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Photoshoot

Fandom: Bad Omens

Criado: 16/09/2026

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RomanceFatias de VidaFofuraPhotoficEstudo de PersonagemDrama
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Fios de Cetim e Sombras de Tinta

O estúdio fotográfico no centro de Richmond estava mergulhado em uma luz suave e azulada, interrompida apenas pelo brilho ocasional dos flashes que testavam o ambiente. O cheiro de café fresco e spray de cabelo pairava no ar. Noah Sebastian, encostado contra uma das paredes de tijolos expostos, observava o movimento com uma calma que mascarava sua timidez intrínseca. Com seus 1,92m de altura, ele era uma presença impossível de ignorar, mesmo tentando passar despercebido sob o boné preto e o moletom largo.

Ele ajustou a franja curtain bangs que teimava em cair sobre seus olhos castanhos de traços asiáticos. Noah estava ali por um único motivo: Nina. Sua melhor amiga, a mulher que compartilhava com ele os palcos caóticos do metal moderno e as madrugadas silenciosas jogando videogame, o havia convencido a acompanhá-la.

— Você prometeu, Noah! — Nina gritou de algum lugar atrás das araras de roupas. — Disse que se eu gravasse aquele cover de Naruto com você, você seria meu suporte moral hoje.

Noah sorriu, um gesto raro e contido que iluminou seu rosto.

— Eu estou aqui, não estou? — respondeu ele, a voz grave ressoando no espaço amplo. — Só não entendi por que precisa de suporte moral para tirar fotos de roupas de inverno. Achei que você amasse casacos de couro.

Um silêncio súbito tomou conta do estúdio. Noah franziu o cenho, desencostando-se da parede. Seus ombros largos, esculpidos por anos de jiu-jitsu e disciplina na academia, tencionaram levemente.

Nina surgiu de trás de um biombo de veludo, mas não estava usando o couro ou o jeans que ele esperava. Ela usava um robe de seda preta entreaberto, revelando apenas vislumbres de uma renda vermelha profunda por baixo. Ao lado dela, Elena, a dona da marca e amiga comum de ambos, segurava um cabide com uma peça que Noah levou alguns segundos para processar.

— Então... — começou Elena, com um sorriso travesso. — Houve uma pequena mudança de planos no cronograma da coleção. O inverno ficou para o mês que vem. Hoje, vamos de "L'Amour Noir".

Noah sentiu o sangue subir pelo pescoço, aquecendo as tatuagens que subiam por sua clavícula.

— Lingerie? — A voz dele saiu um tom mais baixo do que o pretendido.

— Nina é o rosto da campanha — explicou Elena, empurrando a amiga para o centro do set. — E Noah, já que você está aqui e é, bem... você... eu tive uma ideia melhor.

Nina olhou para Noah, as bochechas tão ruivas quanto o corte curto de seu cabelo. Ela parecia vulnerável e, ao mesmo tempo, terrivelmente poderosa.

— Noah, ela quer que você participe de algumas fotos — Nina disse, mordendo o lábio inferior. — Algo artístico. Sombras, contrastes. O vocalista do Bad Omens e a garota de fogo. O que você acha?

Noah olhou para Nina. Ele a conhecia há anos. Conhecia o tom de sua risada quando ele falava sobre teorias de animes e a força de sua voz quando ela gritava no microfone. Mas vê-la ali, envolta em seda e renda, despertou algo que ele vinha tentando enterrar sob camadas de profissionalismo e amizade.

— Eu não sou modelo, Nina — ele disse, embora já estivesse retirando o moletom, revelando a regata preta que marcava seus braços cobertos por tinta preta e cinza.

— Você não precisa modelar — Elena interveio, já ajustando as luzes. — Apenas seja o porto seguro dela. O contraste da sua pele, das suas tatuagens, com a delicadeza das peças dela. Vai ser épico.

Minutos depois, Noah estava sentado em um banco alto de madeira no centro do set. Ele havia tirado a regata a pedido de Elena, deixando seu torso largo e definido à mostra. As tatuagens em seus braços e costas pareciam ganhar vida sob a iluminação dramática. Nina se aproximou, deixando o robe cair no chão.

O ar pareceu sumir dos pulmões de Noah. Ela estava deslumbrante em um conjunto de renda preta com detalhes em tiras que abraçavam suas curvas de forma provocante.

— Tudo bem? — ela sussurrou, aproximando-se do espaço entre as pernas dele.

— Sim — Noah respondeu, a garganta seca. — Você está... incrível, Nina.

— Ótimo! — exclamou a fotógrafa. — Noah, coloque as mãos na cintura dela. Nina, descanse os braços nos ombros dele. Quero intimidade, quero a tensão que vocês dois fingem que não existe há três anos.

O comentário de Elena pairou no ar como um desafio. Noah hesitou por um segundo antes de espalmar as mãos grandes nas laterais da cintura de Nina. A pele dela era quente e macia sob seus dedos calejados pelos treinos. Nina estremeceu levemente, mas não se afastou. Pelo contrário, ela se inclinou para frente, enterrando os dedos nos cabelos castanhos da nuca de Noah.

