedos agarraram a borda da fita que cobria a boca do rapaz e a arrancaram com um puxão brutal.

A dor fez a pele fina arder como se tivesse sido queimada por ácido. No mesmo instante em que seus lábios foram libertados, Oliver rompeu em berros. A fúria, o estresse e o desespero reprimidos transbordaram em um fluxo descontrolado de palavras agressivas.

— Seu desgraçado! — gritou Oliver, a voz rouca falhando pela garganta seca. — Quem você pensa que é, hein?! Quando o Edward e a Zip me acharem, você tá morto! Você e essa sua corja de aberrações! Me solta agora, seu merda, ou eu juro que enfio esse meu braço na sua garganta até furar do outro lado!

Armitage nem sequer piscou diante das ofensas histéricas. Pelo contrário: um sorriso lento, pontiagudo e aterrorizante se abriu em sua face pálida, revelando dentes que pareciam feitos para triturar.

De repente, a mão que segurava o queixo de Oliver subiu para sua garganta, e o mafioso projetou todo o seu peso para a frente, imobilizando o rapaz contra o chão. A gravata cinza e preta listrada de Armitage roçou o colarinho escuro de Oliver. O calor da respiração da criatura envolveu o rosto do garoto, paralisando-o no meio de mais uma sequência de insultos.

Armitage aproximou a boca muito perto do ouvido de Oliver. O sussurro que se seguiu veio carregado de uma frieza que congelou os ossos do valentão da escola:

— Você ainda acha que este é o seu parquinho, garotinho? — sussurrou ele, arrastando as palavras com uma cadência aterrorizante. — Olhe bem para onde você está. Ninguém ouve você aqui. Benedict e Sean-landis estão cuidando para que nenhum dos seus amiguinhos chegue perto. Zip não vai te salvar. Ninguém vem. Eu conheço pirralhos mimados como você: quebram os brinquedos dos outros porque nunca tiveram nada quebrado em si mesmos. Mas eu vou despedaçar você, pedaço por pedaço. Vou quebrar esse seu grafite até sobrar apenas poeira. Você não manda em nada. Você é apenas uma propriedade agora.

As palavras penetraram a armadura de arrogância de Oliver como lâminas enferrujadas. Seus olhos se arregalaram, as pupilas encolhendo em pontos minúsculos. O coração batia com tanta força que ele sentia as têmporas pulsarem. Ele engoliu em seco, incapaz de formular uma única réplica, enquanto o arrepio de puro terror descia por sua espinha, deixando-o visivelmente traumatizado. O chão sob ele parecia ter desaparecido.

Armitage se afastou lentamente, contemplando o choque desenhado no rosto pálido do garoto. Mas ele não havia terminado.

Descendo suas mãos adicionais pelas pernas de Oliver, o líder mafioso agarrou as botas pretas do garoto. Oliver se sobressaltou, tentando encolher as pernas, mas com um movimento fluido e ríspido, Armitage desatou os fechos e arrancou o calçado pesado.

— Não! Para! — tentou berrar Oliver, o pânico tomando um tom agudo e infantil.

Ignorando os protestos, as garras escuras puxaram as meias brancas que iam até os joelhos do garoto, deslizando-as para fora de uma vez só e jogando-as para o canto escuro do quarto.

O ar gélido da sala atingiu a pele exposta dos pés de Oliver. A sensação de nudez e vulnerabilidade absoluta era esmagadora. Ele estava desarmado, exposto, desprovido de qualquer proteção simbólica de seu traje costumeiro. Era como se tivessem arrancado uma parte de sua própria integridade física. Oliver sentiu um nó violento na garganta, seus olhos enchendo-se involuntariamente de lágrimas de indignação e humilhação crua. Ele abriu a boca para soltar o grito mais alto que seus pulmões aguentassem, na esperança absurda de que alguém o ouvisse nos andares superiores.

Porém, Armitage fora mais rápido.

De dentro do casaco branco imaculado, o mafioso puxou uma mordaça pesada: uma bola vermelha e maciça, atravessada por tiras grossas de couro preto e fivelas de metal frio.

Antes que Oliver pudesse expelir o ar para gritar, Armitage forçou a bola contra seus dentes.

— Abre — sibilou Armitage com tom de comando absoluto.

A massa sólida empurrou os lábios de Oliver, forçando sua mandíbula a se abrir contra a própria vontade. O objeto invadiu sua boca, preenchendo todo o espaço, empurrando sua língua para trás e mantendo sua arcada dentária rigidamente travada sobre a borracha densa.

Com duas de suas mãos segurando a cabeça de Oliver para impedir que ele se movesse, as outras duas mãos puxaram as tiras de couro com brutal precisão, contornando a mandíbula e passando por trás da nuca, prendendo a fivela com um estalo metálico definitivo. A correia foi apertada até o último furo, pressionando as laterais de suas bochechas de modo implacável.

Oliver se contorceu furiosamente no chão. Os dentes cravados na mordaça impediam qualquer articulação; sua boca transbordava de saliva que ele mal conseguia engolir. Ele tentou gritar, mas tudo o que escapou foi um som abafado, rouco e estrangulado:

— Mmhff! Nn-mmph!

