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The Concert

Fandom: Bad Omens

Criado: 16/09/2026

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Ecos de um Desejo Adiado

A distância é uma tortura silenciosa, especialmente quando o último contato físico foi um contrato não escrito de intenções pecaminosas. Para Nina, as semanas que se seguiram ao ensaio fotográfico em Richmond foram um teste de resistência. As mensagens trocadas durante a madrugada, as chamadas de vídeo onde Noah, exausto após os shows, a observava com aqueles olhos castanhos profundos e semicerrados, eram apenas paliativos. O desejo que haviam despertado no estúdio, cercados por rendas e flashes, não havia esfriado; ele havia fermentado, tornando-se algo denso e inebriante.

Quando Nina decidiu voar para o Texas para o último show da perna americana da turnê do Bad Omens, ela não avisou a ninguém. Ela queria a surpresa. Queria ver o impacto da sua presença nos olhos dele, sem o filtro de uma tela de celular.

Ela assistiu ao show da lateral do palco, escondida nas sombras, protegida pelos seguranças que já a conheciam há anos. Ver Noah no palco era sempre uma experiência transcendental. Ele parecia um gigante, seus 1,92 metros de altura dominando o espaço com uma presença magnética. A iluminação realçava a estrutura óssea de seu rosto — a herança japonesa e nativo-americana esculpida em traços fortes, o nariz fino, os lábios que ela sabia serem macios. Quando ele cantava, as veias de seu pescoço tatuado saltavam, e Nina sentia um arrepio que não tinha nada a ver com a música e tudo a ver com a memória das mãos dele em sua pele.

Assim que a última nota de "Just Pretend" ecoou e as luzes se apagaram, ela se dirigiu aos camarins. O burburinho pós-show era familiar.

— Nina?! Não acredito! — O grito veio de Nick Folio, que largava suas baquetas em uma mesa lateral. O baterista a envolveu em um abraço suado e barulhento. — O que você está fazendo aqui, garota?

— Eu não podia deixar vocês terminarem a turnê sem uma comemoração de verdade — Nina riu, retribuindo o abraço.

Logo, ela estava cercada. Jolly a cumprimentou com seu jeito calmo e um sorriso cúmplice, enquanto Nick Rufillo e sua noiva se juntavam ao grupo, trocando novidades e risadas. O ambiente era de pura euforia, o alívio típico de quem cumpriu uma missão exaustiva.

E então, ele entrou.

Noah atravessou a porta com uma toalha pendurada no pescoço, o cabelo castanho úmido e desalinhado, as franjas "curtains" caindo sobre os olhos. Ele estava vestindo uma regata preta que deixava seus ombros largos e braços completamente tatuados à mostra. Quando seus olhos encontraram os de Nina, ele parou bruscamente.

O silêncio que se seguiu, pelo menos para os dois, foi ensurdecedor. O resto do camarim continuava conversando e rindo, mas entre Noah e Nina, o ar parecia ter sido sugado. A tensão era física, uma corda esticada ao limite.

— Nina — ele disse, a voz rouca pelo esforço do show. Ele não sorriu de imediato; em vez disso, sua expressão era de um choque contido, uma fome que ele tentava mascarar atrás de sua habitual timidez.

— Oi, Noah — ela respondeu, tentando manter a voz casual, embora seu coração estivesse martelando contra as costelas.

— Você veio — ele constatou, aproximando-se. Ele parou a uma distância segura, a distância de "apenas amigos", mas seus olhos percorreram o corpo dela com uma intensidade que a fez queimar.

Nina sabia o efeito que estava causando. Ela havia escolhido sua roupa com uma intenção quase cruel: um corset de renda preta que apertava sua cintura, uma minissaia de couro e botas que subiam até as coxas, com saltos grossos que a deixavam quase na altura dos olhos dele. Ela era a personificação da tentação que eles haviam deixado pendente em Richmond.

— Eu disse que viria, não disse? — Ela arqueou uma sobrancelha.

— É, você disse.

Eles ficaram ali, cercados pelos amigos, fingindo uma normalidade que não existia mais. Noah tentava participar da conversa de Jolly e Rufillo, mas seu olhar voltava para Nina a cada dois segundos. Ele via a maneira como a renda do corset emoldurava o busto dela, a forma como o couro da saia subia levemente quando ela se apoiava em uma perna só.

A cada risada de Nina, a cada toque casual que ela dava no braço de Folio durante uma piada, Noah sentia o controle escorregar por entre seus dedos. Ele era um homem reservado, focado, quase estoico, mas o histórico de três anos de segredos estava desmoronando.

— Com licença, pessoal — Noah disse de repente, sua voz cortando o falatório. Ele tocou o cotovelo de Nina, um toque que enviou uma descarga elétrica por ambos. — Nina, você pode me ajudar com uma coisa na sala ao lado? É sobre aquela mixagem que você comentou por mensagem.

Folio soltou uma risadinha baixa, mas foi ignorado. Nina apenas assentiu, seguindo Noah para a sala de apoio adjacente, usada normalmente para aquecimento vocal ou reuniões rápidas.

Assim que a porta se fechou e o som abafado das risadas dos amigos ficou para trás, a máscara caiu.