— Respire, Noah — ela murmurou, tão perto que ele podia sentir o cheiro de baunilha e sândalo de seu perfume.

— Difícil fazer isso com você me olhando assim — ele admitiu, a voz rouca.

A câmera começou a disparar. O som do obturador era o único ritmo em um ambiente que parecia ter encolhido até restar apenas os dois.

— Olhem um para o outro — comandou Elena. — Nina, aproxime o rosto. Quase um beijo, mas não cheguem lá.

Noah sentiu o coração martelar contra as costelas. Ele era um homem reservado, alguém que preferia o isolamento do estúdio de gravação ao brilho das festas, mas ali, com Nina em seus braços, a timidez estava sendo substituída por um desejo avassalador. Ele deslizou uma das mãos das costas dela para a nuca, puxando-a gentilmente para mais perto.

Os olhos castanhos de Noah encontraram os dela. Havia uma pergunta silenciosa naqueles olhares, uma barreira que estava prestes a ruir.

— Noah... — Nina sussurrou, o nome dele soando como uma prece.

— Eu te peguei — ele respondeu, a voz carregada de uma possessividade que ele não sabia que possuía.

A sessão continuou, mas a dinâmica havia mudado. Não era mais apenas um trabalho ou um favor para uma amiga. Cada toque era carregado de eletricidade. Em uma das poses, Nina sentou-se no colo dele, as pernas ruivas contrastando com as calças escuras de Noah. Ele a segurava com firmeza, os polegares traçando círculos na pele exposta de suas coxas.

— Isso está perfeito — disse Elena, verificando as fotos na tela do computador. — A química é palpável. Vocês terminaram por hoje.

Mas nenhum dos dois se moveu imediatamente. O estúdio começou a voltar à vida normal, assistentes guardando equipamentos e conversando sobre o jantar, mas Noah e Nina permaneciam naquela bolha de silêncio e calor.

Noah limpou a garganta, soltando-a devagar, embora suas mãos parecessem relutantes em perder o contato.

— Eu vou... vou colocar minha camisa — ele disse, levantando-se.

Nina pegou seu robe do chão, cobrindo-se apressadamente.

— Noah, espera.

Ele parou e se virou. O cabelo estava levemente bagunçado pelo toque dela, e a luz das lâmpadas de fundo criava uma aura ao redor de sua figura imponente.

— O que a Elena disse... sobre a tensão — Nina começou, caminhando até ele até que estivessem escondidos atrás de uma fileira de roupas penduradas. — Ela não estava errada, estava?

Noah suspirou, passando a mão pelo rosto. Ele pensou em Naruto, em como os personagens muitas vezes escondiam seus verdadeiros sentimentos sob máscaras de dever ou medo. Ele não queria mais usar uma máscara.

— Nina, eu passo metade do meu tempo escrevendo músicas sobre sentimentos que eu tenho medo de admitir em voz alta — ele confessou, dando um passo em direção a ela. — E a maioria dessas músicas, se você prestar atenção nas letras... são sobre você.

Os olhos de Nina se arregalaram.

— Noah, eu achei que era coisa da minha cabeça. Que você só me via como a parceira de banda, a amiga que joga videogame até as três da manhã.

— Eu te vejo como tudo, Nina — Noah disse, a voz vibrando de honestidade. — Eu me preocupo com a minha voz, com a minha saúde, com a banda... mas nada disso importa se você não estiver lá para ver.

Nina sorriu, um sorriso que não era para as câmeras, mas apenas para ele. Ela se aproximou, ficando na ponta dos pés, e Noah, sem hesitar, inclinou-se, diminuindo a distância entre eles.

Diferente das fotos, não houve quase beijo.

Quando seus lábios se encontraram, foi uma colisão de anos de saudade e desejo contido. O beijo era profundo, com Noah envolvendo-a em seus braços largos, tirando-a do chão como se ela fosse a coisa mais preciosa do mundo. Nina entrelaçou as mãos no pescoço dele, sentindo o calor de sua pele e a força de seus ombros.

Quando se separaram, ambos estavam sem fôlego. Noah encostou a testa na dela, os olhos fechados, aproveitando a sensação de tê-la finalmente onde sempre quis.

— Então — Nina sussurrou, recuperando o fôlego —, isso significa que o cover de Naruto está cancelado?

Noah soltou uma risada baixa e vibrante que aqueceu o peito de Nina.

— De jeito nenhum. Mas agora, eu pretendo cobrar muito mais do que apenas suporte moral.

Nina riu, puxando-o pela gola da camisa que ele acabara de vestir.

— Acho que podemos chegar a um acordo, Sebastian.

Eles saíram do estúdio de mãos dadas, deixando para trás os flashes e as rendas, mas levando consigo a certeza de que, a partir daquela noite, o metal, os animes e a vida teriam um som muito mais harmonioso.

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