Seu corpo inteiro tremia de estresse e ódio impotente. A marca de "A+" em seu cabelo parecia uma piada de mau gosto diante da sua completa sujeição.

Armitage abaixou-se uma vez mais, trazendo o rosto colado à bochecha de Oliver, que arfava descompassado pelo nariz.

— Muito melhor — sussurrou o mafioso com escárnio, acariciando os cabelos brancos desgrenhados do garoto com uma de suas garras afiadas. — Agora você soa exatamente como o nada que você é. Fique quieto e aprecie o silêncio que você sempre roubou dos outros.

Oliver fechou os olhos com força, lágrimas de pura raiva e vergonha escorrendo pelos cantos de suas pálpebras, enquanto Armitage se erguia elegantemente, admirando sua obra.


Do lado de fora, a alguns lances de escada e corredores de distância, passos apressados ecoavam pelo chão quadriculado da Paper School.

Edward caminhava em círculos, ajustando os óculos no rosto com nervosismo evidente. Suas ferramentas e bugigangas de cientista batiam em seus bolsos a cada movimento tenso. Zip e ele haviam combinado de se encontrar com Oliver há mais de uma hora perto dos armários do segundo andar para planejar uma armadilha contra os alunos mais novos, mas Oliver simplesmente desaparecera do mapa. Isso nunca acontecia. Oliver adorava o caos; ele jamais perderia uma oportunidade de aterrorizar os colegas.

— Oliver? Onde é que esse idiota se meteu? — resmungou Edward para si mesmo, vasculhando com o olhar as portas trancadas daquela ala desativada do prédio.

Ele sabia que Oliver costumava rondar aquelas salas vazias quando queria ficar sozinho ou comer suas lâminas em paz. No entanto, o clima parecia estranho. Havia uma atmosfera pesada no ar, uma sensação quase palpável de que algo muito errado estava acontecendo sob a superfície de papel daquela escola.

Edward continuou andando até parar diante de uma porta de metal pesado, com a pintura descascando em tiras longas. Uma leve corrente de ar frio parecia escapar pela fresta inferior.

Aproximando-se, ele ergueu o punho e bateu com força:

— Oliver? Ei! Você tá aí dentro, cara? — gritou Edward, esperando a habitual risada debochada ou uma resposta sarcástica.

Silêncio. Apenas um ruído baixo, que lembrava algo raspando no cimento, seguido por uma vibração sufocada.

— Oliver? Anda logo, para de brincadeira, a Zip tá esperando lá fora! — insistiu ele, já irritado.

Sem obter resposta verbal, Edward estendeu a mão, segurou a maçaneta fria e a girou. Para sua surpresa, a fechadura cedeu sem resistência.

A porta rangeu em um gemido estridente e se abriu lentamente, revelando a penumbra sufocante do cativeiro.

Edward deu um passo hesitante para dentro da sala, piscando para acostumar os olhos à escassez de luz.

— Oliver, se isso for outra das suas pegadinhas idiotas, eu juro que...

As palavras morreram em sua garganta.

No centro da sala, iluminado fracamente pela poeira suspensa, estava Oliver. Jogido no chão sujo, sem as botas, com os pés nus e pálidos à mostra, contorcendo-se desesperadamente. Seus braços estavam colados ao corpo por cordas impiedosas, e uma enorme mordaça de bola vermelha com tiras grossas de couro dividia seus dentes, mantendo sua boca aberta e inerte, enquanto lágrimas secas manchavam suas bochechas.

Ao ver o amigo entrar, Oliver arregalou os olhos. Um relâmpago de terror e alerta cruzou seu semblante, e ele começou a debater-se furiosamente contra o chão, soltando sons desesperados que tentavam avisar Edward:

— MMMPH! NNN-GH! N-NÃO! MM-SAI!

— O-Oliver?! O que... quem fez isso com você?! — balbuciou Edward, dando um passo involuntário para trás, a mente incapaz de processar o que seus olhos viam. O invencível Oliver estava amarrado como um animal em um abatedouro.

Edward deu meia-volta em pânico absoluto para correr pelo corredor, mas a porta de metal bateu com violência atrás dele, trancando o mundo exterior para sempre.

Das sombras ao lado da entrada, como se emergisse da própria tinta das paredes, surgiu Armitage.

Em um piscar de olhos, antes que o cérebro de Edward pudesse comandar seus membros a fugir, duas das mãos pretas do mafioso dispararam para a frente. Uma delas agarrou a gola da camisa de Edward, erguendo-o do chão, enquanto a outra envolveu sua garganta com firmeza impiedosa, cortando qualquer tentativa de grito em um engasgo seco.

— Shhh... convidados mal-educados não batem sem esperar serem convidados — sussurrou Armitage, materializando-se logo ao lado do ouvido de Edward.

O hálito gélido da criatura atingiu a lateral do pescoço de Edward, fazendo os pelos de sua nuca se eriçarem. Os olhos do garoto arregalaram-se atrás das lentes dos óculos, tomados por um choque paralisante.