Noah não esperou. Ele a prensou contra a porta fechada, suas mãos grandes encontrando a cintura de Nina com uma urgência que a fez soltar um suspiro curto.

— Você está tentando me matar? — ele sussurrou, o rosto a centímetros do dela. O cheiro de suor, adrenalina e o perfume amadeirado dele a envolveram.

— Por que, Noah? Algum problema com a minha roupa? — Nina provocou, passando os braços pelo pescoço dele, sentindo os músculos tensos dos ombros largos.

— Você sabe exatamente o problema — ele rosnou, antes de tomar os lábios dela em um beijo que era pura libertação.

Não era um beijo de "amigos". Era o beijo de dois anos de repressão, de noites em claro e de um desejo que quase os consumiu no estúdio fotográfico semanas atrás. A língua de Noah explorava a boca dela com uma possessividade que a deixava tonta. Ele a suspendeu com facilidade, a força de quem pratica jiu-jitsu e treina pesado sendo evidente na forma como ele a manuseava.

Nina envolveu as pernas revestidas de couro ao redor da cintura dele, as botas de salto batendo contra a porta. Noah a carregou até o balcão de granito que ficava em frente a um grande espelho de camarim, rodeado por lâmpadas quentes. Ele a sentou ali, posicionando-se entre suas pernas, sem romper o contato dos lábios.

— Eu não consegui pensar em outra coisa desde Richmond — Noah confessou entre beijos arfantes, descendo o rosto para o pescoço dela. Ele mordeu levemente a pele macia logo abaixo da orelha, e Nina jogou a cabeça para trás, soltando um gemido baixo. — Cada vez que eu fechava os olhos no ônibus da turnê, eu via você naquela lingerie.

— E agora, Noah? — ela perguntou, as mãos puxando o cabelo curto dele, desfazendo ainda mais o penteado repartido. — O que você vai fazer agora que eu não estou mais em uma foto?

Noah parou por um segundo, olhando para ela através do espelho. A imagem era poderosa: ele, o gigante tatuado, rendido entre as pernas de uma mulher que o desafiava com o olhar. Ele deslizou as mãos pelas coxas dela, sentindo a textura do couro e o calor da pele onde a bota terminava.

— Eu vou parar de fingir — ele disse seriamente. — Chega de segredos, Nina. Eu quero você. Não como minha melhor amiga, não como a cantora que eu admiro. Eu quero você de todas as formas que um homem pode querer uma mulher.

Ele voltou a beijá-la, desta vez com mais calma, mas com uma intensidade que prometia muito mais. As mãos de Noah começaram a subir pela renda do corset, procurando os fechos, enquanto Nina puxava a regata dele para cima, querendo sentir a pele das costas dele sob suas unhas.

O clima na sala estava saturado de eletricidade. O calor das lâmpadas do espelho parecia aumentar a temperatura dos corpos. Noah estava distribuindo beijos pelo colo dela, a barba por fazer roçando a pele sensível, quando o som da maçaneta girando os trouxe de volta à realidade.

A porta se abriu abruptamente.

— Ei, Noah, o pessoal está pedindo pizza e…

Nick Folio parou no meio da frase. Seus olhos se arregalaram enquanto ele processava a cena: Nina sentada no balcão, com as pernas abertas ao redor de um Noah Sebastian visivelmente desarrumado e com marcas de batom no pescoço.

Houve um silêncio mortal por três segundos.

— Ah… — Folio gaguejou, dando um passo para trás, a mão ainda na maçaneta. — A pizza… chega em vinte minutos. Eu… vou avisar que vocês estão "ocupados" com a mixagem.

Ele fechou a porta tão rápido quanto a abriu.

Nina escondeu o rosto no ombro de Noah, soltando uma risada nervosa que beirava a histeria. Noah, por outro lado, apenas encostou a testa na dela, fechando os olhos e soltando um suspiro longo e pesado.

— Bom — Noah disse, um sorriso de canto finalmente surgindo em seus lábios —, acho que a parte de "manter as aparências" acabou de ir por água abaixo.

Nina se afastou um pouco, olhando para ele, os olhos brilhando de diversão e desejo.

— Você parece muito preocupado com isso — ela ironizou, ajeitando o corset.

Noah a puxou para perto novamente, prendendo-a em um abraço protetor e possessivo.

— Para ser honesto? Eu nunca estive tão aliviado.

— O que vamos fazer agora? — perguntou ela em voz baixa.

Noah a olhou no espelho, a expressão mudando de diversão para uma promessa sombria e excitante.

— Agora? — Ele deslizou a mão pela nuca dela, puxando-a para um último beijo rápido e intenso. — Agora nós vamos comer essa pizza, agir como se nada tivesse acontecido na frente dos outros por mais dez minutos, e depois eu vou te levar para o meu hotel. E lá, Nina… lá não vai ter ninguém para abrir a porta e nos interromper.

Nina sorriu, sentindo que a espera, por mais longa que tivesse sido, valeria cada segundo daquela noite. A amizade platônica estava morta e enterrada, e o que estava nascendo em seu lugar era algo muito mais selvagem e real.

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