— Mas que agradável surpresa — continuou o líder mafioso, a voz destilando veneno concentrado. — O pequeno inventor veio procurar o chefe da quadrilha. Uma pena que o seu líder tenha sido rebaixado a nada mais do que um enfeite de chão.

Com um movimento rápido e brutal, as outras duas garras de Armitage avançaram com cordas resistentes de nylon escuro. Em questão de segundos, antes que Edward pudesse se debater de forma eficiente com suas pernas curtas, os braços do garoto foram puxados para trás e amarrados com nós cegos e apertados, travando seus pulsos e cotovelos em uma posição dolorosa.

Edward foi atirado de joelhos ao lado de Oliver, arfando, aterrorizado e desesperado.

— Me solta! Você é louco?! Você sabe o que as professoras vão fazer com você quando descobrirem isso?! — gritou Edward, debatendo o tronco e tentando usar os pés para chutar o ar, mas a falta de equilíbrio o fazia parecer patético.

Armitage apenas soltou uma risada baixa, uma sucessão de estalos de suas mandíbulas de aranha que soava como folhas secas sendo trituradas. Ele levou a mão ao bolso interno do terno branco e retirou uma segunda mordaça idêntica à de Oliver: couro reforçado, fivelas pretas e uma esfera vermelha reluzente e rígida.

— As professoras não mandam aqui, rapazinho. A Paper School tem donos que você sequer consegue conceber em suas pequenas engrenagens infantis.

Armitage pisou com força na parte de trás dos joelhos de Edward, forçando-o a se curvar ainda mais. Com duas mãos imobilizando a cabeça do cientista e puxando seu queixo para baixo, Armitage enfiou a bola da mordaça entre os dentes de Edward antes que ele pudesse fechar a boca.

A bola de borracha dura se encaixou com um baque surdo contra sua língua. As tiras foram puxadas para trás de suas orelhas e amarradas com uma força esmagadora na mandíbula do menino, esticando seus lábios em uma careta forçada e humilhante. Os dentes de Edward rasparam na superfície da mordaça, e a pressão nas laterais de sua face fez seus óculos escorregarem pelo nariz.

— Mmmphh! Hhh-mmph! — protestou Edward, o corpo inteiro se contorcendo, as pernas chutando a poeira enquanto o pânico puro tomava conta de cada fibra de seu ser. Ele tentava sacudir a cabeça para afrouxar o couro, mas a fivela estava perfeitamente ajustada.

Ao lado dele, Oliver soltava murmúrios abafados de agonia e culpa, incapaz de ajudar seu parceiro, reduzido a uma testemunha muda da mesma tortura pela qual acabara de passar.

Armitage caminhou lentamente ao redor dos dois rapazes caídos, desfilando como um predador que finalmente encurralara todas as suas presas na mesma teia. Ele parou bem atrás de Edward, abaixando-se até que sua cartola quase tocasse os cabelos do jovem inventor.

Com uma das garras afiadas, ele empurrou os óculos tortos de Edward de volta ao lugar, apenas para depois deslizar a unha pela pele da têmpora do rapaz, traçando uma linha fria que fez Edward estremecer da cabeça aos pés.

Armitage colou a boca ao ouvido de Edward e sussurrou:

— Olhe para o seu grande amigo ali, Edward. Olhe bem para o Oliver. Aquele que você achava ser intocável. Veja como ele saliva, como ele chora, como ele implora sem conseguir dizer uma única palavra. Você achou que suas invenções, suas regrinhas e suas pegadinhas infantis protegiam você do mundo real? Vocês não passam de folhas de caderno rasgadas jogadas na sarjeta. Ninguém sabe onde vocês estão. E se eu decidir deixar vocês aqui trancados até o final da semana, ninguém vai procurar nos lugares certos. Vocês pertencem ao silêncio agora.

As palavras cruéis, ditas com a mais absoluta frieza e autoridade mafiosa, despedaçaram a última réstia de coragem que Edward tentava manter.

A respiração do garoto começou a falhar, tornando-se curta e entrecortada. A humilhação da mordaça que preenchia sua boca, a dor das cordas apertando seus pulsos, a impotência de ver Oliver quebrado ao seu lado e a constatação aterrorizante de que estavam completamente à mercê daquele monstro fizeram as defesas de Edward desmoronarem. Seus olhos se encheram de água, e grossas lágrimas começaram a escorrer por seu rosto pálido, caindo silenciosamente sobre o couro das tiras que lacravam sua voz. Ele tremia tanto que os dentes batiam desesperadamente contra a bola de borracha, quase desabando em um choro infantil e desolado.

Armitage levantou-se em toda a sua estatura, cruzando dois pares de braços atrás das costas imaculadas. Seus quatro olhos vermelhos brilhavam intensamente na escuridão, contemplando os dois valentões da Paper School agora amarrados, amordaçados e reduzidos a nada diante do império do medo que ele comandava com perfeição.

— Que bela aula de silêncio — declarou Armitage, caminhando calmamente em direção à porta pesada. — Tenho certeza de que agora vocês aprenderão a ouvir.

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